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20 Poemas Editados

- A vida

- Ana

- Confusão

- Declaração de Junho de 1998

- Desconheci... da

- Duro como uma rocha

- Estou tão triste

- Falar-te

- Fugir

- Há sempre um poema

- Introdução

- Mais... viver

-  O Tempo que invento

- Perguntas que faço?

- Quem sou? Afinal

- Se eu fosse

- Só te quero a ti

- Um ser que não alcança

-  Vagabundo morreu

- Verdadeiro Amor

Canal Caveira

Fotografia de Maria renée

Verdadeiro Amor?
Eu nunca consigo falar
Só sei ouvir.
Mas como pode o mal passar
Se o estou sempre a repetir?
Só sei escrever
E o papel é a minha boca
A tinta é o meu viver
Traduzido em palavras de sofrer
Sei que não devia ser assim
Mas de outro modo não sei fazer.
Que vai ser de mim
Se não despacho este sofrer?
E faço sofrer os outros
Ou pelo menos afastam-se
E dizias tu... "porque não sentem os outros
O que sentimos por eles?"...
Não sei, não sei responder.
Só sei que não somos donos do nosso sentir
Quanto mais do sentir dos outros,
Quanto mais do seu viver.
Acho a vida um jogo de apostas
Onde o normal é perder.
É a nossa vida feita em postas,
Em postas de nosso sofrer.
Mas se não apostarmos
No que podemos ganhar
De que vale a vida
Sem esse dom... o amar?
E que é esse amor
Que não escolhe credo ou religião?
Será só a dor
Que sempre nos parte o coração?
Amar singular esse
Que mais parece plural de dor.
É o que a vida nos oferece
Só temos de encontrar o verdadeiro amor.
Sem o qual não nos vamos realizar,
Sem ele não podemos viver.
Tem de ser algo a que nos temos de agarrar...
Nem que seja o amor de viver.

António André de Oliveira Barata 
10-05-2000

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A Vida
A vida nasce do amor
De duas pessoas que se amam.
E essa vida passa a ser a cor
Da casa e a alegria do coração.
Mas antes de nascer
Nove meses se passaram.
E, foi ver, a barriga da mãe crescer
Com a vida que sempre amarão.
Depois, essa vida nasceu,
Comeu, andou, falou
E, até cresceu
A brincar com quem o amou.
E continuou a crescer,
Foi para a escola e estudou.
Começou as coisas a compreender
E também se apaixonou.
Acabou a escola e começou a trabalhar
Viu seus pais a envelhecer
Soube o que é realmente amar
E nova força começou a aparecer
Esse amar, tornou-se casamento
Por força do coração.
E, o amor é massa e fermento
Que cresce até mais não.
Depois, viu seus pais morrer,
E muito chorou.
Mas teve de continuar a viver
Pois a vida continuou.
Novos rebentos de vida criou
E a crescer também os viu.
Com muito amor os amou
E, com muito riso se riu.
Então viu-se envelhecer,
O cabelo branco a ficar
E as rugas a aparecer.
Mas nunca deixou de amar.
Viu os filhos a casa deixar
E o casal sozinho ficou.
O amor sempre durou neste par.
E neste par o amor sempre durou!
Depois veio a morte
E, alguém os chorou.	
A vida é jogo de sorte
Para quem sempre amou.
A vida é uma planta:
Que nasce, cresce e floresce.
É a sua cor que encanta.
É a vida que se oferece.
Planta que acaba por morrer.
Mas teve tempo para amar;
Para Ter cor e viver.
Teve tempo para amor deixar.
Por isso, aproveitem a vida,
Não se preocupem por amar.
Por ela estamos envolvida
E, por ela, nos deixemos estar!

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ANA

Já há tanto tempo que não escrevia
Que já não sabia se sabia escrever
Sobre o que sentia
Sobre o que me fazia viver.

Aquela dor, aquele amor,
Aquela saudade,
Aquele viver sem pudor
Em que fazíamos igualdade.

E... apetece-me beijar-te... amar-te
Com todo o meu ser.
Apetece-me voar... sonhar-te.
Tu és todo o meu ser.

