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Sapho

Última actualização 27/09/2006

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85 Poemas Editados

- Afinal, Mãe

- Agosto

- Aguarela

- Ai flores do verde pinho

- Amanheço

- Aquele menino...

- Assim vai o mundo

- Buganvílias

- Caminho

- Caminho de fadas

- Campos de espanto

- Cerro os olhos

- Crepúsculo

- Dança da lua

- Desfuturo

- Diz-me Pai...

- Do teu corpo...

- Dormência

- Duas Pérolas

- E a minha festa?

- É assim quando não vens

- É tempo de Natal

- Em cada palavra

- Encontro

- Entrelacei estrelas...

- Eras a menina

- Esboço

- Escada

- Escalada

- Estás longe e tão perto

- Eu vi luz

- Fada Alada

- Flor... ou aguarela

- Frio

- Hoje

- Incerteza

- Infinito

- Madrugada

- Madrugada em flor

- Mãe

- Mãe (2)

- Magia

- Mãos

- Mar de Estrelas

- Memória

- Memórias

- Não é só

- Natal outra vez

- Ninho

- No teu regaço

- Noite 

- Nos lábios

- O tempo nascia

- O Som do Silêncio

- Olhares

-Os seixos do meu rio

- Os teus olhos de menino

- Palavra

- Partida

- Pássaro alado

- Pedras do caminho

- Porque não choras?

- Planto flores nos meus cabelos

- Presente do passado

- Queria ser

- (Re) Nascer

- Regresso

- Ressurreição

- Rumo

- Saber o sabor

- Sabes Mãe?

- Sentidos

- Ser Poeta

- Sou flor... Serei raiz?

- Sou somente

- Sulcos de vida

- Taça de espuma

- Tempo de colheita

- Vem, amigo

- Verte em mim

- Vi estrelas nos teus olhos

- Viagem (in) acabada

- Vida

- Voltarei a ser

- Voz de rouxinol

Torre de Babel

José Alberto

 

 

 

AGOSTO

 

AGOSTO

Agosto
com odor a frutos doces...
maduros, quentes, frementes, puros.

Agosto
com sol no rosto,
luar aberto...
gosto, mosto, amor incerto...

Prenhe
o teu ventre de mil desejos...
Filho
que sente o quente
dos teu beijos!
Quente...o ventre!...

 

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DO TEU CORPO

DO TEU CORPO


Do teu corpo
vertem rios com nascentes
criadas no meu corpo...
Margens, prantos, voos,
Viagens, espantos, loas,
Risos crescentes...
Do teu corpo
vertem rios com nascentes 
criadas no meu corpo...
Juntos seguem
para a foz
entoando a mesma voz!
Somos dois afluentes...em nós!

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EM CADA PALAVRA
EM CADA PALAVRA
Em  cada palavra que escrevo
solto a minha voz!
Livre,
sem nós
nem grilhetas...
Abro as gavetas da minha vida 
e alvoreço em madrugada renascida.
Liberto estrelas, planetas, cometas...
E construo o firmamento
que invento na minha voz!
Sem nós!....

 

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INFINITO
INFINITO


Impele-me a sede de infinito
no finito do meu ser...
Antever na alma um grito
feito de sóis a amanhecer.
O infinito torna infinito
o finito do meu ser!
Impele-me a sede..
de viver!...

 

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TEMPO DE COLHEITA
TEMPO DE COLHEITA
Semeia
no meu corpo
um prado verde
fecundo!
No tempo da colheita...
Colhe, enlaça, abraça, estreita...
Sorve
de um trago
todo o meu mundo!...


 

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VEM, AMIGO
 
VEM, AMIGO
Vem, amigo,
e traz contigo
as tuas mãos em concha,
grávidas de sonho e de flores
Verte-as em mim
Semeia na minha alma
um mundo de cores...
Coloca-o na palma
da minha mão
que cerrarei,
ciosa e calma.
Entoarei
a tua canção...
E verei...a tua alma!..

 

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AMANHEÇO
AMANHEÇO

Amanheço
com o teu corpo
no meu corpo...
Vivo, sonho...
Amo esqueço...
Sou lua
Alma vaga,
Alga tua!
Anoiteço
sem o teu corpo
no meu corpo...
E adormeço!...
 
