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Beethoven

Última actualização 23/07/2005

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11 poemas editados

- Esperar-te

- Eu, você os meus sonhos

- Fulana

- Monólogo de um amor platónico I

- Monólogo de um amor platónico II

- Noite devassa

- O pássaro de fogo

- O seu verso

- Olhos amantes

- Pantume...

- Salve Bandeira

- Trio para piano, alma e violino

 

 


Sereias

Lucy Berenguer

   

 

 

Esperar-te
Esperar-te
 
 
Esperar-te é ilusório
É melancólico
É a desventurosa e amargurada
Forma de matar-me
Pouco a pouco.
 
Amar-te é platônico
Egocêntrico
É a angústia de pensar
Que nunca pude
Tê-la em meus braços
Nem nunca pude beija-la.
 
Viver-te é realidade
Acontece
Eu vivo mais por você
Que você por você
Eu penso mais em você
Que você em você.
 
Chorar-te é conseqüência
É a forma que tenho
De alimentar meu vício
De ti.
E a forma que busco
Para derrotar-me
Frente a sua
Magnificência
Em meus cismares.
 
Não te pensar?
Não te amar?
Não te viver?
São cousas d´outra escola milenar
Estrelar
Celestial
Todas imaginárias:
 
Surreais 
Terroristas aos meus conceitos.
 
Weslay Mendonça
 
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Pantume
Pantume ao Pai Nosso 
 
Pai nosso que estais no céu.
Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino
Seja feita a tua vontade
Assim na terra como no céu
 
Santificado seja o vosso nome
Dai-nos a paz santo cordeiro.
Tu que és clemente e misericordioso.
Tu que és pai e nunca foste arbitrário.
 
Dai-nos a paz santo cordeiro.
Dai-nos a união.
Dai-nos a santidade humana
Até onde ela pode chegar.
 
Dai-nos a união, oh pai.
Dai-nos a misericórdia.
Dai-nos, oh pai,
Vossa santa clemência
E a vossa santa misericórdia.
 
Dai-nos a misericórdia.
Tu que nos deste a vida.
Tu que nos deste a sacal
Mas imprevisível vida.
 
Tu que nos deste a vida.
Dai-nos mais uma chance
Dai-nos mais algum tempo
Para que possamos, pelo menos
Tentar mudá-lo
 
Dai-nos mais uma chance.
Tu que nos deste o pão.
Tu que nos deste a piedade
Tu que nos dá a felicidade.
 
Tu que nos deste o pão
O pão nosso de cada dia
Tu que nos deste a paz
Mesma que haja sido em algum dia.
 
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas
Assim como nós tentamos perdoar aqueles que nos têm ofendido
Mas não nos deixei, oh pai, cair em tentação
E livrai-nos do mal,
Que assim seja.
 
"Em homenagem a Nova sociedade dos poetas mortos - Nospem,
cuja seus integrantes são: Celly, Diego, Iara, Michelle, 
Nayara, Raul, Rhennier e Weslay, 
alunos do Colégio Militar do Corpo de Bombeiros do 
Estado do Ceará."  
 
Weslay Mendonça
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Eu, você, os meus sonhos..
Eu, você, os meus sonhos..
 
Nossa! São dez horas!
Acordei.
Mas, será que eu dormi?
Se eu dormi, dormi bem!
Dormi pensando em você.
 
Pena que era só um sonho!
Mas, será que eu sonhei?
Não estaria apenas pensando em ti?
"Oh! Dúvida cruel...".
 
Ainda estou com sono.
Estou com olheiras,
Estou cansado, dolorido:
Tanto por fora
Quanto por dentro.
 
Nossa! São dez e cinco!
Estou atrasado.
Deixa-me sair da rede.
Nossa! Onde está o chão?
Ainda estou sonhando?
Então estou dormindo.
 
Dê um grito, me acorde.
Já são dez e dez e eu estou atrasado.
Grita amor, grita para mim.
Grita: Eu te amo.
Dê-me um beijo de bom dia.
Já são dez e dez e eu estou atrasado.
 
- Acorda dorminhoco vá à escola.
-Mãe?
Que horas são?
- São onze e meia e você ainda está dormindo!
- E a...?
- Quem menino? 
Você está maluco?
- É mãe... Eu acho que estou!
 
