| Índice |
Fernando Corte Real |
|
|
Página inaugurada em 09/11/2006 Ultima actualização 10/02/2007 |
Agenda As esquinas da lua Contos Crónicas da Net Entrevista Galeria de arte Livro de visitas Ecos do Ressoa Os poetas do canal Página Inicial Poemar na escola Poemas ditos Ressoa Página pessoal |
|
|
24 Poemas Editados |
Fernando Corte Real |
|
|
|
||
|
|
Fernando José Corte Real Azevedo – F. Corte Real Este poeta nascido a 21 de Março de 1958 em Lisboa, Portugal, tem entre outras obras de sua autoria os seguintes títulos: Jardim Agreste, Mapa dos Sentidos, Selá... E desde há vários anos, que vem publicando em jornais, e participado em concursos literários, jogos florais etc. Mantém uma colaboração activa em diversos sites e grupos de divulgação cultural, onde publica regularmente os seus textos. Com outros autores compôs a Antologia de Poesia Contemporânea, edição de 1985. O poeta que usa e assina vulgarmente as suas obras com o heterónimo F. Corte Real, também costuma utilizar o nome Cândido Lusitano ou Fernando Azevedo. Reside actualmente em Barronhos – Portugal.
|
|
|
|
||
|
|
Em Barronhos encontrei músicos a tocar, Encontrei o som de terras bem distantes Mas vinha triste, cansado de tanto andar Por entre funcionários lerdos e irritantes Que raiva,saber que os ando a sustentar...
E na rua havia baile,quem viesse beber, Roçar o corpo como quem inventa Amor Enquanto os músicos tocam para viver?. Dançam as mariposas com sinais de dor Nas asas queimadas ao Sol do meu ser.
Não posso passar ao lado desta alegria Que o povo anima e ajuda na demanda De ter na vida um Deus feito de ironia E de dogmas em que o silêncio manda Estar sujeito a miséria e casta idolatria.
Em Barronhos tudo acontece,estou lá... Vejo nascer a Lua e soltarem-se sonhos Que haja música e dancem onde está, O chão que eu piso por amar Barronhos E quem passa trazendo o que não há?.
Sossega-me o espírito saber o que sei, Abrir a porta e Barronhos ser a morada Não ter por vizinhos quem pense ser rei Mas ter os miúdos brincando na calçada, E por vezes falar das coisas que sonhei.
F. Corte Real Barronhos, 17 de Julho de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Enquanto dormes ocupo a Lua para apanhar Os filamentos dos teus sonhos iluminados Pela nudez do teu corpo que me faz andar Aqui por cima onde os anjos são visitados Enquanto dormes ergo a minha taça lavrada Com o pensamento de quem te encontrou E contigo viveu uma noite de tudo ou nada Nesta mesma Lua onde o sonho te deixou Enquanto dormes experimento a liberdade De me ver contigo bebendo a mesma ideia Vou atrás de presságios para ter a verdade Que existe enquanto dormes na minha teia E tenho no grito da coruja a pele arrepiada Por emoções que ilustram versos de Amor Um gato negro fitando esta Lua enfeitiçada Desenha triste uma sombra em meu redor Quem me dera ser a história de uma vida Um livro que te adormeça em meus lençóis E tu fosses em sonhos a bela adormecida Para com meu beijo te mostrar outros sóis Mas enquanto dormes sou eu e nada mais Que danço a fantasia de quem vai descobrir Em teu corpo o mesmo desejo e os sinais Que deixas enquanto dormes sem me sentir.
F. Corte Real Barronhos, 29 de Junho de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Arrisquei o sentimento de me ver... Voando por entre gaivotas cinzeladas No céu desta Lisboa que me quer, A flutuar sobre estas águas sonhadas. No peito a musa deita a inspiração Que encontra no Tejo uma passagem De luz e cor,em perfeita comunhão Com tudo o que encontro na viagem. E subo para além do que suponho Ser o reino de uma gaivota perdida Que por entre nuvens tudo é sonho De que se alimenta a própria vida?. Tudo tem o seu tempo para encostar A verdade de ser enquanto realidade E no meu voo sei que vou encontrar O tempo que transforma esta cidade. Ó Lisboa das minhas gaivotas voando Em céus de poesia lançada ao vento Do raiar do sol ás estrelas brilhando És tu que me dás asas e movimento.
F. Corte Real Barronhos, 12 de Julho de 2006
|
|
|
|
||
|
|
No outro lado do mundo... Só as máscaras da minha infelicidade Um pesar mais profundo Que a indiferença no rosto sem idade. No outro lado sem vida... Sem um poema para me olhar de novo Há uma mulher perdida Uma dor que me arrasta com este povo. Vejo apenas indiferença... Sinto só o grito na garganta simulado E não tenho a pertença De me ver cruzar um mar encapelado. O que faz de mim Amor O que me eleva em palavras por dizer São as coisas com sabor E o sabor está no que posso conhecer. Mas hoje neste lado... Aqui por detrás desta parede imposta O poeta vem danado E abriu o coração a quem mais gosta. Fechou a cortina e foi... Varrer as ruas onde nem a morte passa Que naquilo que lhe doi... A luz se apagou e finou-se a desgraça.
F. Corte Real
|
|
|
|
||
|
|
Foste tu... Que levaste tudo em tua espada E me pregaste a alma á fantasia Que fizeste tua a minha estrada E me deixaste louco num só dia.
Foste tu... Que me fizeste crer naquele Amor E me negaste a luz desse prazer Que pintaste o céu com negra cor Para me veres de noite a sofrer.
Foste tu... Que me falaste com uma verdade Feita de abraços beijos e ternura E me fizeste sonhar uma liberdade Que só existe se houver loucura.
Foste tu... Que em certas horas me elevaste E no meu olhar escreveste a vida Só para olvidar que não chegaste Dentro da razão que anda fugida.
Foste tu... Que me condenaste a um degredo Onde até existem palavras loucas E nos meus versos tens o segredo De serem música em tantas bocas.
F.Corte Real Barronhos, 28 de Agosto de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Escrevi algo de que não me lembro Escrevi algo...talvez em Setembro. O meu olhar corre por entre as árvores Do tempo em que a memória se quedou. Quero e não quero mais recordar favores Do corpo que se escreve com algo que se apagou. Estranho labirinto de pulsações temporais Um a um, os anos, parece-me. Correm iguais. Como o vento que apaga vestígios no areal Assim desmaio na vida do meu acto nupcial. Beijos, carícias, horas, dias...e tudo o mais Que uma aliança exprime num acorde musical. Magoam-me os reflexos dos escritos memoriais Mas se não me lembro...confesso que não sei Se recordar não é mais que uma penitência De um pecado cometido ao luar?. Mas pensei... E se eu fosse uma folha caída na inocência Deste chão pejado de corpos ao Deus dará?. Como é que se escreve Amor?. Depois de tantos anos em que o escrevi... Com o coração?. Como é que se escreve Amor?. Como é que se acredita ainda em escritos profanos?. Quem é que não morre um pouco ao abraçar a dor E vê que se esqueceu de algo muito mais promissor?. Mas por entre a esperança e desenganos... Hoje...a natureza esmerou-se em receber Os nossos corpos sedentos de prazer. E suo que nem um perdido... Atrás das borboletas da minha imaginação. Mas quando colo o corpo à terra... Faço Amor acometido Da mais sublime inspiração. Fechando os olhos... Como herói que sou desta guerra... A última batalha vem como expiação. Já não quero o teu corpo adulterado Nem as chamas do fogo mais sagrado Agora subo os degraus da iniciação. Já não sou eu... Mas apenas o tic-tac no tempo desta viagem. E deitam-se as flores à minha passagem O Sol não brilha como outrora... Ficou o campo vazio do meu querer. Tudo é o infinito de agora Em que faço algo mais do que viver. Alegria. Alegria que se veste Com a verdade que me deste. Descansa Linda,que ainda, irei te ver... Atrás das minhas borboletas a correr.
F. Corte Real Barronhos, 07 de Setembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
No chão da minha rua Há a imagem... Das crianças atrofiadas e esmagadas Pelas atrocidades da vida. E há a Lua... Que ilumina o que falta na coragem Das pessoas enganadas Em nome da liberdade pretendida. Na minha rua não há Deus?. É que esta gente nasce e morre... Com cara de quem nunca o conheceu. E não há mar... Nem sensações diferentes dos beijos meus. Até as águas que correm... São inundas como algo que apodreceu... Na valeta do findar. Neste chão que não é sagrado Há uma voz que se levanta... Coisas novas que é preciso conhecer. E até há um sonho... As crianças de corpo e alma sem pecado Brincando com aquilo que as encanta E vê-se que gostam de viver... Na minha rua. Suponho.
|
|
|
|
||
|
|
Tenho o trem que passa junto da janela Tenho arco-íris que me leva até ao céu Tenho uma rosa que de noite é amarela E a visão de um mundo que é só meu.
Tenho pouca terra,pouca terra,inventado Com a mesma água que deito nesta flor São tantas as cores no meu olhar velado Que tenho até saudades do meu Amor.
Neste dia há um rio que quer transbordar Galgar os montes que ficaram mais além Que eu sou poeta e procuro te encontrar No som dessa canção que arrasta o trem.
E tenho o que tenho no rasto da poesia Que a musa veio estender no meu jardim Um manto de inspiração que flores abria Sempre que as regava sem me ver a mim.
Quisera ter na seio das palavras semeadas A fonte onde todas as coisas sonham beber E ir pela rua com a poesia de mãos dadas Não para me encontrar,mas para me perder.
F. Corte Real Barronhos, 21 de Outubro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Canto a vida como a conheço E sei que o Sol é quente no verão Penso em ti quando adormeço E por ti Amor farei uma revolução. Na minha vida até o sonho é mar A imensidão perdida na demora De olhar o céu e poder contemplar O azul onde tenho a minha hora. Canto o mar...em nós o sinto E tenho em mim as ondas a bater Que ao Amor eu nunca minto Nem lhe escrevo só por escrever. Ah! se eu pudesse na verdade Levar o barco...aonde tu estás E ter no teu olhar a felicidade Das marés que ficam para trás. Talvez o sonho seja apenas ficar... No areal de uma praia qualquer E ouvir no mar sereias a cantar Quando a Lua vier nos conhecer. E no meu olhar de sonhador... Procuro as rochas que há em ti Rasgo tempestades de Amor... Digo-te tudo o que não esqueci. Um dia,quem sabe,talvez a sós Tenhamos nestas águas uma cama E como ilhas uma parte de nós Abraçando as ondas de quem ama.
F. Corte Real Barronhos,03 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Eu sou poeta. Um sonhador... Uma gota de orvalho dormindo... Num berço cristalino de recordações. Eis-me aqui... Denunciando preconceitos e vaidades. As luzes confundem-se no escarlate Do meu sangue animador. Rosas e túmulos são algo de mim Das minhas visões. E o mundo se transforma.Ri e chora. Pelos degraus da existência... Há outros céus.Outros azuis... Mais marés e mais jardins. Há também a projecção do eu universal... Na ode matinal suspensa... Em todas as florestas. Há o fôlego da vida pelas escolas... Da minha infância feliz. Há o amor lactente... Em todos os actos poéticos. Desesperadamente... Sou poeta de tudo o mais... Que ainda não entendi. E como simples mortal que sou... Aqui deixo as minhas impressões... O meu modo de ver e de sentir... A dor que encontro nas palavras... E nos cenários trágicos da miséria. Mas é na tristeza das crianças... Na existência real de tanto mal... Que me afundo nos meus ais. Eu que tenho no Amor a solução... Canto a vida com a força da poesia. E se tudo isto não te diz nada... Eu vou ali e já venho.
F. Corte Real
|
|
|
|
||
|
|
De onde me vem este dom terreno? Que musa me transporta a alto mar? Que sonho me fez poeta e ir sereno Ao encontro de tua boca para beijar?
Que ondas me agitam o pensamento Se cada praia tem o som da natureza? Eu que só tenho a vida de momento Tudo abraço para sentir essa certeza.
São as palavras a escorrer em desalinho... O gesto que agarra nuvens tresmalhadas És tu Amor deitando teu corpo no ninho Onde juntos descobrimos as madrugadas.
E ser poeta é ser tudo quando se é nada É ser quem somos sentindo bem no fundo... Que no orvalho da manhã fica sossegada A voz que o céu empresta cá neste mundo.
