Índice Euclides Cavaco

Ecos da Poesia

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Página inaugurada em 12/12/2005

Ultima actualização da  página 15/12/2005

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Biografia

40 Poemas Editados

- A Camões

- A força de um nada

- Abraço ao mundo

- Adeus a um fadista

- Aguarelas de Lisboa

- Alma do Fado

- Alma Lusíada

- Alma Portuguesa

- Amor feito poesia

- Balada de Outono

- Berço do fado

- Caravela quinhentista

- Contrição

- Dança da vida

- Delicadeza

- Este povo... que nós somos

- Fado das caravelas

- Fado e saudade

- Hino à Mãe

- Indelével saudade

- Liberdade

- Maldita droga

- Mulher, esposa e mãe

- O Sol na minha mão

- O tempo que não vivi

- Ode à mulher

- Ontem

- Palavras ao vento

- Pedaços do meu País

- Pérfidas matilhas

- Perfume do fado

- Pregões de Lisboa

- Quem somos?

- Sem Deus

- Solicitude

- Traineira da vida

- Transcendências

- Triste fado

- Triste realidade

- Voz da Saudade

 

Euclides Cavaco

 

 

 

 

Biografia

 

Euclides Cavaco, nasceu no concelho de Mira, distrito de Coimbra num berço humilde onde viveu até concluir a instruçãoprimária. Devido às carências implícitas do tempo não lhe foi possível continuar os estudos, por isso muito jovem ainda rompeu oshorizontes e decidiu ir para Lisboa onde conseguiu um emprego e simultaneamente conciliar o seu grande sonho de estudar.

Com a sua persistente tenacidade, concluiu em Lisboa o curso geral dos liceus e frequentou posteriormente os estudos superiores.

Começou a escrever poesia nos seus anos académicos e tem feito dela uma constante da vida. O Euclides é um amante do FADO.

Foi talvez no FADO que encontrou a sua inspiração maior. Por ele nutre uma transparente paixão consagrando-lhe grande parte da sua vida. Escreve-o para fadistas e declama-o com grande estro poético. Essencialmente dá-o a conhecer ao mundo.

Na década de 60 parte para Angola, onde fez o seu estágio para locutor da Rádio.

Em 1970 num impulso de aventura radicou-se no Canadá, onde concluiu o curso de Gestão Administrativa (Business Administration) e alcançou o estatuto de empresário.

Em 1974 funda com um grupo de amigos um programa de televisão com o título Saudades de Portugal, de cujo foi apresentador.

Em 1976 é nomeado Comissário Público pelo Governo do Ontário.

Em 1980 liga-se à RÁDIO VOZ DA AMIZADE no Canadá, de cujo programa é produtor e apresentador há 25 anos.

A obra de Euclides Cavaco são em resumo quase 35 anos dedicados à divulgação da Língua e Cultura Portuguesa no Canadá e no mundo, bem como à dignificação das nossas coisas e da Nossa Gente e ao nome de Pátria que tanto ama, através da sua poesia.

Por isso, tem merecido diversas distinções honoríficas entre as quais se destacam:

Condecoração oficial com a medalha de honra pelo Governo Federal do Canadá em 1992.

Agraciado com a medalha e diploma de reconhecimento pelo Ministério da Cultura Canadiana em 1993.

Premiado com o PRECOM da literartura em 2000 na cidade de Toronto.

Destacado pelo "London Free Press" numa edição especial em Maio de 2000, como: " The King of Little Portugal"

Homenageado pela Assembleia da República Portuguesa com a medalha de mérito em 2001.

Em 2002 é homenagiado com a placa "TALENTO E SIMPATIA" pela organização Comunidade em Destaque.

Nomeado membro honorário da Academia Brasileira de Letras em 2003.

Distinguido com o troféu " PRESTÍGIO E DEDICAÇÃO" das Comunidades Portuguesas pela revista Portugal em 2004.

Em 2005 aceite como membro na ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS.

Muitos outros troféus, placas, medalhas e diversas distinções honoríficas lhe têm sido conferidas ao longo da sua carreira.

ECOS DA POESIA, www.euclidescavaco.com é a sua página na internet dedicada à POESIA PORTUGUESA , cuja já registou quase 100.000 visitas. Esta página dá peculiar relevância à POESIA DECLAMADA, contendo também grande diversidade de POEMAS ILUSTRADOS, FADOS, BALADAS , CANÇÕES, PASSATEMPOS e PUBLICAÇÕES SEMANAIS, tais como: O Poema da Semana e Passatempos em verso.

Obras do autor : PEDAÇOS DO MEU PAÍS, (obra poética que lança com autêntico êxito, em cujos poemas preconiza o seu grande amor à Pátria que o viu nascer e deixa nitidamente transparecer com todo o sentimento a sua paixão pelo FADO). Outros trabalhos:

VOZ DA ALMA, ECOS DA POESIA , NATAL DA DIÁSPORA, RETALHOS DE FADO, ( CD e LD)

QUANDO O MEU CANTO É POESIA, TERRAS DA MINHA TERRA (LD) e participação em 6 ANTOLOGIAS POÉTICAS.