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AGUARELA
AGUARELA
Vejo
na tela
uma aguarela...
Dissolvo
as tintas de cor
com que pintas 
o amor e a dor...
Nus 
de tons crus
corpos ardentes
de cores quentes...
Miro, toco, abraço...
desfaço em mim a dor
nas tintas 
com que pintas
com amor!...
 
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CAMINHO
CAMINHO
Percorro 
suavememte
o contorno
das linhas
do teu rosto.
Morro
docemente 
embalada
no retorno
do teu gosto...
 
E gosto!...
 
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MÃOS
MÃOS
Toco
as tuas mãos
brancas de luas...
Defino
os sulcos
esguios vultos...
Percorro
os teus caminhos
vales
rios
ninhos
ruas...
Serão as minhas
Ou...as tuas?!...
 

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AQUELE MENINO...
AQUELE MENINO...
Aquele menino
de olhar sem hora,
parado, cavado
Porque não chora?!...
Falta-lhe o jeito,
o alor, o pranto...
Secaram-lhe as lágrimas
esquecidas no peito!...
Aquele menino
de olhar enorme,
perdido, entardecido
Porque não dorme?!...
Falta-lhe o leito
o conto, o beijo...
Ficaram-lhe as noites
esquecidas no peito!...
Aquele menino
de olhar sem nome,
dolente, ausente
Porque não come?!...
Falta-lhe o preito
a mãe, o pão...
Restou-lhe a fome
esquecida no peito!...
Aquele menino
de olhar sem chama,
cansado, esgotado
Porque não ama?!...
Falta-lhe o jeito
O amor, a alma...
Ficou-lhe a vida
Esquecida no peito!...

E, tanta gente vestida a preceito
não vê o menino
com falta de mimo 
de pranto, de amor, de leito?!...
Ficou-lhes a alma esquecida no peito?!...
 
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VI ESTRELAS NOS TEUS OLHOS...
VI ESTRELAS NOS TEUS OLHOS...

Vi estrelas nos teus olhos...
Flores de riso
com laivos de luas e de sóis...
Pétalas abertas, libertas,
que piso nas tuas ruas dédalas, sem escolhos,
onde cantam os rouxinóis!
Vi estrelas nos teu olhos!
Eram sóis?!...
 
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VIDA
VIDA

Deixei o meu barco no teu cais...
Soltei a âncora,
errei pela vida, esquecida,
singelo vulto entre os demais...
Fui mulher...
menina, lua, filha, grua, bonina...
Voltei ao meu barco no teu cais...
E nadei no teu mar...entre corais!
 
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PORQUE NÂO CHORAS?!...
PORQUE NÂO CHORAS?!...
Mergulho...
no silêncio dos teus olhos aveludados, 
velados em horas ensombrecidas...
Inundam-me as vagas salgadas, caladas,
das lágrimas que não choras...
Em ti esquecidas!...
porque demoras?!...
Porque não choras?!...


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EU VI LUZ
EU VI LUZ


Eu vi luz no teu deserto 
Ensombrado pelas dunas do teu ser...
Breves colinas de areias finas
que galguei com os pés nus
em busca do teu destino...
Louco... o meu desatino!
Demente...este meu querer!
Que hei-de fazer?!...
 
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ENCONTRO
ENCONTRO

O teu corpo
encontra-se no meu corpo
e perde-se  em mim...
O meu corpo
perde-se no teu corpo
e encontra-se...por fim!
 
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E A MINHA FESTA?!...
E A MINHA FESTA?!...
Sem pressa,
Afasto da testa
uma madeixa de cabelo
que me cobre os olhos.
Vejo a gente que passa
rápida, lesta...
Não há nesta gente,
gente que me tire da testa
a madeixa de cabelo
que me cobre os olhos?
Que me faça uma festa
com uma mão quente?!....
Há muita gente,
mas gente lesta, com pressa...
que passa depressa...
E a minha festa?!...
Só há gente desta?!....
Será o que resta?!...

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CERRO OS OLHOS
CERRO OS OLHOS
Cerro os olhos
e perco-me dentro de mim...
Desfio a alma
Suave, branca, calma...
Sinto no coração
Vida, ritmo, ilusão...
Cerro os olhos
e encontro-me dentro de mim...
Crio a alvorada
do dia em que me vejo...
Será assim?...Ou estarei enganada?!...
 
