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Estela Belém |
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Página inaugurada em 06/03/2006 Última actualização 06/10/2006 |
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35 Poemas Editados |
Estela Belém
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Estela Marina Rocha Belém Pereira, uso como nick rucha_lx®, desde 2000, pelo qual sou conhecida nas Comunidades.
Nasci em Portugal em 13.11.1949, na bela cidade que é Lisboa, onde vivo e desenvolvo a minha actividade profissional, como funcionária pública, no Ministério do Ambiente. Na Faculdade frequentei o curso de Sociologia, não o tendo, porém, completado.
Sou mãe dois filhos, (homem e mulher), já adultos.
Aprecio todo o tipo de arte, mas a literatura, agrada-me muito.
Escrever foi a forma que encontrei para expressar os meus sentimentos, ideias e opiniões. Preocupo-me com a Sociedade em geral e, particularmente, com os problemas da globalização a nível Mundial.
Participo em algumas Comunidades: "Amizade Lusitana", "Ar_Fresco", "Ecos da Poesia", "Associação Portuguesa de Poetas", bem como no “Site de Poesias”, um site brasileiro, com muito interesse, onde publico os meus escritos.
Participei na Antologia do Grupo “Ecos da Poesia”, editada em S. Paulo em Abril de 2005, intitulada “O Futuro Feito Presente”.
Construí uma página pessoal em 2004, que podem visitar em:
http://estelapereira.no.sapo.pt/
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Aquele Olhar Aquele olhar tão profundo e triste, Olhar perdido, espelho da alma, Que, naqueles olhos, transparece, Tão suave, tão doce, tão calmo... Olhar assim, nunca antes tinha visto, Triste, mas calmo, profundo, mas doce, De um tom castanho, cor de mel, sentido, Que espécie de tristeza, conterá ele? Aquele olhar, transmite sensações, Que são controversas, desde dor, pena, Amor, saudade, desamor, que mais? Sentimentos que se misturam e se desligam, Para se unirem, num simples olhar, Aquele olhar, que nos deixa atordoados, Sem saber como agir ou reagir, Se olhar, ou simplesmente sorrir. Estela Belém 12/SET/2004 Ouça este poema declamado por João Moutinho Voltar ao índice |
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Caminhamos pela vida aos solavancos, Vamos contando, anos, meses, dias...
Sem saber bem a razão
deste porquê! Tropeçamos uns nos outros, acotovelamo-nos, Corremos para todo o lado, desvairados...
Sem saber bem a razão
deste porquê! Deixámos de nos conhecer uns aos outros, Nesta rápida e estúpida avidez de vida...
Sem saber bem a razão
deste porquê! Quem somos, o que somos? Pouco importa, Interessa sim, viver tudo e depressa...
Sem saber bem a razão
deste porquê! Caminhamos para um fim qualquer, Embrenhados nas nossas rotinas, esquecidos...
Sem saber bem a razão
deste porquê! Um dia, havemos de parar, no entardecer da nossa vida, já vivida, aí sim, sem pressa...
Sem saber bem a razão
deste porquê! 23/7/2004
Estela Belém |
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Confesso que sou uma mulher, Que tenho alguns direitos… E com eles posso expressar-me Sem ter medo de dizer o que penso. Confesso que vivo intensamente, Cada dia, cada momento… E que a vida já me pregou partidas, Mas sigo meu caminho em frente. Confesso que a minha realização, Não depende só de mim… Mas do Mundo que me rodeia, Esquecer não posso, quero intervir. Confesso que procuro a felicidade Sabendo que é uma utopia… Mas se não seguir os meus sonhos, Vejo a realidade ainda mais fria. Confesso que sinto vontade de partir, Quem sabe, poder descobrir… A satisfação em qualquer outro local, Mas logo que penso nisso, caio no real. 20.11.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Fuga à solidão Procuro tudo, corto barreiras, abro portas semi fechadas, procurando descortinar as razões da exclusão. Não quero ver ruas, praças jardins, cheios de pedintes dormindo em cama de papelão. Não quero ver cidades desertas, onde as pessoas se escondem nas suas tocas de conforto para fugir à solidão. Não quero ver a adversidade estampada em rostos tristes, carregados de desilusão. O mundo gira e as cidades caem. não há vida para lá das rotinas, apenas o buraco negro da noite. 01.07.05 Estela Belém Ouça este poema declamado por João Moutinho Voltar ao índice |