Trabalhos Ainda não editados: TRIBUNA DA POESIA, CULTO AO FADO, À DESCOBERTA DA HISTÓRIA, PASSATEMPOS EM VERSO, HISTÓRIAS QUE NINGUÉM CONTOU, DEDICATÓRIAS e SÁTIRAS.

Euclides Cavaco persevera escrevendo poesia deixando transparecer nos seus poemas a terna magia da sua inspiração.

O seu género poético tem atraído a admiração e preferência de diversos intérpretes do fado, da canção e das baladas.

Mais de 120 temas seus foram já gravados em CD. (Alguns estão disponíveis nesta página onde poderão ser ouvidos).

É autor de diversas rubricas de poesia publicadas em conceituados jornais, revistas e páginas na internet. Paralelamente recita-a com grande convicção Lusíada nas frequentes aparições e entrevistas concedidas à rádio e TV , bem como nos espectáculos onde actua, procurando sempre glorificar o nome e a imagem de Portugal e DESTE POVO QUE NÓS SOMOS.

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AGUARELAS DE LISBOA

Queria ser como a gaivota
Que de manhã sobrevoa
Toda feliz e sem rota
As colinas de Lisboa...

Queria ser como o ardina
Cuja voz bem cedo entoa
A imprensa matutina
Pelas ruas de Lisboa...

Queria ser como a varina
Que a sua venda apregoa
Sempre lesta e libertina
Pelos bairros de Lisboa...

Eu queria ser marinheiro
P’ra bem firme junto à proa
A bordo dum cacilheiro
Ver as docas de Lisboa...

Queria ser o Cristo Rei
Que lá do alto abençoa
Como patrono da grei
O céu da nossa Lisboa...

Queria ser como a guitarra
Para à noite acompanhar
O fado com toda a garra
Por quem o sabe cantar !...

Euclides Cavaco

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ALMA DO FADO


Fado...
Meu fado amigo
Fado triste e magoado
P’las tristes penas da vida.
Ai..quantos silêncios
Comungas comigo
Por às mágoas dares guarida
Na tua alma de fado...

Fado
Meu fado confidente
Dos momentos de solidão
Meu fado feito gente
Que sentes no peito
A dor e a agonia...
E com emoção
A transformas com teu jeito
Em suave melodia
Que mitigas docemente
Nos versos duma poesia...

Fado
Meu refúgio e acolhimento
Que a alma sabes abrir
Para à angústia dares alento.
Fado que quero tanto
Por amenizares as penas
E as aceitares a sorrir
Tornando-as mais amenas
Na voz dum calado pranto...

Fado
Meu fado de alma pura
Tens comigo afinidade
Porque ao mais leve queixume
Entendes minha amargura
Moderas o seu negrume
E dás-lhe suavidade...
Com a tua singeleza
Penetras na minha essência
E juntos em voz coesa
Entoamos em cadência
O teu hino da amizade...

Fado...Fado meu
Peço que fiques aqui
Na vida sempre a meu lado
E dela sejas meu lema...
Ilumina meu caminho
E entende no meu poema
O meu canto magoado
Que sussura para ti
As minhas penas
Em fado !...


Euclides Cavaco

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ALMA LUSÍADA

Ser português
É amar a Pátria Portuguesa.
É tê-la sempre presente,
É gostar com muita firmeza,
Das nossas coisas
E da nossa Gente.

Ser português
É vibrar de emoção,
Ao descobrir
Entre mil bandeiras
Desfraldadas ao vento,
A bandeira da Nação.

Ser português
É ter orgulho da nossa história
E dos nossos antepassados.
É dar testemunho
De tudo o que somos
E com muito prazer,
Nos sentirmos honrados.

Ser português
É entoar com emoção,
O nosso Hino e as nossas canções
E sem apreensão
Cantar, falar, ou rezar,
Em qualquer parte, sem hesitar
A língua de Camões.

Ser português
É ser diferente,
É ter alma Lusíada,
É saber estar ausente
E em qualquer lado,
Gostar de tudo
O que evoca a Pátria
E nos inspira amor,
A esse cantinho
À beira mar plantado !…


Euclides Cavaco

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AMOR...FEITO POESIA

AMOR...
É um conceito divino,
É dimensão sem medida,
É viagem sem destino,
É melodia da vida.

AMOR...
É um caminho sem fim,
É não ter que perdoar,
É não querer e dizer sim,
É dar tudo o que há p'ra dar !…

AMOR...
É voz da razão que cala,
É ter dôr e não sentir,
É o silêncio que fala,
É ver o mundo sorrir.

AMOR...
É sopro de nostalgia,
É canção leve e suave,
É das trevas fazer dia,
É saber de quem não sabe.

