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1 Conto editado

- Almanaque do povo sombra

1 Ensaio editado

- 2º Ensaio para IRC

A Casa da Irene

José Alves

Almanaque do Povo Sombra

 

Balança a pança de quem dança com uma lança

espetada nas costas.

 

Explodir ? Não Não Não!

- Está a chover !

 

não mordo

não como não beijo

Não quebro nem me vejo desvairado

a correr e a reclamar

qual gato tresloucado

preso por elásticos de borracha

cavalga

cavalga

corre corre

morre morre

salta

com a pata fofa na telha.

àgil sobre o fio da navalha

testas sempre o fim com três movimentos.

- Password aceite, estabelecendo laço.

João que tem estado a morder a Joana do bairro das flores 2 quarteirões mais abaixo, observou-me hoje e leu a pista sinuosa de pegadas na areia do Guincho antes que o vento soprasse mais forte,

foi uma descoberta emocionante e inovadora para o povo sombra quando no inicio da estrada que partia da praia foram encontrados os indícios antigos que ligavam as emoções à vida de um elemento do clã.

Rui encolheu os ombros e afirmou que não se recorda da onda que molhou os pés,

são rumores, parte de um passado obscuro em que ele não existiu,

O cientista desconhecido que possuía o nick pseudónimo de alguém anónimo

afirmou categoricamente que nós (o povo sombra) estamos perto que conhecer o fenómeno do nascimento dos poetas com uma teoria algo controversa envolvendo amor e analgésicos naturais.

José (o irmão de Joana) tinha-se dado ao abandono puro

dia após dia ao voltar do trabalho fechava-se no quarto onde observava em segredo as engrenagens minúsculas trabalhar musical da sua caixinha mecânica torcida pela manivela que forçava a mola por inércia.

Sua via apodrecia lentamente à medida que o frigorifico forma um cheiro nauseabundo que alastrou intemporalmente na boca dele... depois no estômago, ... depois nas belíssimas flores que ele tinha no seu jardinzinho... estrumado pelo esgoto do seu vizinho... um tal de Leonardo.

Leonardo tinha sérias dificuldades em manter um equilíbrio na sanidade dos seus quadros, ao mesmo tempo procurava esgotar com frequência todo o nectar que pudesse sugar das nascentes que por vezes encontra.

São nascentes que pertencem ao povo das fadas leite, mas essas são fáceis de enganar.

Por vezes o seu estomago enjoava de tanta água viva e afundava-o por longos periodos de obscuridade ele dependia desse desequilibrio para pintar, apesar de queixar-se com frequencia da dor.

Não perguntem a Leonardo o seu nome, ele não se conhece, não tem espelhos em casa nem descobriu ainda o dono das faces que pinta .

Semblantes baixos olhos enevoados na entrega dos sorrisos na ultima noite de jantar.

O povo sombra reuniu-se mais uma vez arrancou olhos e observou os individuos que liam em voz alta debaixo daquele foco de luz isolado, tão deliciosamente só.

algumas cores novas que encontrei antes de regressar ao ecrã do meu quarto em Lisboa. Antes de de regressar ao momento em que me perdi.

Regresso iminente ! A ligação foi terminada.

Rui Martins 15/04/2000

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2º ensaio para IRC 
2º ensaio para IRC 


Estou a ouvir pessoas . 
Sei que basta abrir a boca 
e falar 
para que todas aquelas cabeças se voltem. 

Mas não o vou fazer, 

sei que posso... mas não o faço. 
Saboreio a liberdade de poder 
mas não fazer 
e enclausurado neste pseudo-mundo sorrio 
sozinho. 

E eles 

continuam entusiasmados, afinal de contas, 
também estou 
aparentemente 
a ruminar lampadas. 
Estão completamente despertos na sua busca incessante 
(e já amesquinhada) 
por alguma ironia que mantenha o ar alegre. 
Mas para que prolongo a descrição do exterior se é tão vazio ? 
( pergunta retórica e seguramente poluição do que oiço ) 
Sim, as coisas mais simples são as mais dificeis de descrever. 

De-escrever o vazio e descrever o incognito. 
Descrever Lisboa 
vista do ar e desaguar no estuário com o rio 
lentamente ganhando consciencia do frio, 
do molhado, 
do cheiro, 
do sol e da sujidade... enriquecendo o sonho 
e construindo novas pontes para locais que não existem 
e que toda gente gostaria de atravessar. 

Sem distancia nem tempo, sem medidas. 
As suavidades são poços aglutinados de texturas catalogadas na memória inconsciente do sonho. 


Voltei ao exterior 
puxado pelas gargalhadas mais acentuadas dos colegas, 
para recordar-me que a palavra sonho não existiria sem a palavra pesadelo 
e que a vida felizmente tem muito de ambos. 

Rui Martins 

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