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Balzac

 

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17 Poemas Editados

 

A Prostituta

Da Consciência...

Dançamos

Erótica (Feitiço...)

Ilusão Divina

Imaginando

Incapaz

Mariana

Na Gaia da ...

Não é tão doce

O Erro Perfeito

Perdido nos Conceitos

Os Sentidos

Sono

Tempo

 

 

 

 

 

 

A Prostituta
Oh menina perdida!
Sem gosto pela vida.
Onde vais, a esta hora?

Oh menina perdida!
vazia e fria de vida.
Que fazes na rua de noite cerrada?

Oh menina perdida!
Largada à rudeza da vida
desde bem pequenina.
Por quem esperas nessa esquina?

Oh menina perdida!
Graças aos ensinamentos da vida
deixaste de ser aquela esplêndida e perfeita menina,
muito bonitinha e muito fina.
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Da Consciência ao Objecto
Ilusões -- contem-me a verdade!
Confusão -- formula a simplicidade!
Alegria -- esconde a tristeza!
Tirania -- descodifica a ligeireza!
Perdão -- aponta-me o responsável!
Vulgaridade -- cria algo notável!
Sonhador -- fala-me da realidade!
Segredo -- destrói a dualidade!

As cores implicam em enganar-me,
mas estou consciente desse engano paradoxal.
As perspectivas tentam confundir-me,
mas tenho segura a ponta da espiral.
A Natureza tenta despontar,
mas essa vivacidade dará lugar ao cansaço.
O Tempo não deixa de se modificar,
mas nem assim se despriva do mórbido abraço.
A acção apela para ser desculpada,
mas a desculpa é a voz que geme por responsabilidade.
A fealdade só necessita de ser cuidada
para que se transforme no que é de verdade.
O belo cavalo azul imaginário
nasce de um portentoso garanhão.
São as palavras detidas no pensamento diário
aquelas que desmoronam a mais consistente fundação.
 
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"Dançamos"
A linguagem revela-se no som...
o som torna-se música...
a música gera movimento... -
e linguagem não é mais necessária.

Desaparece quando se divulga -
quando gera a sua musicalidade,
e os corpos se enchem de ritmo
ao qual dançam... e dançam...
sem tempo - sem medo - com vida:
pois o tempo e o medo dançam também -
e a vida, essa... explode com a música!

O tempo não dança mais... -
nem o medo... - nem os corpos...
e a vida retoma a sua melancolia,
deixando a alegria largada no passado -
para talvez... talvez... outro dia
repetir... reviver... dançar!

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Erótica (Feitiço de Eros)
Os teus lábios contam-me velhas histórias,
de velhos heróis e de velhas glórias.
Histórias de amor e de perdição...
Oh! Quantos se perderam nas malhas da sedução?

Os teus débeis braços
envolvem-me com a força de mil guerreiros.
Percorro os teu traços
e como os teus olhos inteiros.

As tuas coxas levam-me para dentro de ti.
Os teus gritos enchem-me de calor
e os nossos movimentos respiram um forte odor.

São os nossos corpos que controlam a nossa mente:
o cérebro já não controla,
o controle pertence àquilo que sente.

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11-05-2000

A parede abre-se,
com o brusco movimento tremido.
O espírito sente-se empurrado e perdido
e o corpo mal se mantém de pé, --
só o consegue graças à fé.
Mas fé em quê?
No sol -- que nasce todas as manhãs?
Na noite -- com salpicos de estrelas?
Ou fé: em deuses e satãs?
Em príncipes e cinderelas?
Em heróis e mitos?
Em reis e imperadores?
Em palavras e gritos?
Em farsas e impostores?

Mas que acontecerá quando o sol não nascer
numa manhã eclíptica?
Ou quando a noite cair
como um manto sem padrões?
Ou quando o divino se perder
para além da crença típica?
Ou quando o conto mentir
sobre as suas próprias ilusões?
Ou quando os heróis abandonarem
o seu quadro popular?
Ou quando imperadores mergulharem
numa loucura singular?
Ou quando palavras gritarem por silêncio absoluto?
Ou quando farsas se identificarem como o nosso último reduto?
Ou quando impostores mutantes
tornarem-se diletantes?