AMOR...
É bem mais que sentimento,
É sussurro de magia,
É da alma o alimento,
AMOR...
É hoje aqui…feito poesia !…

Euclides Cavaco

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BALADA DE OUTONO

Impiedoso Setembro !…
Traz a balada de Outono,
Que muda na folha as cores,
Seduz e despe as flores,
Num sestro de abandono.

Em toada persistente,
As folhas , essas coitadas,
Vão caindo lentamente,
Das árvores amarguradas,
Ao ficarem desnudadas,
De cada folha cadente.

Será que uma folha sente
Na despedida, a tristeza?…
Como dom da Natureza!…
E que em secreta amargura
Sofre, mas nunca se queixa,
Como alguém que a Pátria deixa,
Por destino, ou desventura?!…

E em cada folha caída,
Resta uma angústia profunda,
Num frágil sopro de vida,
A sussurrar moribunda:
Não fez sentido viver,
Esta tão curta existência…
Outono… Sem clemência
Tão cedo me fez morrer!…

Euclides Cavaco

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BERÇO DO FADO

Aqui
Pátria onde o fado nasceu
Este chão que é tambem meu
Por ser meu torrão natal.
Aqui
É a Terra desejada
Com amor p´lo mar beijada
É meu país...Portugal.

Aqui
É a minha Terra Mãe
Majestosa, a que também
Tenho casta afinidade.
Aqui
Foi a Nação escolhida,
Onde o sentimento e vida
Doaram berço à saudade.

Aqui
Terra do engenho e arte
Que levou a toda a parte
A fé e os conhecimentos.
Aqui
Nasceram os marinheiros
Heróicos e pioneiros
Dos nossos descobrimentos.

Aqui
Solo de reis e senhores
Poetas e trovadores
E majestoso passsado.
Aqui
É enfim a Pátria Lusa
Onde a guitarra é a musa
Que dá vida e alma ao fado !...

Euclides Cavaco

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A CAMÕES

Ó! sublime Príncipe da poesia,
Que épicamente cantas a nossa história,
Na epopeia que pomposamente concilia,
As proezas duma raça, tão notória!…

Foste herói de passado turbulento,
Por amor à Pátria, lá longe foste soldado,
Bendito sejas tu no “etéreo assento”,
Por tão digno padrão nos teres legado.

Divina e excelsa foi a tua inspiração,
Perante a qual se rende um povo inteiro
E te venera com a maior gratidão !…

Foste amante de mil amores, aventureiro,
Mas a mais terna e íntima paixão,
Foi para ti a Pátria, amor primeiro !…

Euclides Cavaco

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CARAVELA QUINHENTISTA

Altaneira caravela
Quando a fito vejo nela
Tantas glórias do passado
Vejo mar, vejo saudade
Vejo nela a afinidade
Dum marujo com o fado.

És filha dum marinheiro
Que te fez p'ra seres primeiro
Imponência universal
Navegando o imenso mar
E muito longe ires levar
O nome de Portugal...

Tuas velas são lições
Motivando gerações
P’la coragem desmedida
Dos heróis descobridores
Que por ti foram senhores
Dessa fama bem m’recida.

Quinhentista caravela
No mundo sempre a mais bela
Foste do mar imp’ratriz
Com origem nas galés
Foste sempre e ainda és
Pedaço do meu País!…

Euclides Cavaco

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DELICADEZA

Ainda ontem estava aqui muito senhora,
Quase toda a gente a conhecia,
Ninguém sabe a razão de se ir embora,
Se foi vontade ou do tempo profecia.

Ficou apenas um vazio no seu lugar,
Entristecendo assaz, quem bem a conheceu
E eu, num permanente interrogar,
Quis saber aonde e porquê se escondeu.

Perguntei sem receio a toda a gente,
Procurei no silêncio e barafunda
E já exausto, encontrei-a finalmente…

Estava ela, numa amargura profunda,
Chorando a sua sina descontente,
Abandonada a um canto…moribunda !…

Euclides Cavaco

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FADO DAS CARAVELAS

O fado das caravelas
Trazido pelos marinheiros
Veio rufia junto à proa
E por ruas e vielas
Deu os seus passos primeiros
Pelos bairros de Lisboa...

Logo após entrar na barra
E mal atracou na doca
Alguém plo fado chama
Era ansiosa a guitarra
Que o levou de boca em boca
Prò velho bairro de Alfama.

Dali foi prà Madragoa
Prò Bairro Alto e prà Guia
E ao Castelo onde espreitou
As colinas de Lisboa
E o Bairro da Mouraria
Onde a Severa o cantou.

Foi de viela em viela
E por Lisboa inteirinha
Trilha os becos mais antigos
Feito gingão tagarela
Em cada bairro alfacinha
Conquistou novos amigos.

Já popular e famoso
Conhece entre a fidalguia
Mais nobre daquela era
O Conde de Vimioso
Que na antiga Mouraria
Acompanhou a Severa.

