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Giulya

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18 POEMAS EDITADOS

- Como o vento

- Chuvas

- Devaneios

- Fugaz

- Gotas

- Horas em vão

- Lua nua

- Nas brumas do passado

- O mesmo mar

- Pétalas

- Quem sou eu

- Recomeçar

- Reflexões

- Simples versos para Ti

- Sortilégios

- Transição

- Tua ausência

- Veredas de Esperança

Grandes Autores

Lucy Berenguer

 

 

 

 

Devaneios...
Devaneios...
 
 
Ontem nos encontramos em sonho
e cantaste para a minha solidão.
Foi um devaneio bisonho
que alegrou-me o coração.
 
Construímos castelos de ameias
com escadas direto ao céu,
de guirlanda de flores cheias
e cobertas com estrelado véu.
 
Partilhamos uma alegria silenciosa
e aqueceste-me com dedos de amor.
Abraçaste minha alma ansiosa
com delírios de paixão e ardor.
 
Agora o sonho se desvaneceu
e despertamos da sublime sonolência.
O dia se fez claro, amanheceu,
e separamo-nos, com resistência.
 
Se um dia voltarmos a nos encontrar
no doce crepúsculo da memória,
quem sabe até num sonho secular,
poderemos relembrar a nossa história.
 
E quando nossas mãos se entrelaçarem
cantaremos a canção mais bonita...
Quando corações e almas se abraçarem
subiremos juntos aquela escada bendita!
 
Giulia Dummont

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Quem sou eu?
Quem sou eu?
 
 
Eu sou a que caminha descalça
pelas areias da praia...
A que, como a gaivota, ensaia
seu voo rasante na esteira da balsa.
 
Sou aquela que ama a natureza:
solidária, pela sobrevivência, em sua luta
seus sons, seu silêncio escuta
e aprecia a manifestação de sua beleza.
 
Sou uma solitária, sem solidão...
Triste, porque a vida assim me fez,
consciente de minha pequenez
diante do universo, de sua imensidão.
 
Sou apenas de poeta uma aprendiz...
Tentando exprimir nos meus versos
os sentimentos mais controversos
de uma vida não muito feliz.
 
Sou também a que amores os viveu
e sofreu e morreu suas dores.
Mas, ainda carente de amores,
sou uma julieta a espera de seu romeu.
 
Giulia Dummont
 
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Simples Versos para Ti...
Simples Versos para Ti...
 
 
Ouve os versos que te fiz!
Não são raros... são só singelos,
são versos de uma aprendiz
que aprecia os sentimentos belos.
 
Não tem dolência de veludo gris,
nem a exuberância de grandes castelos.
Tampouco o brilho do reluzente verniz
mas carregam a doçura dos caramelos.
 
Doces assim como os beijos teus
que adivinham ser o lábios meus,
quando se unem num encontro feliz.
 
Amo-te muito e nunca te encontrei.
E ao sentir o beijo que te não dei
traço esses versos, que para ti os fiz!
 
Giulia Dummont

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Veredas da Esperança
Veredas da Esperança
 
 
Em algum lugar do passado
Deixei a minha alegria.
Vivendo só de nostalgia
Sossego o coração maltratado.
 
Vivi com bravura e firmeza.
Fui franca e também fui forte,
Mas, sem amparo, sem suporte,
Ficou-me somente a tristeza.
 
Muito desdenhei da minha sorte;
Tal qual o triste prisioneiro
Que, no pior cativeiro,
À vida foi condenado, não à morte.
 
Mas, entre os pedaços da vida
E entre dor tão tamanha,
Nesta minha jornada tacanha
Encontrei a esperança perdida.
 
A lição veio da natureza,
De um canto do meu jardim
Onde um flor, de cor carmim,
Demonstrou minha fraqueza.
 
Escondida por baixo do cimento
A raiz, de há muito adormecida,
Encontrou um vão, uma saída,
E seguiu para o seu florescimento.
 
Hoje aquela frágil trepadeira
Enfeita do muro a aridez
E verdeja, com toda a altivez
E floresce, firme e altaneira.
 
Assim deve ser a esperança.
Adormecida, em nós latente,
Desperta de seu sono aparente
E brota e ressurge com toda a pujança!
 
