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Decameron |
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5 Poemas Editados |
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a noite é pequena... a noite é pequena... a noite é pequena no lugar do nada espaço ínfimo onde penetro com a minha mente e de repente tudo é magia procuro o infinito numa folha imaginada transcendo-me para um mundo de pura fantasia procuro-te de novo sem te encontrar espero aquilo que te falta dizer procuro a miséria em qualquer lugar percorro a noite ..e o amanhecer... a decadência humana faz-me definhar e quando acordo apetece-me comer tudo me sabe a almas perdidas, escondidas alimento-me de alegria para não me perder Rasgo no caminho as camisas chego ao fim, mas continuo perdido. sem saber o que fazer se rir se chorar se ir ou ficar não consigo encontrar o caminho para fora destas trevas que me circundam e o mundo à minha volta gira como uma bola e a noite embrulha-me como um cobertor pequeno e puro e as horas lânguidas e serenas trespassam-me a alma Decameron |
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Amor. Amor A noite cai trazendo consigo as preocupações da minha mente E penso numa maneira de fugir e nada surge senão um branco Só consigo pensar naquilo a que me dediquei de alma e coração Sabendo de antemão que nada ganhei além de uma dor E penso o quanto fiz por ti, Amor Desejei-te mais que tudo e nada sabia, não te conhecia. Passaste na minha vida e deixaste-me desvairado, porque fiquei apaixonado. Deixas-me perdido sem saber o que fazer ou dizer Sonho contigo quando estás a desaparecer e desiludo-me. Mas nada pode alterar o que está escrito pelo destino Traços negros escritos num papel que contém a vida de alguém E não existe uma borracha capaz de apagar essas letras que causam dor Tudo por tua causa, Amor. Mesmo ainda sofrendo com as marcas que deixaste Desejo ver-te novamente e viver aquilo que pregaste O meu corpo não obedece à mente e corre por ti, incessantemente Procura-te em vão mesmo sabendo que já te tive. Mas possuir-te dentro de mim uma vez não basta E ajo como um masoquista que não sabe dizer - pára. Sofro por ti e percorro esta estrada sem fim. Estou farto mas quero sentir aquilo que me faz feliz assim Estou a falar de ti, Amor. Fernando Plebeu- Decameron
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Difícil. Difícil. Olho para a cor pálida e clara Vejo nela palavras escritas E começo a preencher uma folha vazia. Tento redefinir-me através das palavras Mudar quem sou através daquilo que penso É um desejo que nasce na mente que só desaparece quando for realizado plenamente. Agora consigo ver tudo as coisas que tenho, aquilo que ainda vou ter e tudo o que perdi. Não quero olhar para trás para quê? Para sofrer outra vez? Para reviver momentos que me causam dor? Recordar é como pedir para sofrer É viver as coisas que devíamos esquecer Mas eu não consigo Talvez seja diferente dos demais Por não conseguir olvidar aqueles momentos fatais Que me matam pouco a pouco Eles magoam-me e eu nem noto Porque gosto de ver aquelas imagens de novo Recordar alguém que me ajudou Recordar-te a ti. Dizem que a fronteira é ténue Entre ódio e amor Mas esse ódio mencionado É por demais falsificado Simplesmente é difícil admitir Que depois de tudo o que acontece Esse amor de outrora ainda possa existir Dentro da nossa alma, Mas eu admito Não consigo lutar contra ele Nada me fez mais feliz que ele E ainda resiste dentro de mim Aquele que eu quis matar Mas que não consegui Porque é difícil. Decameron 08/07/2001
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Lua Lua Fico a olhar para o mundo de hoje, abismado Nada tem sentido aqui senão sofrer Olho para o céu que se ergue sobre mim e me faz sentir pequeno Sorrio para ele e agradeço tudo o que fez Porque ele recorda-me quem sou e não me deixa esquecer Está sempre lá cada vez que fujo aos medos. Conto as estrelas que o acompanham Embelezam a noite que me ajuda e conforta. Tento distrair-me para não adormecer Tenho medo do que penso quando sonho Toda a realidade vai ao meu encontro lá Por isso ouço a luz insignificante que me rodeia Brinco com ela até ao amanhecer E quando vejo o sol pronto a nascer Despeço-me da minha amiga lua que tanto me ajudou E vejo-a recolher o seu manto e deixar o orvalho para trás Está a deixar-me e já sinto a falta do seu ombro que me acolhe. Estou sozinho aqui e mais um dia começa Não sei o que fazer, o que pensar agora Estou tão perdido que nem consigo mais andar Não sei quem sou e não tenho o que preciso Mas aqui estou para viver o que me resta. Tenho muito para dar mas nada quero receber Porque sei que ainda me falta deixar de amar. Decameron |
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Passado Passado O meu passado dá de caras com o meu corpo Vejo-o e cumprimento-o sem saber quem é. Olho o vazio tentando encontrar luz através da escuridão Não vejo os passos que dou mas sei que estou seguro Não sei para onde vou sentindo que irei a algum lugar Talvez seja melhor que aqui onde não consigo estar mais. Aquilo que penso, aquilo que sinto está assim dentro de mim, Mas por mais que tente não consigo entender este mundo; Para onde quer que olhe só vejo miséria e fome, Não percebo o que estou aqui a fazer se vou morrer, um dia Só espero que chegue rápido esse momento Para deixar de imaginar e conhecer o que me espera, Porque só duvido de medos que me respondem com a morte E digo tudo o que me vem à cabeça, sem receio e sem nexo Só desejo deslindar o mistério do meu caminho E as respostas que busco não surgem e dói. Somente o álcool me anestesia a mente indecente que não pára de pensar Mas nada mais sei fazer e continuo a perguntar Tento seguir o meu sonho mas ele foge Sei que não o vou realizar mas pelo menos tento E assim ando aqui, nesta estrada que me liga à vida Deambulando e adiando o fim que desejo para mim, Esperando encontrar o mundo a cada esquina, Fugindo à morte que grita o meu nome. Decameron |
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