Índice  

Alessandra

Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal

3 Poemas Editados

- A viagem do chão

- Maria Mortalha

- Vegetação espontânea

 

 

 

                                 
Maria Mortalha
Maria Mortalha
Cedo, deitou-se Maria, pronta pra logo morrer,
            vestindo a alva mortalha, sem medo de adormecer.
Os olhos tanto mais fundos, coroados por olheiras,
cerravam-se moribundos, nessa hora derradeira.
Implorando-lhe  ajuda, veio um moleque qualquer:
- Vó, apanha uma agulha, me tira o bicho do pé!
Servil, levanta a Maria, desvestindo a alva  mortalha
              e já mais morta que viva, o bicho, do pé, estraçalha.
Volta, esvaída,  Maria para o bom leito de morte,
quando lhe chega a nora , chorando a fome e a sorte.
Maria, do quarto, dormente, sai e  aquece o fogão,
serve-lhe o leite fervente e duros nacos de pão.
                Com a fome, então, saciada e o corpo fortalecido,
parte a jovem senhora com olhos agradecidos.
Maria, assim, novamente, põe-se no leito de  palha,
julgando que, certamente, não mais tiraria a mortalha.
E eis que lhe chega a vizinha com um pote tosco à mão.
Queria do sal, só um pouco, que lhe salgasse o feijão.
Maria  deixa o leito... que a Morte espere um instante...
pra atender a boa vizinha, ergueu-se, mesmo ofegante.
Bem cheio o pote de sal, a dona vai-se embora.
Maria, já fria, descora e aguarda, da Morte, a hora.
A Morte que vinha chegando, notou-a em pele ardente,
porém, percebeu  que a lida, tornara Maria valente.
Vendo a mulher à espera, recolhida em seu leito,
ordena que se  levante e atenda-a com medo no peito.
Maria coloca,  surpresa, os olhos esbugalhados
sobre as vestes que a Morte trazia em trapos rotos, rasgados.
A Morte impõe, soberana: - Sobreviva só mais um dia,
ainda que condenada, cosa-me  a capa, Maria!
E apontando-lhe as entranhas, ressecadas e vazias,
exige-lhe que, ao fogo, torne, o leite, que frio jazia.
Maria salta do leito, arranca a tal da mortalha
e sem mesura ou respeito, rebelde,  à Morte, detalha:
- Em face aos desmandos alheios,
            viverei mais  um ano e meio.
Maria da Graça Almeida

Índice Alessandra

 

 

 

Vegetação espontânea
Vegetação espontânea
Invejo  a independência
da vegetação espontânea,
que escolhe nascer 
onde melhor lhe aprouver.
Não é, milimetricamente, planejada,
nem, exaustivamente,  controlada.
Vive por viver, sem cobranças,
como e quanto quiser.
Habita jardins naturais
sem canteiros convencionais,
tem o céu por regador
e o sol por cobertor... ou não.
Larga-se livre e solta,
sem estacas, sem escoras,
deita as folhas ao chão
ou alto vai, céu afora...
Cava o próprio alimento
sem mistura ou complemento,
floresce sem norma ou padrão
e se espalha, lindamente,
sem limite, sem patrão...
                           
Maria da Graça Almeida

Índice Alessandra

 

 

 

A viagem do chão.
A viagem do chão.
O chão onde impune deslizo, 
o vento subtrai-me abrupto.
Leva-o em pó e em dança,
rijo, meu pé não descansa. 
Tristonha, tremo de frio
em ondas de arrepios,
pois seu caminho aéreo
é gelado, é etéreo!
Deslocando-o de mim,
transporta-o a ruas sem fim.
Os grãos que aqui  eu pisei,
acolá alguém pisará,
mas só eu sinto o vazio,
no giro, dos rodopios
que os levam 
a longínquas paisagens
deitando-os por outras paragens
( Pode parecer- lhes bobagem
dizer de um chão em viagem,
porém, é normal que o chão
viaje através de seus grãos.)
Maria da Graça Almeida

Índice Alessandra

 

Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal