Índice  

Fatyly

Última actualização

24/10/2006

Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal

18 Poemas editados

- Anjo da Guarda

-Ausentes de tudo

- "Brecth"

- Como dizer-te

- Ecos Angolanos

- Eu e tu

- Falando com Camões

- Linguagem das flores

- Mãe

- Olhar Poético

- Ponto d'um horizonte

- Por dia 26...

- Queria

- Retalhos de uma vida

- Sem título

- Sonho colorido

- Um Tigre... ferido

- Uma tentativa de poema

- Velhos

- www

Olhar

Luis Pedro

 

 

 

 

ANJO DA GUARDA

 

Leva-me contigo...

abraça-me de mansinho

tira-me deste caminho

que deixou de ter brilho

sempre tão sózinho

...porque eu já não consigo!

 

Leva-me contigo...

a ver de novo o mar

olhar de novo a lua

acreditar de novo na vida

dar a minha mão a quem precisa

...porque eu já não consigo!

 

Leva-me contigo...

olhar de novo os campos

gostar de novo de cravos amarelos

andar descalça à beira mar

sentir nos pés o seu ondular

para continuar a sonhar

...porque eu já não consigo!

 

Leva-me contigo...

para um sítio inventado só nosso

onde o sorriso seja meu, teu, nosso

de tudo desisti... porque não posso

tira-me por favor deste fosso...

...porque eu já não consigo!

 

Leva-me contigo...

já que és meu amigo

dá-me o teu abrigo

nessas tuas asas onde me aninho

quieta nesse teu cantinho

que fazes tudo com carinho

transforma-me em golfinho

...porque eu já não consigo

...porque eu já não

...porque eu já

...porque eu

morri!

 

Fatyly

2003

 

Índice Fatyly

 

 

 

 

Fatyly falando com Camões

 

Descalça vai para a fonte

Descalça vou mas para a beira mar

 

Descalça vai para a fonte

como vês é verdade, vou mas à beira mar

Lianor pela verdura;

Fatyly pela areia molhada onde o sonho perdura

Vai fermosa, e não segura.

fermosa? és doido? sorrio por isso sou segura!

 

Leva na cabeça o pote,

o pote? não amigo na cabeça não levo nada

O testo nas mãos de prata,

qual testo, é um livro nas mãos rugosas

Cinta de fina escarlata,

isso já não se usa, são todas pirosas

Sainho de chamelote;

com este tempo vou bem agasalhada

Traz a vasquinha de cote,

isso era no teu tempo, morria abafada

Mais branca que a neve pura.

sempre fui branca como a neve, mas pura???

Vai fermosa e não segura.

fermosa? és doido? sorrio por isso sou segura!

 

Descobre a touca a garganta,

tira tu, aqui está muito frio nada destapo

Cabelos de ouro entrançado

os meus são brancos e não uso tranças

Fita de cor de encarnado,

havia de ficar linda com essas tangas

Tão linda que o mundo espanta.

ah,ah,são resmas, por isso na Praia Grande não escapo

Chove nela graça tanta,

qual graça, lágrimas porque chove a potes... oh parvo

Que dá graça à fermosura.

graça à fermosura? dou asas é ao pensamento, sinto ternura

Vai fermosa e não segura.

fermosa? teimoso!  sorrio por isso sou segura!!!!!!

e sabes, é lá que deixo a minha amargura

anda daí Camões vais ver o que é doçura!

 

Luís de Camões (deixa-te ficar...)

 

Fatyly

2003

Índice Fatyly

 

 

 

 

 

Linguagem  das flores...

 

Olhando para o nosso mundo

Vejo o planeta tão desigual

Mas nasce no coração bem fundo

Flores de Pessegueiro - Amor Conjugal.

 

As guerras feitas pelos dirigentes

na ganância os seus olhos se fecham

Mas existem outros olhos inteligentes

Dálias Vermelhas - os teus olhos queimam.

 

Questionar o motivo de tão horrível indecência

No meio de tantos Narcisos - Egoísmo e Vaidade

Por sermos Margaridas Pequenas e Brancas - Inocência

Apenas suplicamos e rezamos pelo fim da barbaridade.

 

Mas quando a guerra termina

O velho mundo pula e avança

E no nosso interior germina

Amendoeiras em Flor - Esperança.

 

No meio de tantos escombros aparecem

Lírios Silvestres - Regresso à Felicidade

E de novo todos os povos juntos renascem

Como jardins de Jasmins Brancos - Amabilidade.

 

E os povos de novo juntos... trocam

Camélias Japonesas - Arrependimento

E os olhos menos tristes... focam

Camélias Vermelhas - Reconhecimento.

 

E em todos os continentes a vida retorna

Como Cravos Brancos-Ingenuidade-Amor Ardente

E em cada um de nós há uma nova reforma

Feita de Flores de Lis - Beleza Atraente.

 

Pela troca de uma Flor de Castanheiro - Perfídia

Dou-te um ramo de Magnólias - Amor à Natureza-Simpatia

 

Pela troca de uma Giesta - Desesperança

Dou-te um ramo de Iris Azuis - Confiança

 

Pela troca de um Amor-Perfeito - Recordação

Dou-te um ramo de  Nenúfares - Pureza de Coração

 

E de  cada um de vós peço apenas ...uma...

Flor de Alecrim - A tua presença dá-me forças...

 

Fatyly

2003

 

Índice Fatyly

 

 

 

 

 

Sonho colorido

 

Quando se dorme todos sonhamos

a defesa do nosso subsconsciente

de uns facilmente nos lembramos

de outros... nada temos ciente!

 

O engraçado desta questão

dos que me lembro são a cores

faz-me uma tremenda confusão!

porque até as coisas têm sabores!

 

Nuns sonhos vejo-me a andar

pela minha terra vermelha

muitas saudades de a pisar

poder voar como uma abelha!

 

Como maboques, côcos e pitangas

trepando às arvores como fazia

maçãs-da-india, múcuas e mangas

oh... oh...que bem que me sabia!

 

O Mar... é  quente e azulado

águas límpidas e transparentes

salto, mergulho, brinco e nado

num vaivém como os párapentes!

 

Do norte ao sul de Angola

a paisagem é de rara beleza

as matas e rios fazem uma bola

no sonho brinco com a sua leveza!

 

Coqueiros, palmeiras e embondeiros

é parte da sua grande vegetação

mas de certo com os bombardeiros

já nada daquilo tem animação!

 

Petróleo, diamantes é p'ros de fora

enormes riquezas mal exploradas

e o povo angolano sempre chora

tocando batuques nas suas matas!

 

Mas a terra vermelha apareçe

superior a todas as agressões

o que tomba de novo cresce

não ligando nunca às opiniões!

 

Terra tropical bela e linda

onde a ganância tudo desfez

e nós pobres na berlinda

de quem quiz tudo de uma vez!

 

E o meu sonho é colorido

pois o futuro há-de ser bom

protegendo o povo querido

pondo Angola noutro tom!

 

Luanda espera por mim...que um dia voltarei!

 

Fatyly - 2003

Índice Fatyly

 

     

 

 

 

UM TIGRE... ferido

 

A noite caiu, os sons nocturnos ecoam no ar

no meio da selva um "tigre" procura sobreviver

no seu passo elegante, caminha, como se fosse voar

mas seus olhos de felino não conseguem ver

o que lhe irá acontecer

o que lhe irá atraiçoar!

 

Por entre a densa vegetação, um tiro, um rebentar

disparado de uma arma disfarçada de calor

carregada de palavras doces e com sabor

embrulhada num papel feito de amor

nas mãos de alguém sem qualquer pudor

atingindo o "felino" sem nada lhe perguntar!

 

Ferido de morte, chaga aberta perto do coração

o "tigre" dá a volta num cambalear

silencioso... geme sem parar

como companhia apenas o luar

segue o trilho que o trouxe num embalar

no tronco do embondeiro se esconde, ficando no chão!

 

Deita-se num esticar sofrido, muito dorido

bebe a água que escorre do embondeiro

o sofrimento como companheiro

verdadeiro

lambe a ferida de tom vermelho

pobre "tigre", pobre animal, era apenas amigo!

 

O nascer de um novo dia faz o sol brilhar

um raio de luz cobre o "tigre", num sorrir

sarou-lhe a ferida, deixou-a de sentir

dentro do embondeiro uma flor a abrir

as forças, a coragem, de novo a sentir

novo eco na selva: "Fatyly tens que partir"

coragem, não deixes de sorrir e continua a acreditar

pois nada, mesmo nada te fará parar

na vida continua essa tua grande forma de "estar"!

 

Fatyly

2003

*embondeiro - árvore de grande porte das matas de Angola

Índice Fatyly

 

     

 

 

 

Por dia 26 ser meu dia...

A ti minha mãe

 

Os meus pais emigraram

Pelos meus avós arrastados

Por Angola lá ficaram

Mas nunca foram abastados!

 

O meu pai mais teimoso

Minha mãe mais tolerante

Mas ele sempre amoroso

E ela amorosa e radiante!

 

Cinco filhos tiveram

Três raparigas e dois rapazes

Cinco sarilhos criaram

Não sei como foram capazes!

 

A todos sempre deram

Amor, Educação - VALORES REAIS

E lá todos conseguiram

Serem verdadeiros e leais!

 

Eu fui a mais reguila

Pobre deles... o que passaram

Menina, menina... não refila

E disso eles não me curaram!

 

Os cinco passaram a quatro

Quando o João nos deixou

Fixo a foto no meu quarto

Mas no meu coração ele ficou!

 

O meu pai também partiu

Para junto do nosso João

Ficou mais um lugar vazio

Nesta família com BRAZÃO!

 

O BRAZÃO não é de realeza

Desta família de vários elementos

Só tu querida MÃE és a ALTEZA

Sofrendo com os nossos apertos!

 

Por Portugal estamos espalhados

Cada um tocando a sua vida

Mas todos estamos amarrados

Em ti Mãe com uma guita!

 

Dizer a ti minha Mãe:

- que não somos crianças

- que não sofras por nós

- que não penses tanto em nós

- que não chores por nós...

é o mesmo que dizer, perde as esperanças

porque para ti seremos SEMPRE crianças

como o teu amor me sabe tão bem!

 

Apesar da vida tão difícil que sempre tive,

porque foi neste mês que a tua reguila nasceu

digo-te Mãe, que sou FELIZ, e sempre vive

o sorriso, a alegria, a esperança que contigo aprendeu!

 

A ti pai, olha por mim e ajuda-me sempre... onde estiveres!

 

Fatyly

Janeiro/2004

Índice Fatyly

 

     

 

 

 

Queria

queria ser lua
mas não consigo

queria ser sol
mas não tenho brilho

queria ser homem
mas é mais ferido

queria ser altiva
mais refilona
mais mandona
ninguém pisaria
julgaria
duvidaria

querer...queria...
mas sou sempre
a mesma Maria!

sentava no alto do embondeiro, abro a múcua,
começo a comê-la que arrepio...
cuspo os caroços para o mundo pequenino a meus pés...e
silenciaram-se as armas
não há fome, não há frio, não há choros,
há amantes, amados, calor...calor humano...
poesia...poesias
plantados por simples caroços!
Querias?


12/02/2005

Índice Fatyly
 

     

 

 

 

Como dizer-te?

 

"Porque não sei como dizer-te sem milagres

Que dentro de mim é o sol, o fruto,

a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,

o amor,

que te procuram.

 

E penso que vou dizer algo cheio de razão,"

eu nunca saberei como encontrar-te

falar-te

se me procuras... saí da escuridão

não são precisas frases

dá-me apenas esse teu calor

a tua mão

quero correr, chorar e abraçar-te

aperta-me nos teus braços

com fervor

ensina-me a dar esses passos

p'ra sentir o que é ser de alguém!

 

Junta todos os pedaços

que fazem parte de mim

"do amor

que te procuram

sem milagres!"

 

Fatyly

10/03/2005

(do poema "Não sei como dizer-te... - Herberto Helder")

Índice Fatyly
 

     

 

 

 
Uma tentativa de POEMA!!!!

Deleito-me a olhar o mágico entardecer
bola laranja desaparecendo no horizonte
o manto da Lua abraça o escurecer
sinto nostalgia na visão desta ponte!

Devagar bem devagar vai-se afundando
no mar de sonhos cintilam pontos luminosos
vislumbro olhares, carícias de seres amando
a brisa acaricia meu rosto com sulcos rugosos!

Só, muito só, voo para além do oráculo do mundo
anos passados, dias contados tão desatinados
recosto-me no conforto da minha visão e afundo
não choro, não grito perante acordes desafinados!

Depois de horas e horas descanso a cansada visão
da letargia incómoda, negativa e besta... acordo
só de imaginar em sentir o toque macio da tua mão
sacudo a poeira, sorrio e ponho a chave na ignição!

Fatyly
16/6/2004

Índice Fatyly
 

     

 

 

  Eu e Tu

Nascemos na mesma rua
onde crescemos a brincar
dizias que eu era só tua
recordo esse namorar!

De cadernos na mão
íamos juntos p’ra escola
ainda guardo o botão
mas perdi a sacola!

Era sempre no meu quintal
ninho de putos numa alegria
de todos p’ra mim eras o tal
de todas p’ra ti era preferida!

Crescemos e trabalhámos
ambos na mesma empresa
já não éramos namorados
fomos amigos na mesma!

Longe do quintal e anos passados
coincidente ter-te encontrado
no mesmo Banco empregados
Tu no norte e eu no centro!

O grupo do quintal aí se juntou
recordo esse grande almoço
o namoro em Angola ficou
falar p'ra ti seria um alvoroço!

Os ciúmes é uma doença
não nos deixam respirar
nem sequer se disfruta
do verdadeiro verbo amar!

No girar do tempo eu nada sabia
de ti meu velho e bom amigo
soube por ti a triste notícia
não estás só, tens o teu filho!

O mundo nas voltas e beldrocas
numa giratória de trinta anos
só nos soube trocar as voltas
sofremos com tantos enganos!

Tudo passa, tudo se aguenta
foi bom ouvir o teu gargalhar
ao recordar-te a velha mulemba
a única que não se deixou enganar!

Tudo o que disse é verdade
amigos vão...amigos vêm
nunca usei amarras à base
uns ficam outros partem
porque a amizade
é também liberdade!!!

Fatyly
9/04/2005

Índice Fatyly
 
     

 

 

 

Velhos

Fui envelhecendo com o tempo
meu corpo parece tule
todos foram numa partida
choro neste degrau da vida
fiquei muito mais resinga
sinto-me como um degeto
já não precisam porque
não sirvo, não presto!

Lágrimas molham meu dia
envolvida em recordações
fui autora duma familia
ainda terás esta fisga?
o tempo levou-te a boina
com ela a paciência
a mim todas as ilusões
falo com meus botões
não sirvo, não presto!

Fatyly
27/05/2005

Índice Fatyly
 

     

 

 

 

www...
  
Algum dia tinha que dizer
a realidade deste mundo
porque de novo pude ver
o que há em ti de absurdo!

Que adianta a tua agressão
pensa e julga o que quizeres
aprenderás na vida a ter noção
que nem todos são como queres!