Giulia Dummont
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Como o Vento
Como o Vento
 
O vento que canta ao longe
embalando as ondas do mar,
dançando nas cores das velas,
versos que eu não sei cantar.
 
O que dirão os seus versos,
o que dirá sua canção?
Que o amor é o sol da vida
e o pranto, a chuva do coração.	
 
Quem me dera ser como o vento!
Estaria livre para longe voar
e dançar junto às ondas do mar.
 
Seus versos e sua melodia
uma bela canção entoaria
com ele em total congraçamento.
 
Giulia Dummont
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Nas Brumas do Passado
Nas Brumas do Passado
 
Num supremo enlevo, absorta,
do passado os encantos sinto.
Por um instante, do hoje morta,
ingresso no esquecido labirinto.
 
Lentamente, porta por porta,
vou procurando em cada recinto.
Abrindo desse vale a comporta
em suas brumas me consinto.
 
Abraço, de novo, esse passado morto
como se fora um último conforto,
dizendo adeus aos sonhos queridos.
 
Seja ele velado ao círio da saudade,
restando dormente até a eternidade,
ao rito solene do funeral dos tempos idos.
 
Giulia Dummont
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O mesmo Mar
O mesmo Mar
 
Verde perto da terra
Mais longe fica azul.
Ondas grandes, ondas cheias,
Que se expandem com fragor.
Espuma que brilha ao sol
Cheiro bom...
Seus ventos, suas chuvas,
Seus peixes, seus barulhos
Sua enorme e espantosa beleza
Entrou na minha infância e ainda permanece...
A praia infinita
Com conchas e búzios crespos.
Mar maior que a terra
Mar do primeiro amor...
Mar dos pobres pescadores
Mar das tempestades de verão
Mar das ressacas...
Mar do alto e mar da praia
Mar de pedra e de mangue
Mar suave, mar oleoso
Mar diário e enorme -
Ocupando toda a vida...
Mar de paciência e de força,
De perigo sem sentido,
De lirismo, de energia.
Sempre o mesmo mar...
 
Giulia Dummont
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Sortilégios
Sortilégios
 
Na dança dos sortilégios
com muitos reflexos régios,
a lua no ar da noite perpassa.
 
Noite de lírios, de festa e papoulas,
girando no céu de lantejoulas;
a noite fresca sonha e passa.
 
A natureza se veste de luz
e dança ao som que a seduz,
com a lua cheia de brilho e graça.
 
O círculo mágico traçado
transborda da lua o anel enfeitiçado,
como espuma na boca de uma taça.
 
A alma se ilumina com a beleza
e com a força da natureza;
o coração a ela se une, se entrelaça.
 
Louvem-se todos os seres, cada criatura
e à Mãe que lhes deu genitura,
aquela que a todos acolhe e abraça.
 
E fica uma certeza:
sempre se renova a natureza
quando bons rumos se traça.
 
Giulia Dummont
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Transição
Transição
 
Transformei-me em vento.
Deixei de sofrer.
Nada sinto.
Fui rebelde no céu,
fui caminho na relva.
 
Transformei-me em água.
Não sofro mais.
Nada sinto.
Fui gota de orvalho, 
fui onda do mar.
 
Transformei-me em pó.
Não mais sofro.
Nada sinto.
Fui beira de rio,
fui areia da praia.
 
Hoje sou só universo.
Sofro, novamente.
Tudo sinto - amores e dores.
Sou plena de sentimentos,
sou uma pessoa, e nada mais.
 
Giulia Dummont
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Chuvas...
Chuvas...
 
 
Dos olhos do céu, a escorrer,
bem a chuva benfazeja
para aliviar a natureza
que estava prestes a morrer.
 
Dos olhos do coração, a escorrer,
vem o pranto incontido
para aliviar o sentimento dolorido
de um amor que acaba de morrer.
 
Pranto bendito, chuva bem vinda!
A chuva da terra vem salvar,
a chuva da alma, consolar
restando a esperança, ainda!
 
Giulia Dummont

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Fugaz...
Fugaz...
 
 
o formato de uma nuvem
uma bolha de sabão
feitas de ar, soltas na imensidão.
 
duram apenas um momento
uma eternidade na imaginação
frágeis como o encantamento
de uma breve paixão.
 
assim minha fugaz felicidade...
ficou-me a solidão.
 