F. Corte Real
|
|
|
|
||
|
|
Eu... Que me sinto às vezes uma casca de noz E como um barco desço o rio das madrugadas Que tenho no teu corpo a mais bonita foz Sou um tonto á deriva nestas águas inspiradas. Eu... Que por vezes não entendo os teus sinais Nem tenho na distância o sabor da felicidade Que desejava ver no silêncio dos meus ais... Só me afundo no perfume de uma saudade. Eu... Que nesta vida não sou mais nem menos Nem quero a distinção de quem passa por mim Que a diferença só traz sonhos obscenos E todos vamos caminhando para o mesmo fim. Eu... Que ando nesta selva de gritos prepotentes Em que as árvores morrem sem saber porquê E não é o vento que nos mata as sementes Mas o poder com o machado que ninguém vê. Eu... Que já estou cansado de não ter o sossego... A Paz que desejava quando quero aqui escrever Não as palavras a que o mundo tem apego Mas tudo o que me impede de ser livre e o dizer. Eu... Que levantei o rosto para ver a desgraça Daqueles a quem são negados direitos universais Navego por este rio e digo a quem passa... Eu sou poeta.Às vezes,casca de noz,e nada mais.
F. Corte Real Barronhos,09 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Uma vez por ano... Por entre o bem e o mal O sagrado e o profano Juntos fazem o Natal. E nós que despertamos... Que vivemos o ano inteiro Entregues ao que contemplamos... Vamos buscar um pinheiro. Acendemos luzes diferentes Das luzes que a vida tem E vimos estrelas cadentes No céu que cobre Belém. Mas dentro da própria luz... Existe um desejo sagrado Queremos que seja Jesus A mudar o que está errado. Queremos que seja a Paz E seja lá onde for... A ditar o que nos faz... Querer um Natal de Amor. Procuro na minha lucidez A resposta que ninguém quer Mas uma criança talvez... Tenha muito para nos dizer. E no seu discurso inocente Exista apenas o crucial... Hoje,só quero um presente Que seja sempre Natal.
F. Corte Real |
|
|
|
||
|
|
Nasci no berço do Fado E com ele tenho andado A viver noites perdidas Mesmo assim ai quem me dera Ser mais vadio do que era O fado de outras vidas. Mas andei pelas vielas Ouvindo guitarras singelas Que o tempo não perdoa. Cada fado tinha o sabor Da saudade que o Amor Levou nas naus de Lisboa. Foram nuvens a passar Os fados que quis cantar Em momentos de ternura. Quis então na madrugada Quebrar silêncios e mais nada Enquanto a vida me dura. Com a voz solto a verdade E as gaivotas em liberdade Bebem o meu fado no rio São as coisas deste mundo A mexer bem cá no fundo Do meu fado que é vadio.
F. Corte Real Barronhos,18 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Lembro a gaivota suspensa no olhar E o sentido do beijo na primeira vez O sorriso trémulo das águas do mar Na hora em que perdemos a lucidez. Onde este Amor tomou conta de nós... Respirámos o prazer de estar ao vento Recebendo o corpo e sentindo na voz O fluir das palavras e do pensamento. Dei-te e recebi outro rumo para viver Recebi o Amor e nele é que me deito Insónias tenho só para te voltar a ver Gozando a Névoa Azul no meu peito. Um dia...se esta vida o quiser consentir Estaremos nós nas mãos da felicidade Semeando crianças para brincar e sorrir Tecendo beijos nascidos em liberdade. E na hora que a Névoa Azul se dissipar Ainda nos sobra o tempo para entender Mesmo longe já nada pode nos separar O pai chamou...só fui ver o que me quer.
F. Corte Real Barronhos,14 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Um dia mais tarde... Quando me encontrar de novo a sós comigo E posso até viver... De uma pensão estúpida e ordinária Posso até estar no inferno de castigo Nada sei...mas quando esse dia vier Queria estar apenas comprando chá na ervanária. Mas até lá...dêem-me tempo e espaço Deixem-me absorver a natureza Não me dêem flores Deixai-me antes...contemplá-las no jardim. E tu Amor...no meu sincero abraço Dá-me apenas uma certeza Se eu andar aqui por Lisboa e arredores... Tu minha querida...esperarás sempre por mim Que o Amor puro...o Amor verdadeiro Aquele que se levanta e deita com o mesmo pensamento Nunca será o que procuramos possuir primeiro Mas aquele que anseia partilhar cada momento. Um dia mais tarde... Quando tudo em nossas vidas for medido Os passos que deste, estão dados, não olhes para trás Mas os que deres com a intenção de magoar Esses, só te podem levar, aonde nunca ficarás... Com quem pensas amar. Que um dia mais tarde... Tal como eu...só olharás para as coisas de frente E nunca saberás quem fala por ti... Tanto pode ser a inocência como a esperteza No entanto, tudo o que fizeres, jamais ficará de ti ausente E o universo já não será apenas o Sol que te sorri Que nesse dia...o todo se sentará à tua mesa E nessa hora, um dia mais tarde, deixa de fazer sentido. Hoje...olhei-me ao espelho e senti que não fui compreendido.