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HOJE,SENTI-ME SER
HOJE,SENTI-ME SER
(À minha filha )


Hoje, senti-me Ser
porque eras Ser dentro de mim!
Hoje, passei a ser o teu Ser
e a ser assim...
Ser do meu Ser
ser do teu Ser...
E a vida teve Ser dentro de mim!
Hoje,voltei a nascer 
e a ser assim...
Enfim!...
 
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SER POETA...
SER POETA...
(Aos amigos do Poemar)

Ser Poeta...
é ter dentro do peito
o mundo inteiro!
Conhecer-lhe os segredos,
os confins, os enredos...
Fazer da alma o seu leito,
reinventado no jeito
de pintar as palavras
com as cores da liberdade...
Aromar as mágoas,
o dia, o nada, as águas,
fazer de qualquer noite
uma nova madrugada...
Amanhecer o mundo
na voz de cada palavra...
Ser Poeta
é ter dentro do peito
magias de profeta!
Embalar o verbo
em ventre apetecido
e ofertá-lo ao mundo
num parto acontecido
de solidão inquieta...
É ser nervo, alor,
sangue, fundo,
mundo, meta,
mão, esplendor,
verdade, asceta..
Ser Poeta é conhecer... 
o sabor e a cor da Liberdade!
 
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VOLTAREI A SER!...
VOLTAREI A SER!...

Traz-me nas mãos tristes
Uma lufada de vento...
Enche a minha alma
De poemas e de alento...
Beija os meus olhos
Anoitecidos pela dor...
Acaricia o meu rosto
Descorado de sol posto...

Vem, meu amor

Transforma o meu desgosto

Numa tela plena de cor...

Bela...

E voltarei a ser flor...

Ou aguarela...

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ASSIM VAI O MUNDO...
ASSIM VAI O MUNDO...
Assim vai o mundo...
sem vozes com sabor a infinito
nem promessas de profetas...
De ventre enigmático,
profundo, apático,
grávido de fantasias
absortas, quietas...
Assim vai o mundo...
para todos os gostos.
Com charcos , lodos,
mágoas, engodos,
alegrias, utopias,
neblinas, desgostos....
Assim vai o mundo...
alheio ao mundo
que há no seu mundo...
Às noites que sabem a céu,
aos dias com odor a sol,
aos desejos reprimidos
dos seres plenos de alor
esperando a hora apetecida
de amar a mágoa e o amor...
Assim vai o mundo...
redondo de fome,
estreito de amor,
oblongo de dor,
pequeno, sem nome...
Assim vai o mundo...
sem vozes com sabor
a infinito...
Redondo, atávico,
patético, seráfico,
alheio, imundo...
É este o pano de fundo!...

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DANÇA DA LUA
DANÇA DA LUA
Baila comigo
a dança da lua!
Perpetua em mim
A presença de ti...
Leva-me por céus
em pontas de pés,
percorre as estrelas
de lés a lés...
Deixa-me vê-las,
tocá-las, sorvê-las...
Fazer com elas
um mundo só meu...
qual véu de grinaldas
com flores belas
tecidas de estrelas
roubadas ao céu...
Revela-me a alvorada
que ainda não vi
junto de ti...
Serei bailarina,
amante, sereia,
diamante, areia,
taça cristalina,
sol nascente, poente,
foz ou jusante...
Baila comigo
a dança da lua
no sol, no céu, na rua...
Por um breve instante!

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MADRUGADA!
MADRUGADA!
Na escuridão da noite,
amanhece o meu peito,
o meu corpo, o meu rosto...
Na brisa da tua mão,
da tua pele... do teu gosto...
Inventado no teu jeito
de fazer com que a lonjura
se aperte, se estreite...
De ancorar no teu porto!
Nasce em mim,
com deleite,
a ternura... a ventura...
De fazeres do meu corpo
O teu leito
De madrugada branca e pura!

