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18 POEMAS EDITADOS |
Grandes Autores Lucy Berenguer
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Devaneios... Devaneios... Ontem nos encontramos em sonho e cantaste para a minha solidão. Foi um devaneio bisonho que alegrou-me o coração. Construímos castelos de ameias com escadas direto ao céu, de guirlanda de flores cheias e cobertas com estrelado véu. Partilhamos uma alegria silenciosa e aqueceste-me com dedos de amor. Abraçaste minha alma ansiosa com delírios de paixão e ardor. Agora o sonho se desvaneceu e despertamos da sublime sonolência. O dia se fez claro, amanheceu, e separamo-nos, com resistência. Se um dia voltarmos a nos encontrar no doce crepúsculo da memória, quem sabe até num sonho secular, poderemos relembrar a nossa história. E quando nossas mãos se entrelaçarem cantaremos a canção mais bonita... Quando corações e almas se abraçarem subiremos juntos aquela escada bendita! Giulia Dummont Índice Giulya
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Quem sou eu? Quem sou eu? Eu sou a que caminha descalça pelas areias da praia... A que, como a gaivota, ensaia seu voo rasante na esteira da balsa. Sou aquela que ama a natureza: solidária, pela sobrevivência, em sua luta seus sons, seu silêncio escuta e aprecia a manifestação de sua beleza. Sou uma solitária, sem solidão... Triste, porque a vida assim me fez, consciente de minha pequenez diante do universo, de sua imensidão. Sou apenas de poeta uma aprendiz... Tentando exprimir nos meus versos os sentimentos mais controversos de uma vida não muito feliz. Sou também a que amores os viveu e sofreu e morreu suas dores. Mas, ainda carente de amores, sou uma julieta a espera de seu romeu. Giulia Dummont Índice Giulya |
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Simples Versos para Ti... Simples Versos para Ti... Ouve os versos que te fiz! Não são raros... são só singelos, são versos de uma aprendiz que aprecia os sentimentos belos. Não tem dolência de veludo gris, nem a exuberância de grandes castelos. Tampouco o brilho do reluzente verniz mas carregam a doçura dos caramelos. Doces assim como os beijos teus que adivinham ser o lábios meus, quando se unem num encontro feliz. Amo-te muito e nunca te encontrei. E ao sentir o beijo que te não dei traço esses versos, que para ti os fiz! Giulia Dummont Índice Giulya
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Veredas da Esperança Veredas da Esperança Em algum lugar do passado Deixei a minha alegria. Vivendo só de nostalgia Sossego o coração maltratado. Vivi com bravura e firmeza. Fui franca e também fui forte, Mas, sem amparo, sem suporte, Ficou-me somente a tristeza. Muito desdenhei da minha sorte; Tal qual o triste prisioneiro Que, no pior cativeiro, À vida foi condenado, não à morte. Mas, entre os pedaços da vida E entre dor tão tamanha, Nesta minha jornada tacanha Encontrei a esperança perdida. A lição veio da natureza, De um canto do meu jardim Onde um flor, de cor carmim, Demonstrou minha fraqueza. Escondida por baixo do cimento A raiz, de há muito adormecida, Encontrou um vão, uma saída, E seguiu para o seu florescimento. Hoje aquela frágil trepadeira Enfeita do muro a aridez E verdeja, com toda a altivez E floresce, firme e altaneira. Assim deve ser a esperança. Adormecida, em nós latente, Desperta de seu sono aparente E brota e ressurge com toda a pujança! Giulia Dummont Índice Giulya |
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Como o Vento Como o Vento O vento que canta ao longe embalando as ondas do mar, dançando nas cores das velas, versos que eu não sei cantar. O que dirão os seus versos, o que dirá sua canção? Que o amor é o sol da vida e o pranto, a chuva do coração. Quem me dera ser como o vento! Estaria livre para longe voar e dançar junto às ondas do mar. Seus versos e sua melodia uma bela canção entoaria com ele em total congraçamento. Giulia Dummont Índice Giulya
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Nas Brumas do Passado Nas Brumas do Passado Num supremo enlevo, absorta, do passado os encantos sinto. Por um instante, do hoje morta, ingresso no esquecido labirinto. Lentamente, porta por porta, vou procurando em cada recinto. Abrindo desse vale a comporta em suas brumas me consinto. Abraço, de novo, esse passado morto como se fora um último conforto, dizendo adeus aos sonhos queridos. Seja ele velado ao círio da saudade, restando dormente até a eternidade, ao rito solene do funeral dos tempos idos. Giulia Dummont Índice Giulya
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O mesmo Mar O mesmo Mar Verde perto da terra Mais longe fica azul. Ondas grandes, ondas cheias, Que se expandem com fragor. Espuma que brilha ao sol Cheiro bom... Seus ventos, suas chuvas, Seus peixes, seus barulhos Sua enorme e espantosa beleza Entrou na minha infância e ainda permanece... A praia infinita Com conchas e búzios crespos. Mar maior que a terra Mar do primeiro amor... Mar dos pobres pescadores Mar das tempestades de verão Mar das ressacas... Mar do alto e mar da praia Mar de pedra e de mangue Mar suave, mar oleoso Mar diário e enorme - Ocupando toda a vida... Mar de paciência e de força, De perigo sem sentido, De lirismo, de energia. Sempre o mesmo mar... Giulia Dummont Índice Giulya
