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Página inaugurada em 21/02/2007 Última actualização 17/03/2007 |
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32 Poemas Editados |
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Podem controlar-me a terra, o mar e o ar, mas não o pensamento! Confecciono duas grandes asas prendo-as aos ombros e consigo levantar voo.
Flutuo ao sabor do vento, deslizo com as correntes, elevo-me graciosamente, subo em círculos, o céu infinito, o vento a enfunar-me as asas e sinto a liberdade que há muito não experimentara. Olho para baixo, sobre o nada, tudo!
Vejo a cidade, seus habitantes, o trânsito, o ruído, os túneis, derrotas e ruínas…
Almejo chegar mais próxima do céu, deslumbrar-me no passeio das nuvens almofadadas. Nesta divagação perco a noção do dia e da noite, as nuvens mudam de cor, fatigada vislumbro a claridade da aurora na luz de um farol, pouso as asas, sinto a palavra só e escrevo.
Silent Night
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Ordeno que a possibilidade Colapse!! Torne-se realidade!! Descubra o abrigo na devastação De minhas perdas e solidão! Que o futuro mude o passado Que eu encontre a criança que já fui Enfrente as minhas ruínas, use as minhas Derrotas, tenha consciência de mim!!! Apelo à força dos ventos e marés Às trovoadas cravadas nos bandos de chuva Vontade consumada, atingida sou!!! Mas o vento não deixou Que todo o mal fosse feito, Incessantemente ateou Seu furor sobre o meu peito Não me contive em poemas E ao oceano fui parar… Diluída pelas lágrimas, Deixei de te procurar…
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Ao apetecer apimentar com acepipes A apatia de Agosto, acomodei-me Na almofada, a auscultar andorinhas!!! Em acrobacia acidental, atraí o átomo. Aborígene alimentado a água e amoras. No ar, o aroma a alecrim adocicado. Alpinista atingi a abcissa da alma… Ao acreditar no altar da amizade, Abate-se adamada, a adaga ágil!! Anoitece no apuro dos abismos Avantesma de axiomas absolutos Afim de afagar o abissal amanhã Aquém da adornada aragem!!!
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Em que pélago flutua o sonho, De algodão etéreo murado? Transportou-o um veleiro alado, Para a iluminura que componho? Agrupo os peixes num exército À ordem!!! Perfilados e a marchar, Como esponja, absorvem o mar Boceja o destino, sem êxito… Em que praia, teimoso, aportaste? Busco-te no ar nevoeiro. Na rota de um marinheiro No sorriso de uma criança Na pétala da esperança… Surges, banhado de memórias…
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Promovo a manutenção dos pensamentos Sou uma antecipação da morte Um código individual de sentimentos Por mim estabelecido à sorte.
Intensifico o meu senso generalizado Num simplismo perpétuo de relações Perturbo a ordem e domino cansado Derrubo preceitos, brilhos, aflições
A têmpera das minhas personalidades Actual estádio de possuída Convoca soldados de almas e divindades Imprime força à multidão enfurecida
Exilada neste esqueleto de formas Revestido por existência atormentada Expando e exorcizo aromas No direito de ser abandonada
Destruo as humanas criaturas Que em mim habitam desde outrora Fantasmas, duendes, diabruras Prevalece uma criança que chora
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No lavor lavro o lamaçal, No lavatório lavo a lama. A linha e linho, lacro o lixo. O lufa-lufa ladeia o lodo… A luz luxuriante da lua, Lacónica liberta o lenço E lanço o lamento no lençol Legível de lusitano luto. A limpidez do luxo lima a laje, Lápide da liberdade lírica. A lápis o leitor lê lágrimas No lambuzar labial da leitura De liras e lendas de lobos… Lacuna laça de lembranças De lagos e latidos à lua…
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Flor só, sonhadora, sepultada Entre dunas rasgadas ao vento Exposta à areia, resignada Imutável descontentamento Reminiscências do passado Miragem seca de utopias Eco de um silêncio isolado Ansiedade, horas e dias… Vida que transpira pelos poros Deserta árida e sedenta Suplicante em contidos coros Caudalosa gota de tormenta
Friíssima a sombra capitula Asas de Fénix reaparecem Nascente de uma nova fécula Sementes de futuro amanhecem
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A vida é a ilusão rósea do escuro Escuro bebido em chávena de tempo Tempo que escorre em gole negro Negro nem sempre doce e quente Quente durar mexido a colher fria Fria alvorada cujos cabelos branqueia Branqueia no paladar da vitória Vitória de anciã!!! Autenticamente livre…