Foi até fora de portas
Cantado pela Cesária
Mas tinha predilecção
Ser cantado a horas mortas
Na teberna da Rosária
Da Rua do Capelão.

Fez-se alma portuguesa
É eco da nossa voz
Pla guitarra acompanhado
É só nosso com certeza
O fado habita em nós
Ou somos nós feitos fado !...

Euclides Cavaco

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HINO À MÃE

Mãe… poesia
Num poema de versos de amor.
Mãe…sintonia
Das palavras com doce sabor.

Mãe…carinhosa
És suave e sorris sem mentires.
Mãe…generosa
Tu dás tudo sem nada exigires.

Mãe...
Luz divina
Meu doce bem
Como tu
Não há mais ninguém
Serás sempre
Minha mãe querida
Mãe...
Eu por ti
Irei mais além
Palavra mais bela
Qu’ o mundo tem !...
Tu és todo o sentido
Da vida!...

Mãe…com candura
O meu rosto em teu peito descansa.
Mãe…só ternura
E afecto me deste em criança.

Mãe… mãe infinda
Serás sempre por mim muito amada.
Mãe… rosa linda
Num jardim a mais delicada.

Mãe…minha aurora
És a jóia mais bela que existe.
Mãe…protectora
Só tu sabes quando eu estou triste.

Mãe…minha guia
Tu és vida e ‘sperança sem fim,
Mãe…que alegria
Era ter-te sempre junto a mim !...

Euclides Cavaco

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INDELÉVEL SAUDADE

Eu choro nos meus versos a saudade
Que é dos ausentes a eterna companheira
Como parte do seu ser que sempre há-de
Ser uma angústia que alimenta a vida inteira...

Deixei chorar minha caneta de amargura
Porque sentiu do seu poeta a emoção...
Viu que as palavras nada tinham de loucura
Eram ditadas dum plangente coração...

E a caneta vai chorando em cada dia
Da minha mão sentindo a fragilidade
Porque ela entende dum ausente a agonia!...

São os meus versos portadores dessa ansiedade
Feita palavra... É filha da nostalgia
À qual nós demos o nome de Saudade !...

Euclides Cavaco

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L I B E R D A D E

Nasci quase em segredo amedrontada
Sou filha dum Abril e d’aventura
Comigo iniciou nova alvorada
Que pôs fim à mais longa ditadura ...

Fui trazida pela mão de alguns bravos
Sem sangue esta revolta foi capaz
Trocando as suas armas pelos cravos
Em sinal que este gesto era de paz ...

Meu grito chamado Vila Morena
Trazia no peito fraternidade
E a promessa de liberdade plena...

instaurei o direito à igualdade
Sou vossa, estou aqui...Valeu a pena
Nasci p’ra todos vós...Sou Liberdade!...

Euclides Cavaco

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MULHER ESPOSA E MÃE

Mulher, esposa e senhora
Excelsa mãe protectora
Tu és da vida a promessa
Quase como divindade
De ti brota a humanidade
Que no teu ventre começa.

Suprema e quase divina
O ser em ti se origina
E qu’ hospedas com sorriso
És símbolo da criação
Que teve em Eva e Adão
Princípio no Paraíso !...

Em ti germina a semente
Essência dum novo ente
Que o teu âmago produz
Por viveres em união
É fruto da comunhão
Que um dia darás à luz...

Mulher mãe e companheira
Devotada de alma inteira
Como é sublime o teu ser !
Porquê? Não foste remida
E por dares a vida à vida
Ainda tens de sofrer !...

Euclides Cavaco

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ONTEM

Ontem, foi apenas mais um dia que passou,
Sem dar por isso, se dele não há lembrança,
Mas se dele, alguma coisa nos ficou,
Que ela seja, o alimentar duma esperança.

Ontem foi apenas, mais uma pétala caída…
Que mal caiu, foi levada pelo vento,
Dessa flor, que retrata a nossa vida,
No seu mais permanente movimento.

Para onde foi cada pétala desfolhada?
Da frágil flor, que ainda tem perfume…
Porquê? O vento as levou sem dizer nada!…

Bem sei que nada vale o meu queixume,
Porque cada ontem, é memória mitigada…
Do breve tempo…A que a vida se resume!…

Euclides Cavaco

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O TEMPO QUE NÃO VIVI

Só bem tarde me foi dado constatar,
Que outro mundo havia assaz diferente,
Daquele que o destino me quis dar,
Onde tudo acontecia lentamente…

Poderia ser menino, mas não fui !…
Nem me foi dado saber que existia
O direito à igualdade, que inclui
Para todos o mesmo Sol, em cada dia.

