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 João Moutinho

Poemas (21 a 40)

 

Página Inicial    O Ecos do Ressoa   Poemas 1  Poemas 2    Sonetos ditos

21 - Até breve

22 - Até morrer

23 - Auto crítica

24 - Avózinha

25 - Barthira

26 - Bobby Sands...

27 - Boémias antigas

28 - Bravo

29 - Breve

30 - Bruno

31 - Cai a noite na cidade

32 - Cais

33 - Cena íntima

34 - Chorar

35 - Cipreste

36 - Como mais me convier

37 - Como será?

38 - Com tensão

39 - Concha

40 - Contos

José Alves

A Casa d'Irene

 

 

 

ATÉ BREVE!
ATÉ BREVE!

Mais um rio que secou,
Que encontrou a sua foz,
Outra ave que voou
E nos deixa aqui, tão sós

Tão fartos de ser caminho
Tão gastos de solidão
Tão carentes do carinho
Que falta, da sua mão...

Tão cansados de saudade
Tão amigos da tristeza
Tão pobres de liberdade
Nossa única riqueza

Tão carentes que o abraço
Se venha juntar à mesa
Onde há sempre outro pedaço
Que mata a fome à pobreza

Outra lágrima que corre
Dentro de mim sem destino
E se o destino não morre
Eu morro desde menino

Outro poema de ausência
Outra falta de sentir
Para aumentar a falência
Da vida que está por vir

Nesta casa que fechou
Já não mora mais ninguém
Foi um fruto que secou
Um fruto de minha Mãe

Tenho mais uma saudade
Guardada no pensamento
Outra chama da verdade
A arder no sentimento
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ATÉ MORRER
ATÉ MORRER


Lindo?
Lindo é isto
Que eu não sei dizer
E ficará em mim
Até morrer...
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AUTOCRÍTICA

AUTOCRÍTICA


Não me tirem o brinquedo
Este jogo que seduz
E que produz o segredo
De dar brilho a pouca luz

Não me tirem as palavras
Mesmo pobres, mesmo gastas,
Prostitutas ou mais castas
Com elas vou construindo
Aquilo que vou sentindo
E que dá sentido à vida

Eu sei lá se é poesia
Aquilo que vou escrevendo.
Para isso há uns senhores,
Certamente doutorados,
De certeza iluminados,
Que também usam palavras,
Muito mais caras que as minhas,
Polidas, elaboradas,
Para vos dizer que estas linhas,
Se calhar não valem nada...
Ou serão, sorte suprema,
Do editor do poema,
"O suprasumo da escrita...
Egocêntrica, erudita...
Lavradas a sangue e mágoa...
Lágrimas erotizadas...
Gotas de chuva embaladas
Em partículas de insenso...
Mirra pura, odor intenso
Que se sente a cada rima...
A cada esquina esquecida
No torvelinho da vida
No torpel do pensamento..."

"Sei muito bem o que digo
E digo, leitor amigo,
Que vale a pena gastar
O tempo que precisar
Para ler todo o artigo"

Por mim fico por aqui
Ainda noutro dia li
Sobre aquilo que escrevi
Opinião bem diferente

"Escrita bruta, incoerente
Pedaços de quase nada,
Que nada acrescenta à mente"

Fecho o jornal
Estico-me
Dengosamente
Acendo 
Vagarosamente
Um cigarro
Ínalo
Profundamente
O fumo
E penso
Não faz mal

Resumo...

Fecho os olhos
Sorrio suavemente
Para dentro do escritor...

Ainda sinto no meu
O cheiro inebriante
Do teu corpo
O sabor estonteante
Da nossa noite de amor...
E durmo.

A fome que nos consome!
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AVÓZINHA
AVÓZINHA


Avózinha
Os pais
Preocupam-se tanto
Comigo
Que, às vezes,
Se esquecem de ti!

Neste dia
Eu lembrei-me
Que também
És....
Mãe!
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BARTHIRA

BARTHIRA


Nada se dá nem se thira
Nem mesmo tudo se transforma
Não há regra, nem há norma
Nem há força que consiga
Mudar tudo o que se sente!

Bebe-se um copo num bar...
E o gosto é tão diferente
Do que o bebido no lar...