Tó(19-12-2000)
Ouça este poema lido por João Moutinho

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Declaração de Julho  de  1998)
Muitas vezes pensei
em nada te dizer.
Mas que hipótese  terei
se não te disser que és meu viver?
Mas como te dizer?...
Da maneira que sei:
A mais bonita... escrever...
... foi a maneira que me lembrei.
E... depois de trocar-mos um olhar
ou de momentos de "maior" prazer
eu, escrevia o meu amar 
em linhas de pleno viver.
E assim fui formando os poemas do meu sentir:
Que foste a mais bonita flor
que até hoje me fez rir.
Que és a flor do meu amor.
És a flor a desabrochar,
que estava murcha, a morrer.
És a seiva de sangue a voltar 
a correr neste triste viver.
Não sei se é certo o que estou a fazer,
certamente que não.
Mas não posso mais prender 
o que diz este coração.
E assim, decidi escrever
o que o coração me dizia:
Que és meu viver,
que és a luz do meu dia.
E... por egoísmo ou vergonha
de ter por resposta um não,
não me confronto com teu olhar
neste momento de tensão.
Tensão ou espanto por saberes o que sinto.
E... como da resposta tenho medo...
a mim próprio eu minto
sobre todo um, inventado, enredo.
O enredo de uma história realizar
tendo nos braços o teu amor,
sem o sofrer no olhar
nem no coração esta dor.

A dor que ele já sente
por saber a tua resposta.
Mas... na mesma ele mente
inventando... nova resposta.
Mas esta tensão tinha de libertar
pois só criava mais tensão.
Tinha de te contar meu amar:
O que sente meu coração.
Sempre que sobre ti escrevo
tenho de me obrigar a parar
mas, desta vez, a isso não me atrevo
pois algo tenho de acabar.
Podes pensar nisto como uma declaração
pois é isso mesmo que é.
Pelo menos... (olha!!)... ficas com uma recordação
de um tonto sonhador.
Isto difícil está a ser
(para ambos neste momento),
mas se tivesse parado de escrever
para mim seria um maior tormento.
Não paro (não consigo) de pensar
que és meu viver,
a razão do meu amar,
a tinta do meu escrever.
A resposta já a sei
mas não importa (... quer dizer!...).
O meu amor já o dei 
a quem... merece meu viver.
Pois coisa mais bela não conheço
neste universo
e, nem sei se mereço
o... leres este pobre verso.
Verso de poema tonto
de tímido escritor,
que... muitas mais vezes tonto
por sonhar que pode ter teu amor.
Mas tenho de acabar
com uma alegria triste no coração.
Alegria por saberes meu amar...
tristeza por poder ser em vão.

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Desconheci...da
Estou com os meus amigos
Num ambiente calmo... envolvente,
Mas não me consigo concentrar
E penso no que estou a pensar.
Reparo que não é no que me envolve
Mas sim no desconhecido.
É como quem resolve 
Dar um paço em frente no abismo.
Mas o abismo ainda não tem um fim
E ainda não bati no fundo.
O meu viver é assim
Sem saber o que reserva o futuro.
Estou calmo mas o pensamento não pára
Fervilha de agitação.
Sem saber por onde começar
Vou começar pelo coração.
O coração sofre por viver
E com esse sofrer ele vai vivendo
Enquanto que a cabeça só sabe sofrer
Se o pensamento for morrendo!
Só que o pensamento voa
Nas asas do amar
Mas só voa à toa
Pois uma razão tenta encontrar.
Quem manda? O pensar?
Quem sofre? O sentir?
Porque podemos amar
Se isso não nos faz sorrir?
Sorrir? Que é isso sem amar?
Sem pensar e sem sofrer?
E... eles ali a cantar...
E são eles parte do meu viver.
Mas existe mais... muito mais.
Mas que mais é esse?
Não sei... não o conheço...
Será rir... amar... viver?
Esse desconhecido és tu...
Mas quem és? Que és?
Tu és imaginação
O som da música do meu coração.
16-04-2000         
António André de Oliveira Barata

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Duro  Como  Uma  Rocha

Quando por um momento paro,
em ti só consigo pensar,
e não sei porque não falo
no sentir do meu amar.
Quando meus olhos tocam os teus, no olhar,
não percebo o que os teus querem dizer,
e fico perturbado por não tentar
descobrir o que diz o teu viver.
O teu toque parte a minha protecção
e desfaz a minha segurança.
Faz voltar a bater meu coração
e despedaça a minha aliança.
A aliança da minha força 
com os meus tormentos,
que faz de mim alvo de troça
de meus próprios pensamentos.
Não sei que fazer
quando sinto em mim o teu calor,
só sei que ele me faz viver
para sempre neste amor.
Quando sinto o toque quente 
da tua pele no meu corpo
algo faz com que enfrente
o que sinto, num pensamento.
Um pensamento turvo
que me faz pensar
que meu corpo está curvo,
arqueado de amar.
Mas nada consigo fazer
para agarrar o meu amar,
que me faz viver
sem mais nada a ganhar.
E, não consigo falar 
dos meus sentimentos,
do meu amar,
dos meus tormentos.
Quando te vejo,
quando me tocas,
quando recebo um beijo teu
ou quando me olhas:
não sei mais pensar
e, fecho-me numa concha,
e, o meu olhar
deve parecer ( leve como uma pena) duro como uma rocha.
 (18 de Junho de 1998)

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Fugir 
Já não escrevo vai para tanto tempo
que nem sei se sei escrever.
E já vai tanto tempo que até invento 
novas formas de viver.
E... pergunto-me o que aconteceu.
E tento arranjar uma explicação.
Foi o tempo que aconteceu
no passar do tempo pelo coração.
E porquê? Volto a perguntar.
Eu sei que nada mudou. 
Quem  amava continuo a amar
só que, meu coração a chorar começou.
E... pergunto: porquê eu?!
Só amo quem não devo amar.
Sei que teu amor nunca será meu,
como são as asas do meu voar.
Do voar do meu pensamento
que em ti, só sabe poisar.
Tu só podes ser meu invento
de tão perfeita te dá meu pensar.
Eu não posso lutar
numa batalha já perdida.
Que farei deste triste amar
que vive nesta realidade fingida?
Contigo gosto de estar
e, contigo gosto de falar;
Gosto de sentir o teu calor apertar
fazendo meu coração abafar.
Mas tenho andado fugido
e, mais fugido tenho de andar,
já que tenho meu amor de luto tingido
sabendo que não terei teu amar.
Sei que mal estou a agir
mas é a maneira que para fugir sei usar.
A minha defesa é fugir
ao contacto que pode magoar.
Fujo por cobardia.
É uma defesa do meu negro amar.
Mas sei (sei lá se sei), que chegará o dia
em que, me dará gosto amar.
(18 de Junho de 1998)

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Há sempre um poema
Há sempre um poema
para me acalmar o coração,
que sempre teima
em querer acção.
Normalmente saio vencido
do que o coração quer fazer,
mas não saio convencido
de que perder é morrer.
Mas não sei se venha se vá,
se querer ou esquecer;
Mas sei que se alma há:
querer é sempre poder.
Há sempre um poema
que se escreve por sentir
que algo queima,
algo que a todos faz rir.
O meu sentir é bonito 
mas o não sei descrever.
Não sei se olho ou fito
o que quero viver.
Mas, há sempre um poema
onde escrevo o que não sei dizer
e, é o que me vale a pena
pois escrever, faz-me viver.
Sou tímido mas leal
aos meus sentimentos.
Sou tímido mas cordial
para com os meus intentos.
Talvez os consiga, ou não,
mas nisso eu não mando, 
nisso manda outro coração.
Mas, eu, nem o meu comando."

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Introdução
Tu tocas-me e eu finjo rir
Com vontade de chorar.
Apetece-me fugir
E esconder-me no fundo do mar.
Lá... onde ninguém me possa encontrar.
Lá... onde possa esconder
Este meu amar
Que é também meu viver
Depois, finjo viver,
O que não anda longe da verdade.
Tu és o meu sentir e ver
E... sem ti minha vida não tem idade.
Quando tu tocas meu corpo gelado
Todo ele estremece,
Pode não sentir-se amado
Mas pelo menos aquece.

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Mais,  Viver
Que confusão 
é a cabeça de um amador:
É o amor no coração
e nos olhos a dor.
Ele não sabe falar
apenas escrever:
Que é tímido no amar
e ignorante no viver.
Ele é só pensar e pesar
e escrever folhas de amor:
Com as lágrimas da cor do mar
que são as palavras da sua dor.
E sempre que eles juntos estão:
Ele sorri com vontade de chorar;
Com vontade de lhe dar o seu coração
e de lhe dizer que a está a amar.
Mas ele gosta de estar com ela 
mesmo sem nada dizer.
Basta-lhe tocar no olhar dela
para se sentir, mais, viver.
05  de  Maio  de 1998

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O Tempo que invento
Lá fora o tempo chora
Como chove no meu rosto.
Mas que importa o tempo
Se o desgosto me foi imposto?
Desgosto que destroça
O meu coração...
E, tu... que pareces fazer troça
Tirando-me a razão.
E eu olho para os teus olhos
Mas eles nada me querem dizer,
Eles estão frios... cinzentos...
Parecem nem me ver.
Estão como o tempo...
Sem sol para me aquecer...
E ao olhar para ti eu invento
Novas formas de sobreviver.
Sobreviver a este inverno
De tempo frio e choroso.
Mas ao tentar ser terno
Meu rosto... só fica mais chuvoso.
Enrugado... destroçado...
Como aquela arvore outrora bonita,
Que quando foi atingida por aquele raio...
Murchou... e morreu hirta.
Como posso esquecer...
Das flores e frutos de cada estação,
Da alegria em que fazia viver
Este... agora... negro e pesado coração?
Que já não suporta a sua carga.
Que morre vivendo
Com esta dor amarga
Que o faz viver... morrendo.
O tempo chora lá fora 
E eu chovo por dentro...
Não vejo quando chegará a hora
Em que vencerei o intento.
E... perguntam... porque não tento.
E eu respondo sem alento...
Que sou cobarde por fora e por dentro
Que até o tempo eu já invento... 
António André de Oliveira Barata
03-04-2000

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Perguntas que faço!
Que faço eu no meu sono
senão pensar no teu jeito?
Que faço senão pensar como um tonto
que te poderia ter no meu peito?
Que posso fazer
quando me lembro da tua suavidade,
que arrasa a minha maneira de ser
e me derrete em saudade?
Como posso viver
ao lembrar-me da tua maneira de ser
e, saber que não te posso ter,
a ti, a minha razão de viver?
Como posso não sonhar
com os teus olhos incisivos,                       
se são a razão do meu amar
e dos meus reflexos instintivos?
Como posso não ter
 do teu toque  saudade,
se só de lembrar faz reviver
a minha felicidade?
Como é a saudade de te tocar
ou apenas de te ver,
ou da minha vida enlaçar
o pensamento do teu viver?
E as saudades que sinto
de no teu cabelo tocar,
que por vezes a mim minto
e digo que não te estou a amar?
E as saudades de, só te ver,
ou de o teu corpo quente sentir, 
de o ver mexer
e de te ver sorrir?
Que posso fazer deste viver
que só sonha por sonhar,
que sabe que nunca te vai ter
mas que, te continua, a amar?

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Quem sou? Afinal!
Quem sou? Serei aquele jovem doido, perdido de amor
Por uma rapariga que sabe nunca poder vir a ter?
Ou serei aquele jovem doido, perdido de dor
Que pensa ser o mais indigno que se possa ser?
Quem sou afinal?
Sou aquele que não a vai ter,
Ou aquele que vai mal 
Sem a ter no viver?
Quem sou? O optimista que se sabe não amado
E que sabe com ela não poder contar?
Ou o mal desgraçado mal afortunado
Que sabe nunca ir ser amado?
Quem sou afinal?
Serei eu ou eu?
Será que tudo o que faço está mal?
Ou será que nunca virei a ser teu?

(09-06-1997)

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Se eu fosse...
Que será que nela via
e que em mim queria:
A não ser alegria
ou fantasia?
Podia ser seu amigo
ou, num instante
passar pelo perigo
e passar mais adiante.
Para quem nunca realmente amara
seria muita bondade,
mas sairia muito cara
essa, talvez, a verdade.
Se ela me amasse
eu seria amoroso;
Mesmo que ela errasse
eu não me tornaria "Todo Poderoso".
Ai, como a amo!,
Como ao perfume de uma rosa
que derramaria
na minha dama maravilhosa.
Se eu fosse amado
não seria medroso
nem sequer castigado,
pois seria milagroso
e, com toda a minha bondade
e o meu respeito,
até toda a humanidade
cabia dentro do meu peito.
(19-01-93)

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Só te quero a ti
Que posso eu fazer
Do medo e da saudade
Que tenho em te ver
Na minha realidade?
Sei o que sinto
Mas não sei quem sou, 
sei que nas acções não minto
que a amar-te estou.
Sei o que pensar
Mas não sei o que fazer.
Como te posso explicar
Que és a mulher do meu viver?
Como? Se o não sei falar?
Tenho medo, de novo, perder
O que o coração quer amar
E, de novo, ficar sem viver.
E que viver é esse sem saber
O que estás a sentir?
E, como posso querer
Que teus olhos não possam mentir?
Mas o que é mentir
Quando se trocam olhares?
Como posso não sentir 
Que sentes algo que não partilhas?
E a alegria que sentia por te pensar ter?
É agora a cólera por eu, um obstáculo ser
Na tristeza de seres inatingível
No meu medo e interesse por ti.
Mas que posso eu fazer
Se nada sou ou tenho de meu
Excepto a esperança de te ver viver
Nesse mundo só teu?
Nesse mundo em que não posso entrar
Nem a mal ou a bem.
Só posso ter a certeza que o meu amar,
O meu viver e querer é o teu mundo que os tem.
Nada sou e só te quero a ti.
Nada tenho excepto a certeza
Que desde o primeiro momento em que te vi
Só sei viver na minha tristeza.

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Um  Ser  Que  Não  Alcança      
Que quer um poema dizer,
um poema de amor?
Quer dizer que és meu viver
que fazes parte da minha dor.
Tu és o azul do meu mar,
o verde da minha esperança.
Tu és a luz do meu amar
e o sonho que meu ser não alcança.
Teus olhos são o meu ver,
tua boca meu beijar.
Tu és a visão que faz sofrer
meu coração que quer amar.
Ao ver-te, meus joelhos tremem
e o coração parece querer rebentar;
Os instintos dizem que os olhos mentem
ao dizerem que é a ti que estou a amar.
O coração pensa e já cansado de pensar:
Sabe que tem de se resolver,
então, pede à boca para falar
mas ela diz que nada consegue dizer.
Então, decide escrever
o que o está a alarmar:
Que tu és o meu viver,
a razão de  meu amar.
Que és o sol do meu dia
e da noite a minha lua.
Tu és a alegria que sorria,
a alegria da minha vida que é tua.
24 de  Abril  de  1998

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Vagabundo morreu!
Sou um vagabundo do amor.
Corro, fujo e perco-me
Na intensidade da minha dor
e no escuro escondo-me.
A noite é o meu dia 
e o meu dia é sempre negro,
o negro da dor que eu via
por de amor eu ser cego.
E a luz sufoca o meu ver...
cega-me de paixão...
neste negro e triste viver
em que meti o meu coração.
Mas que faço,
que posso mais eu fazer?
Sem ser chorar no teu regaço
que é o que ainda me faz viver?
Mas que viver é esse
que de negro está a lutar?
É o negro da minha tese
o negro da minha sede de amar.
Mas teses que me sufocam
com essas ilusões...
miragens que meus olhos focam
na morte de muitas paixões.
Tudo vejo de negro
porque de negro tudo vesti.
Onde estão aquelas cores belas...
cores belas que já esqueci?
Estou deitado e olho as minhas medalhas...
onde está a felicidade,
a alegria e a paixão
de que me revesti quando as ganhei?
Será que tenho de tudo perder
sem nada mais a ganhar?
Será assim... sempre meu viver
sem nada... mais ter a que amar?
E a sede? E a dor? E a luz?
E as cores? E as medalhas?
Para onde foi o meu amor?
Para onde foi a vontade  de viver? Morreu?