Apenas vegetei… Sem ter sabido,
Que outro mundo havia mais coerente,
Onde a vida tinha muito mais sentido…

E hoje, choro triste e comovido,
Esse vazio, que lamento amargamente,
Do tempo que vivi… Sem ter vivido!…

Euclides Cavaco

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  PEDAÇOS DO MEU PAÍS

Permanecem comigo
Mil memórias
De tantas coisas
Que dizer eu queria...
Recordações
Que são pedaços do meu País
Em simbiose de sonho e nostalgia
Cujo murmúrio do seu silêncio
Tanto me diz...

E neste meu estado da alma
Ausente, saudoso e infeliz
Espero sequioso
Que cheguem sempre
Pedaços do meu País!...

Chegam amigos
Que regressam da sua terra natal
E me trazem notícias do meu Portugal.
Regressa sempre alguém
A quem as férias fez feliz
E que trás ainda consigo
Sem dar por isso
Vestígios da branca areia
Das praias do meu País!…

Chega ousado um marinheiro
Que ainda cheira a mar
E de vez em quando alguém
Mais vacilante e peculiar
Que vem pela primeira vez
Retalhos de Pátria
Com quem nos alegra conviver
E falar em português!...

Chegam às vezes palavras de tristeza
Tragédias dor e solidão
Que doem dentro de nós
Pedaços do meu País
Que calam bem fundo a minha voz...

Chegam emoções
Que se sentam connosco à mesa
Para falar das nossas coisas
E da gente portuguesa...

Chegam as guitarras do meu País
Que me inspiram fado e saudade
Chegam na magia dum poema
De sabor sentimental
Pedaços de Pátria
Que numa mão cheia de esperança
Me trazem Portugal!...


Euclides Cavaco

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PERFUME DO FADO

Passeei os meus versos pela mão
Pelos bairros dessa Lisboa velhinha,
P´ra que sentissem do fado a emoção,
E respirassem o perfume que ele tinha!...

Ao passar pelas vielas perguntaram
Se fora ali que morou o velho fado
Vendo as relíquias que do fado ali ficaram
Como padrões a atestar o seu passado...

Nossa Lisboa ao ver-nos, feliz ficou...
Tomou connosco café no velho Chiado
Na mesma mesa onde Pessoa o tomou!...

Eu e os meus versos pelos bairros lado a lado,
Vimos que o tempo do fado pouco levou,
Porque ‘inda hoje qualquer bairro cheira a fado!...

Euclides Cavaco

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PREGÕES DE LISBOA

Mal rompeu a madrugada,
Já Lisboa era acordada,
Com seus pregões matinais,
Pela varina peixeira ,
Lá prós lados da Ribeira,
Ou o ardina dos jornais.

A Rita da fava rica,
Que vem do bairro da Bica,
Traz pregões à sua moda.
E o homem das cautelas,
Diz p’las ruas e vielas,
Amanhã, é que anda a roda…

Apregoa-se a castanha,
Desde o Rossio ao Saldanha,
Os pregões são sempre assim,
Flores na Praça da Figueira
E diz cada vendedeira
Ó freguês!.. compre-me a mim!…

E de canastra à cabeça,
Quase até que anoiteça,
Há em mil bocas pregões.
Mas não se vê já passar,
A figura popular,
Da Rosinha dos limões!…

Euclides Cavaco

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SOLICITUDE

Rasguei da terra o ventre e, semeei,
Em fértil solo, pequenina uma semente,
Que após nascer com cortesia cuidei
E vi crescer pouco a pouco lentamente!...

Reguei com mil cuidados a raiz
E o tempo a fez viçosa com a idade,
Vê-la aumentar fez de mim um ser feliz,
Por ela ser a minha árvore d’amizade...

A vida inteira dediquei p’rá conservar,
Sem a deixar nem um momento ao abandono,
Não fora tão somente “o plantar”!...

Aquela árvore é p’ra mim todo um tesouro,
Porque as folhas que colhi em cada Outono,
São os amigos... Que valem mais do que o ouro!...

Euclides Cavaco

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TRAINEIRA DA VIDA

Embarquei numa traineira,
Que do cais saiu ligeira
E desde a minha partida,
Por mar bravo e por mar brando,
À sorte fui navegando,
Neste oceano da vida !…

Passei por mil tempestades,
Enfrentei dificuldades,
Mas naveguei com esperança,
Atravessando as tormentas,
Das ondas mais violentas,
Até encontrar bonança.

Pesquei tristezas e dor,
Pesquei raiva e dissabor
E amargo da maresia,
Se pesquei rivalidade,
Pesquei também amizade,
E até pesquei alegria!…

E sem findar a viagem,
Eu continuo com coragem,
Numa aventura incontida.
Neste mar sempre agitado,
Eu vou cumprindo o meu fado,
Nesta traineira da vida!…

Euclides Cavaco

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TRANSCENDÊNCIAS

Quando tanjo o infinito
Sobre a Existência e o Ser
Paro no tempo e medito
Quão ínfimo é meu saber.
Vejo a minha inteligência
Pequenina e limitada
E apreendo que a ciência
Do Além não sabe nada!...

