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Pacífico

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Página inaugurada em 18/04/2006

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3 Contos Editados

- A cobra e o lagarto

- A raposa e a abelha

- O coelhinho bravo e a cotovia

 

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Perfume de rosa e de mar

Foto de Pacífico

 

 

 

 

 

O Coelhinho Bravo e a Cotovia

 

Foi há muitos, muitos anos, no tempo em que os animais ainda falavam com os homens e uns com os outros.

Aconteceu numa aldeia que fica numa planície que se iniciava no sopé de uma montanha coberta de por carvalhos altos e antigos castanheiros centenários.

A aldeia era ladeada por uma ribeira onde corria entre pedras uma água cristalina, que provinha das nascentes da montanha.

Nas margens da ribeira estendiam-se pequenas hortas com seus canteiros feitos a rigor nas suas formas geométricas rectangulares de várias dimensões. As várias tonalidades feitas pelas couves rochas, lombardos verdes, os esteios de ervilhas de verde luminoso e de feijões de trepar, os alfobres de cenouras, de salsa e de coentros, mais pareciam os desenhos de um tapete persa.

A juntar a tudo isto destacavam-se aqui e além canteiros de Zínias multicores, dálias, sécias, cristas de galo, os miminhos das aldeãs donas das hortas, que faziam gala em enfeitar os espaços em volta dos poços de muretes caiados de branco.

Foi pois neste cenário de cores maravilhosas durante o dia e de uma serenidade celestial, que aconteceu o encontro do Coelhinho Bravo e da Cotovia.

O Coelhinho deixava todas as noites a sua toca no tronco de um velho castanheiro, para visitar as hortas onde abundavam deliciosos manjares nos canteiros e nos alfobres ,onde podia comer á vontade sem que seus donos desse por isso.

Numa bela manhã, já o Sol se levantava sem nuvens nem vento, era uma manha calma de uma temperatura tão agradável que nem lhe apetecia voltar para a toca no tronco do castanheiro.

O silêncio da madrugada deu lugar agora a um coro feito por rouxinóis, toutinegras reais, piscos de papo amarelo, que pulavam pelas balseiras que ladeavam a ribeira pardais que disputavam lugares nos choupos para fazerem seus ninhos e ainda as cotovias que se elevavam muito alto para cantar nas alturas afim de que mais longe pudessem ser ouvidas por seus pares

Foi então que o Coelho Bravo se pôs a olhar para uma Cotovia que por cima dele a mais trinta ou quarenta metros de altura cantava pairando que mais parecia suspensa por um cordel dependurado no céu.

O Coelhinho intrigado e curioso, olha para a Cotovia chama-a: - olá Cotovia, que fazes aí em cima, só a cantar, cantar; vem cá abaixo pois estou aqui sozinho nesta horta tão bonita e sossegada e assim pode fazer-me companhia.

A Cotovia não se fez rogada e vai daí em voo picado que parecia uma pedra a cair, em poucos segundos veio pousar em cima de um esteio do Feijão mesmo junto do Coelhinho.

-Olá Coelhinho, mostra-me a tua horta, já que me fizeste descer lá do alto onde até vi nascer o Sol.

- Muito obrigado pela tua simpatia, não te vais arrepender pois vou mostro-te o que de mais bonito e gostoso para comer tem nesta horta.

E continuando, olha aqui este alfobre de cenouras e ali outro de rabanetes, olha aquelas plantas pequeninas de folhas redondinhas de cor verde claro, sabes o que são ? Diz o Coelho piscando o olho e sorrindo repuxava para traz as sedas de seu bigode.

-Não, diz a Cotovia, mas pelo teu jeito deve ser uma guloseima das que tu gostas muito.

-Adivinhaste até certo ponto, embora não dissesses o nome, são ervilhas de trepar, ainda acabadinhas de nascer há poucos dias.

Gosto muito delas mas não as como todas para não dar um desgosto e deixar triste os donos desta horta.

- Mas que bom coração tu tens , já agora posso prová-las?

-Sim, mas não abuses, porque depois sou eu que fico na fama de as ter comido.

-Admiro a tua sensibilidade, ou então gostas muitos dos donos da horta, retorquiu a Cotovia encrespando sua poupa.

-Gosto muito deles sim, são um casalinho muito simpático.

-Ai sim, conta-me então o que sabes á cerca deles, diz a Cotovia já com os olhas a brilhar de feminina curiosidade.

