Poemar na Escola
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Poemar na Escola

Alunos com necessidades especiais

Página actualizada em 15/05/2006

 

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EB  2,3 de Alfena-Valongo-Porto

Alunos com necessidades educativas especiais

- Helder Valente

- Liliana Barbosa

- Liliana Morais

- Nuno Miguel

- Verónica Moreira

O que eles pensam sobre o Amor!

05/05/2006

- Filipe Coelho

- Clemente Campos

- Bruno Santos

- Daniel Conde

- Vania Isabel Moreira

- Cláudia Queiroz

- Carla Sofia Lemos Coelho

Hora do conto e da poesia

- O segredo do Diogo

* Página Inicial

 

Nota breve

Não há muito tempo escrevi uma frase de repente no ecran e fiquei sem saber o que lhe fazer:

"escrevo a verde porque a esperança é vida"

Ao receber os textos que se mostram nesta página, ganhou razão de ser aquele pequeno poema. Na nota que a Professora (O. Q.) me enviou, juntamente com os textos:

LICÕES DE VIDA!...
Alguns alunos com Necessidades Educativas Especiais
contaram algo da sua história, numa aula de português!
O título do trabalho foi: "A voz da minha alma" ! 
Daqui saíram verdadeiras lições de vida! 
Aprendamos com eles...
talvez tenha sido a voz da minha alma que me levou a escrever aquela 
frase mas, não tenho dúvidas que foram estes Textos Especiais que lhe 
deram sentido. Só tenho de agradecer a Partilha e continuar a aprender
com eles.
João Moutinho aka Ressoa
     

 

 

 

NÓS TAMBÉM FAZEMOS POESIA


Mais uma vez, os alunos da Escola EB 2,3 de Alfena, Valongo, Porto, deixam que a sua alma aflore e que a poesia nasça. Muitos são jovens com Necessidades Educativas Especiais, cuja vida não tem sido fácil. Mas como o sofrimento é ESCOLA, é APRENDIZAGEM, faz parte do próprio acto de viver, eles não desistem de sonhar e de... POEMAR!

 

Vamos, então, ler os seus “Pedaços de Alma”!


 

 

O AMOR (1)
 
O AMOR... (1)
O amor é como um poema nascido na alma.
O amor é como uma lágrima de luz que escorre pelo rosto.
O amor é como uma estrela a cair do céu.
O amor é como um fruto doce e sumarento.
                                                                                 
Helder Valente-8ºD

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O AMOR... (2)
O AMOR... (2)
O amor é como uma pomba a voar no céu azul.
O amor é como uma rosa a abrir as pétalas.
O amor é como um anjo de asas brancas.
O amor é como um raio de sol a brilhar.
O amor é como uma borboleta multicor a pousar nas flores.
O amor é como uma pétala a esvoaçar na brisa.
O amor é como um arco-íris de muitas cores brilhantes.
O amor é como uma nuvem cheia de gotinhas de água a cair.
O amor é como uma estrela a brilhar.
O amor é como dois olhos a brilhar.
O amor é como uma onda do mar azul.
O amor é como uma ave com grandes asas.
O amor é como a espuma das ondas a desfazer-se na areia.
O amor é como uma estrela cadente no rosto.
O amor é como uma papoila vermelha num campo verde.
Liliana Morais-8ºD

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O AMOR... (3)
O AMOR... (3)
O amor é como a tua mão a fechar-se na minha.
O amor é como um raio de sol num dia de inverno.
O amor é como uma lágrima a nascer no nosso olhar.
O amor é como uma rosa vermelha em botão.
O amor é como um beijo quente.
O amor é como um mar de estrelas que ilumina a noite.
Verónica Moreira 8ºD

 

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O Amor... (4)

É o coração que voa no ar,

é uma boca que beija a brisa,

é uma noite de luz e luar,

é uma pétala que voga no mar,

é ser um arco-íris no céu,

é ser uma flor numa nuvem,

é uma pétala a nascer na alma,

é uma flor de vida,

é uma ave a voar no mar,

é a vida a esvoaçar,

é uma estrela a morrer de sonho,

é o vento a pedir um beijo,

é uma brisa a brincar com a alma...


Filipe Coelho – 6.º E – 16 anos
 

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O Amor... (5)


É um pássaro que voa na vida,

é uma pétala que pousa no coração


Clemente Campos – 5.º D – 12 anos

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O Amor... (6)


É uma pétala que veste o coração,

é uma vida a esvoaçar na brisa,

é um pássaro que beija a alma,

é uma estrela que chora de vida,

é o vento a soprar no Ser...


Bruno Santos – 5.º C – 15 anos


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O Amor... (7)


É um estrela que chora de alegria,

é uma nuvem de luz na alma,

é um arco-íris a nascer na noite,

é uma ave que nos poisa na palma.


Daniel Conde – 6.º E – 13 anos



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O Amor... (8)


É uma estrela que aquece o coração,

uma pétala que se solta no céu,

um beijo que brinca com a manhã,

uma nuvem que canta de alegria,

um pássaro que esvoaça no ser,

uma flor que cresce de vida,

um arco-íris que atravessa a alma,

o luar a beijar a noite....


Vânia Isabel Moreira – 6.º C – 15 anos


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O Amor... (9)


É um pássaro que canta na calma,

um beijo que aquece o coração,

uma flor a nascer na alegria,

uma pétala que beija a alma,

uma ave que pousa no sonho,

a alegria a brincar com o Ser...


Cláudia Queirós – 5.º C – 13 anos

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O Amor... (10)


É uma flor que esvoaça no leito,

uma estrela que brilha no mar,

o arco-íris a nascer na noite,

uma pétala que navega no peito,

o vento que beija a manhã,

uma flor que cresce ao luar...


Carla Sofia Lemos Coelho – 6.º C – 16 anos


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A voz da minha alma1
A voz da minha alma 1
 
Eu nasci com um problema chamado paralisia cerebral.
Quero dizer que me sinto feliz, igual a todos os outros seres, 
porque tenho dentro do meu peito um coração grande que me faz 
amar os outros e a vida.
Queria pedir a todos os meninos e pessoas grandes que nunca 
desistissem de ser felizes, porque a vida é bonita.
Todos temos problemas, o que é preciso é saber superá-los 
e saber viver com eles da melhor forma...
e aproveitar as coisas boas que a vida nos oferece.
Liliana Catarina Barbosa (6º ano B-14 anos) 

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A voz da minha alma2
A voz da minha alma
 
Eu nasci com "espinha bífida". Apesar de ter nascido 
com este problema, sempre arranjei muitos amigos e 
faço a minha vida normal. 
Desde pequena que me habituei a viver com o meu problema 
e sinto-me alegre e sorridente!
Eu já sofri muito porque passei muitos dias no hospital. 
Este ano receei ter que passar o dia de natal no hospital, 
mas felizmente pude vir para casa.
Eu sinto-me muito feliz, igual às outras pessoas e tenho 
muito para dar e para receber.
Liliana Morais-8º Ano D- 16 anos) 

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Hora do Conto e da Poesia

Escola EB 2,3 de Alfena

Sala de Apoios Educativos


 

O Segredo do Diogo
 

Era uma vez, um menino e um cão. O menino chamava-se Diogo e o cão Bobi.

O Diogo tinha doze anos e era magro e alto. O seu cabelo ruivo parecia uma cenoura espetada no alto da cabeça. Por isso, todos lhe chamavam “Cenourinha”. Andava no sétimo ano e tinha quase sempre boas notas porque estudava sempre as matérias, fazia os deveres de casa e prestava muita atenção às aulas. Tinha muitos amigos com quem brincava. Jogavam à bola, às escondidas, andavam de bicicleta, brincavam com a “playstation”, enfim…divertiam-se imenso.

O Bobi era um rafeiro muito bonito e meigo. Tinha o pêlo comprido e macio, muito preto, e parecia mesmo um bocado de carvão com quatro patas e uma cauda sempre a abanar.

Como a mãe do Diogo, a D. Esperança, não o deixava ter um cão, o menino tinha o animal escondido debaixo da sua cama. Para a mãe não saber, quando ela saía para o trabalho, para fazer compras ou simplesmente passear, o Diogo dava de comer ao Bobi.

A mãe costumava dar uma mesada ao Diogo para ele comprar goluseimas, ou cromos, ou qualquer outra coisa. O Diogo nunca gastava este dinheiro todo. Guardava sempre uma parte no seu mealheiro e tinha já bastante dinheiro junto. E, assim, conseguia comprar comida para o seu cãozinho. Dava-lhe também sempre água e um bocadinho de leite.

Sempre que a mãe saía de casa, o Diogo punha a trela no Bobi e levava-o à rua para ele saltar, correr, brincar e apanhar ar.

O problema era quando o cão ladrava dentro de casa! Ai, se a mãe ouvisse! Havia castigo pela certa! E dos grandes! E pior do que isso, certamente lhe tiraria o Bobi. Só de pensar nesta hipótese, o Diogo ficava logo com o coração apertado.

Assim, sempre que o cão ladrava, o menino tossia ou fazia qualquer outro som para abafar o ladrar do cão.

A D. Esperança até já andava preocupada com o filho. Afinal, ele passava a vida a tossir! Estará doente? Tenho que o levar ao médico – pensava a mãe.

E marcou logo uma consulta para não se agravar o problema da tosse do Diogo.

- Sr. Doutor, o meu filho tem tossido muito. Estou preocupada com ele.

- Bem, vamos lá ver isso.

E o médico pegou no estetoscópio e, com muito cuidado, passou-o nas costas e no peito do Diogo, enquanto escutava o seu coração e verificava se os seus pulmões estavam saudáveis.

- Não, não tem nada. Está de perfeita saúde. Nem sequer precisa de tomar qualquer medicamento.

