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Desassossego47

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8 Poemas editados

- A Caminho da fonte

- As árvores dos meus olhos

- Barril dum forte repouso

- Calor de ti

- Escritas de silêncio

- Felga

- Navegar para além do outono

- Protege-me mar

Chalten

Foto by Pablo Coral Vega

 

 

 

AS ÁRVORES DOS MEUS OLHOS
AS ÁRVORES DOS MEUS OLHOS

Tenho os olhos
Cheios de árvores,
Que transpiram futuro
Naquele verde de primavera,
Que percorre o meu corpo
Em seivas de sangue
Que me alimenta.
Tenho os olhos
Cheios de árvores
E tu chamas-lhe
Felicidade!
Estás feliz!
Dizias tu!
De facto
Eu tenho os olhos
Cheios de arvores,
Plenas de flores
Desta primavera,
Que ainda agora
Aqui chegou!
Tenho os olhos
Cheios  de árvores
Plantadas por ti!


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ESCRITAS DE SILÊNCIO
ESCRITAS DE SILÊNCIO
No passeio,
A caminho de sempre,
Vejo uma carta de silêncio
No teu rosto de olhar para mim.
Enquanto me aproximo,
Leio o sentido das palavras,
Escritas a carmesim,
Com a tua marca
De sangue,
Das feridas saradas.
Há uma carta de silêncio,
No teu rosto
De olhar para mim.

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NAVEGAR PARA ALEM DO OUTONO
NAVEGAR PARA ALEM DO OUTONO

Desfolho-me nas tuas palavras
Quando ouço essa voz em mim.
Cria-se então um sentido 
De desejo em que navego
Por este mar que criaste.
E meu desejo transforma-se
Em palavras líquidas cheias
Da espuma branca que és.
Desfolho-me nas tuas palavras
Quando te ouço
Para mim.
Vê como esse mar
Está cheio de folhas,
Como se por aqui
Tivesse acabado o Outono.

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FELGA
FELGA

A partir do chão de calma,
por ando passo
e  faço espelho,
da minha memória,
pressinto a raiz
que piso.
Só então
me refresco,
na sombra daquela arvore,
que sempre esteve lá depois.
Então, apareces
(No que sentiste,)
Enquanto as felgas
Te assumem,
Porque claramente
sempre estiveste ali.

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BARRIL DUM FORTE REPOUSO
BARRIL DUM FORTE REPOUSO

(Texto elaborado com base na cidade de Tavira - Praia do Barril) 

As âncoras repousam na areia,
Fortes e negras.
Carcomidas e negras
Mas lá.
As âncoras repousam na areia
Bem no alto.
Nas dunas desta praia
Como soldados de um tempo sem tempo.
As âncoras repousam na areia
Ancorando a calma de cada um
Por isso esta  praia é o fundo de mim
Onde me sustento,
Onde me ancoro.

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CALOR DE TI
CALOR DE TI
(texto elaborado com base na cidade de Tavira)
Soube que o tempo
Tem o calor
Dum sul de nós,
Ao vaguear-te.
Soube que o tempo
Tem o silencio
Que em ti bebo,
Nestes caminhos
De arte.
Soube que o tempo
Tem o sentido
De aqui estar,
Ao te trazer 
Da cidade,
A impossível ira.
Soube
Que sossego em ti
Tavira.

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PROTEGE-ME MAR
PROTEGE-ME MAR
Protege-me mar.
Setentrionais águas
Aquecem o tilintar dos dedos
Que ondulam nos movimentos
De andar,
Quando toco o teu corpo.
Porque salgo-me
No teu falar,
No gozo
Quando subo pelas tuas coxas
Neste sonho de te ter,
Neste sabor de te lamber.
Protege-me mar!
Desejo-te no infinito-força
Que me dás no  ondular,
Do teu sexo a vibrar.
Porque salgo-me
No teu falar.
Protege-me mar!
Limita-me nos areais rugosos
Do teu gozar.
Constroi-me
No infinito do teu amar
Protege-me mar!
Porque salgo-me
No teu falar.

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A CAMINHO DA FONTE
A CAMINHO DA FONTE
Descobre-me ,
na semente das palavras
Que ouviste dizer,
E leva-me
À fonte contigo.
Descobre-me,
Na raiz das palavras
Que guardaste
Na caverna da tua vida,
E leva-me 
À fonte contigo
Descobre-me,
E vem à fonte comigo
Pela estrada das luas
Onde caminham
Os amantes da verdade
Descobre-me,
E bebe comigo
A pureza
Das cumplicidades.
Descobre-me,
E bebe comigo
O retempero
Que e refresca
Os cansaços 
Das caminhadas
Noutros luares,
Noutros mundos.
E sente
As minhas mãos
No teu corpo
Enquanto te amo

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