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Hoje, vou falar para ti Não sei se por vontade ou por carência, Tenho apenas e só p’ra te dizer: - Que apesar do tempo que passou - Não posso crer que tudo acabou. Outros amores, outras paixões revivi, Sentimentos envoltos em suave manto, Findaram sem amargura ou desamor, Por não ter deixado de pensar em ti. Recordações que me vêm à lembrança, Como se fossem de ontem, ou de hoje, Viajo nas saudades desse amor ausente, E choro no chão, como se fosse criança. Sigo ao sabor da corrente de um rio, Descontente, oca e sem orientação, Num labirinto de limos emaranhados, Rolando como pedras, mas de frio. 20/02/2006 Estela Belém Voltar ao índice |
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Leve e suave pena Gostaria de ser uma leve e suave pena, Poder esvoaçar com agilidade e arte, Não enlouquecer de tristeza ou alegria, E perder-me nos limites da fantasia. Ter como parceria alguém especial, Que me entendesse na minha alienação, Quisesse partilhar dos meus desatinos, Sem medos, reservas ou negação. Sentir no vento, nas ondas do mar, O despertar da vida, nesse ondular, Querer mudar o Mundo, e porque não? Na magia que há em fazer provocação. Pensar na felicidade, como algo possível, Da poesia fazer uma contra ordenação, Impelindo os leitores a exigir reflexão. 04.10.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Mar, o meu elemento Sentada, junto ao mar, observo O horizonte à distância... A dimensão e extensão do mar E uma paz interior me invade. Fria, morna, branda ou brava Sem água não saberia viver Preciso da sua proximidade Da calma que me transmite. O baloiço das ondas na areia O rumor do mar, a infinidade Extasia-me e prende-me Os sentidos e alquimias. O sol declina sobre a água Reflecte raios de luz cálida Envolve-me e abraça-me, Numa magia quente e fugaz. No lusco-fusco do entardecer Regresso a casa, silenciosa, E, no meio da noite sonho, Com a branca espuma do mar. 11.02.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Meu doce sonho Tudo que sonhei, foste tu, Sim, tu, que tão bem Soubeste roubar o meu ser, Mergulhar no meu interior. Entraste na minha intimidade, Pousaste na minha fantasia, Criaste ilusões, falsificaste A tua "identidade". Não eras o meu ideal, mas, Conseguiste ser o meu sonho, tudo, em ti, parecia perfeito, A voz, o andar, o olhar... Não quero voltar a sonhar, Quero acordar e ver-te assim, A sorrir, meio sarcástico, Como tu és, meu doce sonho. OUT/2004 Estela Belém Ouça este poema declamado por João Moutinho
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Nostalgia Quando me quedo quieta sem nada fazer, nada dizer, aparece aquele sentimento, como asa voando no vento, nostalgia, penso... Sensação de distância, de querer voltar a viver, coisas que foram e não são, partículas e peças de puzzle armazenados em saguão... Pequenos nadas guardados, amarelados, desvanecidos, que um tempo fez apagar, como escrita na areia do mar, para sempre, lentamente... Há um dia e uma hora, em que cada um de nós, limpa e arruma o sótão, onde guardamos os sonhos, nossos fantasmas nostálgicos... 27.02.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Poeta? De poeta as palavras tenho, Falta-me quiçá o engenho, Escrevinho por amor à arte, Que é um talento à parte… Palavras são como armas, Podem matar ou arrebatar, São facas de dois gumes: Escrita de guerra ou de amar. Nas minhas deambulações, Por vezes me falta o verbo E, nessas horas abstractas, Escrevo a pensar em razões: Na vida, nos outros, em mim, Na sociedade e motivos afim, Vou desenhando as ideias, Num emaranhado fio de teias. Poder passar a mensagem, De uma qualquer abordagem, É o ensejo de todo o poeta, Que idealiza a forma concreta. 15.03.2005 Estela Belém Voltar ao índice |