Mas existem convencidos
Do Além algo saber
Passando a vida iludidos
No seu mero pretender.
Descrente sou quando alguém
De tal saber se enaltece
Quando ao certo do Além
Nada mais, que nós conhece.

Os que tentam descobrir
Qual a origem da vida
Rendem-se e vêm cair
Sempre ao lugar da partida.
Nossa humana condição
Não nos permite entender.
A sublime Criação...
Transcende o nosso saber!...

Euclides Cavaco

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TRISTE REALIDADE

Fome!...
Suplício tão negro e triste
De quem no mundo tem fome
E que aqui mesmo ‘inda existe
Vera imagem de miséria
Angústia real e séria
Que dentro bem fundo dói
Mágoa que a alma consome
E a vida aos poucos destrói ...

Fome!...
Flagelo dos nossos dias
Pungente em fragilidade
Pobre marginalizado
Aquele que é nosso irmão
Sofre da fome agonias
‘stende a mão à caridade
Sem ter mesa nem ter pão
Recorre à mendicidade
Sem direitos, condenado
À vil discriminação!....

Fome!...
Verdade que causa dó
De quem no seu peito sente
A falta de humanidade
Cuja mera culpa é só
Não ser como a outra gente
Com legítima igualdade.
Quantas vezes destroçado
Assemelha-se a um bicho
Procurando a remexer
Pelos caixotes do lixo
Algum resto abandonado
P’ra poder sobreviver!...

Fome!...
Sina dum calado pranto
Será que Deus se esqueceu?
Ou não são eles seus filhos?
Porque os faz sofrer tanto
E os condenou aos maus trilhos?
Não os cobre com seu manto
Divino, do mesmo Céu?...
Porquê a Sociedade
E aquele que poder tem
Não ouve este meu recado?
Abrindo o seu coração
Pondo nessas bocas pão
Terminando a atrocidade
Desta injúria que é pecado
E triste realidade!....

Euclides cavaco

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VOZ DA SAUDADE

Saudade é quand’alma chora
O vazio que em nós ficou
De tudo o que foi embora
E na vida nos tocou!...

É a voz das emoções
Que acorda o sentimento
Em rios de divagações
Que correm sempre em lamento.

É lembrança entristecida
Que em nós dói profundamente
Dum alguém da nossa vida
Que partiu ou está ausente...

É dor no peito calada
E que a nossa alma invade
De memórias feitas nada...
Apenas... Voz da saudade!...

Euclides Cavaco

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ESTE POVO… QUE NÓS SOMOS

Nós somos de Viriato o Lusitano
Descendentes de heróis e heroínas.
Nós somos de Afonso o soberano
Herdeiros da Pátria das cinco quinas.

Nós somos dinastias duma história
Que encerra oito séculos de epopeias.
Nós somos das batalhas a glória
E Homeros de outras tantas odisseias.

Nós somos oceanos e as marés
Onde ousado navegou o nosso Gama.
Nós somos marinheiros e as galés
Que deram ao Império a grande fama.

Nós somos os heróis de mil facetas
Descobridores do mar a majestade.
Nós somos inspiração dos poetas
Que rimaram génio Luso com saudade !…

Nós somos as estrofes de Camões
Orgulhosos do presente e do passado.
Nós somos o eco das gerações
Que com alma deram vida e berço ao fado.

Nós somos as memórias do Infante
De Eanes, Magalhães e de Cabral.
Nós somos este Povo fascinante…
Da Pátria que se chama Portugal !…

Euclides Cavaco

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ABRAÇO AO MUNDO

No poema que hoje faço
Quero envolver num abraço
O mundo nos seus quadrantes
E na mesma sintonia
Abraçar com simpatia
Todos os meus semelhantes.

Quero abraçar toda a terra
Pedindo a quem faz a guerra
P’ra a tal afronta pôr fim
Quero abraçar quem mendiga
Dar-lhe a minha mão amiga
E o melhor que há em mim.

Quero abraçar os doentes
Infelizes e carentes
E quem vive em solidão
Abraçar o injustiçado
Que sofre sem ter pecado
E sem saber a razão...

No mundo qualquer governo
Dê como abraço fraterno
Justo direito ao seu povo
Para que então os países
Sejam as fortes raízes
A abraçar um Mundo Novo !...

Euclides Cavaco

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ADEUS A UM FADISTA
(Escrito para fado dedicado à memória de FM)

Calou-se na Mouraria
A voz do fado que um dia
Nascera no Capelão
Perdemos um grande artista
O mais distinto fadista
Desta nossa geração...

De voz única e castiça
O fado fez-lhe justiça
Dotando-o Rei vitalício.
Do fado um grande Senhor
Deixou-nos em pranto e dor
Adeus Fernando Maurício...

A igreja de Santo Estêvão
Não há vozes que se atrevam
Cantá-la com tanta garra
Como era a voz do Fernando
Esse egrégio e venerando
Por quem chora hoje a guitarra!...