Tuas palavras rua aveludada
mas nas vielas és traiçoeiro
já que a palavra concertada
vale mais que um guerreiro!

Aqui não ando na tua peugada
nem na tua nem de ninguém
seria incapaz de te dar pedrada
como as que mandas a alguém!

Julgas que só tu és poeta
não há quem escreva tão bem
respondo-te amigo, uma treta
poetas aqui são mais que cem!

Fatyly
18/07/2005
Índice Fatyly
 

     

 

 

 

Sem título...
 
 
Queria dizer que os homens não prestam
mas prestam sim
Queria dizer que não há educação nenhuma
mas há educação sim
Queria dizer que há tantos falsos amigos
mas há amigos sim
Queria dizer que a vida não tem espinhos
mas tem espinhos sim
Queria dizer que não há quem ande a fingir
mas há quem finja sim
Queria dizer que ninguém usa os outros
mas há quem use sim
Queria dizer-te muitas coisas
mas tu pobre narciso podre
sentirás na pele o teu triste fim
aprenderás em sofridos gritos
que afinal viver a VIDA
não deveria ter sido assim!
e eu? eu não sei mentir
pessoas como tu
não deveriam existir!

Fatyly
(1991)
18/10/2005

Índice Fatyly
 

     

 

 

 

Retalhos de uma Vida 
 
Raramente páro para pensar
fazendo um balanço de vida
mas resolvi olhar e apreciar
os retalhos da minha manta!
 
O tempo passou a correr
tanto trabalho... tanta luta
parti agulhas num coser
com linhas de cerda dura!
 
Em dois lindos retalhos alegres
cerzidos com coisas tão banais
fortes p'ra serem mulheres
e nunca andarem aos "ais"!
 
Mas a manta foi crescendo
porque mais dois apareceram
cada uma com seu namorado
n'ela também se aqueceram.
 
Refiz, compus e remendei
p'ra ficar ainda mais forte
e num piscar d'olhos fitei
o aumento da minha prole!
 
Feri os dedos à exaustão
alarguei p'ra haver espaço
ponto duplo com o coração
e duas netas no meu regaço!
 
A minha vida é feita de retalhos
miro a manta já bem cinquentona
não olho p'rós tristes e enrrugados
fixo-me em seis bem orgulhosa!

Fatyly
18/11/2005

Índice Fatyly
 

     

 

 

 

Ponto d'um horizonte
 
A vida vai correndo no seu toc-toc sem dó nem piedade
a tristeza impera na retina cansada de quem t'observa
denuncias-te numa dor em belas palavras, verdade?
tristemente não passas d'um barco sempre à deriva!

Tu que agora me lês, sim tu, talvez até tu, desatino
deverias pensar que o mundo é um bem de todos
no teu carro em alta velocidade, em grande estilo
és dono do mundo fazendo d'outros meros tolos!

Ah...mas a estrada da vida nunca é totalmente lisa
toda ela é feita de... buracos, pedras, altos e baixos
no dia em que sentires a dor no dobrar dum'esquina
verás e sentirás que afinal também és dos "lixos"!

"Nunca mais! Nunca mais!
Tempo da minha descuidada meninice, nunca mais!...
Era bom aquele tempo
 era boa a vida a fugir da escola a trepar aos cajueiros
 a roubar os doceiros e as quitandeiras
 às caçambulas:
Atresa! Ninguém! Ninguém!
tinha sabor emocionante de aventura
 as fugas aos polícias
 às velhas dos quintais que pulávamos
Vamos fazer escolha, vamos fazer escolha
 ... e a gente fazia um desafio..."

Estou farta de sentir este trilhar arrepiante
vai-se a mocidade e com ela o seu brilho
ao teres feito tudo num acto descartante
perdestes afinal o teu maior "desafio"!