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O bebé balbucia a biberão e bibe O bê-á-bá. Em busca do bico, Beija a blusa balsâmica, E baba de bola na boca. O bule bicolor, balça a baunilha, Num banquete de bolachas a boiar. A brincar de baqueta e baú, A begónia balança no balde! A bucólica borboleta, de burel Bordado a branco brilhante, Baila na balaustrada de bambu, Um bolero brutal e brusco! Da barbárie, a beleza bainha Num bondoso bemol breve… Branda boémia de um babeiro
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Na caleche castanha calada, Casta camélia conventual, Cativante cambraia caiada A carmesim cal e cristal Convicto de captar a cauta O califa de capa e cachecol Confiante como cosmonauta Caminha como um caracol Colina de capim cipreste A contrapor cisne celeste De cachos canela cinzel… Cavaleiro com chave de cela, Comensal concerto. Clarim!!! Carapim de calcanhar cetim…
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Densa e despida D’água desatada Desliza decidida A dor derramada Difusa à direita Destroço a dedal Diáfana desfeita De dupla desleal Decalca e debrua A dama decorada Debica a doçura Da derme dourada! Débil e devoluta… Desvanece deitada
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Em exíguo ebúrneo Escrevo eco ébano, Enquanto a ebulição Eclode em espuma. Emendo a epiderme Extinta esperneia Esgrimo evocatórios Eia!!! Estrofe emerge Esmeralda efémera Épica, enfarpelada Em elmo enfeitada Estóica, em escudo Equipada, efectiva Enviada, encantada Esculpida, escaldada Esbatida, editada… Eterna!!!
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Realidade perdida Impossibilidade Consumindo-me no pó Elemento vazio Instante de anorexia Revelação da essência Grande Respiração Forte intensidade Potencial sentido Imersa no enigmar Imaginária cor Perfeição dos sentidos Esplendor do sublime Movo-me de certeza No reino dos absolutos
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Fácies de fado fuzilam E fitam o fosso finado. A família fada o facto Com fazenda fidalga. O ferroso ferrão fecha A fadiga num feixe floral. A força das frases e da flauta De frades, freiras e fraques Fermentam um frugal fruir. O farelo fatal, fustiga o fim, Fraqueja a firmeza do féretro! O filhote e a filha de fralda Festejam a ficção da fábula Num facetar fácil e fértil De futuros feudais… O feitiço de Fevereiro foge Em furtivo festim de folhas Na falésia faminta de fé…
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A gravura grávida de galês e gaivotas Guincha guerra gutural de golfadas, Gemido de golpes a gole de gengibre. A gadanha goteja gengivas e goelas Numa genica de gume e groselha, O general goza o grotesco grupo Gargareja entre garfos e garrafas Num galope de garfada gordurosa, Gosma a gastronomia garrida a ginja Em ginjeira gabarolice de genial glória Gastrorreia de governadores de gabinete! Com garra, o garraio genuflecte a génese A giz a gramática de gaze e gesso Guarda gente em glossário de granito…
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Horas, hipóteses e hipérboles Habitam hermético horizonte, Num hino de harpas e holofotes De hectares humanos! Herança De horticultores heréticos e hostis, Húmus de horrenda história… Hálito híbrido de holocausto De hipófises, hemoptises e hera, Horta de heróis humilhados Higienizados a herbicida herege Hiato da humanidade hipnotizada Por hedionda hipocrisia hitleriana
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O impacto impõe-se à inércia invernal, O Inocente irrompe do intacto imaterial Inclinado em invólucro irracional Insignificante, igual e impessoal… A imagem infantil ilumina o inoxidável O itinerário do imperioso inadmissível Inverter de importância indesejável Irreflectida da inacção incomportável A imaterialização do incenso que invade A imensidão de impróprias imprecações Impostor a invasor, ilegal a imperfeito… Imaculada insígnia, infinita, imperecível, De um Infante ímpar, indivisível !! Ícone incitador de imortal Igreja…
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Justiça jaula justos e jibóias! Num jacto de jornalista O jornal justifica a jornada Entre jogadas jurídicas, E juízes de juba. Num jogo jovial, Jorram à janela, Juramento jesuíta! Juntam o joio e o jugo Num justiceiro jejuar De jogadores e jantares. Justa… "A Jacinta da Jarra" No seu juízo juvenil, Justapõe o júbilo judicial, De jaguares e joalharias, À jocosa jorna de joanetes E joelhos, de juta e junco Jóias do jazigo da juventude. A jusante, o jazz a jazer… Juntamente com a jurisdição Jornalística dos judas… Jamais Janeiro de jangada E jardins janotas… Já!!! Justiça para Jaci…!!!
