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Anaiz_Bel |
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17 Poemas Editados - Dizias que não querias crescer - Gaivota geometricamente criada |
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Barcos Atracados Barcos Atracados Barcos atracados com nós cortados. O cais repleto de cor e cheiro. Homens em pé nos bancos bronzeados Pelo sol que lhes corre nas veias. Mulheres cantadeiras em madrugadas ausentes, Mulheres peixeiras sadias, enrugadas contudo pelo envelhecimento dos dias contados. E eu a escancarar este sentir orvalhado Das coisas miúdas compradas na retrosaria da esquina. Homens atracados aos mastros e lemes, Pensando que tudo lhes foge ao chegar a terra descalço. Mulheres de chinelas em compassos multicolores, Mulheres de goelas abertas em ecos conversadores Com cheiros e sabores empoleirados, rasos, nas canastras dos costumes. Barcos, barcos - casa, barcos - vida, barcos - asa E tudo, de fugida, se augura em leves tons de brisa. 02:43 - 14/08/01 |
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Gaivota Geometricamente Criada Gaivota Geometricamente Criada Gaivota geometricamente criada. Nua. Vasta. Resquício de tempo alado. Incandescente esvoaças Na calmaria reflectida do prazer Encontrado no etéreo espaço. Desnudada foste, e agora ?! COLAPSO !! Esbarraste numa nuvem empedrada, Espalmada caíste gaivota geometricamente criada. Nua. Vasta. Esplendor azulíneo e fugidio. Escancaraste o portal róseo do teu voar, Esqueceste as marcas na areia palidamente molhada Onde o alimento era escasso de trato Sem que de nada valesse a espera dos homens. Decifrada foste, e agora ?! ANONIMATO !! Atordoada dormiste gaivota geometricamente criada. Nua. Vasta. Contemplação de gestos indecifráveis. Reconstituíste as asas caiadas e não te lembraste de voar.
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O Pão dos Dias O Pão dos Dias Alguém canta no fundo do espaço. Quatro mesas sentadas em cadeiras descalças. Eu na imensidão do vazio e tu comigo. Tu, sempre comigo e a camisola sem alça Que tanto dizias que gostavas. O reflexo de que me protejo é amarelado Como o recheio do pêssego que comi ao almoço Alguém canta no fundo do espaço. As casas pintadas de cores garridas Parecem tomar a vida de um trago, Coisa que desaprendi há muito. Atiro freneticamente para o lago de sal os restos de ontem. Ando. Fico. Parando explico o azul dos teus olhos E tento absorver nos poros o facto De ainda nem sequer os ter visto hoje. Alguém canta no fundo do espaço. Homens cospem fogo no fugir da noite, Tentam correr em seu alcance Mas acho que ela tem medo de se queimar. Pareço eu. Descalço as meias frases trazidas por ti. Sinto o odor dos dias deslavados E penso que devíamos tomar banho. Alguém canta no fundo do espaço. Nada me entra ou absorve. Resta apenas o cansaço de te desenhar em traços geometricamente inconcretos e absortos. Dói-me o hemisfério direito. A preceito, revisto-me com folhas do jornal de à dois dias. Tenho os dedos pretos de tanto me folhear, Mas não faz mal porque também bem não está. Ando. Fico. Desistindo amplifico as coordenadas Para ver se não me perco de ti. Alguém se cala no fundo do espaço E as teimosas das coisas acabam por ser sempre como são. Acho que me apetece comer pão com uma colher. 03:00 - 04/08/01
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Só Aceitamos Moedas de Dez Só Aceitamos Moedas de Dez Não me sai nada de lado nenhum. Arrumei os espelhos para não te lembrar ao meu lado. Eu, tanto me faz. Sei que estou sempre ali. Como as coisas que se atravessam na estrada, sem contar. Às vezes tropeço. Não sei se te mereço. Soletro-te. A semelhança das coisas apresentam-se sempre que não queremos. Os dedos são as moedas com que tiro das máquinas o prazer. Produto esgotado, leio em encontros inesperados. Escolha outro ! Como se isso fosse possível. Acho que acabamos por quase nunca escolher. Continua a não me sair nada de lado nenhum. Não sei se sou eu se é da máquina. Afinal, elas, acabam sempre por avariar. Eu também, e já não tenho mais moedas. Levo os dedos à boca, sabem-me a azedas. Costumava devorá-las na meninice de rua. Sinto uma grua crescer-me na boca E procuro nos bolsos os rebuçados do teu mentol. Chupo, por muito grosseiro que seja o termo. Afinal, não me culpo de te querer sentir o sabor. As daninhas das ervas continuam a crescer-me nos pés. E já não tenho mais moedas de dez.. 15:30 - 04/08/01