Fatyly
26/12/2005
 
"..."António Jacinto (Angola)

Índice Fatyly
 

     

 

 

 
Ecos Angolanos
 
 
Deixa-te ficar deitado
debaixo de mangueiras
dormindo ou acordado
fica assim como queiras!
 
A teu lado eu estarei
debaixo da pitangueira
uma vez mais sentirei
a minha terra feiticeira!
 
Slides feitos em sonhos
relembrados em cada dia
com uma mão nos ombros
hoje, sem malas, partiria!
 
Fatyly
24/09/2005
 
Índice Fatyly

 

     

 

 

 
Olhar Poético
 
  
Meus olhos pousaram 
na vossa bela poesia
e vislumbraram
olhos que sentem
olhos que choram
olhos que sorriem
olhos que amam
olhos que iludem
olhos que perfuram
olhos que entontecem
olhos que... 
foi nesses olhos amigos 
tão cheios de magia
poesia
já envelhecidos
meus olhos repousaram!
 
Fatyly
17/08/2005

Índice Fatyly
     

 

 

 
MÃE
 
 
Logo na sua concepção
dentro do ventre materno
sem ter qualquer noção
surge esse milagre eterno!
 
Tudo se transforma e disforme
a barriga vai crescendo
a mãe pouco ou nada dorme
porque já se vai preocupando!
 
O pai com o seu carinho
abraça-a e deve animar
ambos vão ter um filho
que deverão saber amar!
 
Mãe, ser mãe, é diferente
atenta num mundo desatento
só ela sabe, só ela sente
o que se passa com seu rebento!
 
É estar sempre presente, mesmo ausente
limpa a lágrima que caí, com um sorriso
abraça, acarinha e diz...vai em frente
pois sabes que sou o teu porto de abrigo!
 
Por vezes fica sózinha no barco da vida
mas nunca sem o abandonar
ser mãe é ter só um bilhete de ida
na viagem do verbo AMAR!
 
Mães que choram e vão morrendo
porque perderam os seus filhos
envelhecem num sofrimento
porque jamais foram esquecidos!
 
Ser mãe afinal é tudo
ser mãe é o que eu sou
não tenho poderes no mundo
mas elas sabem quem eu sou!
 
Fatyly
27/04/006
 
Índice Fatyly
 
     

 

 

 

Brecht

(...)fazendo mais apelo à razão

do que ao sentimento,

deve desencadear no espectador

uma tomada de consciência(...)

 

A minha....versão

 

"Lista de Preferências"

de Bertolt Brecht

 

I

 

Alegrias, apenas as sonhadas
Dores, sentidas em silêncio
Casos, batidos em almofadas
Conselhos, de quem mete medo.

II

 

Meninas, e meninos que se amam
Mulheres, e homens que se odeiam
Orgasmos, que nunca sentiram
Ódios, que assim se cultivam
Domicílios, onde se espancam!

 

III

 

Adeuses, tão provocatórios
Artes, tão medievais
Professores, de manicómios
Prazeres, de animais
Projetos, sem qualquer vitória
Inimigos, que ficam na história
Amigos, para nunca jamais.

 

IV

 

Cores, vencidas pelo negro
Meses, entre quatro paredes
Elementos, dum puzzle ao vento
Divindades, já inexistentes
Vidas, que nesse sofrimento
Mortes, escape e latentes!

 

Fatyly

22/04/2006


Índice Fatyly
 

 

     

 

 

 

Ausentes de tudo

 

 

A vida por vezes é traiçoeira

leva-nos ao fundo do poço

procura-se no suicídio a maneira

de nos tirar desse alvoroço!
 

Olha para mim, destapa o teu olhar

não tenhas vergonha do que fizeste

porque o mar no seu ir e voltar

também ele por vezes é tão agreste!
 

Momentos em que nada se escuta

por mil palavras... vale uma mão

que no silêncio pode ser a batuta

da nova melodia no teu coração!

 

Fatyly

23/10/2006

Índice Fatyly
 

 


Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal