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"MEMORIAS DO ROCK PORTUGUÊS"

Aristides Duarte

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- Press Realese

- A história desconhecida das "Memórias"

- Rockolagem

- A Pastilha

- Anda Daí

- Capa do single de João Moutinho - A Pastilha - Rockolagem

- Entrevista de Aristides Duarte a João Moutinho para o Semanário Nova Guarda

Versão de Kids, música dos English Boys

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PRESS REALEASE

Aristides Duarte vai lançar no próximo dia 8 de Abril o seu primeiro livro.

Trata-se de uma obra com 200 páginas, incluindo biografias de 52 bandas portuguesas de Rock (organizadas por ordem alfabética- de A a X) e a história sucinta da música moderna portuguesa, desde os anos 60 até aos nossos dias.

Intitulada "Memórias do Rock Português", a obra é prefaciada por António Manuel Ribeiro (líder dos UHF) e contém ainda reportagens de concertos, uma entrevista a uma banda jovem e muitas fotografias de concertos.

Algumas das biografias já foram publicadas no semanário "Nova Guarda" na secção "Em Nome das Folias", sendo agora compiladas, quando o semanário completa o seu décimo aniversário.

A sessão de lançamento está marcada para o dia 8 de Abril, pelas 16 horas, na Sala Santa Isabel, do Raihotel, no Sabugal.

Aristides Duarte, natural de Soito (Sabugal) é professor do 1.º Ciclo Ciclo do Ensino Básico, tendo concluído o seu curso na Escola do Magistério Primário da Guarda. Em 2004 terminou os complementos de formação e adquiriu o grau de licenciado, na Escola Superior de Educação da Guarda.

Desde jovem que se interessa pela música em geral e, particularmente, pelo Rock português.

Em 1998 foi convidado por António Pissarra, director do semanário "Nova Guarda", a escrever artigos sobre música no jornal.

A apresentação do livro estará a cargo de João Carlos Callixto, profundo conhecedor da música portuguesa de todos os tempos, apesar de ainda, relativamente, jovem.

Foi João Carlos Callixto o organizador do livro "Na Terra dos Sonhos" de Jorge Palma, o ano passado editado pela editora Quasi, num trabalho de pesquisa louvável, a todos os títulos.

Esta obra será, certamente, uma referência para as novas gerações que irão ser elucidadas sobre muitas situações referentes à música moderna portuguesa e, também, um recanto de nostalgia para os mais velhos que recordarão os seus tempos de juventude e se verão retratados em muitas das referências nela contidas.

A obra vem colmatar a falta de informação sobre o fenómeno Rock português, já que a última obra do género foi lançada em 1984 e, há muito, se encontra esgotada.

 

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A história desconhecida das "Memórias"

Para minha grande surpresa e, porque não dizer satisfação e orgulho, vejo incluído nestas "Memórias" o meu primeiro single de 1981 constítuido pelas canções ROCKOLAGEM e A PASTILHA.

Sem o Aristides Duarte sequer imaginar ofereceu-me uma belíssima prenda de "Bodas de Prata", nestas andanças dos discos, cuja única forma de agradecer é poder, humildemente, fazer a promoção do seu livro, neste humilde site, um tributo pessoal que todos os que estão incluídos nesta obra, não duvido, agradecerão.

A história do meu single incluído nas "Memórias" é muito original pelo que não me eximo de puxar pela memória e tentar contá-la em toda a sua extensão.

Depois de 17 anos de "música de baile" resolvi encostar às "bocks", parar com aquela loucura de andar de amplificadores às costas por este país inteiro, cantar horas e horas a fio, a troco de uns míseros escudos que, muitas vezes, nem davam para pagar os aparelhos necessários para uma "razoável" prestação musical. A minha última prestação a nível de vocalista de grupo de baile terminou na Passagem do Ano de 1980 para 1981. Curiosamente a minha banda tinha sido contratada pelo Partido Comunista Português para actuarmos no Pavilhão da Académica da Amadora. Como o Pavilhão era enorme, a nossa humilde aparelhagem não teria capacidade para encher de som o enorme pavilhão. Então o PCP pediu emprestado o P.A. (Public Adress System) ao Luis Cília.