Tire a thira do lugar
Deixe o Bar seguir somente
E veja lá que diferente
Fica você a soar...

Partida, desconjuntada,
Pouco mais é do que nada
Mas, ainda assim é gente...
Gente querida, gente amada...
Gente que sente que a gente
Apesar de ser só tira...,
Pedacinho ambivalente
Duma pequena semente,
É bem capaz de ser gira...

Sabe o poeta que mente...
E às vezes tão facilmente
Que não sabe que a verdade,
Aquela que nunca sente,
É a pura realidade
Que alimenta a sua mente...

Fica aqui mais uma tira,
Mais um copo, neste bar
Em que juntei a mentira
Com a verdade de amar

E assim se faz a vida

De tira em thira
De bar em bar...

Barthira!
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BOBBY SANDS MORREU
BOBBY SANDS MORREU


Imagine que da astronave
Há pouco pousada na minha imaginação,
Faíscando azul e ouro,
Saíu um personagem estranho,
Suave...
Calmo...
Irritantemente calmo,
No translucido contraste 
Da minha interior revolta!

Olhou-me,
Como se há muito me conhecesse,
Avançou sem receio
Na minha direcção e...
Instintivamente recuei,
Como se pudesse fugir
Da minha pobre imaginação.

Encurralado,
Entre mim e eu próprio,
Estendi a mão à consciência
Que sorrindo
- pareceu-me que sorria -
Firmemente me estendia a sua. 

Senti-me estupidamente inseguro
Como se sobre mim
Pesassem as mortes de S. Salvador
Ou do Afeganistão
E aquele meu flácido cumprimento
Mais não fosse do que
Irremediável confissão.

Já não pensava recompor-me e,
Quando, enfim,
Levantei a cabeça
E com ela
O peso dos doze milhões 
De refugiados
Deste martirizado planeta,
Senti-me ruir
E os joelhos dobraram-se em pranto,
Na relva nuclearmente poluída,
Embora as estatísticas governamentais
A afirmassem verde e viva...

Uma vez mais 
Aquela mão se estendeu para mim
Afectuosa,
Como se remisse, no gesto,
Todos os meus pesadelos
E deixassem de ter importância
Os problemas da Polónia,
As guerras do Médio Oriente,
O apartheid da África do Sul
E o próprio Klu Klux Klan
Tivesse desaparecido
Em golpes de magia.

As lágrimas gritaram-me na face,
Quando finalmente
Encarei aquele rosto,
Simplesmente porque não me reprimia.

Inesperadamente,
Como se a paz
Sentisse poder existir,
Um coro monumental
Irrompeu nos meus ouvidos,
Milhares e milhares de watts,
Repetindo as últimas palavras de Allende,
Tendo como pano de fundo
O matraquear entrecortado
De metralhadoras
De várias nacionalidades, 
E o eco repetindo até ao infinito
A máxima de Che...
"Patria o muerte...
Pátria o muerte...
Pátria o muerte..."

O beijo névoa
Que senti na face,
Ainda misturado
No último dos  ecos,
Trouxe-me novamente a mim
Mas, tão fraco, tão cansado...
Tão intimamente desesperado
Que não retribuí.
Os lábios imobilizaram-se
E apenas pude sentir
Distância.

O salto violento
A que me obrigou aquela notícia
Fez-me distanciar
Do misterioso personagem,
Irremediavelmente,
Duplamente:
"BOBBY SANDS MORREU"
Procurei ansiosamente
Na minha imaginação
Faíscas de azul e ouro.
No lugar da astronave
Que há pouco ali pousara,
Uma pedra tosca
Onde apenas conseguia ler:
-"Aqui jaz o homem do cobertor"!
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BOÉMIAS ANTIGAS
BOÉMIAS ANTIGAS


Cansado da farra
Deixei a guitarra
Soar à vontade
Pela noite fora
Já de madrugada
Bateu a saudade
Ninguém foi embora

Boémias antigas
Voltaram à sala
Na voz que não cala
Antigas cantigas
Amores e ciúmes
São chagas e lumes
São casta, são garra

Só esta guitarra
Podia trazer
O som do prazer
Das noites de farra

Guitarra velhinha
Bem sabem que és minha
Se tocares o fado
Pela noite fora
Ninguém vai embora
E ao romper da aurora
Venceu a saudade
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BRAVO
BRAVO


Talvez tu ouças este grito
Quem mais?
Talvez tu vejas este escrito
Quem mais?