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Preconceito - (sátira) Eu sou aquele que se diz perfeito Que não conhece o preconceito, Mas, por defeito, será assim? Não tenho problemas com a cor Ter um filho bem moreno? Isso não gostaria, tenho pudor. Defendo a homossexualidade, Somos livres de escolher a opção. Mas um filho meu, gay, isso não! Defendo todo o tipo de religião, As diferenças de etnias e cultos, Mas nada quero com o Afeganistão. Sou contra todo o tipo de exclusão, Temos os mesmos direitos de cidadania, Mas ciganos em habitação social? não! Defendo os marginalizados da sociedade, Mas os sem abrigo dormindo no chão? Isso causa mal estar a qualquer cidadão. Preconceito, palavra difícil de assumir, Na globalização geral em que vivemos, Onde a palavra de ordem é o consumir. 02.09.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Solidão ou ficção? Sinto a tua ausência Nas longas noites frias, Nas madrugadas vazias, Nas auroras boreais. Será solidão ou ficção? Este sentir, esta agitação, De sabor acre-doce, Que me destrói a razão. Apodera-se-me de tal jeito, Envolve-me e oprime-me, Esvazia-me espírito e alma, Num delírio que não acalma. Alerta, olhos bem despertos, Deitada, volto-me e revolto-me, A voz da consciência censura, Para me encher de amargura. Inquietude de vida, degredo, Falta de calor, de aconchego, Feita prisão, de um coração, Bravio e deserto de emoção. 12.01.05 Estela Belém Voltar ao índice
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Sou, tão somente... Sou, tão somente, uma mulher, Que pensa, que julga, que crê, Na vida, na justiça, na fé, Nos sentimentos, afectos, Que tem defeitos, perfeitos! Sou tão somente, eu, Com tudo e com nada, Vida apressada, corrida, Solta de ideias pré-feitas, Sem tabús ou falsidades, Com algumas verdades, E muitas interrogações! Sou, tão somente, uma mulher! Sou, tão somente, eu! 01/SET/2004 Estela Belém Voltar ao índice
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Tu foste Tu foste alguém que me fez crescer, Ensinaste-me a amar, a amadurecer. Por ti, movi montanhas, rios e mares, Morri de tanto amor e voltei a renascer. Tu foste aquele sonho jamais sonhado, A minha fonte de água transparente, Onde teus olhos verdes vi reflectidos, Os mais belos que tinha imaginado. Tu foste a escarpa mais abrupta e fria, Íngreme, de arestas finas e cortantes, Escalada difícil que me deixou vazia. Tu foste o sol, a luz, calor e sombra, Meu porto de abrigo, marina imersa, Foste tudo, porém, já nada interessa. 09.11.05 Estela Belém Ouça este poema declamado por João Moutinho |
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Vida frustrada Nos escolhos da realidade nua e crua, Pousaram nossos sonhos e fantasias, Às vezes fomos traídos, renegados, E deixámo-nos ir, qual náufrago que flutua. Vida que, de tão áspera e desesperada, Deixou os corações empedernidos, vazios, Sem esperança num amanhã prometedor, Qual desejo embarcado, em vela purificada. Morreram os sonhos, morreram os ideais, Perdidos em arraiais, numa luta sem tréguas, Num desnorte que nos deixa enfraquecidos, Qual bússola que não sabe os pontos cardeais. Somos tantos e tantos, nesta caminhada, Nesta vã procura, em busca da felicidade, Tropeçamos em nós próprios, a cada instante, Sem sentir a exiguidade, desta vida frustrada. Estela Belém Out/2004 Voltar ao índice
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Vidas Perdidas Na escuridão da noite Caminham sem destino Olhares parados, passos lentos Não sabem onde estar, onde ficar São vidas perdidas... Trazem a inércia vestida de tristeza São os filhos da noite, da desonra Fruto de uma colectividade alienada, Sem atitudes nem vontade para nada. Vivem do nosso lado e nada fazemos, Fechamos os olhos e tentamos esquecer A realidade, uma consciência de impotência Ao olhar a miséria, a decadência De uma sociedade sem rumo e sem dignidade Que vive de jogadas, de grandes golpadas Onde foi esquecido o humanismo E se incentiva o materialismo. 02/ABR/2005 Estela Belém Voltar ao índice
