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Highland_Mary |
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8 Trabalhos editados |
A Boneca José Alves |
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ANTÓNIO ANTÓNIO "IT'S STRANGE HOW PEOPLE LOOK SO BEAUTIFUL WHEN THEY WALK OUT THE DOOR" Que dizer sobre os casos efémeros de uma qualquer vida... nada...tudo...alguma coisa...todos dizem que são sempre iguais ...sendo eles tão diferentes...estamos rodeados de lugares comuns...são palavras que se dizem gratuitamente. Andaram de carro horas intermináveis ..á procura de um espaço anónimo ...um "on the road" citadino, nervoso, quase apavorado "Antonio conhece Maria..." indecisão... vergonha... vontade ...inibição... "António conhece Maria...".Quando finalmente acontece o beijo...deslumbramento pouco importou a chuva que caia ...as pessoas que passavam...as buzinas que gritavam..o local onde tudo aconteceu...foi lindo, resplandecente... puro. O mundo parou naquele momento irreal em que a vontade foi mais forte do que qualquer inibição. Começou então um delicioso relacionamento onde duas pessoas se vestiam de duas personagens diferentes...durante o dia procuravam-se em cafés escuros onde se sentiam em casa...falando sobre tudo e nada " Maria não acredito tu gostas de THE THE " palrando e descobrindo um mundo novo de semelhanças e diferenças que eram apenas ensombradas pelos preconceitos ridículos...era mais velha ....pecado mortal.. tinham se conhecido de uma maneira estranha "se eu alguma vez me cruzar contigo não rua ...desculpa mas não te posso falar". Continuaram no entanto numa amizade onde ambos se despiam dos papeis sociais e eram simplesmente duas almas nuas e felizes...sim finalmente eram felizes e inconsequentes no seu pequeno mundo. Eram amigos íntimos. As noites essas eram a mãe de todo o lust contido durante anos, exaltado de da descoberta...do prazer nunca antes experimentado...do inebriamento de todos os sentidos...um deboche inocente e exaltado de todas as sensações... dos cheiros ..da pele ...completavam se após o eterno "on the road" para descobrir um sitio escondido ...so deles...a sua Quinta ..a sua fonte...onde pela primeira vez se descobriam. Gargalhadas soavam pêlos mais recônditos locais da cidade, porque por vezes os amigos íntimos faziam visitas surpresa aos amantes nocturnos. Estavam completos. "Maria porque não tens tu a minha idade...era tão mais fácil"..."António conhece Maria." A sombra negra da diferença de idades atormentava o "Maria ...sabes são 7 anos". Discussões , sempre sobre as mesmas coisas ...a idade , a maneira estranha como se tinham conhecido, pesos brutais para uma pessoa presa a preconceitos. Mas no entanto continuavam livres pela pureza de todos os sentimentos. Era bom, estavam juntos, não tinham que representar no teatro do mundo pois tinham o seu. "Onde estas? Estou no Sta Cruz.."e como se estivessem num qualquer filme romântico ela levantava os olhos e lá estava ele. Os dias passavam nesta rotina de uma deliciosa dualidade....amigos ou amantes... qual era a predominante? Não sabiam...nem sequer se importavam..isso não conta para esta historia. A emergência de estar bem, de ser pela primeira vez importante , atraente, sedutor. Eram duas almas desprezadas pelo resto do mundo que pela primeira vez eram felizes. "Porque não tens tu a minha idade era tudo tão mais fácil" Complicação , dor de alma, impossibilidade de ser abertamente o que já eram...e eis que um dia este bonito sonho...se desintegrou. Porquê? Era pesado demais para ele, precisava da aceitação dos outros. Não podia continuar uma coisa que mesmo ele achava estranha. Ser apenas ele próprio, era demais para um perito do teatro social, estar a reger se pelos sentimentos...Não!! Era impossível ser Feliz ..Tinha que responder ao chamamento da família e dos amigos...Ter o que já tinha mas de uma forma "normal". Ela tinha se tornado , sem saber, num peso , e de um dia para o outro tornaram se perfeitamente estranhos...ela estupefacta perante a brutalidade do abismo em que caiu...ser considerada um mero "fait divers" de um momento conturbado da vida dele. Ele resignado e disposto a tudo para ser aceite no teatro da vida normal. "ANTONIO CONHECEU MARIA" Maria Índice |
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É numa rua sem destino... É numa rua sem destino ,a sul de nenhum norte, no bordel das palavras duvidosas e das colecções de vícios citadinos, que em quartos de luxo carmesim decadente, poetas brincam no meio de brocados e tapeçarias ofegantes Respirando o suor quente que se mistura com óleos e pó de arroz, vão fumando o ópio do prazer num mundo longe das encruzilhadas infectas de banalidades. É ali, em lupanares de persianas corridas que os dandies de emoções amam sombras fervis e se alienam , libertando a sua alma na luxuria furtiva das palavras. Maria Índice |