-Olha são dois jovens que aparentam não ter ainda dezoito anos.

Ela é alta e pernas compridas, muito bem feitas, de cabelo preto farto meio ondulado, olhos grandes castanho-escuro mas muito brilhantes, de cintura muito delicada e uns seios que mais parece trazer dentro da blusa duas grandes melancias. Tem sempre um semblante sorridente e alegre de onde

A cotovia sortindo: tu és mesmo um malandro observador, não te escapa nada, já agora descreve-me o rapaz.

-Áaaah!,, O rapaz .... esse também é um belo exemplar de homem , é alto e bem constituído moreno de rosto oval, pernas e braços fortes, mas tem umas mãos delicadas de dedos compridos que nem parecem de agricultor, é alegre e sorridente... e sabes q mais? Parece muito apaixonado pela rapariga. Ele chama-se F e ela G.

-Que coisa curiosa,,, nunca ouvi tais nomes nos humanos,..será que estas enganado? Como sabes que têm esses nomes?

- Ora essa. tens dúvidas, então eu não os ouço falar quando estou aqui escondido na moita dos Crisântemos... meu querido F para cá, meu querido F para lá..é o que diz a moça, derretendo-se em miminhos para ele. E ele é minha querida G p’rá qui, minha querida G p’rá li enquanto lhe enche a cara de beijinhos .

- Gostava mesmo de conhecer esse simpático casalinho...diz a Cotovia que entretanto já tinha debicado umas quantas folhinhas de ervilheira.

-Se os queres conhecer aparece por aqui ao pôr-do-sol,,, pois é nessa hora que eles aparecem para regar a horta...mas falta ainda muito tempo.

A travessa da Cotovia diz então para o Coelhinho: - e se lhe pregássemos uma partida, uma surpresa para os dois?

- Boa... diz o Coelhinho nunca me tinha lembrado disso

-Vamos fazer um plano para que tudo dê certo...eu fico ali em cima no píncaro daquele choupo.

-Sim, e eu escondo-me aqui dentro desta moita de crisântemos floridos.

-Sim e depois....que fazemos? deves ser tu .a conduzir a estratégia pois conheces melhor estas paragens.

-Olha eles costumam sentar-se neste banco de pedra depois de regarem a horta e ficam a namorar até que a Lua apareça.

- Olha sabes que vou fazer? vou pousar no ombro do rapaz e quando ele for beijar a moça pico-lhe numa orelha.

-isso mesmo e eu salto para o colo da moça e quando eles se beijarem faço-lhe cócegas nas pernas.

Vai ser muito divertido disseram ambos rindo muito.

Tá combinado, diz a Cotovia, eu cá estarei antes do pôr-do-sol.

-Até logo Cotovia linda e não te esqueças de trazer essa poupinha bem arrebitada.

-Até logo Coelhinho, traz um pelo lustroso e os bigodes bem penteados.

A Cotovia levantou voo dirigindo-se para umas «terras » de restolho de trigo ceifado recentemente e onde abundavam sementes de Saramago e ervilhacas miudinhas que faziam seu petisco predilecto, enquanto o Coelhinho vendo que se aproximava o calor ,saltitou em direcção á floresta para fazer uma boa sesta á sombra dos castanheiros.

O Sol baixou e já a sombra dos choupos chegava junto do poço onde havia uma picota. O Coelhinho Bravo e a Cotovia foram pontuais e cada um tomou seu o lugar conforme combinado.

F e a G .descem o carreiro ladeado por parreiras de cepas moscatel e apareceram de mão dada e muito sorridentes ,dirigem-se para o poço da picota..

Ele começa a tirar água com a picota, ia enchendo o regador enquanto ela ia regando os alfobres das cenouras, dos coentros, da salsa, dos agriões e outras variedades hortícolas que eram muitas

Findo o trabalho, já um tanto cansados, sentaram-se os dois no banco de pedra e olhavam-se embevecidamente pegando as mãos um do outro.

Nisto escutam um canto de Cotovia, e mal sabendo o F que se tratava de um sinal ,: que coisa estranha uma Cotovia a cantar desta maneira a esta hora...pois este canto é canto da manhã quando nasce o Sol, diz o F um tanto intrigado com o caso.

-Mas quem te diz que as Cotovias não podem cantar ao pôr-do-sol, quem sabe se ela esta a chamar o seu companheiro, para ambos irem para o ninho, diz a G com um sorriso brejeiro.

