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Pirilipack |
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1 Conto Editado
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Era uma tarde como outra qualquer, nada neste mundo me faria recordar essa tarde não fosse um pequeno pormenor, que só mais tarde me apercebi... Pela janela, ligeiramente entreaberta, de um 1º andar, que é onde moro, vi um velho, de barbas brancas q tinha um aspecto esquisito e me chamou a atenção. Não porque fosse antipático, repugnante, ou tivesse um aspecto mau, mas repito... havia qualquer coisa no seu andar e na sua expressão que me chamou a atenção; andava de uma forma calma e pausada, com as mãos atrás das costas, com o queixo levantado e aspecto sereno e tranquilo...transparecia uma calma estupidificante e uma paz de espírito que não me deixou desviar o olhar daquela bizarra visão... Na altura achei mesmo curioso, até nem seria demais dizer engraçado... mas mal o perdi de vista deixei de pensar nele... Até que um dia em que ia pra casa depois de ter ido a um pub com uns amigos, (eram praí 7h quando estava a chegar a casa, feliz e contente por ter finalmente chegado a vias de facto com uma rapariga a quem já andava a micar à um bom par de meses) e o vi, mesmo no meio da Rotunda da Boavista, no meio de 1 dos jardins a fazer daqueles exercícios de respiração tipo orientais... Eu já tinha ouvido dizer que havia por aí porradas de doidos a fazer aquele género de coisas aí na Europa, mas como Portugal tem cerca de 5 anos de lag em relação ao mais atrasado país do mundo, julguei que só de pois de pronta a Casa da Música pró Porto 2001-Capital Europeia da Cultura é que destes tolos iam começar a aparecer... eu sempre tive uma certa curiosidade por estas coisas... não sou uma pessoa muito céptica nem nada, e não me custa a acreditar que, de facto, a prática de tais exercícios respiratórios, e movimentos corporais, tragam uma série de benefícios para a pessoa que os pratica... embora ponha, certamente, algumas reticências numas poucas de histórias de curas milagrosas ou à base de poderes mentais, energias cósmicas etc... Ia eu a dizer, vi o tal velhote a fazer os exercícios com outros 3. Um deles, jovem, teria pouco mais que a minha idade, diria que talvez mais 1 ano ou 2; outro tinha aspecto de ser um sem-abrigo, sujo e desgrenhado, mal vestido e mesmo à distancia, diria que não tomava banho à uns tempos largos... o outro era de certeza um doutor, bem vestido e barbeado... bem frequentadas as aulas... o velho, a quem apelidei imediatamente de 'barbas' presidia ao festim, na frente grupo disposto em forma de T invertido, balanceando o corpo, mexendo as ancas, inclinando-se ora pra trás ora prá frente, ora pra um lado ora pró outro, esticando este músculo e aquele, tudo acompanhado de inspirações e expirações ruidosas, pausadas e medidas... Eu ia 1/2 tocado pela bebida, inda por cima tinha bebido uma vodka que não me tinha caído lá muito bem e tinha a barriga ás voltas, por isso, para não me arriscar a que o meu pai me visse naquele estado, saquei dum cigarro do bolso (raios partam que o acendi com o último fósforo que tinha...) e sentei-me num dos muitos bancos de jardim que lá havia a vê-los puxar pelo corpo. Só o 'barbas' e o rapaz mais novo é que se vestiam de uma maneira esquisita: calçados com umas sandálias brancas, umas calças largas em tons de branco sujo, e veja-se, com o frio que se fazia sentir, estavam de tronco nu... via-se no chão a poucos metros de distância um amontoado que diria ser o que vestiriam no fim... Ia o cigarro a meio quando de repente o velho 'barbas' se vira para os 3 atrás dele, e lhes diz qualquer coisa que eu entendi como: "Continuem a fazer que eu já volto", e começa a andar na minha direcção. "Vai-me cobrar bilhete p'ra tar a assistir, queres ver?" pensei eu, mas quê... chegou à minha beira e estendeu-me a mão... - Então rapaz? Como te chamas? - João- respondi Ao contrário do que era de esperar, o 'barbas' tinha as mão quentes como tudo... não é transpiradas que estou a dizer, não foi um aperto de mão pegajoso, como os da missa, foi um aperto de mão que quase diria, falou por si só e pelo caracter que teria aquele velhote acabado... - Diz-me uma coisa, não tens mais nada que fazer? Tava a irritar-me o velho... -Este jardim é público! Agora tenho que pagar o aluguer do banco, é? -Se calhar não me fiz entender bem, João - disse de uma forma amigável - ia-te propôr que te juntasses a nós... Naquela altura preferi armar-me em durão... -Nan.. não tenho pachorra pra essas palermices... vou acabar o cigarro e vou-me embora O velho olhou pró cigarro e depois olhou pra cima, pra uma grande árvore que estendia um ramo mesmo por cima de nós, depois sem dizer palavra levantou-se e retomou o seu lugar junto dos outro 3 manfios... Eu não sei se foi coincidência, obra do acaso, se que foi... só sei é que naquele instante orvalhava e estava um nevoeiro denso e vi cair de uma das folhas da árvore uma gota grossa de água mesmo na ponta do cigarro que o apagou instantaneamente!!! Sem + que fazer ali, levantei-me, e como o meu caminho passava perto do velho ainda ouvi, sem nunca me voltar para trás: -Eu estou aqui todos os dias a esta hora... Se quiseres aparece...
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de rajada... 21dez2000 joão pedro costa |
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