A minha modesta aparelhagem de vozes serviu nesse dia de munição para o nosso baterista. Enfim um luxo enorme naqueles tempos. Eu tive pela primeira vez ao longo daqueles 17 anos a possibilidade de me ouvir através de monitores que estavam virados para mim. Senti-me nas nuvens. Nunca me tinha ouvido tão bem. Os meus próprios colegas de banda estavam espantados com a prestação que fiz naquela noite, eles que diziam que a minha voz estava gasta e não tinha mais hipóteses como vocalista. Ao fim de 10 horas seguidas de canções, de muito rock, de muita marcha brasileira de carnaval, estava muito satisfeito. Afinal não era eu que estava mal, era a aparelhagem que não tinha condições.

A resolução tinha sido tomada antes desta última experiência e troquei a minha aparelhagem de vozes, uma HH razoável de 200 watts, por um carro NSU Prinz, e julguei ter terminado aí a minha aventura musical. Puro engano.

Em alguns dos nossos últimos ensaios resolvemos experimentar algumas músicas originais com poemas em português de minha autoria, motivados pelo programa do Luís Filipe Barros, o Rock em Stock, que passava na Rádio Comercial. Gravámos num pequeno gravador de trazer por casa umas quantas canções. Recordo-me que uma delas chegou a passar no programa mas por aí se ficou a aventura.

Um dia de manhã muito cedo para mim, 7h sou acordado pela minha esposa que me disse assim: "João tens a mania que escreves ouve o programa que está a passar". Acordei meio estremunhado e fui ouvir o programa das 7 às 10 do Luís Pereira de Sousa que pedia muito afincadamente aos ouvintes uma versão em Português, cujos direitos reverteriam para oferecer à UNICEF, duma canção dos ENGLISH BOYS que versava o tema dos diminuídos físicos.

Estavam a passar o original cantado. Peguei no gravador e gravei a versão original. Escrevi, entretanto uma letra sobre o tema. Uma ideia louca veio-me à cabeça na altura: Se estes "gajos" passassem apenas o instrumental, talvez eu conseguisse fazer uma gravação caseira já em português. Telefonei à Rádio e satisfizeram esse pedido. O promotor da Editora Gira, tinha com ele a bobine do instrumental e passaram. Eu gravei o instrumental e, com um daqueles gravadores que têm micros incorporados, coloquei o instrumental a passar na minha aparelhagem caseira e cantei para o gravador a versão portuguesa.

Não me desgostou o resultado e disse à Graça, minha mulher, vou à Rádio Comercial mostrar isto. Resposta: "Tu és mesmo doido". Cheguei à RC às 9h30m. Disse ao que ía. Deixaram-me entrar e o promotor da Editora perguntou o que eu queria. Disse-lhe: Tenho aqui uma versão da canção que pedem já em português e cantada. Ele disse: "Mas o concurso é apenas de letras". Eu respondi: Na gravação está a letra se interessar, ok!.

O Promotor foi falar com o Luís Pereira de Sousa o radialista e contou a história. A música passou ainda nesse dia. O concurso morreu por ali. O ANDA DAÍ que eu tinha escrito em cima da música dos ENGLISH BOYS, na opinião deles, e como se diz actualmente "arrasou".

O Concurso que servia também de lançamento para a Editora Gira tinha como prémio a gravação de um single com a letra vencedora. Nunca se chegou a realizar, nem o concurso, nem a gravação.

Além da gravação do ANDA DAÍ eu tinha levado comigo uma cassete com as gravações de garagem da minha antiga banda, onde se encontravam a ROCKOLAGEM e A PASTILHA. O promotor da editora, curioso, perguntou-me se eu tinha mais alguma coisa e mostrei-lhe a cassete. Foi ouvida logo ali na Rádio Comercial.