A parede sara as suas fendas;
a realidade cessa de tremer;
o espírito consegue finalmente compreender
como é sentir-se encontrado por entre as emendas
de uma tremura débil;
e o corpo foge do seu estado febril:
os olhos enchem-se de líquido,
fútil e ínsípido,
e o corpo jaz, derrubado no chão,
sem a sua fé --
aquela cega paixão.
Tenta levantar-se e manter-se de pé, --
mas é só uma tentativa,
fútil e inociva:
como pode o corpo levantar-se,
sem ter em que apoiar-se?

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Ilusão Divina
Buscamos a nossa imagem
nos outros -
e dizemos que os amamos.
Ora, perdoem-me, visionários!
Sei que apreciam a vossa miragem
e as vossas vitórias sobre os vossos monstros,
mas e os outros?

Eles também têm a sua própria imagem,
já olharam para ela?
Decerto que não...
mas tal imagem mantém-se naquele figurão,
como uma chama a reluzir na gasta vela.
A cera esvai-se,
tal como a ilusão -
agora abandonas a tua antiga paixão:
dizes que não és o mesmo - mentiroso!
Ela é que não é a mesma...
mas nem assim compreendes a verdade,
meu falso amante -
a sua beleza, a sua ingenuidade.
Esquece-a, vai errar - ser errante!

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Imaginando
O cavalo azul sobressai
perante todos os outros.
A beleza sobressai
perante a infinidade de monstros.
A forma sobressai
perante o vazio.
A imensidão do mar sobressai
perante a pequenez do rio.
A vontade de ser livre sobressai
perante a nossa prisão.
Mas perante tudo isto sobressai
a criativa imaginação.
 
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Incapaz
Se eu pudesse dava-te as estrelas,
mostrava-te o mar,
doava-te o ar.

Se eu pudesse criava para ti o Paraíso,
matava a saudade,
soltava a felicidade.

Se eu pudesse colhia o mundo:
colhia os montes as flores,
os ódios e os amores.

Se eu pudesse aprisionava Deus,
libertava os Céus,
abolia a religião.

Se eu... pudesse?!...
E quem disse que não posso?
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"Mariana"

18-01-00

Essa cintura enche-me os olhos,
e a alma torna-se fogo.
Não tenho medo dos escolhos,
não existem, muros, mares, ou sóis, que me detenham.
Sou imortal!
Sou imortalmente material!
Material, por uma paixão abrasadora tomar a forma do meu corpo;
ela toma conta de mim, enche-me com tudo;
enche-me, como se, em mim, contivesse o mundo.

Mas estás sempre de costas para mim.
Oh! Porque não te viras?
Olha-me nos olhos... uma vez, enfim...
pedidos em vão! Tu nunca me miras.
Também, porque hás-de mirar um monstro indiferente,
quando tens outros à tua frente?
Sim. É o ciúme!
É o receio de sentir o teu perfume
na boca de um outro.

Sei que não ouves palavras
e sei que não compreendes estas línguas bárbaras,
fazes senão bem ouvir a cabeça em vez do coração;
ao menos tens saída, enquanto que eu não,
em vez de me libertar, o amor aprisionou-me.
Deixo-te em paz porque te amo,
não te quero ver ao meu lado, na mesma cela,
não quero cativar a estrela mais bela,
não quero tirar-lhe o brilho que tanto amo:
o brilho da liberdade,
o brilho da estéril virgindade.

