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Sapho |
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Última actualização 27/09/2006 |
Agenda As esquinas da lua Contos Crónicas da Net Entrevista Galeria de arte Livro de visitas Ecos do Ressoa Os poetas do canal Página Inicial Poemar na escola Poemas ditos Ressoa Página pessoal |
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85 Poemas Editados - Encontro |
Torre de Babel José Alberto
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AGOSTO Agosto com odor a frutos doces... maduros, quentes, frementes, puros. Agosto com sol no rosto, luar aberto... gosto, mosto, amor incerto... Prenhe o teu ventre de mil desejos... Filho que sente o quente dos teu beijos! Quente...o ventre!...
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DO TEU CORPO Do teu corpo vertem rios com nascentes criadas no meu corpo... Margens, prantos, voos, Viagens, espantos, loas, Risos crescentes... Do teu corpo vertem rios com nascentes criadas no meu corpo... Juntos seguem para a foz entoando a mesma voz! Somos dois afluentes...em nós! |
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EM
CADA PALAVRA
EM CADA PALAVRA Em cada palavra que escrevo solto a minha voz! Livre, sem nós nem grilhetas... Abro as gavetas da minha vida e alvoreço em madrugada renascida. Liberto estrelas, planetas, cometas... E construo o firmamento que invento na minha voz! Sem nós!....
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INFINITO
INFINITO Impele-me a sede de infinito no finito do meu ser... Antever na alma um grito feito de sóis a amanhecer. O infinito torna infinito o finito do meu ser! Impele-me a sede.. de viver!...
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TEMPO
DE COLHEITA
TEMPO DE COLHEITA Semeia no meu corpo um prado verde fecundo! No tempo da colheita... Colhe, enlaça, abraça, estreita... Sorve de um trago todo o meu mundo!...
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VEM,
AMIGO
VEM, AMIGO Vem, amigo, e traz contigo as tuas mãos em concha, grávidas de sonho e de flores Verte-as em mim Semeia na minha alma um mundo de cores... Coloca-o na palma da minha mão que cerrarei, ciosa e calma. Entoarei a tua canção... E verei...a tua alma!..
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AMANHEÇO AMANHEÇO Amanheço com o teu corpo no meu corpo... Vivo, sonho... Amo esqueço... Sou lua Alma vaga, Alga tua! Anoiteço sem o teu corpo no meu corpo... E adormeço!... Índice Sapho
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AGUARELA AGUARELA Vejo na tela uma aguarela... Dissolvo as tintas de cor com que pintas o amor e a dor... Nus de tons crus corpos ardentes de cores quentes... Miro, toco, abraço... desfaço em mim a dor nas tintas com que pintas com amor!... Índice Sapho
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CAMINHO CAMINHO Percorro suavememte o contorno das linhas do teu rosto. Morro docemente embalada no retorno do teu gosto... E gosto!... Índice Sapho
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MÃOS MÃOS Toco as tuas mãos brancas de luas... Defino os sulcos esguios vultos... Percorro os teus caminhos vales rios ninhos ruas... Serão as minhas Ou...as tuas?!... |
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AQUELE MENINO... AQUELE MENINO... Aquele menino de olhar sem hora, parado, cavado Porque não chora?!... Falta-lhe o jeito, o alor, o pranto... Secaram-lhe as lágrimas esquecidas no peito!... Aquele menino de olhar enorme, perdido, entardecido Porque não dorme?!... Falta-lhe o leito o conto, o beijo... Ficaram-lhe as noites esquecidas no peito!... Aquele menino de olhar sem nome, dolente, ausente Porque não come?!... Falta-lhe o preito a mãe, o pão... Restou-lhe a fome esquecida no peito!... Aquele menino de olhar sem chama, cansado, esgotado Porque não ama?!... Falta-lhe o jeito O amor, a alma... Ficou-lhe a vida Esquecida no peito!... E, tanta gente vestida a preceito não vê o menino com falta de mimo de pranto, de amor, de leito?!... Ficou-lhes a alma esquecida no peito?!... Índice Sapho |