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Teus Traços Feitos Nada Teus Traços Feitos Nada Passeias-te na minha interioridade atómica. Parece que diluí os pensamentos de ti, Feitos água remisturei-os no prazer do sangue da vida E a todo o momento sinto-me eclodir. A invisibilidade assola-me agora como nunca. Parece que sou eu sendo nada, e tu demoras. Disseste que vinhas mas não te sinto perto E tenho o combóio das linhas cortadas à hora certa. Desenhas-me na ponta dos dedos azuis. Parece que sempre me conheceste sem me saber nada, Tenho o teu sabor na cabeça encostada ao pôr do sol E tomas-me como se sempre tivesse sido tua. A sombra acrescenta-se nua sem gestos. Parece que perdi o combóio das linhas cortadas à hora certa, Amanhã passa às seis horas. Lavo os cestos de roupa suja À espera de uma aberta nos traços de suor sem ti. Percorres-me. Sinto-me vestir de lavado. Parece que bateram à porta escancarada, Deve ser o jantar. Acho que ainda tens a chave E, além do mais, eu não te pedi nada. 04:00 - 28/07/01
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Uma Qualquer Sintonia Não Materializada Uma Qualquer Sintonia Não Materializada Tento sintonizar os canais do écran Do espelho baço pendurado no alpendre da casa. Dói-me o antebraço mas lembro, Ora vivas ora mortas, ondulantes desordenadamente, As instruções adjacentes escritas em todas as línguas. Ajeito os botões do corpo endiabrado E as línguas escritas fazem lembrar as nossas Quando se engolem, se alucinam e escrevem Nas peles pungentes a humidade das palavras. Os dialectos multiplicam-se em cada gota de saliva. Sinto uma assincronia no premir dos dedos Templos erguidos consumidos dentro de ti. Descintonizo-me. É errónea a tentativa de outra qualquer coisa Pensada e materializada. Desfiguro-me. A enseada abre-se como fuga. Estilhaço todos os espelhos para não me alcançar. Parti-los seria a certeza do não mais te ver e canso-me. Como em todas as manhãs te saber na boca, Lavar os dentes tudo se perder pelo ralo, Querer recomeçar de novo e já não estares ali. Afinal, pergunto-me eu : - "onde meteste tu as tampas dos ralos da casa de banho ?" 21:30 - 13/08/01
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O Desassossego é Um Vaso Sanguíneo O Desassossego é Um Vaso Sanguíneo O desassossego é um vaso sanguíneo prestes a rebentar. Desde ontem que me nasceu no fundo das costas uma vontade paralisante de sentir o meu sabor do sal. Não consegui. Doeu-me ao tocar hoje no umbigo, ali por horas do acordar quando tentava apertar o botão das calças reais. Disse-me a minha Mãe que não devia ser nada demais e que, antes, me despachasse que era tempo do almoço. Fiquei a pensar naquilo e fui beber água ao poço do quintal ainda de calça desabotoada sem saber o que fazer. Ocorreu-me de novo que o desassossego é um vaso sanguíneo prestes a rebentar. É assim que o tenho sentido, como se fosse ele - todo - artéria que me irrigasse o corpo prestes a cair à porta de casa. Talvez vá rebentar pelo umbigo e, por isso, ele me doa mas não deve ser mesmo nada de mais, a minha Mãe não me ia enganar !! Tratei de me arranjar, deixei as dores de lado para me ver melhor Sentei-me à mesa de todos os dias e sorri para o prato. Pensei em dar-me melhor trato, ao desassossego em ebulição também Não vá ele ser matreiro e escapar-se por uma qualquer janela mal fechada. 01:20 - 01/10/01
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Os Dedos da Fruta Os Dedos da Fruta Descasco os dedos das mãos como se fossem bananas pequeninas. É curiosa a fome que por vezes nos invade a horas impróprias quando não sabemos bem nos defender. Mas como diria um amigo meu - "a fome não tem horas p'ra comer !" 19:00 - 09/10/0! |
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Uma Tentativa de Adormecer Em Ponto de Rebuçado Uma Tentativa de Adormecer Em Ponto de Rebuçado Uma qualquer disfunção unilateral É acentuada no acesso às tuas coisas. Deito-me em posição fetal E sinto-me embrulhada em papel de prata Como um rebuçado. Arrumo-me ao lado esquerdo Tento alcançar o fio de pesca com um dedo Para me prender, ao menos por hoje, Às margens secas das tuas águas. 02:41 - 06/10/01