Sua voz não volta mais
Aos lugares habituais
Da sua amada Cidade
Mas onde estiver o fado
Fernando serás lembrado
Na memória da saudade!...

Euclides Cavaco

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A FORÇA DE UM NADA

Fazem-se versos dum nada
Dos versos nasce um poema...
Surge d’ âmago gerada
A Vida... num novo tema!...

São de palavras voando
Livres pelos Universos,
Que o poeta vai juntando
P´ra dar sentido aos seus versos.

Em cortês galantear
Procurando sintonia
As palavras vão casar
Numa perfeita harmonia.

Tomam forma definida
Que o poeta lhes imprime
Dando vida à própria vida,
Da forma mais sublime...

Vai-se um poema gerando
Do nada que enfim provém
Que nos deixa meditando...
Na força que um nada tem!...

Euclides Cavaco

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ALMA PORTUGUESA

Entre as palavras pequenas
De grande significado
Com quatro letras apenas
Emerge a palavra... Fado!

O Fado é toda a essência
É deste Povo a raiz...
O Fado é por excelência
A canção do meu País.

Fado somos todos nós
Pelo mundo em qualquer lado
Há fado na nossa voz...
Mesmo sem cantar o fado!...

Fado é a expressão maior
Que traduz subtileza
É o nosso Embaixador....
É a alma portuguesa!...

Euclides Cavaco

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CONTRIÇÃO

Vejo o mundo renegar o infinito,
Vejo seres mergulharem no abismo,
Vejo o bem que existia, ora é maldito,
Vejo almas moribundas sucumbindo!...

Vejo a luz a cada instante mais escura...
E que os humanos já não são como eram antes.
Vejo que cada um cava a sua sepultura...
E que de Deus estão cada vez mais distantes!...

Vejo a humanidade em constante frenesim,
Vejo o mundo todo inteiro em confusão
Como nunca em toda vida fora assim!...

Vejo sinais dos tempos, já sem terem solução
E que o mundo se prepara para o fim...
Convidando o ser humano à contrição!...

Euclides Cavaco

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DANÇA DA VIDA

A nossa vida é um tango
Em jeito de corridinho
À pressa como um fandango
Mas breve como um bailinho!...

Às vezes é uma valsa
E até “rock” da pesada
Ou uma morna descalça
Mas em marcha acelerada...

Pode ser chula ou malhão
Ou um samba divertido
De surpresa em turbilhão
Mesmo um merengue mexido.

A dançar de noite e dia
Num permanente bailado
Com tristeza ou alegria
Dançamos o nosso fado!...

Euclides Cavaco

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FADO E SAUDADE

Anda escondida a saudade
No bulício da cidade
Perdida numa viela
Por ter com ela vivido
Arrojado e destemido
Eu fui à procura dela...

Fui até à Madragoa
Esse bairro de Lisboa
Onde por vezes se esconde
Viram-na por lá passar
Mas partiu sem demorar
Ninguém sabe para onde...

Procurei na Mouraria
Onde a viram certo dia
A chorar entristecida
Fiquei dela com mais dó
Não fosse encontrá-la só
Em qualquer beco perdida.

Corri Alfama inteirinha
Onde a lenda diz que tinha
Vivido em tempos de outrora
Mas dela ninguém sabia
Apenas rumores havia
De já se ter ido embora.

Prò Bairro Alto a correr
Segui sem tempo perder
Mas já exausto e cansado
Lá estava então a saudade
Na maior intimidade
De mãos dadas com o fado!…

Euclides Cavaco

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MALDITA DROGA

A droga... É maldição
No mundo em qualquer nação
Atormenta a juventude.
E até p’ros de mais idade
A droga é calamidade
Que afecta a vida e saúde!...

Numa constante ameaça
Leva os jovens à desgraça
E a todos tão mal faz.
A droga é fogoso perigo
Que mais parece um castigo
Ou obra de Satanás!...

Os jovens deviam ter
Coragem para dizer
À droga sempre que não
Ao flagelo eminente
Que consome lentamente
Sem sentido e sem razão.

Maldita... Seja maldita
A droga que o mundo agita
E rouba vidas à vida...
A droga... É passaporte
Para a viagem da morte
Com frenética partida!...

Euclides Cavaco

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ODE À MULHER

Teu belo seio ondulado
Faz ondas como as do mar
Nesse teu corpo moldado
Feito inspiração p’ra amar.

Teus olhos são como estrelas
Lá longe no Céu brilhando
Teus lábios são aguarelas
Das cores do amor sonhando.

Teus cabelos são jasmim
Tua boca qual quimera
O teu corpo é um jardim
Que irradia Primavera.

Tens sorriso gracioso
Meiga voz que frui virtude
No teu jeito mavioso
Há sempre uma juventude.

