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Estoriar, como o próprio nome indica, publicará Estórias que não são para a História. Estórias do nosso quotidiano, da nossa memória, que são da história de cada um e que desejarmos partilhar com todos nós. Não precisam ser contos, nem crónicas, nem poemas, nem romances. São aquelas Estórias que às vezes contamos aos amigos de viva voz e que gostamos de relembrar e partilhar. Aguardamos as vossas histórias que, certamente, podem não ficar na História, mas ficarão na história do Poemar! João Moutinho aka ressoa_1 |
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Estórias editadas: Edson Faria
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Palavra por palavra Quadro de Lucy Berenguer
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- de EDSON
FARIA
AS ROSAS NÃO FALAM O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, está localizado no Centro da Cidade, e é um teatro com ótimas instalações e muitos lugares. Na década de 70, o Brasil em plena ditadura, não haviam muitas possibilidades de apresentações, porque a censura atuava com muito rigor, e só permitia peças insossas, ou que enaltecessem o regime. Isso fez com que os teatros, atravessassem uma séria crise, e provocou grande prejuízo aos artistas, que não tinha como apresentar seus trabalhos. Albino Pinheiro, produtor artístico e musical, teve então uma idéia genial. Criou o Projeto Seis e Meia (às 18,30h), que se resumia no seguinte: a preços populares, levava à cada semana, um artista de renome para ocupar aquele espaço ocioso. Foi um sucesso retumbante, pois as pessoas ao saírem do trabalho, tinham a opção de assistir a um belo espetáculo, e fugir do engarrafamento do trânsito, insuportável àquela hora. Depois, tinha o chopinho com amigos e o bate papo, para comentários. Eu, por exemplo, era assíduo freqüentador. Tenho na minha lembrança, momentos maravilhosos daquele tempo. Não esqueço jamais, por exemplo, que certa vez, fui assistir uma apresentação da Beth Carvalho, cantora de grandes sucessos. O Teatro estava lotado. Beth adentra ao palco, canta algumas músicas, é aplaudida e desce o pano para um pequeno intervalo. Aí vem o momento inesquecível: ao retornar, o pano se abre lentamente, a platéia em absoluto silêncio, o palco totalmente às escuras, surge Beth com um vestido longo, branco, levemente transparente, aberto até as coxas, descalça, focalizada apenas por um feixe de luz violeta, que produzia uma tonalidade por vezes rósea, de uma beleza e bom gosto indescritível. Ela se dirige ao centro do palco, ajoelha-se, após, senta-se ao chão, e canta, acompanhada apenas por um violão, As Rosas Não Falam, de autoria de Cartola. Confesso que nunca vi uma interpretação tão comovente. Ao final, depois de aplaudidíssima, ela revela, que era a primeira vez que cantava aquela música em público e que em poucos dias, faria a gravação em estúdio. Assim, tive a felicidade, de ouvir a primeira apresentação desta canção, que é uma jóia do cancioneiro do Brasil. Essa história aconteceu em 1977 e está ainda, bem viva na minha memória. Edson Faria (12/10/2005) |
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