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Chankecham Poesia Galaico Portuguesa para o Terceiro Milénio |
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10 Poemas editados |
Catedral de Santiago Foto: Maria Rennée
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II II E desde que uso de razâo tenho e desde que tantas maravilhas vi sempre a mim-Oh Deus-fizeste bem e sempre vos eu moito amei mas hoje jà dizer nâo posso que a mim tedes por amigo pois vejo que amor de mim fugiu e paz de espìritu jamais atopo e fraco me acho e devil estou e como farrapo velho me sinto ou trasto inutil que para nada serve por isso-Oh Deus-do amor sem fim dade-me a morte! dade-me a morte! |
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VII VII Quando ardorosa repousas nos meus braços e passo a mâo trèmula por as tuas ardentes coxas, sinto dentro do meu peito o trepidar do teu coraçâo amoroso. Um suor frio apodera-se de mim e tremo e làio-me e ti meu bem, olhas-me risonha, como se fosses a sùmula de todas as dozuras da vida. Depois,quando jà se calmam as ànsias e o teu amor se funde com o meu ardor,penso que todas as tristezas da vida e que todas as misèrias do mundo jà nâo existem mais. E isso porque ti eres,amada minha! neste mundo de podridâo a ùnica e verdadeira esperanza de redençâo.
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IX IX Se nâo somos felices no tempo presente jamais o seremos ao longo dos anos, pois de outros governos è tâo diferente o que temos,que dizem ser de enanos, mas o que è a paga que è o importante, falam as mâs linguas que è de gigante. E digo eu:-Se querem crescer, an-no mester,an-no mester! Dizer que è de enanos nâo è felonia, e sô indicar a constante no governar, jà que todos parece que tenhem mania de mal fazer,bem comer e moito roubar, eisso porquè,o de enanos como dizem, nâo è impedimento para que se cotizem. E digo eu:- Se querem crescer, an-no mester,an-no mester! Tamèm falam as linguas viperinas, que nâo sâo enanos,que sâo pigmeos, pois ten-se visto cousas tâo peregrinas como o de medrar colgando-se dos cabelos, e seria de bom proveito que assim fora, mas nunca tal se viu nem se verà agora. E digo eu:-Sequerem crescer, an-no mester,an-no mester!
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X X Jamais esquecerei aquela tarde a veira do rio,entre pàmpanos e flores. Cantavam os passarinhos no alto dos salgueiros e umha que outra andurinha bicava a flor das àguas que mansas fugiam aos nossos pès. Luzia um cèo azul e transparente como a doçura dos teus olhos. Ao longe,um alalà perdido, suspirava entre chousas e pinheiros. Doce paz que à aldea envolve e alma alimenta com o seu sossego. Nos meus braços ti, amor dos meus amores, arrulando-me com teus beijos como se jà fosse aquel cantinho, o paraiso com que estou sempre a sonhar.
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XI XI Um homem dos de moita valia aos velhinhos falou com galhardia: Dom Felôm,a quem a glòria desejamos, esse que todos nôs a coro choramos, era tâo bom,que marcou finando, o caminho que hà que ir andando. E venho-vos eu a sugerir, que esse è o caminho a seguir! Falava moito bem e claro o orador, e dizia assim com patètico ardor: Era o melhor home que na terra habia, a todos ajudava e atodos bem queria, a prova disto està em que expirando o caminho a todos nos foi indicando. E eu volto a vos sugerir, que esse è o caminho a seguir! Foi deste sèculo o maior portento, assim o atesta a sua obra e o seu talento, nâo fosse assim,como teria eu a bontade de falar a gente de tâo longa idade, de tal homem e do seu fatal passamento, mesmo aqui,ante tantos,neste momento? Se o fago è para vos sugerir, que esse è o caminho a seguir!
