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Maria Isabel Galveias
Lylybety
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Página inaugurada em 31/102005 |
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Livros
NA
BRUMA DO TEMPO
Capa
Prefácio
14
Poemas Editados
Biografia
- A outra
- Aconteceu
- Acordar de um sonho
- Amar como nós
- À mesa dum café
-
Anoitecer
-
Apaixonada
- Aprende coração
-
Castigo
-
Cidades
- Coração moribundo
-
Criança
-
Egoísmo
-
Esperança
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Maria Isabel Galveias |
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BIOGRAFIA
Nascida em Alcanena, em 13
de Maio de 1942, puseram-me o nome de: Maria Isabel Galveias. Comecei a
andar pela net em fins de 1999, com o nick de Lylybety, diminuitivo pelo
qual meu avô me chamava.
Bem depressa deixei de ser Isabel para ser Lyly, nome por que sou
conhecida entre os amigos, sejam virtuais, ou reais.
Só no final do Século passado, descobri em mim algum jeito para
escrever. Assim, comecei por poemas simples, conforme me “apareciam”.
Mais tarde derivei para os sonetos, por ser a vertente poética de que
mais gosto. Editei há pouco um livro só de sonetos, e, vou editar muito
em breve, um outro livro, com os meus primeiros poemas.
Agradeço a todos os que tiveram a coragem de “me” ler. Agradeço
principalmente ao João, a coragem de “me” dizer.
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A OUTRA
Ela é a outra.
A malvada.
A delambida.
A que rouba.
A que estraga a vida.
A que tudo quer levar.
É uma qualquer.
Uma perdida!!!
Olhando a sua imagem
Reflectida no espelho,
Ela se censura.
Olho o seu rosto, cansado e velho,
Vê o seu olhar, sem brilho escuro.
Ela é a outra mulher,
Mas que dele nada quer,
Nem fazer sofrer.
Nem fazer chorar.
Pode até perder.
Mas nada quer ganhar.
Vê tudo isto,
Triste, amarfanhada,
Apagada, absorta.
Chora amargamente,
desesperadamente,
Ela não é nada, nem é gente,
Infelizmente, ela é , a OUTRA!!!
Maria Isabel Galveias
Aveiro, 31 de Janeiro de 2000
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ACONTECEU.....
Quando te conheci
Tudo mudou.
O sol brilhou,
O sorriso chegou,
A alegria voltou,
A tristeza? Fugiu!
A saudade? Morreu!!
O sonho sorriu,
A boca cantou,
A mão afagou,
Os corpos uniram-se,
Os sexos fundiram-se,
O amor instalou-se,
A paixão regressou,
O beijo beijou,
O coração palpitou,
A mágoa esgotou-se,
A amizade sentou-se
E abriu as janelas,
O cansaço cansou-se,
Foi-se embora, acabou-se,
No céu brilham estrelas.
A lua apareceu
E brilhou para mim.
E tudo aconteceu,
Porque te conheci!
Maria Isabel Galveias
Arroja, 27-7-200
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ACORDAR DUM SONHO
Estava um lindo dia!
O sol brilhava,
E eu num jardim florido,
Cantava e ria.
Estava azul o céu.
As crianças brincavam,
Os pássaros chilreavam,
O mundo era todo meu.
O amor sorria, a paixão pedia,
Loucuras desmedidas,
Eu, era feliz ao teu lado,
No meu sonho dourado,
Descobrindo em mim
Coisas até então desconhecidas.
Sentimentos encontrados,
Por mim nunca imaginados,
Que me fizeram pensar,
Que finalmente alguém,
Tinha por mim carinho,
Ternura afeição.
Nem ouvi a razão,
A murmurar baixinho
Cuidado coração...
Depois, neste momento,
Um negro pensamento
Me fez estremecer e acordar,
Sobressaltada, vejo que não existia nada,
Porque enfim, eu estivera a sonhar.
Maria Isabel Galveias
Ramada, 10 de Março de
2000
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AMAR COMO NÓS
Abraços trocados
Lábios beijados
Carícias sem fim.
Os corpos suados
Os sexos molhados
Nosso amor é assim.
Quando nos amamos
A noção perdemos
Do tempo a passar.
Coisas ternas dizes
Ficamos felizes
Isto é amar!!!..
No calor dum beijo
Renasce o desejo
De amar novamente.
E recomeçamos
De novo nos amamos
Desvairadamente.
Depois satisfeitos
De amar assim,
Apoio-mo em teu peito,
Falamos sem fim.
E nestas conversas
Mando-te indirectas,
Em pequena vós.
Repete-se o beijo
Acende o desejo
E lá vamos nós.
O amor ardente
Que incendeia a gente
E que não tem fim,
Sabe sempre a pouco
Sou louca és louco
Nosso amor é assim.
Maria Isabel Galveias
Ramada, 23-7-2001
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Á MESA DUM CAFÉ
Depois de ontem estar um
dia de Sol radioso,
Hoje o tempo amanheceu sombrio chuvoso,
A tarde está fria o vento sopra,
Carregado de ruídos, parece que a natureza o incumbiu
De transportar todos os gemidos,
Das arvores, que despidas parecem mortas.
As nuvens correm pelo céu, cinzentas e brumosas,
Como se quisessem descarregar,
Toda a água que transportam,
Nas vagas do mar alto, que se adivinham revoltosas.
Na linha do horizonte, o céu confunde-se com o mar,
Tudo é cinzento como chumbo,
Toda a natureza parece chorar,
Um hipotético fim de mundo.
Aqui onde estou, está um ambiente confortável,
Há jovens que conversam,
Bebem e riem, numa cavaqueira alegre e saudável.
Há uma que conta do namorado,
Que outra lhe lhe terá levado,
Mas não chora, ri até alegremente,
Como se tivesse livrado dum peso, e parece confiante
Na mesa do canto quatro jovens,
Falam de futebol e é um desenrolar de um rol,
De acusações, como se revelassem um segredo,
Falam mal do Benfica e do Vale Azevedo,
Discutem alegremente como se fosse um desacato,
Para alguns,
O Porto ganhar o campeonato,
Da primeira liga como agora dizem
E reclamam de golos e faltas, com frases feitas,
Cheias de lugares comuns.
Do meio da polémica, eleva-se a voz duma mulher,
Que conta do marido,
Que arranjou outra, segundo diz e anda muito entretido
Mas ela não liga,
Diz que tem mais que fazer,
Do que envolver-se com ele numa briga.
Descreve em pormenor,
Tudo o que lhe acontece, por causa de um novo amor,
Que também a ela aconteceu,
A outra espanta-se com tamanho sangue frio,
Falam sobre divórcio, de divisões,
Ela alega e defende-se com brio,
Dizendo não querer mais confusões.
Eu aqui sentada na mesa de café,
Vou escrevendo
Tudo o que ouço e o meu olhar vê
O dia pouco a pouco, vai desaparecendo.
As senhoras levantam-se, e despedem-se uma da outra,
Com esfuziante alarde.
Sai uma por cada porta.
E eu observo como se comporta a malta,
Neste sombrio e chuvoso fim de tarde.
Maria Isabel Galveias
Sintra, 12 de Fevereiro
de 2000
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ANOITECER
Quando a noite chega
E o sono se nega
Meu corpo envolver,
Vêem aos meus pensamentos
Aqueles doces momentos,
Que nos foi dado viver.
E recordo o nosso ninho,
Onde tinha o teu carinho,
Aquele amor que me davas,
As mãos com que me afagavas,
Teus lábios aveludados,
Que beijavam com ternura,
Quanta meiguice e doçura,
Nesses teus lábios rosados!
Agora, triste, sozinha,
Lembrando tudo o que tinha
E que a má sorte levou,
Sinto o vazio que ficou
Na minha alma doente.
Tenho saudades sem fim,
E sinto-te tão presente,
Inteiro, dentro de mim.
Amor, se pudesse ver-te,
Um instante pequenino,
Não mais iria perder-te,
Voltava atrás o destino.
Juntos de novo na vida,
Aquela paixão sentida,
Voltaria triunfante.
Sermos jovens outra vez,
Ao teu lado confiante,
Com teu amor novamente,
Teria o mundo a meus pés.
Ao recordar o teu amor que me sorria
Vejo que era feliz e não sabia...!
Maria Isabel Galveias
Ramada,26-6-2000
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APAIXONADA
Ao ouvir-te divagar pelo
passado,
Fico nervosa e pego num cigarro
Carinhosamente pedes que não fume
Inconscientemente, não percebes o ciúme
Que em mim está latente.
Sou louca, penso para comigo,
Quero ficar distante e não consigo,
Não entendo o sentimento que nos une.
Somente sei que não quero aceitar,
Digo não quero saber, não quero amar,
Mas os meus nervos ardem como lume,
Num sentimento jamais sentido,
Digo para mim, é apenas um amigo.
Não posso, não me quero envolver.
Mas meu coração, num estertor e num gemido,
Não ouve a razão que num rugido,
De fera ferida e açoitada grita:
- Isso é amor! Isso é paixão!
Ainda que não queiras ver
Mesmo sem quereres saber,
Estás perdidamente apaixonada,
E não sei se isso é sorte, ou é desdita...!
Maria Isabel Galveias
Arroja, 26 de Dezembro de 1999
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APRENDE CORAÇÃO
Aprende coração a amar.
Aprende coração a sonhar,
Olha, coração, abre a janela,
E vê como a tarde está bela,
O sol doirado,
Olha para ti e sorri!
A noite não é escura,
Brilha suave a lua,
E as estrelas,
Coração, escondem-se,
Porque tu brilhas, mais que elas!
Acorda coração,
Abre as portas ao amor,
Á ternura, ao carinho, á amizade,
Tu verás então,
Que é bom estar acordado,
No mundo integrado,
Isso é que é felicidade!
Felicidade completa,
A alma está repleta,
De ternura doce, e de sorrisos,
A alegria enfim,
Canta e ri p´ra ti,
Ouve o som alegre dos seus guizos
Descobre coração a vida,
Deita fora, essa mágoa contida,
Reage, a vida é feita de ilusão!
Aprende a conquistar,
Aprende a namorar,
Aprende, aprende, coração!!!!....
Maria Isabel Galveias
Arroja, 12-10-2002
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CASTIGO
A minha alma,
A minha dor em penitência,
Ás portas do céu
Clamam por clemência.
Então um anjo veio
E disse assim
Porque choras,
O que queres tu de mim?
Tudo o que havia de bom
Te dei um dia,
E tudo deste a quem não o merecia.
Esqueceste de guardar
Umas migalhas
Migalhas de ternura de carinho
Que te alimentassem no caminho
Da vida, que seguiste com amor,
E não viveste,
Tudo te dei em grande quantidade,
E tu pelos outros esbanjaste,
E ninguém te deu nada,
Quando nada tiveste.
Agora, fica aí.
Chora grita!
É esse o teu castigo.
Nada guardaste?
Nada tens contigo.
Nesse momento,
Apareceu Nossa Senhora,
Que pergunta
Porque castigas a minha filha?
Ela deu tudo, porque era sonhadora,
E a quem sonha,
Nunca se castiga.
Maria Isabel Galveias
Arroja, 23-10-2000
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CIDADES
Sentada no monte, da
Ramada,
Vejo ao longe Lisboa, deitada,
No alto da colina,
Ainda envolta p´la neblina,
Que pouco a pouco, vai desaparecendo
Sob o Sol doirado, que desponta
É linda esta cidade.
Cheia de Sol, de alacridade,
Coração aberto, a quem cá vem.
No frenesim de mais um dia,
Vejo a minha Lisboa, que sorria,
Com a ternura de um coração de mãe.
Cidade maravilha, com tantas coisas belas
Contempla, a mais nova das filhas,
A muito bonita, cidade de Odivelas.
Recém nascida,
Porque o povo assim o quis.
Quem lhe deu vida?