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VI ESTRELAS NOS TEUS OLHOS... VI ESTRELAS NOS TEUS OLHOS... Vi estrelas nos teus olhos... Flores de riso com laivos de luas e de sóis... Pétalas abertas, libertas, que piso nas tuas ruas dédalas, sem escolhos, onde cantam os rouxinóis! Vi estrelas nos teu olhos! Eram sóis?!... Índice Sapho
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VIDA VIDA Deixei o meu barco no teu cais... Soltei a âncora, errei pela vida, esquecida, singelo vulto entre os demais... Fui mulher... menina, lua, filha, grua, bonina... Voltei ao meu barco no teu cais... E nadei no teu mar...entre corais! Índice Sapho
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PORQUE NÂO CHORAS?!... PORQUE NÂO CHORAS?!... Mergulho... no silêncio dos teus olhos aveludados, velados em horas ensombrecidas... Inundam-me as vagas salgadas, caladas, das lágrimas que não choras... Em ti esquecidas!... porque demoras?!... Porque não choras?!... Índice Sapho
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EU VI LUZ EU VI LUZ Eu vi luz no teu deserto Ensombrado pelas dunas do teu ser... Breves colinas de areias finas que galguei com os pés nus em busca do teu destino... Louco... o meu desatino! Demente...este meu querer! Que hei-de fazer?!... Índice Sapho
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ENCONTRO ENCONTRO O teu corpo encontra-se no meu corpo e perde-se em mim... O meu corpo perde-se no teu corpo e encontra-se...por fim! Índice Sapho
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E
A MINHA FESTA?!...
E A MINHA FESTA?!... Sem pressa, Afasto da testa uma madeixa de cabelo que me cobre os olhos. Vejo a gente que passa rápida, lesta... Não há nesta gente, gente que me tire da testa a madeixa de cabelo que me cobre os olhos? Que me faça uma festa com uma mão quente?!.... Há muita gente, mas gente lesta, com pressa... que passa depressa... E a minha festa?!... Só há gente desta?!.... Será o que resta?!...
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CERRO OS OLHOS CERRO OS OLHOS Cerro os olhos e perco-me dentro de mim... Desfio a alma Suave, branca, calma... Sinto no coração Vida, ritmo, ilusão... Cerro os olhos e encontro-me dentro de mim... Crio a alvorada do dia em que me vejo... Será assim?...Ou estarei enganada?!... Índice Sapho
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HOJE,SENTI-ME SER HOJE,SENTI-ME SER (À minha filha ) Hoje, senti-me Ser porque eras Ser dentro de mim! Hoje, passei a ser o teu Ser e a ser assim... Ser do meu Ser ser do teu Ser... E a vida teve Ser dentro de mim! Hoje,voltei a nascer e a ser assim... Enfim!... Índice Sapho
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SER POETA... SER POETA... (Aos amigos do Poemar) Ser Poeta... é ter dentro do peito o mundo inteiro! Conhecer-lhe os segredos, os confins, os enredos... Fazer da alma o seu leito, reinventado no jeito de pintar as palavras com as cores da liberdade... Aromar as mágoas, o dia, o nada, as águas, fazer de qualquer noite uma nova madrugada... Amanhecer o mundo na voz de cada palavra... Ser Poeta é ter dentro do peito magias de profeta! Embalar o verbo em ventre apetecido e ofertá-lo ao mundo num parto acontecido de solidão inquieta... É ser nervo, alor, sangue, fundo, mundo, meta, mão, esplendor, verdade, asceta.. Ser Poeta é conhecer... o sabor e a cor da Liberdade! Índice Sapho |
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VOLTAREI A SER!... VOLTAREI A SER!... Traz-me nas mãos tristes Uma lufada de vento... Enche a minha alma De poemas e de alento... Beija os meus olhos Anoitecidos pela dor... Acaricia o meu rosto Descorado de sol posto... Vem,
meu amor Transforma
o meu desgosto Numa
tela plena de cor... Bela... E
voltarei a ser flor... Ou
aguarela... |
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ASSIM VAI O MUNDO... ASSIM VAI O MUNDO... Assim vai o mundo... sem vozes com sabor a infinito nem promessas de profetas... De ventre enigmático, profundo, apático, grávido de fantasias absortas, quietas... Assim vai o mundo... para todos os gostos. Com charcos , lodos, mágoas, engodos, alegrias, utopias, neblinas, desgostos.... Assim vai o mundo... alheio ao mundo que há no seu mundo... Às noites que sabem a céu, aos dias com odor a sol, aos desejos reprimidos dos seres plenos de alor esperando a hora apetecida de amar a mágoa e o amor... Assim vai o mundo... redondo de fome, estreito de amor, oblongo de dor, pequeno, sem nome... Assim vai o mundo... sem vozes com sabor a infinito... Redondo, atávico, patético, seráfico, alheio, imundo... É este o pano de fundo!... |
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DANÇA DA LUA DANÇA DA LUA Baila comigo a dança da lua! Perpetua em mim A presença de ti... Leva-me por céus em pontas de pés, percorre as estrelas de lés a lés... Deixa-me vê-las, tocá-las, sorvê-las... Fazer com elas um mundo só meu... qual véu de grinaldas com flores belas tecidas de estrelas roubadas ao céu... Revela-me a alvorada que ainda não vi junto de ti... Serei bailarina, amante, sereia, diamante, areia, taça cristalina, sol nascente, poente, foz ou jusante... Baila comigo a dança da lua no sol, no céu, na rua... Por um breve instante! |
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MADRUGADA! MADRUGADA! Na escuridão da noite, amanhece o meu peito, o meu corpo, o meu rosto... Na brisa da tua mão, da tua pele... do teu gosto... Inventado no teu jeito de fazer com que a lonjura se aperte, se estreite... De ancorar no teu porto! Nasce em mim, com deleite, a ternura... a ventura... De fazeres do meu corpo O teu leito De madrugada branca e pura! |
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SOU FLOR...SEREI RAIZ!... SOU FLOR...SEREI RAIZ!... (À Su, uma menina que não conheço, com voz de rouxinol!) Vem Sol! Nasce nos meus olhos Com mãos de flor! Semeia no meu peito Em voz de sonho e jeito A canção do amor... Vem Mar! Abraça a minha alma Com uma grinalda de vida! Alvorece no meu peito Faz dele o teu leito De magia apetecida... Vem Flor! Amanhece no meu seio Com pétalas de cor! Ancora no meu peito Inventa-me o jeito De amar o amor... Vem Dia! Alvorece no meu rosto Com dedos de magia! Entretece no meu peito Um manto onde me deito De luz e fantasia... Vem Amigo! Renasce no meu ser Com sóis a reflorir! Planta no meu peito Com alor e preceito Uma flor a sorrir... Vem Mundo! Resplandece a minha vida Com luas de violinos! Recria no meu peito Um jardim vasto, florido Com as vozes dos teus hinos... Sou Vida ,mar, Filha ,luar, Tela, pincel, Aguarela, cinzel, Alvorada, menina, Magia, bonina, Fantasia, amor, Jasmim, lis... Sou Flor! Serei Raiz!... 03/05/2001 Clara do Vale |
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VOZ DE ROUXINOL! VOZ DE ROUXINOL! Da minha alma Brota um mar De espuma breve, leve, de cristal, amor, sonho e sal... Semeado de vendavais que inventam madrigais dentro de mim, e se espraia em areais no meu corpo de menina, de alfenim, de bonina... Subo as escadas do mistério em busca dos segredos, dos perfumes, dos enredos de uma vida não vivida em esperança apetecida.. E as vagas de espuma tornam-se leve caruma que ardem na minha alma, em carícia quente e calma... E transformam o meu ser num círio de luz a arder... Sou menina, sou criança, sou um lírio de esperança com voz de lua e de sol que entoa dentro de mim... um canto de rouxinol num ramo do meu jardim, brisa breve, flor, bonança... Sou o vento que emudece Docemente, no meu colo, onde me sento e desfolho as pétalas plenas de vida que o meu corpo aquece... No meu mar de amor e dança, sou menina, sou criança, sou a vida não vivida que ainda se esconde em mim.. um brilho, um raio de sol, uma esperança apetecida semeada no meu jardim... Sou a voz do rouxinol! Sou um toque de clarim! |
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MÃE! MÃE! No teu ventre, nascem flores de vida acontecida em ti... Em jardins de amor E de silêncio quente, Áureo...presente... No teu ventre, Nasce poesia de rima fácil, solta, envolta em doce melodia... Canto auroral entoado na catedral do teu ventre, do teu dia... E num brado desbravado bem no fundo do teu peito, feito de amor e de penas... Clamas com alor ao mundo: Os meus filhos...são Poemas! |