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XIII XIII Por liberar-me de certos males, fui petar ao paço dos tribunales. Logo saiu à porta um empregado, que amavel preguntou desta guisa: -O que deseja home tâo preocupado? -Aqui venho a procura de justiça! Ouvido esto,rompeu a rir o assalariado, e nâo parou atè morrer de risa! Fui entâo detido e a prisâo levado, como um vil e nojento condenado, mas achando-me mal no estabulàrio, fui ao alcaide,quem com voz submissa, disse:-Que deseja deste seu criado? -Sô venho a procura de justiça! Tal ouviu,escachou a rir o funcionàrio e nâo parou atè morrer de risa! Achando-me em posse de tal poder, dei por fazer o que bem entender, obrando como à real gana lhe petava, e a quem de mo privar tinha cobiça bastava que,como aos outros lhe citara a frase de:-O que procuro è justiça! Para que a rir de sùpeto escachara nâo parando atê morrer de risa!
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XV XV
Umha cousa quero eu contar:
Ou vi dizer que umha tal M.da Tralha
anda hà tempo moito assanhada,
porque,se por sua fachada,
encontrou homem de bom paladar,
acha-se como se fora enganada,
pois ,o que mercou de bom grado
està de tudo escaralhado!
Agora dizem que se lamenta
e que fala para quem quer ouvir,
que assim nâo pode mais seguir,
pois mulher fogosa tem que possuir,
para viver feliz e contenta,
mango duro ao que se assir,
mas,o seu desejo foi truncado
ao mercar homem escaralhado!
Nâo è surpresa o sucedido,
a esta famosa,Eme da Tralha,
pois,sempre mal se amanha
quem buscando home dinheiro apanha
e se còmoda vida tem conseguido,
ao seu ardente corpo nâo agrada
e isso porquè,o que tem bem mercado,
està por velho escaralhado!!
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XVI XVI Ouvir amigos o pasmado que estou: Escutei o outro dia pela televisâo, a um homem fogoso como tourâo, que pesse a ter de tudo se lamentava, de nâo ter para seu solaz umha cabra. Ora digo eu:-Quem faz tal pregâo por força tem que ser cabrâo! Nâo hâ dùvida que o tal sujeito, tem gosto apurado e fino paladar, dizem ser de boa mesa e melhor jantar, tamèm que habilidoso sovador ele è, de tetas e coxas,sentado ou de pê Mas penso eu hoje como entâo, que quem gosta de cabra è cabrâo! Dizem os mais que fala moito bem, pois com dineiro umha moça engaiolou, tâo jovem que em anos hà tempos dobrou e por se for pouco, tem sona e fama, de trabalhar moito e bem na cama. mas dizem os que bem nados sâo, que quem gosta de cabra è cabrâo!!
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XVII XVII
Fui um dia ao cemitèrio da Adina
e na entrada um cabeçâo achei.
Que susto de atopar tal coisa levei!
Que nojo de olhar cara tâo mesquinha!
Pasmade-vos:Era como umha petaca,
cheia de lixo e caca.
Nâo se estranhe ninguem do susto,
pois,neste pais de meigas e trasnos,
qualquer que tenha alguns anos
sabe que atè ao Demo se erige um busto,
com tal que o que prevenha disso
nâo seja caca nem lixo.
Assim que o cràneo que alì vejo
nâo repugna e ainda parece agradar
aos que tenhem sujeira que atirar,
pois è sô chegar a caveira sem pelejo,
que alì se ergue ajeito de cloaca,
e pousar o lixo ou a caca!
De o livro -
Cantigas de escarnho e madizer de chankecham
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XXI XXI Assim como o drogadinho acha na droga que o destroe a evasâo dum mundo que nâo alcança a comprender, assim eu,na tua beleza, amada minha, encontro a força que me anima e o alimento que me sostem. Em cada hora que passo olhando o teu rosto angelical,deixa o mundo de existir para mim. Um paraiso de sonhos e ilusâos governa inteiro o meu sentir. E tudo è belo e ditoso e como num èxtase de prazer e de gozo navego mole,mui mole, alem do cêo azul...
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