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 Ma.Luiza maluiza@yahoo.com.br

Página actualizada em 06/06/2006

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O livro Lilás

Notícia

13 Poemas Editados

- A flor

- A menina que brinca com flores

- Amor de séculos

- Amora madura

- Ato declaratório

- Auto retrato

- Avesso do espelho

- Carícia dos teus versos

- Corpos de poesia

- Dança das palavras

- Estágios do coração

- Sou como a Lua

- Sou desses poemas

 

 

Ma.Luiza

     

 

Notícia

 

Editora gaúcha estréia com livro de poesia na Feira do Livro de Gramado.

No dia 17 de junho às 16 horas na X Feira do Livro de Gramado, será lançada oficialmente a Editora Letras em Cores com uma tarde de autógrafos do livro “Lilás”, coletânea de poesias da gaúcha Maria Luiza Kuhn.

Segundo a autora e também proprietária do novo selo, a “Letras em Cores" propõe-se à trabalhar com o melhor da literatura gaúcha, garimpando ouro entre os novatos e alavancando autores veteranos”.

Seu primeiro lançamento, Lilás, é uma seleção de poemas publicados durante os últimos quinze anos em diversos sites do Brasil e de Portugal e alguns inéditos.

Maria Luiza Kuhn, gaúcha de Três de Maio, radicada em Gramado ,se auto define como advogada por formação, administradora por profissão e poetisa por vocação.

Sobre Lilás, Cassiano Santos Cabral, poeta gramadense, comenta que “a poesia de Maria Luiza revela lirismo fluente e sensibilidade à flor da pele. A inquietude da poetisa é um convite a reflexão quanto aos valores mais nobres do ser humano, um vôo ao infinito onde se descortina um céu azulado de paz, com tons de lilás e, sobretudo paixão pela vida e pelo Homem, na sua essência mais profunda

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A capa

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Amora madura

 

Beija-me como se eu fosse

a definitiva mulher

Observa-me como se eu fosse

Uma rara escultura

Faz-me tantas e tantas

Declarações de amor

E de tantas formas me acarinha

Passa a mão na minha pele

Sussurra segredos

Que deseja gritar ao mundo

Que eu vou ficando

Rubra como amora madura

Mas todo o sumo chora nos meus olhos

Porque o meu coração

É feito de inquietas asas

E o teu feito de porto seguro

 

Ma.Luiza/Setembro 2004

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CARICIA DOS TEUS VERSOS

 

Reverso da minha aparência

Avesso da minha pele

Quando chegas

Para ocupar os meus abraços

Recebo as carícias dos teus versos

Fazendo harmonia nos meus arrepios

Ouço as novas floradas

E sinto os ventos da tua voz.

 

Ma. Luiza/setembro 2004

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Auto Retrato

 

Junto as letras

Porque gosto

Junto cacos

Senão feneço

Pinto paredes

Para crer

Molho plantas

Para viver

Janto por ritual

Teço fibras

Porque é da faina

Danço porque me apraz

Beijo na boca

Sexo

Adrenalina e endorfina

Choro, para

Lavar a indignação

Junto as letras

Porque gosto

Abraço para reconfortar

E reencontrar

Falo para juntar as letras

Antes da poesia

Silencio para

Ouvir tempestades e bonança

Desnudo-me porque me entrego

Visto-me por que levanto

E renasço

Acredito todos os dias

Levanto e junto as letras

 

Ma.Luiza/ outubro 2002

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Estágios do Coração

 

Meu coração

Vira borboleta

E sai a se borboletear

Pelos jardins

Pelos gramados

Esfrega os pés no chão

Cheira os cheiros da terra

Aí vira um vaga-lume

E engana os passantes

Com o seu pisca-pisca

Saltita ora aqui ora acolá

E apenas descobre o sabor de viver

Aí ele vira uma taça de champanhe

Borbulhante, brilhante cristalizante

E explode em êxtase

Mas tudo isso vai passando

E ai meu coração se transforma

perigosamente em saci-perere

Saltita na sua única perna

E espreita nas mais inesperadas ruelas

E gargalha sua mais

Irônicas gargalhadas

Quando retorno ao corpo

Já não é mais o mesmo

Criou luzes, gostos

E asas próprias.

 

1994/Ma.|Luiza

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SOU COMO A LUA

 

Na minguante me escondo

Porque é terça-feira

Na cheia

Sou a amante

Me mostro todinha

peito empinado

Ventre molhado

Na lua nova

É quinta-feira

Sou a mulher

Que faz a feira

Na crescente

Sou pura virtude

Ando na linha

Sem trem ou metrô

Desfilo na rua

Peito empinado

Cabelo penteado

Sou como a lua

Cheia de fases

 

Junho/2003

Ma.Luiza

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SOU DESSES POEMAS

 

Pode me procurar

Num boteco

Numa voz

Num violão

Sou desses poemas

Ambulantes

Que de bobo se torna errante

Mas pode me procurar

No sonho

Na fagulha do cético

Estarei na boca do povo

Sou desses poemas

Que se apropria

Da alma dos amantes

Que gosta de rima

Que gosta de métrica

E da vida meio elétrica

Sou desses poemas

Inquietos

Eternos

Trôpegos

Que vertem

Sem pedir licença

 

Ma.Luiza Agosto/2004

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A FLOR 

Na avenida
Ensangüentada de emoções
Dança de corações
desconhecidos
Descompassados
De um lado  concreto 
Espelho, poder e domínio
De outro, a árvore,
Singela  e guerreira
sobrevive
Devolvendo ao homem
A essência da sua cor
Quando passo,  sentindo
Generosa e perfumada sombra
no calor do meio dia
Abafado pelo asfalto sem fim
Ela lembra de mim...
Derruba uma flor
Qual fruto maduro
Escarlate e cheiroso
Por sorte,  estás ao meu lado
Ao alcance da minha mão
E juntos festejamos
Já não estamos sós.
Flor e poesia
Nos fazem companhia.


Ma.Luiza/2006

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A menina que brinca com flores!


Brincava com pétalas caídas
Armando versos 
Com a púrpura da cor
Esperava seu amor...
Tempo conjugado na condicional
De um sentimento incondicional.

Ma.Luiza/2006

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AMOR DE SÉCULOS

Quando o amor eclodiu
No meu umbigo eterno
Era limiar de outro século
Não situei 
Mas encontrei entranhas
Mornas, bordadas de conforto
Borboletas brotaram dos meus poros
E as asas explodiram em cores novas 
Inventadas
E o século virou do avesso
Saiu do preto e branco
E outras coloridas asas
Vieram habitar o meu ser.

Março/2004

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ATO DECLARATORIO

Alguns já avisaram
Cuidado com os poetas!
Eu em verdade
Vos digo:
Cuidado com os poemas
Eles são atos declaratórios
São sentenças
Vaticinadas
Vacinadas
Vivificadas.
Poetas com seus poemas
Viajam ao céu 
Nos seus ápices
Visitam o inferno
Em noites de lua cheia
Poeta é absolutista
É louco
Não aceita o limbo
É luz , é fogo
Seduz, conduz
Poeta sabe lá de custos?
Ele se atira no abismo
Compra estrelas
Nem sabe ele que não estão à venda.
Não anda de charrete
Engana
Anda sempre de trem bala
De avião
Pega carona 
Nas asas dos anjos,
dos pássaros
Poetas e poemas
São sempre 
Atos Declaratórios
Senão condenatórios.

Ma.Luiza/dezembro 2004

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AVESSO DO ESPELHO


Por muito menos
Já joguei xadrez
Fiz caminho, ajoelhei.

Por muito menos
Já perdi a cabeça
Fiz apostas e escolhas

Por muito mais de você
Posso fazer

Rimas nos juntam
Num tribal conjugal
O espelho do avesso
Eu exposta ao vento
E você todo sol

Ma.Luiza/julho 2004

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Corpos de poesia!


Poeta por vezes
Se perde nas letras
Não combina sons
Não encontra ritmo
Nem rima pobre.
Se desconcerta
Poeta por vezes depõe
Vogais e consoantes
Restam só interjeições
Interrogações...
Suspiros que continuam
Dentro do coração
Este sim,  persistindo
A navegar na poesia.
Escrita pedindo trégua!
Mas ela volta
A palavra
Sempre volta!


Ma. Luiza/2006

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Dança das Palavras

Anunciou-se:
Haveria uma festa só para as palavras
Prometia animação
O salão estava iluminado
Muitos poetas neste dia
Escolheriam as mais amadas
Mais animadas
Mais enfeitadas
Quem sabe até as desposariam!
Palavrinhas compraram vestido novo
Algumas estavam tímidas
Era a sua primeira Valsa
Outras eram mais maduras
Mais expostas
Arriscaram novas maquiagens
Outras andavam meio enfadonhas
Tiraram o mofo
E vieram à festa
Palavrinhas, muitas tão delicadas!
As das virtudes
Da beleza
Do amor
Das cores
Foram chegando
Elegantemente trajadas
Algumas birrentas também vieram
As invejosas ficaram em casa
Algumas mais ousadas
mais safadas
e até perfumadas
Completaram o bando
E aí tudo começou:
bailavam, rodavam
sorriam, as palavras!
Os poetas enlouqueceram
Diante de tamanho êxtase 
Se quedaram a admirar
Se embebedaram de tantas
Mas não as ousaram tocar
O espetáculo nada mais carecia
Era só dança!
A dança das palavras.! 

Ma.Luiza dez 2004

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