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MAR DE ESTRELAS! MAR DE ESTRELAS! Desenha-me Um mar de estrelas Numa folha alva de papel!... Áureas...singelas... Mergulharei nele os dedos e farei um anel de estrelas e segredos... guardados para ti na minha alma! Vertê-los-ei na palma da tua mão... Ficarão lá gravados, marcados com cinzel... Despojar-me-ei da solidão dos meus medos... Existirei em ti, na tua luz...na tua calma... Verás a minha alma, que verti na palma da tua mão!... Seremos um no outro uma constelação... De estrelas e...segredos!... Clara do Vale-10/05/2001 |
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SOU...SOMENTE!... SOU...SOMENTE!... Sou somente um ramo da minha árvore... que se estende em horizonte imenso, intenso...infinito... Do meu ser ao outro ser que há em mim, reinvento a ponte do meu querer... Uma fonte de água límpida...pura... Um turbilhão de mágoa...de ternura... Uma oração clamada com fervor, nascida no imo do meu ser... Um apego, um enlevo... uma ovação, um clamor... uma canção, uma dor... Frutos da minha árvore plantada no meu jardim... Desse ramo que eu sou, que se estende do meu ser ao outro ser que há em mim... Onde reinvento a ponte do meu querer! Clara do Vale 10/05/2001 Índice Sapho |
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NOITE! NOITE! A noite verte em mim!... Escurece a madrugada do meu ser... Traça uma linha, um confim no horizonte rasgado do meu querer... Desenha uma réstia de lua... Apenas um quarto minguante dilacerante...decrescente... Apenas um beco, uma rua solitária... incongruente na multidão de ruas do meu ente... É por essa que caminho de olhos pesados, com mãos doridas... roçando, suavemente, as esquinas breves das minhas asas feridas... Em voo leve, perdido, breve, contido, sem rumo... sem sentido... Cortadas as asas da minha alvorada, anoiteço... esqueço... adormeço... nua... sem lua, no meu berço adornado...de nada! Resto, somente, um fio de água que escorre do meu mar! Denso...extenso de luar...de mágoa! Entristeço... Anoiteço... Entorpeço... Adormeço no meu berço, breve fio de água... Adornado...de nada!... 16-05-2001 Clara do Vale Índice Sapho |
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Os teus olhos de menino!... Os teus olhos de menino!... Nos teus olhos anoitecidos por véus de neblina... entretecidos de titubeante amargura, compacta a terra sobre a infância, uma ave renovou o voo num bater de asas feridas, em alvorada áurea e pura... E a noite densa, escura, Amanheceu, alvoreceu em sonata repentina, feérica, gritante, entoada no teu jardim de silêncio, em gorjeio estonteante de promessa vespertina... Duas estrelas brotaram dos teus olhos em cascatas de luz... Ovação, clamor, fulgor, canção, alma, sino, calma, hino... passagem, imagem... Viagem de regresso com magias prometidas dos teus olhos ...de menino! 22-05-2001 (Li) Índice Sapho |
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SABER O SABOR!... SABER O SABOR!... Deste-me o teu gosto a provar! Sabia a céu, a sol, a mar... Um travo agridoce na minha boca sequiosa, ciosa do teu sabor... Do teu corpo de luar, das tuas marés de amor... Ancoraste no meu porto! Fomos juntos onda a onda, corpo a corpo, desaguar um no outro.. Fizemos a intensa monda de um campo por devastar... Vagas frementes, fulgentes, crescentes, inundaram o meu ventre onde vieste desaguar o teu corpo de luar... Fui o teu porto...o teu mar!... A onda que foste beijar Com os teus lábios Sábios...doces...quentes!... ClaraDoVale Índice Sapho |
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DESFUTURO DESFUTURO Das veredas esconsas do caminho que traçámos, pisando com os mesmos passos as agruras do percurso árido, agreste, breve de alegrias puras... Restou um passado feito presente... Entretecido em teias de loucas amarguras... Flores de silêncio intenso, extenso, brotaram nas vertentes das montanhas que subimos imolados nos aculéos mais agudos da árvore da vida que não vimos... Os frutos que colhemos encheram as nossas mãos de vazios, de nadas pungentes, mudos... O tempo parou, num desfuturo sem história, nem previsão... Sem a glória, sem a canção que entoámos nas veias onde corria sangue rubro feito de penas e ilusão... O presente é já passado ausente, atro, parado... Sobejos apenas de promessas incumpridas, adiadas... Taça farta de dor e desatino... Passado do ventre Prenhe das nossas palavras caladas, inversas, sem destino... Emudece a alma, a história que contámos e escrevemos no livro sem letras que desfolhámos juntos... Vai amor! Enche a tua alma de vida, de prantos, de calma ... Inventa novos mundos!... (ClaraDoVale-18/06/2001) Índice Sapho |
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DUAS PÉROLAS... DUAS PÉROLAS... Duas pérolas puras escorrem dos teus olhos de menino... Bolas de cristal grávidas de desventuras... de sal...de ternuras... Que acetino com o leve afago da palma da minha alma... Das minhas mãos postas em concha... Húmidas...molhadas das tuas lágrimas de águas caladas... Que contam histórias de mágoas...de amor... de glórias... de dor... de duendes...de fadas... Esferas encantadas como jardins em flor, as duas pérolas cálidas...molhadas... plantadas com raiz de dor... Deixa que rolem.. Lava a tua alma... o teu peito...o teu rosto... Cairão sem perigo na palma da minha alma... Cálice das tuas cores... das tuas mágoas...do teu gosto... Chorarei contigo as tuas lágrimas... Feitas de sol posto!... ClaraDoVale Índice Sapho |
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O SOM DO SILÊNCIO O SOM DO SILÊNCIO Ecoa o som do silêncio nas almas ressequidas, esquecidas as palavras no olhar que as agarra Desamarra a amarra da âncora da sintaxe... Vertentes de fios de água tecidos de amor e mágoa... Vagas de um mar profundo espalhado pelo mundo do silêncio das palavras Caladas...usadas...cansadas... No recôndito da alma, Ecoa o som do silêncio gritante, esvoaçante em asas de veludo Pássaro de voo livre na madrugada do sonho... Renasce prometido no peito aberto, ferido, no ventre prenhe de querer a plena urgência de Ser, a premência de viver! De dar sentido ao sentido!... ClaraDoVale Índice Sapho |
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RELENTO RELENTO Sinto cá dentro um estranho relento que me esfria o peito! Arrefece-me a vida pungente, ferida, esquecida, ausente da brisa quente do infinito do sonho, perdido em confim estreito... No horizonte que avisto há uma história breve, efémera, dorida, leve... Dita com palavras de silêncio em que nada invento... Verto-as no colo onde me sento... Desfolho pétalas de vento evoladas na brisa do relento do meu peito... Espraio o pensamento na areia dispersa do meu graal, Teço na alma uma teia, Um leito de lua cheia... Adormeço... Esqueço... Aqueço... Reinvento a panaceia...a pedra filosofal! ClaraDoVale Índice Sapho |
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Presente do passado Presente do passado Quando a saudade é maior do que eu, envolvo-me em mim! Enrolo-me no meu manto, afogo-me no meu pranto... A minha verdade já não é! Breve a fé no futuro dum presente já passado, dum passado, ainda presente... Viajo por dentro, percorro os meus sentidos... Eu ausente, estranha distância, caminhos vividos... Dor pungente, cinzas de infância, luares perdidos... traço, laço, pedaço de mim...em mim! Saudade da minha verdade que se escoa...em mar sem fim! ClaraDoVale Índice Sapho
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SULCOS DE VIDA SULCOS DE VIDA Nas minhas mãos, sulcos de vida... Difusos, confusos, cruzados, trocados, inversos, dispersos na vida vivida dos entes diversos Presentes em mim... Ausentes de mim... Cada linha é um perfil que traço, desfaço, enlaço, refaço numa tela nua, crua, imensa, vazia duma lua que não abraço... Visto-a de cor, de suor, de amor... Recrio-lhe o espaço, invento-lhe um céu, projecto-me nela Desnuda, singela... A tela...sou eu! ClaraDoVale Índice Sapho
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Caminho de fadas! Caminho de fadas! Subtil, a tua mão que aflora o meu corpo e o passeia em silêncios de vozes anunciadas... Sonatas cantadas nos meus sentidos... Vividos, perdidos na sábia canção entoada pela tua mão... Caminho de fadas! ClaraDoVale Índice Sapho |