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manhã cinzenta manhã cinzenta, Loulou senta-se no seu café preferido, a luz triste da manhã ensombra os seus olhos escuros...olha em volta , para a sala cheia de sombras e ruídos surdos. tentando não ouvir as velhas, a seu lado, que cospem vorazmente a vida alheia como se de pedaços de torradas e galões se tratassem. sufocada pela pequenez que a rodeia, ela olha para a rua ainda entorpecida pelo lusco fusco da manhã...revoadas de pombas tão cinzentas como a hora enchem a praça. As fachadas antigas, cobertas de bolor velho e escorregadio, bocejam languidamente, sorrindo ao vento que qual Casanova lhes sopra palavras doces...delicadamente sacodem os estendais de roupa como cabelos de chita colorida. Parecem virgenzinhas ruborizadas num baile de paroquia. o vento cheio de brio...sopra ainda mais forte...e os jactos de água da fonte dançam com o seu sopro....e de repente gotas de arco Íris enchem a praça...cantando alegres cantigas de amigo....DING DONG...as horas do relógio da igreja, acordam severamente Loulou...que apressadamente corre para a escola ...deixando escapar da sua pasta letras miudinhas que a perseguem quais crianças traquinas. Maria Índice |
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Queria saber contar tudo... Queria saber contar tudo o que me rodeia sem me sentir estrangeira...contar o que vejo sem me sentir sufocada pela imensidão do céu e das nuvens flutuantes que me enchem os sonhos como quimeras de luz e sombra. Desejo de pintar com palavras as janelas, as multidões , os velhos e os pedintes, as amantes e as crianças , e nos seus olhos descobrir os desígnios dos deuses. Embriagar me de palavras de mosto, enquanto ouço um velho saltimbanco que me convida para uma viagem "any where out of the world"... Com o crepúsculo da tarde vejo a minha solidão bebendo chá preto com viuvas alegres, num cemitério de ideias e palavras "não ditas" Para desespero de uma velha Harpia que guarda ideias pré concebidas ...que me persegue voando rasteiramente... Olho me num espelho rombo e velho ...e vejo reflectido uma cara muda pela mordaça das palavras ocas.. Maria Índice |
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Seguindo o meu destino Seguindo o meu destino com a ajuda de um candelabro de quatro braços, tenho uma educação sentimental onde aprendo modos de amar e gozos vários...preces ao álcool num templo cheio de desejo numa noite de tempestade. alquimistas cantam o mistério do começo do mundo, da desordem da alma, memória de dois amantes no final do tempo, com sofreguidão dos cheiros,d'o corpo, os corpos, numa teia de amor, paixão, a corpo inteiro e pela calada, numa cama, no quarto, de uma casa, cativa do teu sorriso, muito senhora de mim mesma, observo este retábulo no intervalo das tuas mãos. Maria Índice |
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Sentada Sentada, vou queimando cartas antigas na fogueira do esquecimento, memórias de amores belos mas acidentais...Depois dos sonhos de primavera , o medo da invernal solidão salpica me de um pânico risível. O sonho de um futuro radioso, que não o foi, com morte anunciada em pleno verão. As palavras escondidas num armario aparecem de rompante, gritando em fúria: "Se não o esqueces agora, quando?" Mas as implacáveis cartas que não ardem, como se de amianto fossem feitas, respondem com memórias e nomes que me atormentam. Com a alma dividida, olho para a fogueira feita vulcão de emoções, e na sua lava revejo o tempo o tempo onde a inocência e o pecado partilharam uma voluptuosa viagem indiscreta, onde as noites eram ternas, e os dias fios de luz num túnel sem destino. tento limpar me das cinzas do passado que teimam em colar se ao meu corpo, tisnando as esperanças ténues. O coro de palavras despertam o meu torpor, dizendo: "Se não o esqueces agora, quando?" Maria Índice
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Naquela nascente de murmúrios... Naquela nascente de murmúrios... Naquela
nascente de murmúrios que invade o meu secreto silencio, palavras
lúcidas Maria Índice |
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Num
sono breve
Num sono breve Num
sono breve e leve, sou visitada por ti, meu traficante de sonhos. Maria Índice |
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