Noite

Summernight

sou um autómato
à deriva no trânsito
reajo a cores
a apitos
e buzinas

Sou um autómato
sem imaginação
sempre no mesmo caminho
nos mesmos gestos
e expressões

sou um autómato
desde que me levanto
até ao sol pôr

mas aí
a vida é minha
sou então um génio
de mil imaginações
em turbilhão
vivo tentações
encho corações

meu mundo deixa de ser cinzento
para ser de branco linho
deixo de ser comandado
passo a comandar
sigo os instintos
os meus
e os dela
deixa de haver luzes
mas estrelas
não mais stress
mas sol
não mais trânsito
mas horizontes
prontos a serem penetrados
rasgados
amados

a noite é minha aliada
minha única amiga
a única que me entende
por isso gosto de ti
Noite...

[Poeta], 1999/12