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de me saber tua! de me saber tua ! sobe-me à flor da pele toda a ânsia de te amar. amar-te como se fosses sempre... como se tivesses sido sempre tu ! achas possível alguém ter sido sempre de uma pessoa ? resta-me o sorriso de me saber tua, de querer sê-lo. de o ser efectivamente. as cores, os cheiros, os ramos de prazeres inaláveis, a lembrança nua de te ter ao meu lado como se me pertencesses, a tua pele em fusão com a minha e os nossos olhares entrelaçados como se sempre ali tivessem estado. Amares, amares dada minuto de reencontro contigo mesma Sem saberes que ali te cabe o dom de ser feliz. Andares palpitante em toques de veludo como se tivesses o mais precioso bem entre mãos. Entre pernas chama por ti o desejo de unificares essa mácula essência que te faz dar a vida. Amo-te na invisibilidade das coisas, na ruptura das minhas forças, No etéreo espaço imaculado ao expoente máximo da loucura. Que de mim nasça a brandura de me saber Eu, de me reconhecer onde estou como quero estar, de me pertencer como te pertenço já, subindo à doçura de uma nuvem sem rosto. Amar-te-ia agora como sempre te quero amar. Em cada parte de mim como se fosses tu. O cheiro do jasmim dos ramos doutrora silencia-se por toda a parte. Elevo o pensamento no tardar da hora e refresco cada espasmo de memória com a lembrança da tua existência. 02:40 – 06/04/02 ANAIZ BEL
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Ferro – Velho Ferro – Velho Cheguei cedo como chego sempre. As pessoas conversam coisas que não entendo. Faço bonecos de papel com os restos do almoço e rio-me da pequenez das coisas que nos importam. Olho à volta uma e outra vez para não esquecer onde estou e penso coisas inexplicáveis freneticamente. Parece-me tempo de limpar o pó. Sopro. Em pouco tempo ele regressa ao seu estar de sempre e eu sei disso. Mas o sopro cirúrgico é o único – meio – único de alívio rápido. Como um analgésico com que nos entupimos despreocupadamente como se fossemos uma canalização múltipla e complexa. Quando vamos a ver já não há forma de absorção e não nos entra mais nada. Fechamo-nos para sempre. Tornamo-nos um amplexo ferrugento e pesado esperando-nos um ferro – velho qualquer, amontoado e cinzento. 15:20 – 10/10/01 ANAIZ BEL
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sol maior sol maior devo ter qualquer coisa para dizer começa a parte dos dias que me desabotoa o sorrir, as movimentações são de recolha a um lugar solitário essa qualquer – outra – coisa deve ser grande não sei se me interessei por ti por te teres interessado por mim hoje, quando penso em mim és tu que me vens à memória. Não sei se te vi primeiro a ti ou a mim, se ao me ver vi-te composta em sol maior. o que a escrita tem de bom é que podemos dar um qualquer sentido às coisas reais sem nos culparmos por isso. hoje, ao ver-me no teu pensamento pareço-me irreconhecível como um poema riscado até à ruptura da folha de papel. as cores vão aquecendo, parecem rebentar aos salpicos incandescentes como pedaços de rocha pungente. cai o pano no teatro da esquina e há bocas sem mel como o pão de outros dias que não tinha boca para comer e assim se atirou aos vadios cães escanzelados de fome. hoje, quando penso em ti pareço-me feliz e é em mim que te penso, assinando a tela numa inferioridade direita, mas sorridente. 18:38 – 30/03/02 ANAIZ BEL
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Dizias Que Não Querias Crescer Dizias Que Não Querias Crescer Trazias no regaço o calor quente de tarde. Nos braços, pendurados pela anca, dois ramos feitos árvore. A ondulação faseada dos gestos transcrevia as palavras não ditas. No olhar duas cerejas orvalhadas acabadas de colher. Os cabelos, sabia-os eu, eram os cachos de uvas brancas que tanto gostava de comer. Trazias ainda entre lábios o sabor do mel de outrora. Nas mãos as brincadeiras de horas passadas a correr ao sabor das ordens violadas das mães. Os cheiros que me tocam agora pintam em papel frutacores aqueles sorrisos puros e brancos de meninice. O corpo, sabia-o eu, era rechonchudo de pele doce e macia como os pêssegos que a avó nos trazia. Dizias que não querias crescer e agora trazes-te e não sabes o que és. ANAIZ BEL