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SOU FLOR...SEREI RAIZ!...
SOU FLOR...SEREI RAIZ!...
(À Su, uma menina que não conheço, com voz de rouxinol!)
Vem Sol!
Nasce nos meus olhos
Com mãos de flor!
Semeia no meu peito
Em voz de sonho e jeito
A canção do amor...
Vem Mar!
Abraça a minha alma
Com uma grinalda de vida!
Alvorece no meu peito
Faz dele o teu leito
De magia apetecida...
Vem Flor!
Amanhece no meu seio
Com pétalas de cor!
Ancora no meu peito
Inventa-me o jeito
De amar o amor...
Vem Dia!
Alvorece no meu rosto
Com dedos de magia!
Entretece no meu peito
Um manto onde me deito
De luz e fantasia...
Vem Amigo!
Renasce no meu ser
Com sóis a reflorir!
Planta no meu peito
Com alor e preceito
Uma flor a sorrir...
Vem Mundo!
Resplandece a minha vida
Com luas de violinos!
Recria no meu peito
Um  jardim vasto, florido
Com as vozes dos teus hinos...
Sou
Vida ,mar,
Filha ,luar,
Tela, pincel,
Aguarela, cinzel,
Alvorada, menina,
Magia, bonina,
Fantasia, amor,
Jasmim, lis...
Sou Flor!
Serei Raiz!...
03/05/2001
Clara do Vale

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VOZ DE ROUXINOL!
VOZ DE ROUXINOL!
Da minha alma
Brota um mar
De espuma breve,
leve, de cristal,
amor, sonho e sal...
Semeado de vendavais
que inventam madrigais
dentro de mim,
e se espraia em areais
no meu corpo de menina,
de alfenim, de bonina...
Subo as escadas do mistério
em busca dos segredos,
dos perfumes, dos enredos
de uma vida não vivida
em esperança apetecida..
E as vagas de espuma
tornam-se leve caruma
que ardem na minha alma,
em carícia quente e calma...
E transformam o meu ser
num círio de luz a arder...
Sou menina, sou criança,
sou um lírio de esperança
com voz de lua e de sol
que entoa dentro de mim...
um canto de rouxinol
num ramo do meu jardim,
brisa breve, flor, bonança...
Sou o vento que emudece
Docemente, no meu colo,
onde me sento e desfolho
as pétalas plenas de vida
que o meu corpo aquece...


No meu mar de amor e dança,
sou menina, sou criança,
sou a vida não vivida
que ainda se esconde em mim..
um brilho, um raio de sol,
uma esperança apetecida
semeada no meu jardim...
Sou a voz do rouxinol!
Sou um toque de clarim!

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MÃE!
MÃE!

No teu ventre,
nascem flores de vida
acontecida em ti...
Em jardins de amor
E de silêncio quente,
Áureo...presente...
No teu ventre,
Nasce poesia
de rima fácil, solta,
envolta
em doce melodia...
Canto auroral
entoado na catedral
do teu ventre,
do teu dia...
E num brado
desbravado
bem no fundo
do teu peito,
feito de amor
e de penas...
Clamas com alor
ao mundo:
Os meus filhos...são Poemas!

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MAR DE ESTRELAS!
MAR DE ESTRELAS!
Desenha-me
Um mar de estrelas
Numa folha alva de papel!...
Áureas...singelas...
Mergulharei nele os dedos
e farei um anel
de estrelas e segredos...
guardados para ti
na minha alma!
Vertê-los-ei
na palma da tua mão...
Ficarão lá gravados,
marcados com cinzel...
Despojar-me-ei
da solidão
dos meus medos...
Existirei em ti,
na tua luz...na tua calma...
Verás a minha alma,
que verti na palma
da tua mão!...
Seremos um no outro
uma constelação...
De estrelas e...segredos!...
Clara do Vale-10/05/2001

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SOU...SOMENTE!...
SOU...SOMENTE!...
Sou somente
um ramo
da minha árvore...
que se estende
em horizonte imenso,
intenso...infinito...
Do meu ser
ao outro ser
que há em mim,
reinvento
a ponte do meu querer...
Uma fonte
de água límpida...pura...
Um turbilhão
de mágoa...de ternura...
Uma oração
clamada com fervor,
nascida no imo do meu ser...
Um apego, um enlevo...
uma ovação, um clamor...
uma canção, uma dor...
Frutos da minha árvore
plantada no meu jardim...
Desse ramo que eu sou,
que se estende
do meu ser
ao outro ser
que há em mim...
Onde reinvento
a ponte do meu querer!

Clara do Vale   10/05/2001
Índice Sapho
 

 

 

NOITE!
NOITE!

