Nevoeiro

João Moutinho

 

      
 
Há um grotesco som no nevoeiro
Se as mágoas marcam em tons de cinzento
Qual dos invernos nascerá primeiro?
Aquele que sinto... ou o que eu invento?
 
Eu sou na vida só um passageiro
Um gesto breve, átomo de vento...
Correr de mais... não me torna primeiro
E como tento amor...  Ah! Como tento...
 
Este soneto é só o meu abrigo
Tons de vermelho nas cinzas que sinto
No cais dos meus sonhos, no chão do meu trigo
 
Só semeio versos, invernos que pinto
Nas nuvens que voo, que sigo e persigo
Que sinto e não sinto, que minto e não minto...