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In Memorium In Memorium I É tempo, tempo, tempo... De me encher e tornar balão não quero que me doa tanto assim. II Há um qualquer espaço de absorção inquietante que me atravessou entretanto. Passaram minutos. Passaram horas. Incredulamente passaram dias e eu aqui sem saber se acordo e me levanto. Passam imagens e num instante caio, acordo em Maio num dia qualquer onde a tarde se deita sem me cumprimentar. III Ainda não tinhas chegado. Era tempo de sofrimentos menos delineados, de ânsias menos espessas, de desejos mal pintados ainda era tempo de palavras inaudíveis da geometria da tua voz nas minhas luzes acesas, era tempo – ainda – tudo – tempo estruturado numa maqueta aprovada com distinção. IV Penso no que realmente terás sido ao passar repentinamente naquilo a que chamo a minha Vida. Estranho. É tempo, tempo, tempo... V Fecho a mão esquerda em punho firme Para poder fazer o rascunho da composição da nossa melodia. Uma mão aberta sempre nos expõe a uma certa nudez. Vou-me calar que se faz dia e as coisas definitivas têm muito pouco para contar. ANAIZ BEL |
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Melodia Sem Rosto
Cantei-te em cada respirar que trazia e tu nunca reparaste. Os gestos libertos ficaram na minha memória, reza a história que foram teus e tu nunca reparaste. Fiz-te verso sem rima porque nunca consegui encontrar as palavras certas para te falar do que sentia. Chorei-te nas margens dos rios cinzentos e tu nunca reparaste. As pedras faziam-me a companhia que tu ausentavas. Olhei-te como só se olha quem se ama e tu nunca reparaste. Parei de vez em quando para ver se me tinha enganado no caminho, mas apercebi-me que tu é que não me acompanhavas. Pintei-te nas telas mais delicadas, como devias ser pintada. Criei-te luz e leito e tu nunca reparaste. Deitei-te comigo e levantei-me sozinha junto aos campos esverdeados das falésias. E tu nunca reparaste. Dizem-me agora, no quebrar cáustico da hora amarelada, que tu, afinal, nunca exististe... ...mesmo assim, tu nunca reparaste. Chamei-te sempre para me saber viva. E agora, reparo que nem o teu nome sabia, talvez o dos pássaros, das árvores, dos cheiros, das cores, dos mares, das flores. Talvez, afinal, estivesses fundida em tudo isso. E teimam em dizer-me que tu nunca exististe. Paro. Olho a estrada em frente do monte porque sei que detrás dele está o mar...quero diluir-me. Subo a árvore mais próxima e...desapareço. ANAIZ BEL
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O
Gosto da Pele
O Gosto da Pele
Duas noites. Dois corpos. O mundo a girar inevitavelmente, e o nada que isso significa para nós. Incrível a coragem com que partimos para as coisas. Entramos. O silêncio arranca-nos a voz. Dedilho coisas indecifráveis pelas ruas do teu corpo e sobe-me à imaginação dos cheiros que fiz a tua parte geométrica materializada. A pele sabe coisas que não diz em lugares absolutos.
ANAIZ BEL
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Retrato Descolorado
Há no momento em que me apercebo de mim uma comichão nas palmas das mãos elevada ao rubor da hora. Uma necessidade íngreme de te tocar avizinha-se em tombos ridículos como se o instante fosse desproporcional. Vi - me hoje num retrato descolorado pela vida e não sei se me reconheci. Passa. Passo. Passado. Folhas que li. Onde está o olhar daqueles passos dados sem se ter a noção para onde se caminha, crendo que vai ser sempre assim, como é ?! Doo-me. Aperto-me. A vida corre-me pelos dedos destapados ao relento da pele, os nódulos desencaixados procuram a fuga debaixo do que resta da carne e tento aperceber-me da impossibilidade de regressar à pequenez do físico já gasto, como uma peça de roupa usada em demasia e que não nos serve agora de nada. Vi - me. Vi - te. Vieram-me os sorrisos aos olhos de lágrimas vastos e achei que trazíamos tanta coisa embrulhada, como um lanche que as mães nos preparam para comer na hora do recreio. - Acho que quero morrer a olhar para ti !!- disse-te um dia. Assim, o retrato fica-nos pendurado na retina do silêncio de outrora. As palavras ao meio da mesa servem de enfeite. ANAIZ BEL
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