Pouco tempo depois quiseram que eu gravasse não o ANDA DAÍ mas a ROCKOLAGEM e A PASTILHA. Fiquei meio atrapalhado, porque já não tinha banda mas, fui falar com eles e aceitaram ir para estúdio fazer as duas canções. Era o "Boom" do Rock Português que este livro relata bem "MEMÓRIAS DO ROCK PORTUGUÊS".

Para os músicos de baile, a hipótese de gravar um disco era alguma coisa impensável naqueles anos. Fomos para estúdio sem produtor, coisa rara naquela altura. Era mais ou menos o "salve-se quem puder" o "mostra o que vales". Deram-nos dois dias de estúdio.

Nunca mais me esquece, o meu amigo MORENO PINTO, um dos mais consagrados técnicos de som nacionais, viu ali aqueles 5 "putos" sem qualquer experiência de estúdio a tentar gravar 2 canções e sorria um sorriso muito terno, muito "pai". Não sei se simpatizou comigo. Conversámos um pouco e ele disse: Eh! Pá! isto está muito cru, precisa de uns truques! Eu disse-lhe: Amigo, estamos nas suas mãos, não temos experiência e, como vê não está ninguém da Editora, ajude-nos como a sua consciência ditar.

Ajudou muito, rodou aqueles botões todos. Tentou, voltou a trás, experimentou de novo e, finalmente, foi ele que produziu e fez as misturas finais.

Estávamos na lua. Tínhamos na mão a hipótese de um disco. Arranjou-se até nome para a nova banda. Seria a "banda desenhada". Já não me recordo bem mas gerou-se a propósito nem sei de quê, uma discussão louca entre os músicos, e resolveram não seguir com o mini projecto. A banda desfez-se, mas as gravações estavam feitas.

No final do 2º dia, já nas misturas finais, aparece o promotor da Editora, muito atarefado a perguntar como as coisas tinham corrido. Posto ao par do que se tinha passado com a banda, ele perguntou-me se eu não me importava de dar apenas o meu nome. As canções eram minhas, musica e letra e disse que não me importava.

Resolvido isso o Promotor foi ter com o MORENO PINTO o técnico de som e simultaneamente produtor do disco e pediu-lhe se lhe podia dar uma bobine de promoção, porque ele tinha um programa na Rádio Renascença para começar a fazer a promoção do Disco.

O Moreno Pinto, velha matreira, deu-lhe uma cópia em Mono.

Foi a partir dessa cópia que a gira mandou prensar o single. A Gira nunca pagou o estúdio. O single saíu em mono. Enfim, o primeiro embuste da minha pobre carreira... mas isso é outra história.

Curiosamente, uma fita pirata deu origem a um single que fica na história do Rock Português. Estou orgulhoso.

Obrigado Aristides Duarte pela tua grande memória.

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ENTREVISTA COM JOÃO MOUTINHO

João Moutinho nasceu em Lisboa, em 1949, mas tem raízes em Mata de Lobos (Figueira de Castelo Rodrigo). Durante mais de 25 anos tocou em grupos de baile e percorreu o país.

Em pleno “boom” do Rock português, em 1981 , editou o single “A Pastilha”, cujo lado B é “Rockolagem”.

Este tema, “Rockolagem” foca , em três minutos variados nomes do Rock português dos anos 80.

O seu refrão reza assim: “O Rock também é riso, Que faço com muito gozo, Mas não perco é o juízo, Por causa do Rui Veloso."

P: Estreou-se no programa de televisão “Zip Zip” , nos anos 60. Quer contar-nos como surgiu essa oportunidade e se isso se materializou em alguma posterior gravação?

História interessante. O meu parceiro do DUO INDEX, Francisco Figueiredo (a pessoa que me iniciou na poesia) conhecia o grande guitarrista Carlos Paredes. Queria ouvir as “baladas” que nós só tínhamos de ouvido no local que ele marcou o antigo Café Monumental. 6 horas da tarde, café cheio. Resultado, cantámos as canções e o café parou.