A noite verte em mim!...
Escurece a madrugada
do meu ser...
Traça uma linha, um confim
no horizonte rasgado
do meu querer...
Desenha uma réstia de lua...
Apenas um quarto minguante
dilacerante...decrescente...
Apenas um beco, uma rua
solitária... incongruente
na multidão de ruas
do meu ente...
É por essa que caminho
de olhos pesados,
com mãos doridas...
roçando, suavemente,
as esquinas breves
das minhas asas feridas...
Em voo leve,
perdido, breve, contido,
sem rumo... sem sentido...
Cortadas as asas
da minha alvorada,
anoiteço...
esqueço...
adormeço...
nua... sem lua,
no meu berço
adornado...de nada!
Resto, somente,
um fio de água
que escorre do meu mar!
Denso...extenso
de luar...de mágoa!
Entristeço...
Anoiteço...
Entorpeço...
Adormeço
no meu berço,
breve fio de água...
Adornado...de nada!...

16-05-2001
Clara do Vale
Índice Sapho
 

 

 

Os teus olhos de menino!...
Os teus olhos de menino!...

Nos teus olhos anoitecidos
por véus de neblina...
entretecidos de titubeante amargura,
compacta a terra sobre a infância,
uma ave renovou o voo
num bater de asas feridas,
em alvorada áurea e pura...
E a noite densa, escura,
Amanheceu, alvoreceu
em sonata repentina,
feérica, gritante,
entoada no teu jardim de silêncio,
em gorjeio  estonteante
de promessa vespertina...
Duas estrelas
brotaram dos teus olhos
em cascatas de luz...
Ovação, clamor,
fulgor, canção,
alma, sino,
calma, hino...
passagem, imagem...
Viagem de regresso
com magias prometidas
dos teus olhos ...de menino!
22-05-2001     (Li)
Índice Sapho
 

 

 

SABER O SABOR!...
SABER O SABOR!...

Deste-me o teu gosto a provar!
Sabia a céu, a sol, a mar...
Um travo agridoce
na minha boca sequiosa,
ciosa do teu sabor...
Do teu corpo de luar,
das tuas marés de amor...
Ancoraste no meu porto!
Fomos juntos
onda a onda,
corpo a corpo,
desaguar um no outro..
Fizemos a intensa monda
de um campo por devastar...
Vagas frementes,
fulgentes, crescentes,
inundaram o meu ventre
onde vieste desaguar
o teu corpo de luar...
Fui o teu porto...o teu mar!...
A onda que foste beijar
Com os teus lábios
Sábios...doces...quentes!...
ClaraDoVale
Índice Sapho
 

 

 

DESFUTURO
DESFUTURO

Das veredas esconsas
do caminho que traçámos,
pisando com os mesmos passos
as agruras do percurso
árido, agreste, breve
de alegrias puras...
Restou um passado
feito presente...
Entretecido em teias
de loucas amarguras...
Flores de silêncio
intenso, extenso,
brotaram nas vertentes
das montanhas que subimos
imolados nos aculéos mais agudos
da árvore da vida que não vimos...
Os frutos que colhemos
encheram as nossas mãos de vazios,
de nadas pungentes, mudos...
O tempo parou, num desfuturo
sem história, nem previsão...
Sem a glória, sem a canção
que entoámos nas veias
onde corria sangue rubro
feito de penas e ilusão...
O presente é já passado
ausente, atro, parado...
Sobejos apenas de promessas
incumpridas, adiadas...
Taça farta de dor e desatino...
Passado do ventre
Prenhe das nossas palavras
caladas, inversas, sem destino...
Emudece a alma, a história
que contámos e escrevemos
no livro sem letras
que desfolhámos juntos...
Vai amor!
Enche a tua alma de vida,
de prantos, de calma ...
Inventa novos mundos!...

