J

 Índice

Silent Night

 

Página inaugurada em 21/02/2007

Última actualização 17/03/2007

Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal

32 Poemas Editados

- Domínio

- Adaga ágil

- Algures no tempo

- Antecâmara

- Asas do amanhã

- Bisa

- Bolero

- Cárcere de catedral

- D'Água

- Eco

- Enigmar Imaginário

- Esperança no caos

- Fácies de fado

- Gota a gota

- Honra de heróis

- Ìcone

- Já!!!

- Lua e lobo

- Mar de mel

- Necrópole

- Obsoleto

- Pátria

- Pintura Portuguesa

- Pó

- Quartzo

- Refresco

- Sepulcro dos Sonhos

- Tentação

- Umbilical

- Vale de Velas

- Xisto

- Zaragata

 

     

 

 

 

Domínio

 

 

Podem controlar-me a terra, o mar e o ar, mas não o pensamento!

Confecciono duas grandes asas prendo-as aos ombros e consigo levantar voo.

 

Flutuo ao sabor do vento, deslizo com as correntes, elevo-me graciosamente, subo em círculos, o céu infinito, o vento a enfunar-me as asas e sinto a liberdade que há muito não experimentara.

Olho para baixo, sobre o nada, tudo!

 

Vejo a cidade, seus habitantes, o trânsito, o ruído, os túneis, derrotas e ruínas…

 

Almejo chegar mais próxima do céu, deslumbrar-me no passeio das nuvens almofadadas. Nesta divagação perco a noção do dia e da noite, as nuvens mudam de cor, fatigada vislumbro a claridade da aurora na luz de um farol, pouso as asas, sinto a palavra só e escrevo.

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

Ouça este poema declamado por João Moutinho aca ressoa_1

 

 

 

 

Esperança no Caos

 

 

Ordeno que a possibilidade

Colapse!! Torne-se realidade!!

Descubra o abrigo na devastação

De minhas perdas e solidão!

Que o futuro mude o passado

Que eu encontre a criança que já fui

Enfrente as minhas ruínas, use as minhas

Derrotas, tenha consciência de mim!!!

Apelo à força dos ventos e marés

Às trovoadas cravadas nos bandos de chuva

Vontade consumada, atingida sou!!!

Mas o vento não deixou

Que todo o mal fosse feito,

Incessantemente ateou

Seu furor sobre o meu peito

Não me contive em poemas

E ao oceano fui parar…

Diluída pelas lágrimas,

Deixei de te procurar…

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

Ouça o poema declamado por João Moutinho aca ressoa_1

     

 

 

 

Adaga Ágil

 

 

 

Ao apetecer apimentar com acepipes

A apatia de Agosto, acomodei-me

Na almofada, a auscultar andorinhas!!!

Em acrobacia acidental, atraí o átomo.

Aborígene alimentado a água e amoras.

No ar, o aroma a alecrim adocicado.

Alpinista atingi a abcissa da alma…

Ao acreditar no altar da amizade,

Abate-se adamada, a adaga ágil!!

Anoitece no apuro dos abismos

Avantesma de axiomas absolutos

Afim de afagar o abissal amanhã

Aquém da adornada aragem!!!

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

Algures no Tempo

 

 

Em que pélago flutua o sonho,

De algodão etéreo murado?

Transportou-o um veleiro alado,

Para a iluminura que componho?

Agrupo os peixes num exército

À ordem!!! Perfilados e a marchar,

Como esponja, absorvem o mar

Boceja o destino, sem êxito…

Em que praia, teimoso, aportaste?

Busco-te no ar nevoeiro.

Na rota de um marinheiro

No sorriso de uma criança

Na pétala da esperança…

Surges, banhado de memórias…

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

     

 

 

 

Antecâmara

 

 

Promovo a manutenção dos pensamentos

Sou uma antecipação da morte

Um código individual de sentimentos

Por mim estabelecido à sorte.