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Na Gaia da Verdade
09-04-00

Sou a folha
que ficou para trás
no último Inverno.
Sou a folha
que no passeio jaz
de sofrimento eterno.
Sou a folha
largada pelo vento
na estrada do passado.
Sou a folha
assombrada pelo tormento
de ser deixada de lado.
Sou a folha
que se deliciou com as ilusões
de uma amante.
Sou a folha
que, por ter ouvido falsos sermões,
se tornou uma errante.
Sou a folha,
a temporal viajante,
que se perdeu na sua última viagem.
Sou a folha,
a mutante,
que se apaixonou por uma imagem.
Sou a folha
que bolina sobre o mar,
como uma nau perdida.
Sou a folha,
que por ter conquistado o ar,
se sente arrependida.
Sou a folha
abandonada pelo ramo,
pela natureza
e pelo mundo.
A ambiciosa folha,
serva de quem chamo
e da sua beleza.
A folha que queria tudo:
queria a árvore,
queria o sumo de nuvem,
queria a terra e a luz -
obteve a verdade,
de todas a mais sufocante:
aquela que sufoca a vida
a qualquer viajante.

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Não é tão doce a liberdade
Vi o pássaro. Sonhava com a liberdade.
Belos são os arrojados sonhos -
sobretudo os impossíveis de se realizar.
Mas é triste aquele que fala de impossibilidade
quando o impossível nos possui com o fim de se transformar!
Aconteceu tal e qual com a lua, com as profundezas,
com a magia e os mistérios, com o impossível de todas as naturezas.

Mas, voltando ao nosso pássaro, preso por grades humanas.
"Que sentido?" - questionava-se ele.
"Vê-se que são coisas de gentes insanas!" -
Ironicamente estava certo. Os gigantes voltavam com comida,
alimentando-lhe juntamente o sonho que lhe dava vida.
Era justamente esse sonho, que com a ajuda de uma mão
tornar-se-ia parte do real.
Seria com um gesto que esqueceria a prisão
e voaria como um imortal.

A madrugada acordara o sol e as gentes
que, correspondendo às suas patentes,
traziam comida. O bicho comeu, sentia-se forte nesse dia.
Pouco depois veio outro, sem comida. Com uma mão.
Num só segundo abriu a porta da tenebrosa prisão.
O pássaro, esse, escapava, voando cheio de alegria.
Estava feliz! Mas questionava-se como o tempo passou -
eu, diria que, como ele, voou!

Voava alto, e um pouco mais baixo, de vez em quando.
Estava livre, as coisas seguiam o seu comando!
Um segundo bastara para concretizar o impossível,
outro segundo bastou para o plausível:
querido passarinho jazia na estrada;
ele mais o seu sonho haviam sido atropelados.
A sua liberdade estava no seu coração, enterrada
por um daqueles ditos depravados.

Fora morto pela liberdade
e pela responsabilidade
de ser livre - ele e os outros.
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O Erro Perfeito
O movimento surdo do vento
acaricia-me a face docilmente.
Uma lágrima lava-me o rosto subtilmente,
e desligo-me da minha consciência por um momento.

Nesse momento uma luz branca e forte,
vinda de nenhures, guia-me pela alvorada.
Não se trata da negridão da morte.
é simplesmente o vazio luminoso de Nada.

Essa luz corrói-me como um ácido.
Um mau estar salta sobre mim;
indicando-me a proximidade do fim.

Os olhos abrem-se,
para se deslumbrarem com a verdejante paisagem
e com tudo o resto que desponta à minha passagem.
O Teu Belo Quarto (Visto da Minha Bela Janela)

É ao ver-te da minha janela,
no teu quarto, de luz acesa,
que compreendo como és bela
e que, assim sendo, só crias beleza.

A magnitude do teu gesto,
puxando o cabelo para trás,
demonstra o quão insignificante é o resto
que, do presente, se desfaz.

O teu olhar,
quando se desvia para o horizonte,
-- analisando-o na sua infinidade --
é ainda mais imenso que o mar,
no seu auge de brutalidade.

E, por fim, quando te retiras
-- afastando o assento --
compreendo que não sinto mentiras,
pois a tua retirada trouxe-me desalento.

O teu quarto está agora sem vida,
porque a vida já lá não está
-- anda por aí perdida,
entre sentimentos e sentidos...
na verdade, andamos ambos perdidos.
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Perdido nos Conceitos

Tocaste-me sem mãos,
sem lábios.
E, agora? Que aconselham os sábios?
A dizer a verdade? - mil nãos.
Não tenho coragem,
e quando creio que a tenho, as palavras perdem-se na sua insignificância.
Mantenho-me à distância,
e descrevo-te uma outra miragem.
Sim, minto! Mas o que queres?,
a verdade escapa-se por entre os dedos,
e mascara-se como um dos meus medos.

