Asas do segredo

Sindroma

Enganam-se os teus dedos de veludo
Quando pintas as rugas do olhar
Nem os pincéis dos dedos pintam tudo
Nem os olhos se deixam enganar

Nem sempre uso caraça no Entrudo
Nem sempre rio para te agradar
Vejo sorrisos a que não me grudo
Nem "cola tudo" me pode agarrar

Embora às vezes eu não queira ir
Quando voar eu voarei sem medo
As minhas asas nunca irão cair

Usei as penas desde muito cedo
E se há segredos que não sei fingir
Volto a sorrir nas asas do segredo

João Moutinho
Jan 2000