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Estou tão triste 
Estou tão triste,
não estou bem;
Estou mal como nunca viste
mais ninguém.
Estou tão saudoso
sem a tua partida;
Estou tão choroso,
olha se saísses da minha vida!
Que poderei fazer,
que hei-de mudar?
O que tem de haver
para o meu amor te dar?
Que hei-de fazer com este amor ardente
que está tão presente
mas, que só mente
e não consegue estar contente.
Será que o mar reflecte mas suas águas
o meu amor suspirando
ou, o riu levará as mágoas 
que me vêm acompanhando?
O que vi na minha frente?
Alguém que não conhecia
mas, francamente
não acreditava no que via.
Ao fim de tantos anos
em fim fui encontrar
os meu desenganos
que não vou mais usar.
A partir de agora vou rir,
vou partir o espelho que iludia
e que me fazia fugir
do que de mim não fugia.
Gosto do teu rosto,
gosto dos teus dedos,
como se fossem o sol de Agosto
em que guardo os meus segredos.
Ainda estou para ver
se vou ficar contente
ou, se me vai doer
ou, o que é que se sente.

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Perguntas que faço!
Que faço eu no meu sono
senão pensar no teu jeito?
Que faço senão pensar como um tonto
que te poderia ter no meu peito?
Que posso fazer
quando me lembro da tua suavidade,
que arrasa a minha maneira de ser
e me derrete em saudade?
Como posso viver
ao lembrar-me da tua maneira de ser
e, saber que não te posso ter,
a ti, a minha razão de viver?
Como posso não sonhar
com os teus olhos incisivos,                       
se são a razão do meu amar
e dos meus reflexos instintivos?
Como posso não ter
do teu toque  saudade,
se só de lembrar faz reviver
a minha felicidade?

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Falar-te
Isto está a ser muito difícil para mim:
O não conseguir dizer
Que não posso viver assim,
Que és o meu viver.
Não consigo coragem Ter
Para nos olhos te falar:
De dizer que és o meu viver,
Que és o meu amar.
Tu és o meu calor,
És a estrela mais brilhante
Que, brilha no céu do meu amor
Nesta noite incessante.
Na noite do meu viver,
Do negro da coragem a faltar.
É por isso meu escrever:
O medo de falar sobre amar.
Mas que posso fazer
Ao medo de um não?
Que será do meu ser,
Que será do meu coração?
Não sei! Mas tenho que arriscar.
Tenho de te dizer
Que te estou amar,
Que és meu viver.
Tu és a pomba do meu pombal,
A flor do meu jardim.
Tu és o bem no meu mal,
A culpa de me sentir assim.
E, eu sei que nada sou,
Não tenho nada de especial.
Sou um rafeiro que por ai vou,
Uma nódoa mundial.
Nada posso fazer
Para isso mudar,
Só, dizer-te meu viver, 
Falar-te em meu amar.

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Confusão
Sinto-me confuso:
Qual a diferença entre amizade e amor?
Será que a vontade de amar que uso
Me vai dar ainda mais dor?
Sinto que uma estou a mar
E que é a alegria do meu dia,
Mas com a outra adoro estar
Que é o rir da minha alegria.
Com uma tremo e até a suar
Fico... só de trocar um mero olhar,
Com a outra é a vontade de confessar,
De rir, de passear e brincar.
Uma apetece-me beijar
Sem nada mais dizer.
Na outra apetece-me beijar
O meu próprio viver.
Estou muito carente
E só uma está presente,
Mas não fico nada contente
Pois são ambas meu presente.
Uma sabe que é dela meu amar
A outra de nada desconfia.
Não sei a quem meu amor dar
Sem perder ambas num só dia.
Será que a ambas estou a mar?
Ou será que de uma para outra transferi
O que a uma só quero dar?
Será que às duas eu algo tiro?
A uma o meu viver
À outra a vontade de dar.
Uma é o meu negro ver
A outra a luz de algo amar.
Que hei-de fazer?
Confessar à outra meu amar,
Começar por fim a viver
Ou para sempre dois amores matar?
Deixar ambos morrer
Por ambos saberem quem estou a amar
Ou deixar apenas um viver
E eu a alguém algo dar?
Ambas se conhecem
E ambas sabem meu primeiro amar,
Mas ambas desconhecem 
O meu segundo amar.
Num impasse eu estou
E não sei que fazer:
Se a uma algo dou
Será que fico bem em meu viver?
Será que ambas amizades
Eu vou estragar
Ou se nas minhas tardes
Algo vou ter a que amar?
Será que o uma "desaparecer"
E a outra presente estar
Mudou algo no ver
De quem estou a amar?
Será que algo enfraqueceu
E algo está a aumentar?
Será que o que era certo como meu
Mudou, de alguma... maneira de lugar

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