(ClaraDoVale-18/06/2001)
Índice Sapho
 

 

 

DUAS PÉROLAS...
DUAS PÉROLAS...
Duas pérolas puras
escorrem
dos teus olhos de menino...
Bolas de cristal
grávidas de desventuras...
de sal...de ternuras...
Que acetino
com o leve afago
da palma
da minha alma...
Das minhas mãos
postas em concha...
Húmidas...molhadas
das tuas lágrimas
de águas caladas...
Que contam histórias
de mágoas...de amor...
de glórias... de dor...
de duendes...de fadas...
Esferas encantadas
como jardins em flor,
as duas pérolas
cálidas...molhadas...
plantadas com raiz de dor...
Deixa que rolem..
Lava a tua alma...
o teu peito...o teu rosto...
Cairão sem perigo
na palma da minha alma...
Cálice das tuas cores...
das tuas mágoas...do teu gosto...
Chorarei contigo
as tuas lágrimas...
Feitas de sol posto!...
ClaraDoVale
Índice Sapho
 

 

 

O SOM DO SILÊNCIO
O SOM DO SILÊNCIO
Ecoa o som do silêncio
nas almas ressequidas,
esquecidas as palavras
no olhar que as agarra
Desamarra a amarra
da âncora da sintaxe...
Vertentes de fios de água
tecidos de amor e mágoa...
Vagas de um mar profundo
espalhado pelo mundo
do silêncio das palavras
Caladas...usadas...cansadas...
No recôndito da alma,
Ecoa o som do silêncio
gritante, esvoaçante
em asas de veludo
Pássaro de voo livre
na madrugada do sonho...
Renasce prometido
no peito aberto, ferido,
no ventre prenhe de querer
a plena urgência de Ser,
a premência de viver!
De dar sentido ao sentido!...
ClaraDoVale
Índice Sapho
 

 

 

RELENTO
RELENTO
Sinto cá dentro
um estranho relento
que me esfria o peito!
Arrefece-me a vida
pungente, ferida,
esquecida, ausente
da brisa quente
do infinito do sonho,
perdido em confim estreito...
No horizonte que avisto
há uma história breve,
efémera, dorida, leve...
Dita com palavras de silêncio
em que nada invento...
Verto-as no  colo
onde me sento...
Desfolho pétalas de vento
evoladas na brisa
do relento do meu peito...
Espraio o pensamento
na areia dispersa do meu graal,
Teço na alma uma teia,
Um leito de lua cheia...
Adormeço...
Esqueço...
Aqueço...
Reinvento a panaceia...a pedra filosofal!
ClaraDoVale
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Presente do passado
Presente do passado
Quando a saudade
é maior do que eu,
envolvo-me em mim!
Enrolo-me no meu manto,
afogo-me no meu pranto...
A minha verdade já não é!
Breve a fé no futuro
dum presente já passado,
dum passado, ainda presente...
Viajo por dentro,
percorro os meus sentidos...
Eu ausente,
estranha distância,
caminhos vividos...
Dor pungente,
cinzas de infância,
luares perdidos...
traço, laço,
pedaço de mim...em mim!
Saudade da minha verdade
que se escoa...em mar sem fim!
ClaraDoVale
Índice Sapho

 

 

 

 

SULCOS DE VIDA
SULCOS DE VIDA
Nas minhas mãos,
sulcos de vida...
Difusos, confusos,
cruzados, trocados,
inversos, dispersos
na vida vivida
dos entes diversos
Presentes em mim...
Ausentes de mim...
Cada linha
é um perfil que traço,
desfaço, enlaço,
refaço numa tela nua,
crua, imensa, vazia
duma lua que não abraço...
Visto-a de cor,
de suor, de amor...
Recrio-lhe o espaço,
invento-lhe um céu,
projecto-me nela
Desnuda, singela...
A tela...sou eu!
ClaraDoVale
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Caminho de fadas!
Caminho de fadas!
Subtil, a tua mão
que aflora o meu corpo
e o passeia em silêncios
de vozes anunciadas...
Sonatas cantadas
nos meus sentidos...
Vividos, perdidos
na sábia canção
entoada pela tua mão...
Caminho de fadas!
ClaraDoVale
Índice Sapho
 

 

 