 

No final o Carlos Paredes perguntou-nos se não queríamos ir ao Zip-Zip. Claro que aceitámos. Entrámos numa emissão com Luís Góis e outros em Agosto de 1969.
 

Entrei no serviço militar nesse ano, estive 9 meses fora de Lisboa, em Instrução Militar. Quando voltei, a hipótese de EP que estava prometida esboroou-se.

P: Tem boas recordações dos anos 80, quando lançou a “ A Pastilha” e o “Rockolagem”?

Nem por isso. Fomos enganados pela Editora Gira, que abriu falência selvagem. Nem pagou o estúdio onde fizemos as gravações. A Banda dissolveu-se e o projecto gorou-se. Sei que se venderam 15000 cópias do single. Mas nem um avo ganhámos. Era a selva completa na altura do Boom do Rock Português.

 

P: Durante anos tocou em grupos de baile. Pode dizer-nos em que grupos tocou?

Vários. Os mais importantes foram o Intento e o Orange.

 

P: Para além do single “A Pastilha” que outros projectos teve relacionados com o Rock português?

Colaborei de perto com o Grupo SEILÁSIÉ, como autor de algumas letras.

Mais tarde o Rui Veloso seleccionou uma série de poemas meus mas, que eu tenha conhecimento só musicou a HOMENAGEM poema que dediquei às Mães e que mais tarde foi gravado por Adelaide Ferreira. Curiosamente o Rui enganou-se e deu como autor da letra uma outra pessoa mas o assunto foi esclarecido. É até provável que ele tenha musicado mais algumas e girem por aí mas eu não sei de nada.

 

P: Quer contar-nos algum episódio curioso que aconteceu nas suas “andanças” por esse país fora?

Há um episódio deveras curioso. Meu pai é originário de Mata de Lobos no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Soube que nunca tinha havido lá um Baile. Levei a Banda. Quando nos disseram o local do baile á “morrendo”. Era a Escola Primária da terra. Imaginem duas salas separadas por um corredor. Colocámos a aparelhagem em uma das salas, mas o povo era tanto que encheu as duas salas. Creio que na segunda apenas se ouviam Ecos. Mesmo assim não abandonaram a festa toda a noite. Estou a falar de Novembro de 1975.

 

P: Acha que o Rock português, incluindo todos os estilos, continua a ser uma corrente importante da música portuguesa?

O Rock sempre será uma corrente importante, porque inovadora. “Revolucionária” em muitos sentidos. Ainda que actualmente a música seja muito dominada por “produtores” que em muitos casos o são só de nome. No entanto, apareceram determinadas tecnologias que permitem ultrapassar alguma “violência” das Editoras. Veja-se o caso dos THE GIFT que nasceram na Internet e agora tem uma carreira consolidada.

 

P: Actualmente está mais ligado à poesia. Mesmo assim, a música continua a ser sua companheira?

A música sempre será minha companheira. Aliás, muitas vezes, quando escrevo já há subjacente uma melodia. Estou a pensar regressar com pequenos espectáculos intimistas: “A música da Poesia, a Poesia da Música”. Um músico e uma voz.

 

P: A Quinta do Bill já deu muitos concertos no distrito da Guarda. Guarda boas recordações do público deste distrito e das localidades por onde passou?

Recordo-me que no ano de 1976, o Intento, a minha Banda de então, começou um mês de Agosto em Malpica do Tejo ( Castelo Branco). Foi subindo por várias localidades e acabou o mês em SEIA. O mais curioso de tudo foi o facto de grande parte da assistência desses 21 Concertos/Bailes, era composta por emigrantes em férias que acompanharam toda a digressão. Perguntavam-nos onde tocávamos no sai seguinte e lá estavam eles a “curtir” o nosso “Rock”. De facto fazíamos muitos “covers” que não eram habituais em grupos de baile.
 

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