Amo-te! - porque custa tanto dizer isto,
que nada significa para além do seu ar postiço.
Se calhar é esse ar que me retira a vontade
de contar tão majestosa verdade
em palavras tão medíocres.
Mas, então, que devo utilizar eu para descrever os arrepios;
os calores; e os suores frios...
Deverei utilizar vãos conceitos, vãs palavras.
Será que não têm mais criatividade, estas mentes bárbaras?
Triste! O que significa Amor? - nada...?

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Os Sentidos
A tua vida instável
acresce-me um fascínio adorável:
pela tua força
de frágil moça.

A tua pele torrada
-- aquecida pelo sol --
aquece-me a madrugada
feia, friorenta e mole.

Morre-me a fome
quando beijo os teus lábios carnudos
e partilhamos os pensamentos mais profundos.

O silêncio some
quando os nossos toques sensuais
acordam o fogo que dorme.
Balzac
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Porque voltaste logo que esqueci o sabor das lágrimas?
Não te deste bem com a solidão?
Não venhas atear a paixão,
já foi apagada pelo gelo da dor.
Não regressa com palavras de amor;
apenas oiço o orgulho e a dignidade.
E, por favor,
não me prometas felicidade!

Porque voltaste logo que o azul deixou de pairar?
Não me peças para te abraçar!
Os meus braços já não têm a força suficiente
-- enfraqueceram com a prática deficiente.
Não fales no passado já esquecido
ou no amor agora perdido
-- o esquecimento tratou-os bem.

Não te quero mais,
amo outra pessoa!: a solidão.
Vai! Deixa-me com a minha amante.
Segue o chão
e os teus passos de errante.

É engraçado!
Agora que realmente partiste
sinto-me mais desgraçado.
Mas a solidão precisa da minha dor,
e eu preciso do seu cuidado e amor.
Tempo -- Que Voas Quando Sonho

O relógio não se atrasa;
bate mediante o mesmo ritmo.
Parece a batida de uma asa...
e bate de um modo tão íntimo!

Um batida sem dono,
governada ao abandono
de fazer parte do sono
de um poderoso mutante.

Está na hora de acordar!
Está sempre na hora...!
É agora!...
tempo de deixar de sonhar
e bater no sentido
naturalmente definido.
Balzac
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Sono

De dia, erro entre as gentes;
de noite, voo com as estrelas;
e quando sonho, escrevo poemas,
que tornam cépticos os mais crentes.

Quando é dia novamente,
coloco sentimentos em quem não sente.
Porém, o dia traz tamanha tristeza,
impede-nos de escrever poesia;
só no sonho tudo chega com clareza -
triste, é aquele que vive só de dia.

02-01-00

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Tempo
12-03-00

Tempo! - Dizem que és o maior ladrão.
Permitam-me discordar:
Não foste tu, ó tempo, que me deste este mar
lúcido de imagens, que me tira os pés do chão?
Não foste tu quem me deu aquela imagem
de um anjo sensual?
Não foste tu quem me transmitiu a mensagem
codificada dos erros, para me esquivar de todo o mal?

Que me tiraste tu, então,
ó designativo do maior ladrão? -
Alguma juventude...
sem a qual não consigo viver na minha plenitude?
Pois deste-me muito mais: as memórias,
esses tesouros do passado;
as histórias,
que me fazem sentir encontrado;
e, sobretudo, esculpiste a minha personalidade,
e trouxeste até mim as opções
que abriram os majestosos portões
da ilusória felicidade.

Não és um ladrão, és um dador;
que em troca apenas quer ser o escultor
do meu corpo e mente;
pois então, que sejas um dos arquitectos
deste luxuoso palacete.

Agradeço-te...! Ó tempo...
e lamento não te ter encontrado mais...
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