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Verte-te em mim! Verte-te em mim! Verte-te em mim, na tua sede de infinito! Veste-me de vida, nascida do teu grito! E vem assim, em sentida promessa de profeta, devagarinho...sem pressa... beber em mim a tua alma de poeta! ClaraDoVale Índice Sapho
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Buganvílias Buganvílias A minha janela está lá aberta, como dantes, ao vale que percorro no sol-posto... As buganvílias ainda roçam o meu rosto, perpassado pelo sua etérea fragrância que me invade o corpo doído... Ainda lhes sinto o ruído....o gosto! Mas já não têm ...o odor de infância! Clara do Vale Índice Sapho
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Campos de espanto! Campos de espanto! No meu ser, rios de pranto! Margens que comprimem o turbilhão das minhas águas límpidas...cristalinas... Caudal de mágoas... No meu olhar, Campos de espanto! Vem luar...cobre-me com o teu manto! Clara do Vale Índice Sapho |
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ESBOÇO ESBOÇO No embaciado da minha janela Vejo o teu esboço...ténue...velado... Indefinidas as linhas do teu rosto, marcas subtis do teu passado que carrego no corpo já quebrado E as linhas tomam corpo...fulgor... A silhueta inacabada ganha cor! Raio de luz, bago de amor, Estrela polar, flor de luar... Ainda me seduz...o teu olhar! ClaraDoVale Índice Sapho |
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Sentidos Sentidos No silêncio da noite de breu, ouço o teu brado! Nos raios que perpassam o céu, ouço o teu brado! Na brisa que sussurra no ar, ouço o teu brado! Nas vagas crescentes do mar, ouço o teu brado! Na luz fulgente do sol, ouço o teu brado! No canto alado do rouxinol, ouço o teu brado! Porque clamas assim essa dor que ecoa em mim? Não vês que estou aqui...a teu lado?!... Clara Índice Sapho
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Crepúsculo Crepúsculo Pudera esvaziar a minha alma cheia de nada... Enchê-la, de novo, de crença, de sentido! Entretecer-lhe um arco-íris de vida semeada no meu corpo doído... Retomar a calma, apaziguar a dor... Rodopiar no meu céu com passos de fada, envolta em véu de cetim, entoando a canção do amor. Leve...singela...alada... Voltaria, assim, a encontrar em mim a semente plantada Talvez...ainda em flor! Clara do Vale Índice Sapho |
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Memória2 Memória Um dia, há tanto tempo!... Vesti o dia de lua, rodopiei...leve...nua na rua...do pensamento... Um dia há tanto tempo!... Verti-me no teu olhar vestido da cor do mar! Viajei...ninfa...sereia na areia...do verbo amar... Esse dia... há tanto tempo!... Escoa-se dentro de mim...lento... Vento do meu jardim em romagem fugidia... Uma viagem tardia sem dia...sem momento... Sou-me vazia...por dentro! Até...um dia!... Clara do Vale Índice Sapho
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Sabes, Mãe? Sabes, Mãe? Sabes, Mãe? Ouve a minha voz!... Pudesse ser-me, outra vez, aninhada no teu ventre, nesse silêncio quente... Ausente deste mundo fundo onde me afundo, onde me vês... Pudesse ser-me, de novo, sem medo do escuro, nesse ninho macio, puro... Passado do meu futuro... Sem nós entre nós.... Ouve, Mãe, a minha voz! Clara do Vale Índice Sapho |
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Taça de espuma Taça de espuma Abro a mão cerrada! Dos meus dedos esguios, Escorrem rios de nada!... Correntes que desaguam num mar vazio de água... Que guardava eu, ciosa, nesta taça de espuma?!.... Uma mão cheia de nada... ...outra de coisa nenhuma Clara do Vale Índice Sapho
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Fada alada Fada alada O que sabes de mim se nunca me viste?!... Olhaste-me...somente, suavemente...com calma... sem entrar na minha alma, sem reparar na semente a germinar de ilusão, que daria uma flor quente na palma da minha mão... O que sabes de mim se nunca me viste?!... Dos meus desejos... dos meus sonhos... dos meus beijos... da minha esperança em riste... Do amor com que entoei a tua canção?!... Mas não...não sabes nada! Sou uma fada alada que esvoaça na alvorada duma flor ainda em botão! Mas tu não sabes...não!... ClaradoVale 20/02/2002 Índice Sapho