És da aurora o alvor
Foste no Éden eleita
Imagem do Criador
Que te fez assim perfeita

És escultura Divina
Duma beleza sem par
Em perfeição que combina
O Céu, a Terra e o Mar!...

Euclides Cavaco

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O SOL NA MINHA MÃO

Se a água é o símbolo da vida
É graças ao poder do Astro Rei
Que a Terra aos humanos dá guarida
E excede muito além tudo o que sei...

Será que seja o Sol fonte Divina
A revelar de Deus a Majestade?...
Inspirando aos seres humanos a doutrina
De nascer p´ra todos em igualdade!...

Deus à Terra, o Sol da vida quis dar
P’ra todo o ser igual, sem distinção
Sem direito de alguém jamais roubar...

Mas no mundo, há do Sol muito ladrão.
Eu quero, com todos compartilhar
Lustre o Sol, que pousou na minha mão!...

Euclides Cavaco

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PALAVRAS AO VENTO

Sou companheiro do vento
E conto ao vento que passa
Deste mundo o meu lamento
No tempo que se esvoaça...
Conto-lhe da injustiça
Neste mundo praticada
Da maldade e da cobiça
O vento não me diz nada.

Falo da fome e da guerra
Da miséria que se esconde
E dos crimes que há na terra
O vento não me responde...
Quero que leve um recado
De quem ajuda implora
E de quem sofre calado
O vento tudo ignora...

Peço ao vento que se agite
Em prol da humanidade
E que com direito grite
Para os homens liberdade.
Se o vento não me ouvir
Nesta minha petição
Então eu irei pedir
Para o vento maldição!...

Euclides Cavaco

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PÉRFIDAS MATILHAS

Lá diz o velho ditado
Que nos devemos livrar
De todo o cão que é calado
Porque morde sem ladrar.

Há cães que são bem tratados
Aos quais se faz sempre bem
Mas quando ficam danados
Já não conhecem ninguém...

Os que recebem tal zelo
Latem muito presunçosos
Quando levantam o pêlo
Passam a ser cães raivosos.

Cães infiéis com ardil
Quer sejam de guarda ou caça
Quando mudam de canil
Renegam a sua raça...

Coitado o que fome tinha
Quando pobre e humilde cão
Esqueceu-se quando vinha
Outrora comer à mão...

Quanto melhor os conheço
Esses cães feitos matreiros
Rendo meu total apreço
Aos que são cães verdadeiros!...

Euclides Cavaco

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QUEM SOMOS ?…

Quem somos nós peregrinos,
Neste Universo infinito?…
Se somos inteligentes,
Porquê? Um Ser tão restrito?…

De enormes limitações,
Ínfimo é nosso entender,
Nem os mistérios da essência,
Podemos compreender!...

De nada temos controlo,
Nesta vivência terrena,
Porque talvez um Supremo,
Nossos destinos ordena.

Não podemos conceber,
Com toda a inteligência
Porque foi criado o mundo
E a razão da existência!…

Será que há vida além túmulo?
E haverá Céu e Inferno?
Ou será que o após a morte,
Seja apenas sono eterno?…

Neste infindo interrogar,
Sem resposta definida,
É preciso acreditar,
P'ra fazer sentido a vida!…

Euclides Cavaco

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SEM DEUS

Sem Deus e a Sua harmonia,
Nada no mundo existia,
Sem o Seu poder Divino.
Não havia Criação,
Nem a Eva nem Adão,
Nem nascia o Deus Menino.

Sem a Sua Majestade,
Não havia Eternidade,
Nem estrelas no firmamento.
Não havia Sol a brilhar,
Nem a Lua nem luar,
Nem Celeste movimento.

O Universo era um vazio,
Sem planeta nem rio,
Eterna noite cerrada.
Não havia a luz do dia
E o tempo nunca existia,
Tudo o que existe, era nada!…

Sem Deus não havia a vida,
Nem Terra para guarida,
Dos imensos oceanos.
Não havia a Natureza,
Nem existia a beleza,
Que deslumbra os seres humanos.

Com a Sua omnipotência,
Deus criou toda a essência,
Até o Inferno e os Céus.
Tudo no Mundo criado,
Não tinha significado,
Se não existisse Deus!…

Euclides Cavaco

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TRISTE FADO

Este fado que vos canto
É na minha voz o pranto
Das tristes penas da vida,
Que em jeito de melodia
Suavizam a agonia
Que no fado tem guarida...

Vou mitigando a cantar
As penas p’ra não chorar
Quase como um fingimento
Porque o fado é um amigo
Que dá às penas abrigo
E ameniza o sofrimento...

Ditoso é meu pretender
Ao cantar para esconder
As mágoas que em mim vão.
Se a cantar sou mais feliz
Seja o fado a directriz
De imortal pretensão...

P’ra refúgio da tristeza
Entoarei com firmeza
O meu canto magoado...
Acompanhado à guitarra
Cantarei com toda a garra
As minhas penas em fado!...

Euclides Cavaco

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