-Quem sabe? retorquiu o F que entendeu a mensagem da G e aproximava o seu rosto do dela.

-Ouço uma coisa a farfalhar na moita dos crisântemos diz a G um pouco assustada encostando-se mais .

- Não te assustes nesta horta não existe bichos que nos possa fazer mal, quando muito poderá ser um coelhito ou um ouriço-cacheiro.

Ainda o F falava e já a Cotovia voava em sua direcção e pousou suavemente no seu ombro, enquanto o Coelhinho saltava em frente da G.

-Olha que bonito já viste F...devia ser este que farfalhava dentro das Crisântemos!!!

- Sim vejo.. e olha a marota desta Cotovia que cantava no choupo onde veio pousar??

Estavam ambos felicíssimos, pois já há tanto tempo que iam á horta e nunca tinham tido visitas tão agradáveis e simpáticas.

O Coelhinho continuava saltitando em frente da G e a Cotovia ia puxando com o bico os cabelos do F.

O Sol tinha já se escondido e como era dia de lua-cheia, esta já se levantava no horizonte e aspergindo a suavidade da sua luz sobre toda a planície.

O F e a Gi não resistem a tamanho encantamento, a Cotovia ,o Coelhinho , a Lua,,, o coaxar das Rãs ,era tanto o fascínio do momento que uniram suas bocas envolvendo-se nos braços um do outro alheando-se totalmente da Cotovia e do Coelhinho.

Mas Coelhinho e a Cotovia não estavam esquecidos da travessura que tinham combinado fazer...e quando o F e a G. estavam ambos no mundo dos sonhos e quando menos esperavam a Cotovia pica na orelha do F e o Coelhinho de um salto se coloca no colo da G.

Ambos se assustam e interrompem aquele beijo delicioso que os transportava a um mar de sonhos.

A Cotovia não se conteve e soltou um canto de notas agudas e melodiosas e o Coelhinho deu saltos acrobáticos e guinchou em frente da G.

A Cotovia diz então para o Coelhinho....não achas melhor irmos embora e deixar este parzinho amoroso desfrutar desta noite de luar tão bonito .

O Coelhinho não se fez esperar mas interesseiro como é logo aproveitou,

-Sim podemos ir mas só se o F prometer me deixa pastar á vontade na sua horta e não põe mais insecticidas nas couves para não me fazer doer a barriga.

-É só isso que pretendes diz o F...tá combinado podes pastar aqui na minha horta á tua vontade, mas proíbo-te de saltares para o colo da G.

-Ai dele que não cumpra o prometido. Não lhe dou mais beijinhos. diz a G...

-E eu que acredito mesmo nisso cantou a Cotovia....apaixonada como tu estás....

O coelhinho deu mais uns saltinhos e desatou a correr em direcção á floresta e a Cotovia voou para o lado da Lua.

O F e a G... ali ficaram e ninguém sabe ao certo até que horas estiveram sentadas no banco junto do poço.

 

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A Cobra e o Lagarto

 

Era uma vez uma Cobra Malhada e um Lagarto Pintado, ambos partilhavam o mesmo carreiro para atravessarem da zona dos silvados para irem á horta do «Tio José».

O Ti Zé já tinha assistido a várias escaramuças entre eles, pois de há muito sabia que cobra e lagarto não se podem ver e tem uma raiva de morte um pelo outro.

Naquele dia ficou muito preocupado, pois olhando para o carril poeirento, viu o rasto das patas do Lagarto e o ondulado deixado pela Cobra.

Deduziu de imediato, que ambos estavam a usar o mesmo trilho e mais tarde ou mais cedo iam encontrar-se se seria uma desgraça.

Para evitar que eles se matassem um ao outro, um dia esperou pelo Cobra para lhe falar.

Era uma cobra bem lustrosa e bem tratada, media perto de um metro de comprimento, era acinzentada de listas castanhas e tinha uns olhos que brilhavam como dois diamantes.

Quando a cobra saiu de traz do Marmeleiro, mandou-a parar e falou com ela dizendo:

- Cobra Malhada, gosto muito de ti e gosto que passes pela minha horta, sei que apanhas os ratos que andam por lá a roer as minhas batatas, mas aconselho a que não passes por este carreiro, pois também passa por aqui o Lagarto Pintado, que é muito mau e pode dar cabo de ti.