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Madrugada em flor Madrugada em flor Quero despertar com o orvalho do teu suor penetrado no meu ser... Cantar o amor numa ária terna...eterna... Sair deste torpor em que se hiberna, E viver...e beber do teu cálice de amor, Revolver a tua terra e semear nela a madrugada em flor! ClaradoVale 02/02/02 Índice Sapho
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No teu regaço No teu regaço No teu regaço, há uma tela de poentes incendiados, pintados pelas tuas mãos feitas de infância e de luares inviolados. Uma aguarela solta no espaço... A vertigem bela do fogo rubro das sementes cor do trigo maduro... No silêncio puro das viagens inacabadas, marcadas pela distância entre realidades inventadas e sonhos grávidos de futuro... Esboças a tua aguarela de poentes incendiados, que vertes no teu regaço. E és todo tu...todo inteiro em cada traço...em cada espaço pintado por ti... na tua tela! Clara do Vale 20/02/2002 Índice Sapho
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PARTIDA PARTIDA Partiste, hoje, Sem saberes que partias... Sem sabermos que ias... Levaste-me contigo Num pedaço de ti Guardado no teu regaço... Fui-te no ventre, Sou-te na alma! Voas agora, pelos céus, Em eterna madrugada, O voo da etérea calma Serena...despojada... Partes...planas no além E, contigo vão, mãe, Pedaços meus... ClaradoVale 01-01-2002 Índice Sapho
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Pedras do caminho Pedras do caminho Ecoam os meus passos nas pedras do caminho, que pisei com a minha mão na tua em tempos que já lá vão... Mas não...não é a mesma rua! Roubaram-lhe o céu, a luz, a lua que trazia guardados na minha mão quando a tinha ainda presa na tua... Pende, agora, vazia... desnudada, posta em concha...grávida de nada... Flor murcha...oca...descorada, esvaziada da quentura do teu ninho que tornava o meu caminho..uma alvorada! ClaradoVale 06/02/2002 Índice Sapho
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Entrelacei estrelas no cabelo... Entrelacei estrelas no cabelo... Entrelacei estrelas no cabelo, vesti os olhos de luar, semeei nas mãos a alvorada, abri os braços ao poente, fui estrada...mar...semente... E fiquei à tua espera! Nua, lua, tua, singela... Com magia no olhar, nos dedos a madrugada, o corpo de seda quente vestido de primavera... Alvoreceu... entardeceu... Aguardei, fremente, a hora da tua chegada no silêncio da voz calada! Não vieste...anoiteceu em mim, a alvorada! Foste nada, vazio, ausente... E a louca fantasia, que tinha no corpo presente, desfez-se como por magia... Ficou-me a alma vazia, fui estrela cadente caída...em chão de nada! ClaradoVale 03/04/2002 Índice Sapho |
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Estás longe...e tão perto! Estás longe...e tão perto! Estás longe...e tão perto! Os braços que te envolvem não são os meus... É tudo nu...cru...incerto... Mas os olhos que eu vejo são sempre...os teus! Pela minha face, escorrem rios dédalos...escorregadios, que vão desaguar no mar...do teu olhar! Nos meus braços, o amplexo desconexo...oco...esvaziado da quentura dos teus... E abraço neste abraço um nada...um espaço aberto à infinitude dos céus... Estás longe...e tão perto! Os braços que te envolvem não são meus... Nestes, resta o espaço que deixaste aberto aos abraços que eram teus! ClaradoVale 01/04/2002 Índice Sapho |
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Ninho Ninho Volta... e dá-me a tua mão! Guia-me...leva-me pelo teu caminho! Deita-me no teu ninho, percorre-me, devagarinho. escuta a minha canção... Deixa que pouse a cabeça, que feche os olhos e adormeça, suavemente...sem pressa... Num sono em que esqueça que foste...que já não és o laço, o nó, a promessa que depositei a meus pés! ClaradoVale 03/04/2002 Índice Sapho |
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Pássaro alado Pássaro alado Quero ser pássaro alado! Esvoaçar a teu lado, percorrer o firmamento, poisar na espuma do mar, nascer no teu pensamento, verter-me no teu olhar... Num instante...num momento, reconjugar o verbo amar... E transformar em alento, |