 

Intensifico o meu senso generalizado

Num simplismo perpétuo de relações

Perturbo a ordem e domino cansado

Derrubo preceitos, brilhos, aflições

A têmpera das minhas personalidades

Actual estádio de possuída

Convoca soldados de almas e divindades

Imprime força à multidão enfurecida

Exilada neste esqueleto de formas

Revestido por existência atormentada

Expando e exorcizo aromas

No direito de ser abandonada

 

Destruo as humanas criaturas

Que em mim habitam desde outrora

Fantasmas, duendes, diabruras

Prevalece uma criança que chora

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

Lua e Lobo

 

 

No lavor lavro o lamaçal,

No lavatório lavo a lama.

A linha e linho, lacro o lixo.

O lufa-lufa ladeia o lodo…

A luz luxuriante da lua,

Lacónica liberta o lenço

E lanço o lamento no lençol

Legível de lusitano luto.

A limpidez do luxo lima a laje,

Lápide da liberdade lírica.

A lápis o leitor lê lágrimas

No lambuzar labial da leitura

De liras e lendas de lobos…

Lacuna laça de lembranças

De lagos e latidos à lua…

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

Ouça este poema declamado por João Moutinho aca ressoa_1

 

     

 

 

 

Asas do Amanhã

 

 

Flor só, sonhadora, sepultada

Entre dunas rasgadas ao vento

Exposta à areia, resignada

Imutável descontentamento

Reminiscências do passado

Miragem seca de utopias

Eco de um silêncio isolado

Ansiedade, horas e dias…

Vida que transpira pelos poros

Deserta árida e sedenta

Suplicante em contidos coros

Caudalosa gota de tormenta

 

Friíssima a sombra capitula

Asas de Fénix reaparecem

Nascente de uma nova fécula

Sementes de futuro amanhecem

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

     

 

 

 

Bisa

 

 

 

A vida é a ilusão rósea do escuro

Escuro bebido em chávena de tempo

Tempo que escorre em gole negro

Negro nem sempre doce e quente

Quente durar mexido a colher fria

Fria alvorada cujos cabelos branqueia

Branqueia no paladar da vitória

Vitória de anciã!!! Autenticamente livre…

 

 

Silent Night

 

 

Voltar ao índice

 

 

 

 

 

     

 

 

 

Bolero

 

 

 

O bebé balbucia a biberão e bibe

O bê-á-bá. Em busca do bico,

Beija a blusa balsâmica,

E baba de bola na boca.

O bule bicolor, balça a baunilha,

Num banquete de bolachas a boiar.

A brincar de baqueta e baú,

A begónia balança no balde!

A bucólica borboleta, de burel

Bordado a branco brilhante,

Baila na balaustrada de bambu,

Um bolero brutal e brusco!

Da barbárie, a beleza bainha

Num bondoso bemol breve…

Branda boémia de um babeiro

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

Cárcere de Catedral

 

 

 

Na caleche castanha calada,

Casta camélia conventual,

Cativante cambraia caiada

A carmesim cal e cristal

Convicto de captar a cauta

O califa de capa e cachecol

Confiante como cosmonauta

Caminha como um caracol

Colina de capim cipreste

A contrapor cisne celeste

De cachos canela cinzel…

Cavaleiro com chave de cela,

Comensal concerto. Clarim!!!

Carapim de calcanhar cetim…

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

D’Água

 

 

 

Densa e despida

D’água desatada

Desliza decidida

A dor derramada

Difusa à direita

Destroço a dedal

Diáfana desfeita

De dupla desleal

Decalca e debrua

A dama decorada

Debica a doçura

Da derme dourada!

Débil e devoluta…

Desvanece deitada

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 

Eco

 

 

 

Em exíguo ebúrneo

Escrevo eco ébano,

Enquanto a ebulição

Eclode em espuma.

Emendo a epiderme

Extinta esperneia

Esgrimo evocatórios

Eia!!! Estrofe emerge

Esmeralda efémera

Épica, enfarpelada

Em elmo enfeitada

Estóica, em escudo

Equipada, efectiva

Enviada, encantada

Esculpida, escaldada

Esbatida, editada…

Eterna!!!

