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Guaraci Pachú

 

 

Última actualização 08/04/2005

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8 Poemas Editados

- Biografia

- Convite para amar

- Inevitável busca

- Lágrimas

- Para minha filha

- Quisera Eu a Lua

- Reflexões


Liberdade

Fotografia de José Soares

     

 

 

 

Biografia


Sou carioca, Teólogo, Psicanalista, Psicopedagogo e atualmente aluno do Curso de Direito, nasci em 1968, comecei a escrever com 13 anos. Minhas poesias sempre foram instrumentos usados pelos amigos de infância para conseguirem namoradinhas. Passei algum tempo sem produzir nenhum verso, praticamente uns 15 anos, me dediquei neste período aos estudos e a profissionalização, aqui no Brasil só os acadêmicos vivem de literatura, o resto precisa dar duro, e, eu que nem me considero poeta, não podia me dar o luxo de ficar escrevendo... Fui me preparar e especializar, mas, depois de ter buscado conhecimento, vi que estas formações só foram possíveis pela estrutura inicial, deixada lá atrás, quando ainda menino, e num rompante, meio que por instinto de resgate, voltei a escrever. Tudo que havia produzido antes se perdeu, e o que resolvi fazer desta vez foi tentar não perder, e neste processo vi a vida juntar em um livro essas poesias mais recentes, vi esse livro ganhar forma, despertar interesse para publicação, mas tudo muito por acidente, sem que eu pudesse gerir, como se tivesse vida própria, se lançou na Bienal Internacional do Livro de 2003, sob o título Profecias de Um Só, continua seguindo seu curso, tocando pessoas. Este ano lancei meu segundo livro, Inevitável Busca, um e-book que vai seguindo seu destino como seu irmão mais velho. É a vida, a letra esta viva, o poeta só lhe sopra para dar impulso, eu que não sou poeta decidi terminar minha existência me diluindo em palavras...

Guaraci Pachú

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Convite para amar


Faz amor comigo?
Nesta noite,
Entre as estrelas que do céu te olham!
Nesse chão que ora nos acolhe,
Sobre as flores que de colchão nos servem.

Faz amor comigo!
Ouvindo canções que descrevam o que só nós temos,
Compasso por compasso,
Comporemos com nossos corpos,
As notas dos versos que lhes darão sentimentos.

Faz amor comigo!
Deixe que eu te abrace,
Quero dar-te a proteção de um encouraçado,
Aos seus velhos sonhos naufragados,
Aos que surgem entre as muitas ondas,
Pela paz que buscas entre tantas tormentas,
As sementes dos que brotam,
Frutos de tuas entregas.

Faz amor comigo?
Mesmo vendo que minhas pernas não mais me sustentam,
Que o corpo está ressequido e cansado,
Meus olhos fechados,
Meu coração parado,
Por ter feito amor contigo.

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Inevitável Busca

Eu queria falar desta fome infinda,
Que varre o peito e desenterra a alma nua.
Retratar em prosa ou versos os motivos infames
Que nos trazem à vida.

Ah Deus! Queria eu avisar a juventude,
Escrever-lhes um mapa abreviando o caminho
Antes que fossem devorados pelo desejo de ter o outro
Mas, já é setembro e a primavera roubou-lhes a inocência.

Plantemos agora os sentimentos,
Deixemos pois que as águas movam os moinhos,
Talvez, assim, o inverno não seja tão frio,
E a saudade levada pela brisa encontre seu destino.

Será, pois, o amor o desterro que todo coração busca,
Solitário, feito para alimentar um corpo,
Mas, que, insensatamente, insatisfeito, insano,
Tentará alimentar outro.

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Lágrimas...


As lágrimas são palavras que não nasceram,
Sentimentos que se calaram,
São sorrisos que não vingaram,
A fé que foi desmentida pelo desespero.

Lágrima é a voz dos resignados,
É o fruto da paz roubada do peito ainda verde
Que se perdeu sem ser provado,
Água que transbordou do leito e segue sem rumo.

Lágrima é o grito que não pôde ser ouvido,
São reticências colocadas no final de quem não quis continuar,
É o momento de dar o nó na garganta,
É a angustia expelida por fustigar a alma de quem não pôde amar.

As chuvas são lágrimas de uma estrela que apagou,
É a tristeza que cansou de ficar no canto,
É o canto de quem não tem motivos,
É o motivo de quem desistiu e se entregou.

Deus fez a lágrima para expressar o que o medo revela,
O que a alegria não supera, a verdade que não pode ser dita,
A dor que não pode ser sentida,
O destino que não pode ser mudado, somente vivido!

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Para Minha Filha


Minha menina é fruto sagrado,
Foi semeada na inocência do acaso,
Como flor silvestre colhida recente,
Na frescor matutino sinto seu perfume,
Na intimidade, entre canteiros, plantei sua semente.

Fonte d’ água que enche-me de alegria,
O sol de seu sorriso, luz morena,
Marca minha existência,
Carinhosamente foste esculpida em ébano,
Como lírio a sombra do carvalho,
Deusa de cedro, cedro do Líbano.

Linda pérola! minha filha!
Pássaro que alçará vôo...
Vôo, que o tempo infinito levará de mim...
Nas primaveras espero que floresças,
Rego todos os dias com esperança,
A rosa impar de meu jardim.

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Quisera Eu a Lua


Aaah! Quisera eu ter simples palavras
Para dar a entender aos iletrados
A expressão da força que me impulsiona
E responde por mim enquanto escrevo estes versos.

Quisera, eu, ter nascido primeiro
Para ter descrito o que não pode ser dito,
Falado deste sonho imortal que toda alma busca,
Antes mesmo que o limbo tivesse existido.

Não a abandonaria neste negrume infinito.
Eu teria bradado em versos as estrelas!
A colheria em meus braços,
Montado em uma carruagem de nuvens
E, assim, não vê-la minguar de tristeza.

Todo dia seria sábado, toda tarde vermelha!
E se chuva caísse de teus olhos... Eu juro:
Do mais alto cume trovaria o que sinto,
Arrancaria meu coração do peito e te esconderia lá dentro.

Me vestiria de melancolia florida,
Te roubaria da terra, provocaria um eclipse eterno,
Te daria todo calor do meu corpo,
Queria, somente, ser seu sol,
Quisera tu, a lua, ser minha!

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Reflexões...


Ontem vi cair a chuva...
Corri na rua...
E no meu trajeto
Fiz parte dela...
Ontem me contagiei com a felicidade alheia
E na porção que recebi ensinava-me a dividir.
Nesses jogos de números e contas...
Aprendi que subtrair pode elevar a alma.
Até esta se multiplicar... E simplesmente existir...
Pois ganhei os que de muitos sobejava,
E os espólios das tristezas que eu carregava... Vi ficarem mais leves...
Só assim, ousei te fazer estas perguntas:
Onde estás, mulher de sábias palavras?
Por que criaste asas e como anjo voaste?
Por que me fazes crêr que estás bem?
Pode haver satisfação onde estás?
Posso ter paz longe de ti?
Meus passos agora vagam sem destino...
E talvez encontre em minhas buscas teus exemplos,
Assim, mesmo sendo tão pequeno,
Acolherei outros que como eu estiverem perdidos.
Para que, quando chegue minha vez de criar asas,
Alguém também me faça perguntas,
Alguém  deixe escorrer lágrimas por estar vazio
E sentindo a minha falta.

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