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Moldada à melodia de Mozart, Mestre na madrugada dos mitos, Mercador de míticos e místicos, Memória mármore de marés, Multidão mímica de mudos, Migalha num milhar de mundos ,Mortal e minúscula Margarida, Move muralha na miopia mirante, Melopeia de mutação musical. Na mestria do movimento do mar, Mergulha minuetes e murmúrios, Nas matizes mágicas de Maio, Momentos mananciais de mim…
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Num País sem sol, Em que o reflexo lunar Não espelha prata, Fundeei sonhos!!! Tinjo o futuro em cores de fome, Chamo ao amanhã, violência. Movo-me numa espiral imóvel. Procuro o intangível… Das árvores desprendem-se vultos Cujos frutos tombam perenes. O tempo tem fim… Alguém!!!! Além!!! Onde está a nau que habita a tela? Não há vagas… O "lar" está pacífico, Irónica bonomia!!!! É inadiável sonhar E voltar ao mar…
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O azul da manhã debruça-se sobre mim Sobre mim cai a noite em poucas horas Horas dispersas à luz de um sonho Sonho que invento em cada pensamento Pensamento que transponho para o concreto Concreto gravado em sulcos abstractos…. Abstractos clamores que no papel dialogam Dialogam sobre a impossibilidade vertical Vertical plataforma que edifica a cada pá A cada pá a horizontalidade perpétua …
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Sabático sol da savana Sorvendo sumo de sombra Sódica seiva… Santana!!! Sêmea, sêmola, sem sobra Sentada na sebe sentida Soam sinos em suplício Singular saudade sofrida Só, sussurro em silêncio Em seda safira, sedada Sacholo, sono sem sonho, Serva de sina, sagrada Sentimento que sustenho
Silent Night
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Necrópole Naquele Natal nevou! Noz a noz, a neve nesga Nutria o ninho, num naipe Nocturno de nódoas nórdicas. No novelo nasceu o nado, Nisto o novo nómada, Qual navio navega a norte. E nada na nudez da noite, O nastro nanquim do naufrago, Na nêspera nauta do nunca… Silent Night |
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Obsoleto No orvalho oscilante, A odisseia nos óculos Oleados dos ossos ocos! No ocre do octogenário, A onda óssea e oblonga. Ópera outonal de outrora, Ónus do ouro de ontem, Oriunda do oásis auditivo Da óptica opaca dos órgãos, Órfãos de óvulos e olhos Na orquestra obtusa da orla Onde o óxido óbito do ocaso, Ofende o odor oceânico, No ósculo orbe do opúsculo… Silent Night
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Com pó, penas e plumas pinto. Pego na paleta das palavras E os pássaros que povoam, A palidez da parede pensante, Pulam para a pacatez do painel.
A película pêssego passeia No parágrafo da parábola, Plastificada a pérola pastel.
A persiana pictórica perdura Numa permuta de poeta pintor. Pensamento e pigmento…
No país das pernas e pândegas, O papagaio poético popular, De pandeireta e pandeiro nos pés, Palra na palmeira pendente, Um pagode policromático.
A plumagem das papaias pitorescas, Preenche a passarela poente De poemas purpurina e púrpura, Pintados a pólen português…
Silent Night
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Na quietude Quebra-luz, A quietação Química |