Foi o Sr. rei D.Dinis!
Rei trovador, rei poeta, lisonjeiro,
Que outrora, a esta terra deu amor,
E descansa agora em seu mosteiro.
Mosteiro, que p´ra nós,
é um artigo de museu.
Pequenino, mas a sua graça é tanta,
No meio dum terreiro todo seu.
Onde predomina, a Rainha Santa
Que perguntou um dia ao seu senhor,
Com um sorriso, cheio de amor,
Ides vê-las?
Talvez soubesse... Saberia?
Que desta frase Odivelas nasceria.
Vejo tudo isto, aqui, do alto da Ramada.
Não resisto a descreve-lo deleitada,
Num sentimento, doce,
Que minha alma constrange
É assim, que eu vejo coisas belas,
Lá ao fundo, fica Odivelas,
Rodeada p´la beleza que a abrange!
Maria Isabel Galveias
Ramada, 3-3-1999
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CORAÇÃO MORIBUNDO
Num quarto triste,
Frio, desolado,
Meu coração, estava moribundo.
Minha alma,
Que estava a seu lado,
Pergunta:
Porque deixas este mundo?
Meu coração,
Responde já cansado,
Batendo cada vez mais lentamente:
- Vou daqui, destruído, amargurado,
Mas feliz,
Porque finalmente, alma,
Ficaste do meu lado.
Minha alma, angustiada chora,
E pede:
- Coração, reage, não te vás embora...
Por fim entre nós houve consonância,
Destruímos a barreira da distância.
Não partas coração, fica comigo....
Comecei a viver!!..
Ensina-me a aprender!...
Não me deixes sozinha,
Meu amigo!!
O meu coração cansado, responde:
- Lamento, todo o nosso passado,
Quando tu saías,
Sem dizeres onde.
Depois, regressavas,
Tão triste e a chorar....
Nem sequer me ligavas,
De mim te afastavas,
Não me deixavas falar!
Por isso eu agora,
Finalmente, vou puder sossegar.
Mas levo-te comigo,
O teu destino,
É somente sofrer...
O meu castigo foi,
Tão simplesmente,
ACREDITAR!!...
Maria Isabel Galveias
Ramada-1-4-1999
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CRIANÇA
Criança que sofres
Criança que choras
Que á noite não dormes
Porque outra embalas
Criança menina
Criança rapaz
Criança ladina
De tudo capaz
Capaz de sofrer
Sem nunca falar
Mesmo sem comer,
Capaz de cantar
Criança alegria
Criança tão bela
Que vive sombria
Sem a luz duma estrela
Criança que mora
Num bairro de lata
Criança que chora
Porque a fome a mata
Criança que dá
Tudo o que tem
A outra que está
Chorando sem mãe
Criança é a luz
A força e a esperança
De qualquer país
Tu és a herança
Criança sozinha
Neste mundo vão
E nele caminha
Toda coração
Que exemplo que dás
Criança ladina
Criança rapaz
Criança menina
Criança que sonha
Coração em flor
Pra nossa vergonha
Um mundo melhor
Criança sagaz
Esperança que não tomba
Traz-nos a Paz
Coração de pomba.
Maria Isabel Galveias
Arroja 15 de abril de 2001
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EGOISMO
Tens um corpo alto firme e
esbelto
Rosto moreno de perfil correcto,
Olhos castanhos de olhar sombrio,
Lábios carnudos de sorriso frio.
Tudo em ti tem um aspecto forte.
Meu coração enamorado,
Fez-te a corte.
Sobranceiro, aceitavas desdenhando,
Tudo o que te vinha oferecendo,
Este pobre coração apaixonado.
Que nada via, mas sentia,
Que nesse corpo belo e forte,
Habitava uma alma,
Feia, tosca e torpe,
Sem chama de ternura,
Sem condão de amar,
sem nada ter para dar,
E tão sombria.
Meu coração ferido,
Chora desiludido,
Ao contemplar a tua alma,
Desdenhosa, tortuosa,
Completamente amorfa,
Egoisticamente vazia.
Talvez um dia...
Não sei quando,
Te venhas a apaixonar.
E nessa altura...
Quem sabe?
Ainda não perdi a esperança,
Hás de sentir a tormenta,
Essa enorme tempestade,
De não ser amado e amar,
E não haverá bonança!!
Hás de sofrer! Hás de chorar!
Lágrimas amargas de desespero,
Iguais ás que eu hoje choro!!
E eu?.. Eu vou me levantar.
Erguer bem alto o coração.
Porque eu sim. Tenho o condão.
Condão de saber amar,
O que também é maldição
Aroja, 26-10-99
Maria Isabel Galveias
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ESPERANÇA
Não vamos perder a calma,
Fica tranquila minha alma
Não vás nessa correria,
E vê que o tempo que passa,
Deixou de ser ameaça
Amanhã é um novo dia.
Novo dia p´ra viver,
E ver no céu aparecer
A luz clara da aurora,
Arranca a erva ruim,
Que te faz chorar assim.
Arranca-a e deita-a fora.
Já tento faz como fez.
E lá estás tu outra vez,
A pensar com desalento.
Agarra o tempo que passa,
Atira fora a desgraça,
Vive momento a momento.
Sonha alma, por favor.
Com carinho com amor,
Com céu azul e estrelas,
Com abraços de ternura,
Com beijinhos de doçura,
Faz por acreditar neles.
Maria Isabel Galveias
Arroja, 23-4-2000
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Capa

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PREFÁCIO
Foi-me solicitado dizer duas ou três palavras sobre a poesia de Maria
Isabel Galveias (Lylybety… ou Lyly como lhe costumo chamar
carinhosamente), o que é para mim uma grande honra, dado que
se trata de uma grande poetisa e amiga, cujos poemas me motivam sempre
uma leitura atenta.
Conheci a Lyly num Grupo da Internet, de nome Ar Fresco, onde
também comecei a colocar os meus trabalhos poéticos. E no meu hábito de
apreciar o que por lá se deixa escrito, comecei a ler os seus e a
deixar os meus comentários. Cedo me tornei um apreciador de tudo o que
escreve e também um seu grande amigo.
A sua poesia é aberta, facilmente perceptível e quase sempre
repleta de sentimentos.
Trata-se de poemas que a gente lê sempre com gosto, pela forma
simples, aberta, como a Lyly se exprime, pelo que encerram de ternura e
pela emoção que ela nos consegue transmitir. A sua grande
inclinação, apesar de também cultivar outros géneros, é sem dúvida o
soneto. Ela manipula-o com uma habilidade fora do vulgar, como se pode
ver em todos eles, citando apenas como exemplo estas quadras iniciais de
dois sonetos de amor:
Como devem ser
belas essas estrelas
Que cores divinas têm essas flores
Mas eu não tenho olhos para elas
Pois vão atrás de ti para onde fores
e
Se acaso á tua
porta o vento for,
Abre-a meu amor, deixa-o entrar...
Ele leva o meu cheiro, o meu sabor
E o desejo sem fim de te beijar
Mas os seus poemas não são só de amor. Ela é uma contemplativa da
Natureza, que não se cansa de retratar também nos poemas que escreve,
prendendo-nos fortemente aos quadros lindos que nos dá:
Há roseiras bravas
cheias de botões
Cheira a camomila todo o verde prado
Chia na seara o ferro do arado
Canta a cotovia bonitas canções
Como boa ama, toda a natureza
Em suave sesta os acaricia
Ai, o sono doce, doce singeleza…
Dotada de uma grande sensibilidade, vive intensamente todos os
momentos, tristes ou alegres que sejam. E sabe, na sua verdadeira alma
de poeta, transmitir de forma magistral para o papel os
sentimentos vividos nesses momentos, pelo que na minha opinião os seus
leitores vão adorar ler esta sua obra, que em tão boa hora decidiu
publicar.
E fico-me por esta tão ligeira e modesta descrição. Penso, contudo, que
o melhor será mesmo lê-la!
Joaquim Sustelo
(Poeta)
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