Outono virtual

João Moutinho

 

 
Deste lado virtual do mesmo Outono
Que nos corre pelas veias do poema
Um gesto puro que não é só abandono
E não resolvo como simples teorema
 
Dizem Ter um Dom... e não sou dono
Nem faço das palavras o problema
De dormir, mesmo quando não há sono,
E descobrir na lua um novo tema
 
Sou, às vezes, o Inverno que ressoa
Primaveras de poemas pela rua
No chão nosso da cidade de Lisboa
 
Pobre pode ser a rima... nunca nua...
Feiticeira foi a obra de Pessoa...
A minha é esta rouca, louca, lua!