Estas mãos que teimam em se abrir

 

Eugénio de Sá

 

À porta escancarada desta alma

Espera a esperança de te ver chegar

Virás tu decidida, fria e calma

Ou beijando a manhã, voando em vez de andar?

Será que ganha a estúpida razão

Embotada de receios inertes

Ou deixarás que vença o coração

Abrindo-o à ventura que despertes?

Porque hesitas, amor,

Que males te podem vir

Das carícias guardadas no calor

Destas mãos que teimam em se abrir?

 

 

Eugénio de Sá

 

 

Declamação de João Moutinho