João Moutinho

 

Queria ter sido mulher!

 

 

 
 

        
(DES) CORTINAS
 
(Sujeito ao mote de Márcia Cruz:
"És tu a brisa da manhã e...
mansamente abres as cortinas do dia")
 
 
 
 
Não sei se és tu
Que abres as cortinas
Das retinas
Que não se querem abrir...
 
Não sei se és tu a brisa mansa
Que abre aquela manhã
Que nunca mais se alcança
 
Nem sei se quero saber quem és...
 
Nunca abri assim,
Tão mansamente,
As persianas da minha existência... vã!
Irmã...
Vazia...
 
Alguma palavra teria
De rimar com dia...
Algum dia... teria
De encontrar a palavra irmã:
Algum dia irmã...
Teria de ser sã
A minha poesia...
A minha brisa...
A minha alma...
 
Ah! Manhã... manhã...
Abre todas as cortinas do meu dia
Nem mansamente descortinas
As brisas que me invadem...
Ainda que não sintas
És ainda
O eco da madrugada...
 
Ainda brilha
A lua no meu verso
Ah! Que maravilha
Sentir que o Universo és tu
 
"És tu a brisa da manhã e...
mansamente abres as cortinas do dia"
e assim acontece a poesia...
 
 
Jul2000

      
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