Verte-te em mim!
Verte-te em mim!
Verte-te em mim,
na tua sede de infinito!
Veste-me de vida,
nascida do teu grito!
E vem  assim,
em sentida promessa de profeta,
devagarinho...sem pressa...
beber em mim
a tua alma de poeta!
ClaraDoVale
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Buganvílias
Buganvílias
A minha janela está lá
aberta, como dantes,
ao vale que percorro no sol-posto...
As buganvílias ainda roçam o meu rosto,
perpassado pelo sua etérea fragrância
que me invade o corpo doído...
Ainda lhes sinto o ruído....o gosto!
Mas já não têm ...o odor de infância!
Clara do Vale
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Campos de espanto!
Campos de espanto!
No meu ser,
rios de pranto!
Margens que comprimem
o turbilhão das minhas águas
límpidas...cristalinas...
Caudal de mágoas...
No meu olhar,
Campos de espanto!
Vem luar...cobre-me com o teu manto!
Clara do Vale
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ESBOÇO
ESBOÇO
No embaciado da minha janela
Vejo o teu esboço...ténue...velado...
Indefinidas as linhas do teu rosto,
marcas subtis do teu passado
que carrego no corpo já quebrado
E as linhas tomam corpo...fulgor...
A silhueta inacabada ganha cor!
Raio de luz, bago de amor,
Estrela polar, flor de luar...
Ainda me seduz...o teu olhar!
ClaraDoVale
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Sentidos
Sentidos
No silêncio da noite de breu,
ouço o teu brado!
Nos raios que perpassam o céu,
ouço o teu brado!
Na brisa que sussurra no ar,
ouço o teu brado!
Nas vagas crescentes do mar,
ouço o teu brado!
Na luz fulgente do sol,
ouço o teu brado!
No canto alado do rouxinol,
ouço o teu brado!
Porque clamas assim
essa dor que ecoa em mim?
Não vês que estou aqui...a teu lado?!...
Clara
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Crepúsculo
Crepúsculo
Pudera esvaziar
a minha alma
cheia de nada...
Enchê-la, de novo,
de crença, de sentido!
Entretecer-lhe um arco-íris
de vida semeada
no meu corpo doído...
Retomar a calma,
apaziguar a dor...
Rodopiar no meu céu
com passos de fada,
envolta em véu de cetim,
entoando a canção do amor.
Leve...singela...alada...
Voltaria, assim,
a encontrar em mim
a semente plantada
Talvez...ainda em flor!
Clara do Vale
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Memória2
Memória
Um dia,
há tanto tempo!...
Vesti o dia de lua,
rodopiei...leve...nua
na rua...do pensamento...
Um dia
há tanto tempo!...
Verti-me no teu olhar
vestido da cor do mar!
Viajei...ninfa...sereia
na areia...do verbo amar...
Esse dia...
há tanto tempo!...
Escoa-se dentro de mim...lento...
Vento do meu jardim
em romagem fugidia...
Uma viagem tardia
sem dia...sem momento...
Sou-me vazia...por dentro!
Até...um dia!...
               Clara do Vale
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Sabes, Mãe?
Sabes, Mãe?
Sabes, Mãe?
Ouve a minha voz!...
Pudesse ser-me, outra vez,
aninhada no teu ventre,
nesse silêncio quente...
Ausente deste mundo fundo
onde me afundo, onde me vês...
Pudesse ser-me, de novo,
sem medo do escuro,
nesse ninho macio, puro...
Passado do meu futuro...
Sem nós entre nós....
Ouve, Mãe, a minha voz!
Clara do Vale
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Taça de espuma
Taça de espuma
 