A cobra não gostou e retorquiu:

-Isso é que era bom….ele que experimente a enfrentar-me, vai ver que nunca mais come escaravelhos.

Mas o dono da horta insiste:

-Olha que é melhor um acordo que uma boa guerra,

eu sei que dum confronto entre vocês, poderá resultar uma desgraça para ambos e eu preciso do Lagarto Pintado para comer os escaravelhos que infestam a minha horta, e de ti para que os ratos não me comam as batatas-doces.

A cobra foi-se embora sem dar mais resposta e o Ti Zé, apreensivo foi dar uma volta pela horta é procura do lagarto.

Encontrou-o refastelado ao Sol, num carril poeirento que conduzia até á nora.

Era um belo exemplar, tinha perto de 40 cm de comprimento, estava gordo pois tinha comida com fartura naquela horta.

Como tinha mudado de pele há pouco tempo estava verde com pintas pretas, amarelas e azuis, de olhos grandes e brilhantes.

O Ti Zé, aproxima-se e começa falar com ele:

-Lagarto Pintado, tenho muito gosto de te ver por aqui, vejo que estás gordo e tens a barriga cheia de escaravelhos.

O lagarto espreguiça-se, levanta o pescoço abriu a sua grande boca que até deixava ver o rosado do fundo da garganta e diz:

- E eu também gosto muito de passear pela tua horta, aqui há de tudo, borboletas pachorrentas que se deixam apanhar, joaninhas distraídas e escaravelhos preguiçosos, que só servem para te roer as ramas das batateiras, mas vou dando conta deles todos.

- Muito bem, continua o Ti Zé, mas tenho uma recomendação a fazer-te.

Eu sei que passas pelo mesmo carreiro que a Cobra Malhada, e isso pode dar problemas, pois eu sei da raiva que existe entre as vossas famílias.

O lagarto não se fez esperar e responde:

-Ela que não se atreva a cruzar-se comigo, pois lhe esmago a cabeça em menos de nada.

O Ti Zé...homem experiente e de bom senso, continua:

-Lagarto Pintado, pensa bem no que te digo. A horta é grande e o «carreiro dos silvados» também, tu bem sabes que tem um Marmeleiro a meio, onde passaste ainda hoje. Aconselho-te a que passes pela lado sul do Marmeleiro e deixando o caminho livre para a Cobra Malhada do lado norte.

O lagarto dando ao rabo, ri-se do Ti Zé, e sem lhe prestar mais atenção foi-se embora.

Passados algumas semanas, á hora da sesta ,uma hora em que estava muito calor, o Ti Zé ,lembrou-se que é nestas horas de calor que as cobras e lagartos gostam de passear e resolveu também ele ir até á horta ver o que passava por lá.

Seguia pelo carreiro habitual,...e olhando ao longe avista um vulto no trilho empoeirado, que parecia um novelo de corda.

De imediato teve um mau pressentimento e apressou o passo para ver o que era aquele misterioso vulto.

Ao chegar junto do Marmeleiro, viu que era a Cobra Malhada toda feita num novelo, não se descobrindo onde tinha a cabeça.

Na esperança de salvar a situação que temia, começou a desenrolar a Cobra puxando-a com jeito, mas á medida que desenrolava a cobra foi descobrindo o corpo do Lagarto Pintado que estava no meio do novelo.

Desconsolado, verifica que ambos tinham já morrido …a cobra morreu asfixiada com meio a cabeça dentro da boca do lagarto e este não resistiu ao esmagamento a que foi sujeito pelo aperto da cobra em volta de seu corpo.

Nunca se deve desprezar uma proposta de acordo,,,,é sempre preferível um acordo ,ainda que não seja o ideal, a uma guerra cujos resultados são sempre desastrosos.

 

     

 

 

 

A Raposa e a Abelha

 

Certo dia numa Floresta, a Raposa encontrou uma Abelha começaram a conversar sobre quem seriam os mais fortes, se os animais que corriam pela Floresta e os que nadavam nos lagos e nos rios ou os que voavam pelo ar e pousavam nas plantas e nas árvores.

A Raposa dizia que todos os animais terrestres e os peixes eram mais fortes, a Abelha dizia que todas as aves e os insectos eram os mais fortes.

Como não chagavam a acordo, a Raposa. disse:

-Proponho uma batalha entre todos os animais terrestres contra vocês que voam e os andam pelas árvores, veremos então quem são os mais fortes.