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Sortilégios Sortilégios Na dança dos sortilégios com muitos reflexos régios, a lua no ar da noite perpassa. Noite de lírios, de festa e papoulas, girando no céu de lantejoulas; a noite fresca sonha e passa. A natureza se veste de luz e dança ao som que a seduz, com a lua cheia de brilho e graça. O círculo mágico traçado transborda da lua o anel enfeitiçado, como espuma na boca de uma taça. A alma se ilumina com a beleza e com a força da natureza; o coração a ela se une, se entrelaça. Louvem-se todos os seres, cada criatura e à Mãe que lhes deu genitura, aquela que a todos acolhe e abraça. E fica uma certeza: sempre se renova a natureza quando bons rumos se traça. Giulia Dummont Índice Giulya |
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Transição Transição Transformei-me em vento. Deixei de sofrer. Nada sinto. Fui rebelde no céu, fui caminho na relva. Transformei-me em água. Não sofro mais. Nada sinto. Fui gota de orvalho, fui onda do mar. Transformei-me em pó. Não mais sofro. Nada sinto. Fui beira de rio, fui areia da praia. Hoje sou só universo. Sofro, novamente. Tudo sinto - amores e dores. Sou plena de sentimentos, sou uma pessoa, e nada mais. Giulia Dummont Índice Giulya |
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Chuvas... Chuvas... Dos olhos do céu, a escorrer, bem a chuva benfazeja para aliviar a natureza que estava prestes a morrer. Dos olhos do coração, a escorrer, vem o pranto incontido para aliviar o sentimento dolorido de um amor que acaba de morrer. Pranto bendito, chuva bem vinda! A chuva da terra vem salvar, a chuva da alma, consolar restando a esperança, ainda! Giulia Dummont Índice Giulya
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Fugaz... Fugaz... o formato de uma nuvem uma bolha de sabão feitas de ar, soltas na imensidão. duram apenas um momento uma eternidade na imaginação frágeis como o encantamento de uma breve paixão. assim minha fugaz felicidade... ficou-me a solidão. Giulia Dummont Índice Giulya
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Recomeçar Recomeçar Tenho a folha à minha frente. Amasso-a - pálida e vazia. Retomo da pena e recomeço. A palavra reluta: estremeço em vão. Toda a letargia fez-se agora aqui presente. Pairam rimas e versos, em total desunião ao abrir de nova folha. Ao acaso, sem escolha, são levadas de roldão pelos pensamentos dispersos. Qual a vida - estagnada! Vivendo porque respira, porque há oxigénio no ar. Urge tudo mudar! Acenda-se novamente a pira que purifica a caminhada! Onde parei? Não importa... E possível, ainda, recomeçar: - novos versos, nova folha, novos sonhos, nova escolha. Aprendendo a me perdoar a esperança abrirá nova porta! Giulia Dummont Índice Giulya |
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Reflexões... Reflexões... ... de uma melancólica tarde de outono. Onde se esconde a felicidade? - "onde... onde..." me responde o eco da saudade. A pétala que cai, da rosa cor-de-rosa, é como verso deste haicai... Um momento fugaz: um beijo, um arquejo, o mundo em paz. Ouvinte das estrelas: é um profeta ou um poeta; ama-as mesmo sem vê-las. A maré, a onda, o vento. É o estremecimento da lua que a terra ronda. Uma lágrima rola na face, no desenlace. O adeus que desola... Chove. Quanta mágoa lá fora - o sol foi embora. A tristeza, comigo trago-a. Pena de mim. Pena... Pode a saudade, em sua enormidade, caber em alma tão pequena? Giulia Dummont Índice Giulya
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Gotas Gotas A gota luzidia correndo em desídia. E outra, nitente, vem vindo silente... Mais uma brotando, palpita brilhando. E outra, nascendo hesita tremendo... E juntas se vão, aos pares ou não. É pranto, é dor, é saudade, é...amor! Giulia Dummont Índice Giulya |
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Horas em Vão Horas em Vão Horas soam. Horas vão e vem. Horas são? Horas de soar hora de ir e voltar. Horas são? Hora de viver hora de amar. Horas são? Hora de morrer, horas vão, em vão... Giulia Dummont Índice Giulya
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Lua Nua Lua Nua Na rua estreita uma lua espreita o meu caminhar. Segue meu passo no exíguo espaço a me sombrear. Ela, sozinha no céu, eu, solitária ao léu, ambas a vagar. Na noite pacata seu olhar de prata o meu a cruzar. E no denso mormaço trocamos um abraço por puro prazer. Nessa cumplicidade acreditei na felicidade que ainda poderei ter. Despedimo-nos sorrindo: eu, brilhando na rua, ela no céu, toda nua... Giulia Dummont Índice Giulya
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Pétalas Pétalas Numa tarde qualquer ao vento da primavera... Mal me quer, bem me quer, vão-se as pétalas da quimera. Meu bem mal-me-quer? Também, pudera... Só a tristeza a florescer nesta vida megera. Meu bem bem-me-quer? Ah! Quem me dera.... em abraços o envolver como os ramos da hera. Uma flor imaginária no jardim solitária as tristezas despetalando as alegrias despertando. - Mal me quer? - Bem me quer! É primavera chegando... Giulia Dummont Índice Giulya
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Tua Ausência Tua Ausência A me fazer companhia só ficou a tua ausência, sombra ainda perdida nessa minha existência. Já não faz diferença se virás amanhã. Teu beijo mais tarde, é uma esperança vã. Teu cheiro se esvaiu em tudo. Tuas mordidas em mim, tuas marcas, restaram bem escondidas. Tua imagem amada tua sombra, tua silhueta, desmancha-se fluindo como areias de ampulheta. Se sobrou algum afeto só me resta que te peça: leva também a tua ausência para que de vez eu te esqueça. Giulia Dummont Índice Giulya
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