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5 Poemas Editados

- A noite é pequena...

- Amor

- Difícil

- Lua

- Passado

 

 

 

a noite é pequena...
a noite é pequena...
a noite é pequena no lugar do nada
espaço ínfimo onde penetro com a minha mente
e de repente tudo é magia
procuro o infinito numa folha imaginada
transcendo-me para um mundo de pura fantasia
procuro-te de novo sem te encontrar
espero aquilo que te falta dizer
procuro a miséria em qualquer lugar
percorro a noite ..e o amanhecer...
a decadência humana faz-me definhar
e quando acordo apetece-me comer
tudo me sabe a almas perdidas, escondidas
alimento-me de alegria para não me perder
Rasgo no caminho as camisas
chego ao fim, mas continuo perdido.
sem saber o que fazer
se rir se chorar
se ir ou ficar
não consigo encontrar o caminho para fora destas trevas que me circundam
e o mundo à minha volta gira como uma bola
e a noite embrulha-me como um cobertor pequeno e puro
e as horas lânguidas e serenas trespassam-me a alma
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Amor. 
Amor
A noite cai trazendo consigo as preocupações da minha mente
E penso numa maneira de fugir e nada surge senão um branco
Só consigo pensar naquilo a que me dediquei de alma e coração
Sabendo de antemão que nada ganhei além de uma dor
E penso o quanto fiz por ti, Amor
Desejei-te mais que tudo e nada sabia, não te conhecia.
Passaste na minha vida e deixaste-me desvairado, porque fiquei apaixonado.
Deixas-me perdido sem saber o que fazer ou dizer
Sonho contigo quando estás a desaparecer e desiludo-me.
Mas nada pode alterar o que está escrito pelo destino
Traços negros escritos num papel que contém a vida de alguém
E não existe uma borracha capaz de apagar essas letras que causam dor
Tudo por tua causa, Amor.
Mesmo ainda sofrendo com as marcas que deixaste
Desejo ver-te novamente e viver aquilo que pregaste
O meu corpo não obedece à mente e corre por ti, incessantemente
Procura-te em vão mesmo sabendo que já te tive.
Mas possuir-te dentro de mim uma vez não basta
E ajo como um masoquista que não sabe dizer - pára.
Sofro por ti e percorro esta estrada sem fim.
Estou farto mas quero sentir aquilo que me faz feliz assim
Estou a falar de ti, Amor.
Fernando Plebeu- Decameron

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Difícil. 
Difícil. 
Olho para a cor pálida e clara
Vejo nela palavras escritas
E começo a preencher uma folha vazia. 
Tento redefinir-me através das palavras
Mudar quem sou através daquilo que penso
É um desejo que nasce na mente
que só desaparece quando for realizado plenamente.
Agora consigo ver tudo 
as coisas que tenho,
aquilo que ainda vou ter
e tudo o que perdi.
Não quero olhar para trás
para quê?
Para sofrer outra vez?
Para reviver momentos que me causam dor?
Recordar é como pedir para sofrer
É viver as coisas que devíamos esquecer
Mas eu não consigo
Talvez seja diferente dos demais
Por não conseguir olvidar aqueles momentos fatais
Que me matam pouco a pouco
Eles magoam-me e eu nem noto
Porque gosto de ver aquelas imagens de novo
Recordar alguém que me ajudou
Recordar-te a ti.
Dizem que a fronteira é ténue
Entre ódio e amor 
Mas esse ódio mencionado
É por demais falsificado
Simplesmente é difícil admitir
Que depois de tudo o que acontece
Esse amor de outrora ainda possa existir
Dentro da nossa alma,
Mas eu admito
Não consigo lutar contra ele
Nada me fez mais feliz que ele
E ainda resiste dentro de mim
Aquele que eu quis matar
Mas que não consegui
Porque é difícil.
 
Decameron  08/07/2001

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Lua 
Lua 
Fico a olhar para o mundo de hoje, abismado
Nada tem sentido aqui senão sofrer
Olho para o céu que se ergue sobre mim e me faz sentir pequeno
Sorrio para ele e agradeço tudo o que fez
Porque ele recorda-me quem sou e não me deixa esquecer
Está sempre lá cada vez que fujo aos medos.
Conto as estrelas que o acompanham
Embelezam a noite que me ajuda e conforta.
Tento distrair-me para não adormecer
Tenho medo do que penso quando sonho
Toda a realidade vai ao meu encontro lá
Por isso ouço a luz insignificante que me rodeia
Brinco com ela até ao amanhecer
E quando vejo o sol pronto a nascer
Despeço-me da minha amiga lua que tanto me ajudou
E vejo-a recolher o seu manto e deixar o orvalho para trás
Está a deixar-me e já sinto a falta do seu ombro que me acolhe.
Estou sozinho aqui e mais um dia começa
Não sei o que fazer, o que pensar agora
Estou tão perdido que nem consigo mais andar
Não sei quem sou e não tenho o que preciso
Mas aqui estou para viver o que me resta. 
Tenho muito para dar mas nada quero receber
Porque sei que ainda me falta deixar de amar.
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Passado
Passado
O meu passado dá de caras com o meu corpo
Vejo-o e cumprimento-o sem saber quem é.
Olho o vazio tentando encontrar luz através da escuridão
Não vejo os passos que dou mas sei que estou seguro
Não sei para onde vou sentindo que irei a algum lugar
Talvez seja melhor que aqui onde não consigo estar mais.
Aquilo que penso, aquilo que sinto está assim dentro de mim,
Mas por mais que tente não consigo entender este mundo;
Para onde quer que olhe só vejo miséria e fome,
Não percebo o que estou aqui a fazer se vou morrer, um dia
Só espero que chegue rápido esse momento 
Para deixar de imaginar e conhecer o que me espera,
Porque só duvido de medos que me respondem com a morte
E digo tudo o que me vem à cabeça, sem receio e sem nexo
Só desejo deslindar o mistério do meu caminho
E as respostas que busco não surgem e dói.
Somente o álcool me anestesia a mente indecente que não pára de pensar 
Mas nada mais sei fazer e continuo a perguntar 
Tento seguir o meu sonho mas ele foge
Sei que não o vou realizar mas pelo menos tento
E assim ando aqui, nesta estrada que me liga à vida
Deambulando e adiando o fim que desejo para mim, 
Esperando encontrar o mundo a cada esquina,
Fugindo à morte que grita o meu nome.
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