F. Corte Real Barronhos,22 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Não tenho medo de cair... Porque não subi para lado algum Levaram-me e deixei-me ir... E fui por não ser apenas um. São tantos em mim e fora de mim E todos se vão com quem os levar Todos se repartem e antes do fim Precisam de subir,de se entranhar. Se vai o poeta e os versos seus... Eu fico aqui cuidando que vá... Que entre nós nunca houve um adeus Apenas um até breve ou até já. Todos são do mundo e de quem os lê Todos menos eu,que fico aqui... E nunca subo...ninguém me vê Se nada achei...o que perdi?. Mas de quem falo se me tocou... A gargalhada dos entendidos? Se me toca a ironia de quem ficou Aqui entre os achados e perdidos. Tudo bem,aceito a humana procura Que me quer ver entre os demais A pensar onde vão pôr a sepultura Onde posso ouvir o eco dos meus ais?. Que por entre alturas há as estrelas Com diferentes dimensões para brilhar E nós sabemos que só tocam nelas Aqueles que mais alto merecem voar.
F. Corte Real Barronhos,29 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Uma mulher me ergueu Outra me quer destruir E uma outra ainda... É que me dá forças para viver. Minha mãe que a vida me deu A que não me deixa sorrir E a estrela mais linda... Que me foi dada a conhecer. Todas elas... Que não são apenas mulheres Nem nuvens que já passaram... Por entre as horas do meu destino Todas belas... Como são as folhas dos malmequeres Que no bem e no mal se desfolharam E me conhecem desde menino. São elas... Que me sopram o orvalho da manhã E me despertam do sono que há em mim Meus amores,doces bagos de romã Minha flor que te tornaste erva ruim Que Sol ou Lua vos posso dar Se sinto que a minha luta é vã E já estou tão perto do fim Que não sei se rir ou se chorar?. Apenas me levanto a meio da noite E fico olhando o que tenho ou não Mas vem a vida com o seu açoite Me tira tudo e atira ao chão. Sim!estou colado ao pó da terra Só o meu olhar tem a liberdade De vasculhar o mundo em meu redor. E Vénus lá em cima o brilho encerra Cai sobre mim com seu manto de felicidade Vem para me levantar de toda a dor. Que abraço pugente,quente e acolhedor Vénus me dá neste encontro derradeiro Em que fecho os olhos para sentir... O beijo de quem ainda me tem Amor. Ah!Hoje não serei mais o beija-flor Povoando os meus jardins de sonho inteiro. Hoje!faço as malas e não vou partir... Apenas fico aqui e apago neste cinzeiro Os cigarros que acender para me consumir E não pensar em mais nada,seja o que for.
F. Corte Real Barronhos,30 de Novembro de 2006
|
|
|
|
||
|
|
Os pontos,as virgulas,as frases marretas Os canudos,as contas,de quem quer estudar Apertam-se os cintos,as mamas,as tetas... Deixai vir os doutores,pôr os recos a pastar.
O desfalque,a falência,os podres do mundo Os sonhos,as luzes,de um homem perdido... Virá a reforma,quando estiveres moribundo E a vida tem coisas...até coito interrompido.
Um hino,o brazão,o colapso de uma nação Os fados,os toiros,mais os craques da bola Dividem-se famílias,os tachos,a corrupção... Somam-se os vidrinhos trazidos de Angola.
Os mapas,as cartas,um pensamento genial... Os euros,este império,um filme a não perder Se no passado ficou o teu aumento salarial... És um europeu da treta,que mais podias ser?.
Os contos,as fadas,os bandidos na esquina O stress,o progresso,de um tempo demolidor |