Devia estar maluco por
Um amor impossível.
Weslay Mendonça
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Monólogo de um amor platônico. (I)
Monólogo de um amor platônico. (I)
 
Morrer
Correr
Sofrer
Volver
Perder
Beber
 
Sentever
Senvocê
Voumorrer
Voucorrer
Senvocê
Sentever
 
Enlouquecer
ABCD
EFG
Endoidecer
Endoidecer
Endoidecer
 
Enlouquecer
Enlouquecer
ABCD
EFG
Amanhecer
Entardecer
 
Quem é você?
E quem sou eu?
Quem é você?
E quem sou eu?
Quem é você?
Quem é você?
Quem é você?
 
Weslay Mendonça
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Monólogo de um amor platônico. (II)
Monólogo de um amor platônico. (II)
 
Calar?
Falar?
Calar?
Falar?
 
Sofrer?
Tentar?
Sofrer?
Tentar?
 
Amargurar?
Desdenhar?
Amargurar?
Desdenhar?
 
Esperar?
Falar?
Esperar?
Calar?
Esperar?
 
Cantar?
Solfejar?
Espantar?
Contar?
 
Morrer?
Morrer.
Morrer?
Morrer.
Morrer?
Morrer.
Morrer.
Morrer.
 
Weslay Mendonça
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Olhos amantes
Olhos amantes

"Senhora partem tão tristes.
Meus olhos por vós, meu bem..." 
João Ruiz de Castelo Branco
 
Meu Anjo, minha vida, estão tão escuros
Meus olhos sem te ver, meu bem,
Os que nunca tão tristes vistes
E em mim, em tua frente, nunca hás de também ver.
 
Tão tristes, chorosos, tão saudosos,
Acamados, desolados, apaixonados,
Tão penosos, sólidos, embalsamados,
Da penumbra, mais receados
Por muito mais que amor à vida.
 
Esperam partir tristes, os consolados,
Que outrora estavam esperançados
Com um impossível trans-olhar seu.
 
Esperam trevar eternamente os desgraçados
Na celeste e inviolável rendição 
Da solidão imposta e insociável
Pensativos, cheios de emoção,
Os que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém
E em mim, em tua frente, nunca hás de ver também.
  
Weslay Mendonça
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Salve Bandeira e os meus sonoros dezessete anos.
Salve Bandeira e os meus sonoros dezessete anos.
 
Sufocante vida sentimental.
Sagrado mês de dezembro
De minha depressiva tristeza
De meus depressivos dezassete anos
Completos em dois mil e um.
Dois,  dois zeros e um.
Pena que não somos ambos apenas um.
 
 
Estou sem você.
Não tive coragem de ti confessar:
"Eu te amo".
Dificilmente a verei novamente.
Nunca me perdoarei.
 
Escrevo melancolicamente estes versos
Todos aleatórios
Pois não tenho ânimo de pensar,
Apenas de fluir.
Pela primeira vez
Vejo o espírito de Bandeira encarnando
Completamente em minhas palavras.
Palavras que saem com a facilidade que tenho
Em abrir uma porta
Ou mesmo
A que tenho de sofrer
A te amar.
 
Estou te amando e pensando:
"Quanto idiota eu fui"
"Quanto inerte eu sou"
"Quanto incrédulo eu sou"
"Quanto profundamente solitário eu ainda serei"
 
Oh, meu Deus, perdoe-me pelos meus erros!
Perdoai-me por minha "celiolatria".
Faz de mim um homem crente e feliz.
Já que há de ser longe dela, que eu esteja pelo menos conformado.
 
Oh, Celly, perdoa-me por te amar.
Perdoa-me por não te contar.
Posto que a psicologia humana é e sempre será
O mais indecifrável dos enigmas.
 
Oh, meu anjo, perdoa-me por te amar,
Mas nunca esqueça que eu te amo.
Ou melhor: mas nunca saiba que eu te amo.
E evitai me desdenhar.
 
Weslay Mendonça
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O Seu Verso
O Seu Verso
Foi-se o poema
Estou tão sozinho
Foi-se a sua voz
O vácuo sonoro de sua falta
Microfoniza os meus ouvidos.
 