Eu só posso fazer isto
Manifesto o meu protesto

Quanto ao resto?
Não presto!

Mas não desisto...

Tenho dois braços
Duas pernas
Barriga, peito,
Coluna vertebral...
Continuo a deitar fumo do pulmão
Estas lanternas
- Os olhos baços -
Cravados na frente da minha testa,
E que só podem atestar destruição,
Não são tudo o que me resta...

Ainda tenho mãos!
A cabeça, embora tensa,
Ainda pensa,
Escreve,
Rima...
Triste sina!

De que valem as lágrimas
Das pobres palavras
Que aqui deixo...
Aqui...
Em Portugal de Abril
Envergonhado?

Afinal de que me queixo?
O que é que eu fiz por ti Timor?
De que vale afinal
Este triste manifesto?

Já disse acima que não presto!
Mas mesmo assim deixo escrito...
E a minha verdade não se engana
Bendito o país
Que viu nascer Xanana!

Que enorme coração
Tem aquele homem
Imagem da coragem
E da gana
No meio da tortura
E da agressão
Ainda fala de ternura 
E de perdão!

Bravo Xaxana Gusmão!.
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Breve


Breve



Breve
É o sono
Que não durmo...
 
 
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BRUNO


BRUNO


É duro
Ter de dizer
Que ainda
Nada te escrevi
Neto!
Descansa...
Ainda não me esqueci
Que tu não és
O meu projecto
Mas és 
De certeza
O meu futuro...
Aqui!
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CAI A NOITE NA CIDADE
CAI A NOITE NA CIDADE


Cai a noite na cidade
Vai-se perdendo a vaidade
Bebendo copos de mágoa
Solta-se a língua de medos
Deitam-se fora segredos
Em cada wisky com água

Cai a noite na cidade
Nasce o dia à prostituta
Mais outra noite de luta
Outro dia sem idade
Outra noite de verdade
Vida dura, vida bruta

As cantigas vão saindo
Da garganta escancarada
Sabendo a malte e cevada
E há ouvidos ouvindo
E há sentidos sentindo
Que já não sentem mais nada

Sem a saudade saber
Vou bebendo por beber
O que resta de saudade
Vou cantando por amor
Versos feitos com ardor
E a noite cai na cidade
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CAIS

CAIS


Nenhum cais
Será apenas
De partida ou de chegada...

Há em cada regresso
A mágoa de partir
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais

Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe... até nunca mais!
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais...
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CENA ÍNTIMA

CENA ÍNTIMA


Baixem o pano!
A cena é íntima,
Provocante,
Insinuante,
Verdadeira,
Deixem que as vedetas
Se dispam,
Que fiquem nuas.

Não!
Não são as vestes
Que se tiram...
São os preconceitos.
Portanto,
Deixemo-los
E aproveitemos o tempo.

Dêem as mãos em cadeia
E vão sorrindo
Quando atingirem
A gargalhada geral,
O fraternal entendimento,
O riso pleno e total...
O pano de cena abre.

O tempo correu infinitamente

O pano continua à espera
De ser atingido pelo riso,
Se não me engano...

Baixem o pano
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CHORAR
CHORAR


Deixem-me chorar
Chorar apenas...
Deixem que o sal derreta 
Nos lábios da minha boca
Deixem que fique ali
O que o poeta
Não quer dizer
E aí morram as lágrimas...
Os poemas...
E as penas...
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CIPRESTE

CIPRESTE


Seu vulto de cipreste
deixa no vento saudades
daquilo que não me deste
do amor que nunca fui
e tão cedo prometeste

Fui aquilo que quiseste
Talvez um cheiro...
Uma sombra...
Do sol que nunca tiveste
Na vida que não te assombra

Alinhado, mudo, lento
Vou soprando como o vento
Perfumes que não sonhei
Nem são leito do meu rio
Nem afagam este frio
Que trago no pensamento

Seja o sonho o que quiser
Sopre o vento o que soprar
Não há-de faltar alento
De ser sonho de mulher
De ser musa no momento
Em que tiver de escrever

Nunca me foi alimento
A sombra que não fizeste
Se o cio me foi agreste
E me tolda o pensamento
Saudades deixa no vento
O vulto do teu cipreste
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COMO MAIS ME CONVIER

COMO MAIS ME CONVIER

Até ao último instante
Hei-de ser o que eu quiser,
Católico ou protestante,
Como mais me convier

Já me enganaram demais
Muitos malandros na vida
Andam há solta pardais
Que, metidos na gaiola,
P'ra todos era uma esmola
Quem é que ainda duvida?