A Raposa pensava que a Abelha se assustava e não aceitava a batalha, mas esta disse prontamente:

-Está aceite a tua proposta, vamos marcar já o local para a batalha, e mais ainda, quem ganhar a batalha terá direito a eleger o Rei da Floresta.

-Esta aceite diz a Raposa toda contente espetando as orelhas elevando a sua cauda peluda e agitando-a de um lado para o outro.

Este pormenor não escapou á abelha, que dele tomou boa nota.

A Raposa volta-se para traz e pergunta, onde queres então que façamos a batalha?

até te dou a preferência de escolher o local.

Então escolho a Grande Clareira que fica no meio da Floresta de Carvalhos, respondeu a Abelha.

A Raposa dá uma gargalhada e continuando a abanar com a sua cauda peluda .

-Muito bem está aceite, e vou já mandar reunir o meu exército.

A Abelha não disse mais palavra, ouviu-se um zumbido e fugiu á força toda.

Enquanto a Raposa, chamava por todos os animais terrestres, Cobras , Lagartos, Ratos, Elefantes, Rinocerontes, Leões, Lobos e todos os outros animais que pastavam por aquelas bandas, a Abelha foi convocar todas Aves e Insectos voadores ., Moscas , Mosquitos, Gafanhotos, Vespas, Borboletas, Águias , Papagaios, Periquitos, Pardais e toda a restante passarada.

A Raposa convidou o Leão para comandar os animais terrestres .

O Leão aceitou mas na condição da Raposa ir á frente para dar as ordens de ataque e foram treinar a batalha na tal clareira escolhida .

A Abelha, também reuniu a assembleia de toda a bicharada voadora ,para escolherem a estratégia a adoptar e quem seria o comandante, tendo sido eleita a Abelha Mestra e como sua ajudante a Vespa da barriga ás riscas pretas e amarelas.

Com estava presente o Mosquito ,este disse:- Fiquem aqui todos ,não saiam daqui nem façam nada enquanto eu não regressar e voou a toda a pressa para fora do acampamento.

Todos ficaram espantados e perguntaram á Abelha se seria de dar crédito ao Mosquito, ao que ela respondeu.

-O Mosquito ,e muito esperto, vamos esperar pois acredito muito nele.

E assim foi, passados poucos minutos aí estava o Mosquito de volta e todos fizeram silêncio para ouvir que novidades trazia.

Então o Mosquito começa a contar a imensidão de animais de todos os tamanhos e todos estavam a ficar aterrorizados.

- E que mais viste tú,? inquiriu a Abelha Mestra.

-Ví a Raposa de rabo peludo em frente de todos e que dizia para o Leão, eu vou na frente enquanto eu tivera minha cauda bem levantada e acenar de uma lado para outro, é porque tudo corre bem e vamos atacar, se eu baixar a cauda é sinal de retirada, perceberam todos?

O silêncio continuava e a Abelha Mestra, disse :

-Já sei como vamos ganhar a batalha, fiquem aí todos sossegados enquanto eu vou falar com a Vespa das riscas amarelas e pretas.

E assim foi, recolhem-se para dentro de um tronco de uma árvore velha e ambas combinaram em segredo a estratégia que só as duas ficaram a saber.

Tendo chegado o dia da batalha, ouvia-se de um lado da Clareira de Carvalhos, um rugido enorme de todos os animais terrestres que mais parecia o rugir do Mar revolto em dia de tempestade , e do outro lado estavam toas as aves e todos os insectos, que faziam um zumbido intenso ,ensurdecedor ,que parecia um tornado ou um furacão.

A Raposa entra na Clareira de ar triunfante abanado sempre a sua cauda peluda levanta, e era seguida pelos Leões.

A Abelha que seguia muito perto da Vespa deu-lhe ordem de ataque e esta não se fez esperar, vai direitinha á Raposa e prega-lhe uma valente ferroada mesmo na pontinha da sua cauda peluda.

A Raposa contorcendo-se com dores baixou a cauda, colocando-a entre as pernas.

Vendo isto o Leões sabiam que aquele era o sinal de fugir, voltaram para trás debandando em grande correia e atrás deles foram todos os animais terrestres.

Assim a batalha foi ganha pelos Insectos e pelas Aves sem necessidade de recurso à força e à violência, e

a partir dessa data ocuparam a Clareira deliciando-se com o Sol e as Flores que sempre abundavam por ali durante todo o ano.

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