Não me deixes,
Fale mais um pouco
Uma estrofe
Ao menos um verso
Um idiota e racional verso que seja
Alegre-me.
 
Alegre-me com Vinícius
Alegre-me com Cecília
Alegre-me com Drummond
Ao menos mais um verso
Alegre-me amor, alegre-me.
 
Depressivo
À falta de você.
Melancolia,
A de não ouvir você.
Angustiante,
A idéia de não te ter
Mórbida tristeza do sem fim das estrelas
Da triste pomba atônita
Do meu coração Hamletiano.  
Weslay Mendonça
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Fulana

Salve Bandeira e os meus sonoros
dezoito anos.
Resgate da consciência: estou livre.

Não Fulana, não viverei profundamente solitário! Nem mesmo arrependido!

Quem sabe, um dia glorifique a desatitude momentânea, que sangrou meses e cicatrizou anos, anos.

Lembrarei de um anjo, não de um Deus.
Lembrarei, não conviverei.
As lembranças são as mais sinceras formas de amar o passado, ou de odiá-lo.

Vai-te... Espero vê-la, ou melhor, não espero.
Esqueces que nunca lembrou de mim,
Esqueço que lembrei que nunca esqueci você.

Foi-se o poema.
Foi-se o verso.
Foi-se o “esperar-te”.
Foi-se o amor platônico.
 
Weslay Mendonça

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Noite Devassa

Noite, escura noite
Passa por mim levando a lucidez
E vai-se a me deixar aqui sozinho
Chorando o sopro da embriaguez
De estar calado e longe do meu amor
Feito uma araponga
Que voa inquieta esquecendo a dor
Sobre a estupidez
Da imensidão que alonga
Os andares podres de quaisquer dos tantos saltos
Que, em minha frente, vejo a rodar.

E a vaidade que é vastidão
O nada come na multidão
De moças que encontro a me encantar
A qualquer minuto
Onde os meus lábios
Se perturbam numa ânsia de beijar
As bocas mais vadias
Dos paços mais vagos e torpes
Que ao escuro, fingem dançar,
Seduzindo o meu olhar noturno.

Noite, escura noite
Que belo par de prostitutas
Loucas me pôs a olhar,
Enquanto dançam acompanhadas!
Putas arrumadas,
Que me secam a vista
Mas que estão lá pra me cobrar
Se não dinheiro, álcool ou cigarro
Pra me dar um beijo
Imundo e de escarro!

E os beijos das estrelas
Que me dão talvez
O sonho de um amor
Que banham a minh´alma
Carente enamorada
Pela flor que outrora me deixara sozinho
Não hás, noite, de me ofertar
Hás de apenas me fazerolhar
Hás apenas de me fazer lembrar!

Noite, tu és vadia
Doce prostituta
Que me engana os sentidos E
Que me laça o prazer!
 
Weslay Mendonça

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O Pássaro de Fogo

Chegam os canhões, chegam os aviões Chega o Pássaro de Fogo,
Vão-se as Vidas.

O bico, bicudo, sangra, inocente, Inocentes.

A noite o clareia de beleza,
Realeza,
Medo.

Impassível luz sob as estrelas
Ofuscante, efêmero,
O canto agudo agrava-se...
Gradativamente:

Aaaaaaaaaaaaaaah...

O rabo reflete a imponência,
A divindade dos pais,
A prepotência dos pais...

A solidão veloz e triste,
A tristeza veloz e só.
A vida veloz e triste,
A morte veloz e só.
 
Weslay Mendonça

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Trio para piano, alma e violino

O piano insiste dramaticamente
Solitariamente
Pulsantemente
Num mi.

O violoncelo contrapõe o piano
Solidifica o piano
Embebe o piano com lágrimas
Quebra as teclas do piano
E atravessa, sincronicamente, o som
E o ventre
Do coração.

O coração toca o tema principal
Obliquamente
Martirizantemente
Sonorica e surdamente
Notas seqüentes da vida
Da alma
Da paixão

O violino não toca
Olha
Observa
Em um momento, grita,
Rasga-se a garganta,
Num mi,
E para com o escarrado pizzicato do Coração.
 
Weslay Mendonça

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