Não fá-lo só de patrões
Que toda a vida roubaram
O suor de quem trabalha
Pois há muitos mandriões
Que outras artes inventaram
Quem se lixa é a "canalha"

Bem vestidos, boa pose,
E ar sério como convém
Nunca respeitam ninguém.
Hão-de morrer de overdose
De mentira e de desdém,
Que a verdade ainda é alguém

A ganância do poder
Enlouquece o pensamento
Esquecem a todo o momento
Que vamos todos morrer
E lá dentro  do caixão
Não há dinheiro nem pão.
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COMO SERÁ?

COMO SERÁ?


Como será sentir
o outro lado
dos poemas que escrevi?
O que pensa cada um
de cada verso?
Que universo
lhes farei sentir?

Será que as lágrimas
Que humedeceram
O papel original
Caem também
No outro lado do poema?

A mentira
Que tantas vezes pinto
E sinto não ser verdade
Como se lerá
No reverso do poema acidental?

Será que me desnudo?
E quem me lê lerá tudo
Mesmo aquilo que não sou?

Serei eu original?

Sinto-me sempre no cio!
Escrever é sempre
Um novo desafio...

Ficam atentos todos os nervos
Cada poro... sua...
Cada rima nua
É outro desconforto

Às vezes o arrepio
Sobe pela espinha
E lembra-me os teus dedos...
Perco o rumo do poema
E sigo o teu caminho
O sonho é sempre o mesmo
Sempre a mesma pena...
Que só fala da ausencia...
Paciência...
Ainda te hei-de moldar
Na consciência
Como a suprema escultura...
Hei-de arquitectar
A ilha maravilha...
Onde nem sequer a aventura
Nos segura...
E para quê?
Lá ninguém me lê...
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COM TENSÃO...

COM TENSÃO...


Contenção?

Mesmo de mãos caladas
E a boca amarrada
Por algemas...

Mesmo que separem as gemas
Das minhas ideias claras...

Mesmo que partam todos os ovos,
Mesmo que seja restrita -
A minha solidão
Não se censura...

Ah! Se a minha escrita
Fosse fresta...
A festa que eu faria
Na contenção da liberdade...

Mesmo que fosse verdade,
A confusão não me suportaria!

Sou o meu maior censor
E a censura
É a aventura maior
De um escritor...

A Pomba da Paz...
Os Soldadinhos de Chumbo...
A Branca de Neve e os 7 anões
O Capuchinho Vermelho
E sei lá quantos figurões...

Mesmo de boca amarrada
Por algemas
E as mãos caladas
Não me prendem
As ideias na cabeça...

Tenho as veias
Cheias...
De poemas!
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CONCHA



CONCHA

Fecho-me na concha
Dos sentidos...
Sinto-me cheio de mim
E sem ser Deus
Volto a fechar-me
Que os ateus
Podem sem querer
Querer acordar-me...
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CONTOS
CONTOS



Na cidade do espanto
O Tocador azul
Cantava a noite
Com a flauta turqueza~!
Cadente
Na estrela do vento...

A noite turqueza
Na cidade azul
Espantava o tocador
Da flauta de vento
Na estrela cadente...

Espantalhos... na noite
Cadente da cidade
Tocavam a beleza
Do vento azul
Da flauta turqueza

A estrela turqueza
De flauta azul... 
Tocava a noite da cidade
Cadente
Nos espantalhos do vento...

A cidade do vento...
A estrela cadente...
A noite dos espantalhos...
A Turqueza azul...
O Tocador de Flauta...

Li...
Li sim... Li
E não me arrependi...

Senti o vento da cidade
Toquei cadente... a estrela
Espantei a noite turqueza
Escrevi a pauta
Vesti-me de azul
E fui eu
O tocador da flauta
Índice
 

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