 

Silent Night

 

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 

Enigmar Imaginário

 

 

 

Realidade perdida

Impossibilidade

Consumindo-me no pó

Elemento vazio

Instante de anorexia

Revelação da essência

Grande Respiração

Forte intensidade

Potencial sentido

Imersa no enigmar

Imaginária cor

Perfeição dos sentidos

Esplendor do sublime

Movo-me de certeza

No reino dos absolutos

 

 

Silent Night

 

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

Fácies de Fado

 

 

 

Fácies de fado fuzilam

E fitam o fosso finado.

A família fada o facto

Com fazenda fidalga.

O ferroso ferrão fecha

A fadiga num feixe floral.

A força das frases e da flauta

De frades, freiras e fraques

Fermentam um frugal fruir.

O farelo fatal, fustiga o fim,

Fraqueja a firmeza do féretro!

O filhote e a filha de fralda

Festejam a ficção da fábula

Num facetar fácil e fértil

De futuros feudais…

O feitiço de Fevereiro foge

Em furtivo festim de folhas

Na falésia faminta de fé…

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

Gota a Gota

 

 

A gravura grávida de galês e gaivotas

Guincha guerra gutural de golfadas,

Gemido de golpes a gole de gengibre.

A gadanha goteja gengivas e goelas

Numa genica de gume e groselha,

O general goza o grotesco grupo

Gargareja entre garfos e garrafas

Num galope de garfada gordurosa,

Gosma a gastronomia garrida a ginja

Em ginjeira gabarolice de genial glória

Gastrorreia de governadores de gabinete!

Com garra, o garraio genuflecte a génese

A giz a gramática de gaze e gesso

Guarda gente em glossário de granito…

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 

Honra de Heróis

 

 

 

Horas, hipóteses e hipérboles

Habitam hermético horizonte,

Num hino de harpas e holofotes

De hectares humanos! Herança

De horticultores heréticos e hostis,

Húmus de horrenda história…

Hálito híbrido de holocausto

De hipófises, hemoptises e hera,

Horta de heróis humilhados

Higienizados a herbicida herege

Hiato da humanidade hipnotizada

Por hedionda hipocrisia hitleriana

 

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 

Ícone


O impacto impõe-se à inércia invernal,
O Inocente irrompe do intacto imaterial
Inclinado em invólucro irracional
Insignificante, igual e impessoal…

A imagem infantil ilumina o inoxidável
O itinerário do imperioso inadmissível
Inverter de importância indesejável
Irreflectida da inacção incomportável

A imaterialização do incenso que invade
A imensidão de impróprias imprecações
Impostor a invasor, ilegal a imperfeito…

Imaculada insígnia, infinita, imperecível,
De um Infante ímpar, indivisível !!
Ícone incitador de imortal Igreja…

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

 

     

 

 

 

Já!!!

 

Justiça jaula justos e jibóias!

Num jacto de jornalista

O jornal justifica a jornada

Entre jogadas jurídicas,

E juízes de juba.

Num jogo jovial,

Jorram à janela,

Juramento jesuíta!

Juntam o joio e o jugo

Num justiceiro jejuar

De jogadores e jantares.

Justa… "A Jacinta da Jarra"

No seu juízo juvenil,

Justapõe o júbilo judicial,

De jaguares e joalharias,

À jocosa jorna de joanetes

E joelhos, de juta e junco

Jóias do jazigo da juventude.

A jusante, o jazz a jazer…

Juntamente com a jurisdição

Jornalística dos judas…

Jamais Janeiro de jangada

E jardins janotas…

Já!!! Justiça para Jaci…!!!