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Viver na Capital A tarde cai taciturna na cidade azul e fria, o movimento é grande, debandada geral. a urbe despovoa-se impera o silêncio... residentes aguardam a paz do anoitecer, o merecido descanso. Cidade que vibra, enche escritórios, espaços comerciais, barulhos, trânsito, correrias infernais em direcção ao cais, aos portos de abrigo, noites entorpecidas, manhãs submersas. O ritual, repete-se dia após dia, sempre, provocando loucura, alucinações, mal geral. que bom viver na Capital! 18.02.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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A noite A noite calma, traz a paz desejada, O temor, as sombras, luzes difusas, Que no escuro transparece iluminada. Olho ao meu redor e, vejo uma imagem, Também ela apagada, de alguém especial, Que me ficou gravada como uma miragem, Parece que foi ontem, que partiu e se perdeu, E me deixou, vazia, intranquila, deserta, Sem saber, como tudo se passou e sucedeu. Descanse, e espere junto a Deus... um dia, Iremos reencontrarmo-nos, nesse Local, Onde as almas se unem ao seu guia. (em memória de meu Pai) SET/2004 Estela Belém Voltar ao índice |
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Absolutamente só, realizo em actos desespero de causas de deslizes de memórias de degredos de vitórias e derrotas também, e me encontro só em pensamento e alma, conformada,
mas nunca derrotada! 5/12/04 Estela Belém (rucha_lx®)
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poema declamado por João Moutinho |
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Alma Lusitana Barcos, ondulantes, Vibrantes, Navegantes De mil mares, Soltaram as amarras, As âncoras, Desfraldaram velas, Enfrentaram tempestades. Partiram, à descoberta, De outros oceanos, À conquista, de outros Continentes, Tão longínquos e estranhos, Como as suas gentes, De todos os credos e cores, Mas de coração puro. Cruzaram-se, com amor, Dando origem ao Mundo Lusófono que, tanto amamos, Onde nasceram belos mestiços, Que hoje representam, A alma Lusitana, em Todo o seu esplendor. 3/NOV/2004 Estela Belém Voltar ao índice
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Confusa realidade Gosto de sentir os teus passos, A tua voz, a tua presença, Confusa realidade a minha. Quando tal não acontece, Estremeço e fico a pensar, Se te transformaste em luar. Tão distantes e tão próximos, Dois seres que tudo fomos, E que estranhos agora somos. A vida é sempre uma incógnita, Não consigo arranjar fórmula, Apenas sinto os anos passar. Desejaria poder superar, Mas só me resta sonhar, O dia de te reencontrar. 05.06.05 Estela Belém Voltar ao índice |
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Emigrantes Deixam a Terra Natal Que não lhes deu um sinal Olhos embaçados p’las lágrimas Rumam a outras paragens Sentimento de impotência Nostalgia no olhar… Tentam adaptar-se a outro País Outros sabores, outras cores Línguas difíceis e estranhas Que lhes corroem as entranhas Com o fado no coração Aprendem outra canção… Não se esquecem do seu cantinho E lá longe, contam meses e anos Que vão levando os desenganos E sonham voltar no Verão P’ra matar saudades de tudo Família, amigos e até do cão… São nossos irmãos de alma E seus filhos nascidos por lá, Falam outros idiomas já Não querem perder as raízes Aprendem a língua materna Com vontade e força eterna… 22.01.2006 Estela Belém Voltar ao índice |
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Fogo, esse inferno Arde nos olhos, na alma, Árvores nuas e disformes, Deixando sinais de dor, Fogueira que não acalma. Num tempo avassalador, Sem tréguas nem piedade, Devora montanhas e vales, A obra-prima do Criador. Nuvens cinza cor do estanho, Labaredas crepitantes, Galgam aldeias e vilas, Cercando casas e rebanho. Na sua voragem e alucinação, Lega a miséria na população, Que pede ao céu perdão, Sem tão-pouco saber a razão. No rescaldo, e ainda a quente, Fazem-se as contas por alto, Das mortes e danos causados, Pelo maldito fogo refulgente. 15.01.06 Estela Belém Voltar ao índice |
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Imaginação Não te conheço, nunca te vi, Mas logo te pressenti, Tens uma luz que te ilumina, Um chamamento, uma sina... Queria ver-te, tocar-te, ter-te, Poder dizer-te o quanto esperei, O que sofri, remoí, rezei, Só de pensar em perder-te... És ilusão, dás-me cabo da razão, E, tão abstracto no meu coração, Que poderias viver no Olimpo, Ou, simplesmente seres extinto... Deixa o meu pensamento voar, Não queiras ser Deus ou luar, Deixa-me ser ilusionista, artista, Ou de profissão desenhista... Se a imaginação tivesse asas, Voaria ao acaso, pelas brasas, Num fogo ardente de verdade, Derramaria toda a |