Abro a mão cerrada!
Dos meus dedos esguios,
Escorrem rios de nada!...
Correntes que desaguam
num mar vazio de água...
Que guardava eu, ciosa,
nesta taça de espuma?!....
Uma mão cheia de nada...
...outra de coisa nenhuma
Clara do Vale
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Fada alada
Fada alada
O que sabes de mim
se nunca me viste?!...
Olhaste-me...somente,
suavemente...com calma...
sem entrar na minha alma,
sem reparar na semente
a germinar de ilusão,
que daria uma flor quente
na palma da minha mão...
O que sabes de mim
se nunca me viste?!...
Dos meus desejos...
dos meus sonhos...
dos meus beijos...
da minha esperança em riste...
Do amor com que entoei
a tua canção?!...
Mas não...não sabes nada!
Sou uma fada alada
que esvoaça na alvorada
duma flor ainda em botão!
Mas tu não sabes...não!...
ClaradoVale       
20/02/2002
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Madrugada em flor
Madrugada em flor
Quero despertar
com o orvalho do teu suor
penetrado no meu ser...
Cantar o amor
numa ária terna...eterna...
Sair deste torpor
em que se hiberna,
E viver...e beber
do teu cálice de amor,
Revolver a tua terra
e semear nela
a madrugada em flor!
ClaradoVale
02/02/02
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No teu regaço
No teu regaço
No teu regaço,
há uma tela
de poentes incendiados,
pintados pelas tuas mãos
feitas de infância
e de luares inviolados.
Uma aguarela
solta no espaço...
A vertigem bela
do fogo rubro das sementes
cor do trigo maduro...
No silêncio puro
das viagens inacabadas,
marcadas pela distância
entre  realidades inventadas
e  sonhos grávidos de futuro...
Esboças a tua aguarela
de poentes incendiados,
que vertes no teu regaço.
E és todo tu...todo inteiro
em cada traço...em cada espaço
pintado por ti... na tua tela!
Clara do Vale         
20/02/2002
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PARTIDA
PARTIDA
Partiste, hoje,
Sem saberes que partias...
Sem sabermos que ias...
Levaste-me contigo
Num pedaço de ti
Guardado no teu regaço...
Fui-te no ventre,
Sou-te na alma!
Voas agora, pelos céus,
Em eterna madrugada,
O voo da etérea calma
Serena...despojada...
Partes...planas no além
E, contigo vão, mãe,
Pedaços meus...
ClaradoVale   
01-01-2002
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Pedras do caminho
Pedras do caminho
Ecoam os meus passos
nas pedras do caminho,
que pisei com a minha mão na tua
em tempos que já lá vão...
Mas não...não é a mesma rua!
Roubaram-lhe o céu, a luz, a lua
que trazia guardados na minha mão
quando a tinha ainda presa na tua...
Pende, agora, vazia... desnudada,
posta em concha...grávida de nada...
Flor murcha...oca...descorada,
esvaziada da quentura do teu ninho
que tornava o meu caminho..uma alvorada!
ClaradoVale      
06/02/2002
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Entrelacei estrelas no cabelo...
Entrelacei estrelas no cabelo...


Entrelacei estrelas no cabelo,
vesti os olhos de luar,
semeei nas mãos a alvorada,
abri os braços ao poente,
fui estrada...mar...semente...

E fiquei à tua espera!

Nua, lua, tua, singela...

Com  magia no olhar,
nos dedos a madrugada,
o corpo de seda quente
vestido de primavera...

Alvoreceu...
entardeceu...

Aguardei, fremente,
a hora da tua chegada
no silêncio da voz calada!

Não vieste...anoiteceu
em mim, a alvorada!

Foste nada, vazio, ausente...

E a louca fantasia,
que tinha no corpo presente,
desfez-se como por magia...

Ficou-me a alma vazia,
fui estrela cadente
caída...em chão de nada!

ClaradoVale                  
03/04/2002
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Estás longe...e tão perto!
Estás longe...e tão perto!

Estás longe...e tão perto!

Os braços que te envolvem
não são os meus...

É tudo nu...cru...incerto...

Mas os olhos que eu vejo
são sempre...os teus!

Pela minha face,
escorrem rios
dédalos...escorregadios,
que vão desaguar
no mar...do teu olhar!

Nos meus braços, o amplexo
desconexo...oco...esvaziado
da quentura dos teus...

E abraço neste abraço
um nada...um espaço
aberto à infinitude dos céus...

Estás longe...e tão perto!

Os braços que te envolvem
não são meus...

Nestes, resta o espaço
que deixaste aberto
aos abraços que eram teus!

ClaradoVale          
01/04/2002
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Ninho
Ninho


Volta...
e dá-me a tua mão!

Guia-me...leva-me
pelo teu caminho!

Deita-me no teu ninho,
percorre-me, devagarinho.
escuta a minha canção...

Deixa que pouse a cabeça,
que feche os olhos e adormeça,
suavemente...sem pressa...

Num sono em que esqueça
que foste...que já não és
o laço, o nó, a promessa
que depositei a meus pés!


ClaradoVale      
03/04/2002
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Pássaro alado
Pássaro alado

Quero ser pássaro alado!

Esvoaçar a teu lado,
percorrer o firmamento,
poisar na espuma do mar,
nascer no teu pensamento,
verter-me no teu olhar...

Num instante...num momento,
reconjugar o verbo amar...

E transformar em alento,