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

Ouça este poema declamado por João Moutinho aca ressoa_1

     

 

 

 

Mar de Mel

 

 

 

Moldada à melodia de Mozart,

Mestre na madrugada dos mitos,

Mercador de míticos e místicos,

Memória mármore de marés,

Multidão mímica de mudos,

Migalha num milhar de mundos,

Mortal e minúscula Margarida,

Move muralha na miopia mirante,

Melopeia de mutação musical.

Na mestria do movimento do mar,

Mergulha minuetes e murmúrios,

Nas matizes mágicas de Maio,

Momentos mananciais de mim…

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

Ouça este poema declamado por João Moutinho aca ressoa_1

     

 

 

 

Pátria

 

 

Num País sem sol,

Em que o reflexo lunar

Não espelha prata,

Fundeei sonhos!!!

Tinjo o futuro em cores de fome,

Chamo ao amanhã, violência.

Movo-me numa espiral imóvel.

Procuro o intangível…

Das árvores desprendem-se vultos

Cujos frutos tombam perenes.

O tempo tem fim…

Alguém!!!!

Além!!!

Onde está a nau que habita a tela?

Não há vagas…

O "lar" está pacífico,

Irónica bonomia!!!!

É inadiável sonhar

E voltar ao mar…

 

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

 

 

 

 

O azul da manhã debruça-se sobre mim

Sobre mim cai a noite em poucas horas

Horas dispersas à luz de um sonho

Sonho que invento em cada pensamento

Pensamento que transponho para o concreto

Concreto gravado em sulcos abstractos….

Abstractos clamores que no papel dialogam

Dialogam sobre a impossibilidade vertical

Vertical plataforma que edifica a cada pá

A cada pá a horizontalidade perpétua …

 

 

 

 

Silent Night

 

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 

Sepulcro dos Sonhos

 

 

 

Sabático sol da savana

Sorvendo sumo de sombra

Sódica seiva… Santana!!!

Sêmea, sêmola, sem sobra

Sentada na sebe sentida

Soam sinos em suplício

Singular saudade sofrida

Só, sussurro em silêncio

Em seda safira, sedada

Sacholo, sono sem sonho,

Serva de sina, sagrada

Sentimento que sustenho

 

 

Silent Night

 

 

Voltar ao índice

 

 

 

     

 

 

 
Necrópole


Naquele Natal nevou!
Noz a noz, a neve nesga
Nutria o ninho, num naipe 
Nocturno de nódoas nórdicas.
No novelo nasceu o nado,
Nisto o novo nómada,
Qual navio navega a norte.
E nada na nudez da noite,
O nastro nanquim do naufrago,
Na nêspera nauta do nunca…


Silent Night

Voltar ao índice

     

 

 

 
Obsoleto

No orvalho oscilante,
A odisseia nos óculos 
Oleados dos ossos ocos!
No ocre do octogenário,
A onda óssea e oblonga.
Ópera outonal de outrora,
Ónus do ouro de ontem,
Oriunda do oásis auditivo
Da óptica opaca dos órgãos,
Órfãos de óvulos e olhos
Na orquestra obtusa da orla
Onde o óxido óbito do ocaso,
Ofende o odor oceânico,
No ósculo orbe do opúsculo…


Silent Night


Voltar ao índice


 

     

 

 

 

Pintura Portuguesa

 

 

Com pó, penas e plumas pinto.

Pego na paleta das palavras

E os pássaros que povoam,

A palidez da parede pensante,

Pulam para a pacatez do painel.

A película pêssego passeia

No parágrafo da parábola,

Plastificada a pérola pastel.

A persiana pictórica perdura

Numa permuta de poeta pintor.

Pensamento e pigmento…

No país das pernas e pândegas,

O papagaio poético popular,

De pandeireta e pandeiro nos pés,

Palra na palmeira pendente,

Um pagode policromático.

A plumagem das papaias pitorescas,

Preenche a passarela poente

De poemas purpurina e púrpura,

Pintados a pólen português…

 

Silent Night

 

Voltar ao índice

 

     

 

 

 

Quartzo

 

 

Na quietude

Quebra-luz,

A quietação

Química