Giulia Dummont

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Recomeçar
Recomeçar
 
Tenho a folha à minha frente.
Amasso-a  -  pálida e vazia.
Retomo da pena e recomeço.
A palavra reluta: estremeço
em vão. Toda a letargia
fez-se agora aqui presente.
 
Pairam rimas e versos,
em total desunião
ao abrir de nova folha.
Ao acaso, sem escolha,
são levadas de roldão
pelos pensamentos dispersos.
 
Qual a vida  -  estagnada!
Vivendo porque respira,
porque há oxigénio no ar.
Urge tudo mudar!
Acenda-se novamente a pira
que purifica a caminhada!
 
Onde parei? Não importa...
E possível, ainda, recomeçar:
-  novos versos, nova folha,
novos sonhos, nova escolha.
Aprendendo a me perdoar
a esperança abrirá nova porta!
 
Giulia Dummont

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Reflexões...
Reflexões...
 
... de uma melancólica tarde de outono.
 
 
Onde se esconde a felicidade?
- "onde... onde..."  me responde
o eco da saudade.
 
 
A pétala que cai,
da rosa cor-de-rosa,
é como verso deste haicai...
 
 
Um momento fugaz:
um beijo, um arquejo,
o mundo em paz.
 
 
Ouvinte das estrelas:
é um profeta ou um poeta;
ama-as mesmo sem vê-las.
 
 
A maré, a onda,
o vento. É o estremecimento
da lua que a terra ronda.
 
 
Uma lágrima rola
na face, no desenlace.
O adeus que desola...
 
 
Chove. Quanta mágoa
lá fora - o sol foi embora.
A tristeza, comigo trago-a.
 
 
Pena de mim. Pena...
Pode a saudade, em sua enormidade,
caber em alma tão pequena?
 
Giulia Dummont

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Gotas
Gotas

A gota
luzidia
correndo
em desídia.
 
E outra,
nitente,
vem vindo
silente...
 
Mais uma 
brotando,
palpita
brilhando.
 
E outra,
nascendo
hesita
tremendo...
 
E juntas 
se vão,
aos pares
ou não.
 
É pranto,
é dor,
é saudade,
é...amor!

 
Giulia Dummont

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Horas em Vão
Horas em Vão

 
Horas soam.
Horas vão
e vem.
Horas são?
Horas de soar
hora de ir
e voltar.
Horas são?
Hora de viver
hora de amar.
Horas são?
Hora de morrer,
horas vão,
em vão...
 
 
Giulia Dummont

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Lua Nua
Lua Nua

 
Na rua estreita
uma lua espreita
o meu caminhar.
Segue meu passo
no exíguo espaço
a me sombrear.
 
Ela, sozinha no céu,
eu, solitária ao léu,
ambas a vagar.
Na noite pacata
seu olhar de prata
o meu a cruzar.
 
E no denso mormaço
trocamos um abraço
por puro prazer.
Nessa cumplicidade
acreditei na felicidade
que ainda poderei ter.
 
Despedimo-nos sorrindo:
eu, brilhando na rua,
ela no céu, toda nua...
 
Giulia Dummont

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Pétalas
Pétalas

 
Numa tarde qualquer
ao vento da primavera...
Mal me quer, bem me quer,
vão-se as pétalas da quimera.
 
Meu bem mal-me-quer?
Também, pudera...
Só a tristeza a florescer
nesta vida megera.
 
Meu bem bem-me-quer?
Ah! Quem me dera....
em abraços o envolver
como os ramos da hera.
 
Uma flor imaginária
no jardim solitária
as tristezas despetalando
as alegrias despertando.
 
- Mal me quer?
- Bem me quer!
É primavera chegando...
 
Giulia Dummont

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Tua Ausência
Tua Ausência

 
A me fazer companhia
só ficou a tua ausência,
sombra ainda perdida
nessa minha existência.
 
Já não faz diferença
se virás amanhã.
Teu beijo mais tarde,
é uma esperança vã.
 
Teu cheiro se esvaiu
em tudo. Tuas mordidas
em mim, tuas marcas,
restaram bem escondidas.
 
Tua imagem amada
tua sombra, tua silhueta,
desmancha-se fluindo
como areias de ampulheta.
 
Se sobrou algum afeto
só me resta que te peça:
leva também a tua ausência
para que de vez eu te esqueça.
 
Giulia Dummont

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