A mãe, mais aliviada, pegou no Diogo pela mão e levou-o para casa.

O Diogo começou a pensar que precisava de arranjar outra maneira para disfarçar o ladrar do seu cão.

O Diogo tinha três grandes amigos: o Rui, o Pedro e o Filipe. Andavam todos na mesma turma e tinham a mesma idade. Combinou com o Rui que, sempre que este fosse a sua casa, andaria com o Bobi pela trela. Assim a mãe pensaria que o Bobi pertencia ao Rui. Pelo menos, nessas alturas, o Bobi poderia ladrar à vontade.

Um belo dia, a D. Esperança estava sozinha em casa. O seu patrão dera-lhe a tarde de folga. O Diogo estava ainda na escola e o marido tinha ido para o estrangeiro, em trabalho. Ela resolveu ir arrumar a sala. Andava muito entretida a aspirá-la. Resolveu ligar a televisão. Dava-lhe sempre a sensação de que, assim, tinha companhia.

Um ladrão que já há muito tempo andava a espiar a casa para saber os hábitos das pessoas que lá moravam, sabia que da parte da tarde a casa costumava estar vazia, pois via o Diogo a sair para a escola e os pais para o trabalho. Já sabia que uma janela de um quarto das traseiras costumava ficar aberta.

Olhou em volta, com muito cuidado, para ter a certeza de que ninguém estava por perto. Que sorte, não vejo ninguém! Bem, é o momento perfeito! – pensou para si mesmo o ladrão. Aproximou-se devagarinho da casa, agarrou-se ao beiral da janela, içou o corpo e entrou na casa.

Já lá dentro, começou a observar tudo para escolher os objectos que queria roubar. Onde estarão as jóias? Depois de vendidas, vão render-me bom dinheiro! – exclamou.

De repente, pareceu-lhe ouvir vozes e ficou parado à escuta. E, num instante, compreendeu o que se passava. Desatou a rir ao mesmo tempo que dizia:

- Ora esta, estes tolos deixaram a televisão ligada.

Começou a caminhar pela casa fora, despreocupado, na convicção de que estava sozinho.

A D. Esperança continuava entretida, agora a limpar o pó. Com o barulho da televisão, não ouviu qualquer ruído.

De repente, sente que a agarram. Quer gritar, mas uma mão forte tapa-lhe a boca. O ladrão mete-lhe, então, o seu lenço na boca para abafar os gritos e para poder ter as mãos livres. Com uma só mão, tira o cinto das calças e obriga-a, à força, a sentar-se. Depois, amarra-a com o cinto e prende-a bem à cadeira.

Entretanto, no quarto do Diogo, o Bobi começava a rosnar, com as orelhas muito espetadas. Ele, com o seu faro aguçado, sente o cheiro de alguém que não é da casa. Sabe que há algo estranho, que alguma coisa não está bem.

De repente, começa a correr em direcção à porta do quarto. Pôs-se a arranhar a porta com as suas unhas afiadas. Mas, a porta não abria. Então, o Bobi que era muito esperto, ergueu-se nas duas patas e com a boca começa a rodar a maçaneta da porta. Viva, conseguiu abri-la!

A correr, dirigiu-se logo para a sala porque ele bem sabia que era lá que alguma coisa se estava a passar. Deu um salto enorme e atirou-se ao homem. Com a surpresa, o homem desequilibrou-se e caiu. Então, o Bobi agarrou-lhe uma perna e espetou nela, com muita força, os seus dentes. O homem gritava com a dor, mas o Bobi não o largou.

A D. Esperança ao ver que o homem nada podia fazer porque o cão não o soltava, começou a tentar libertar as mãos. Com muito esforço, lá conseguiu. Desapertou o cinto que lhe prendia o corpo à cadeira, tirou o pano da boca e foi a correr para a porta em busca de ajuda.

Abriu-a e, aos gritos, pedia socorro. Uma vizinha veio aflita, para ver o que se estava a passar.

A mãe do Diogo, com alguma dificuldade porque estava muito nervosa e a chorar, contou tudo à vizinha.

Esta entrou em casa e, muito esperta, fechou a porta da sala à chave e trancou lá o ladrão. Assim, o homem não poderia fugir mesmo que o valente Bobi não o conseguisse segurar por muito mais tempo. E correu para telefonar à polícia.

Esta veio rapidamente, passados poucos minutos. Entrou em casa, abriu a porta da sala, agarrou o ladrão e pôs-lhe umas algemas. Depois, levou-o para a esquadra onde foi metido numa cela da prisão.

É que aquele ladrão era já bem conhecido da polícia e esta há muito tempo que lhe andava no encalço. Agora, sim, estava preso e bem preso!

Tendo o maior susto passado, a D. Esperança perguntava a si mesma de onde teria surgido o cão do Rui. Sim, porque ela pensava, como sabemos, que o cão era do Rui. Não entendia como é que ele tinha entrado na sua casa. Por outro lado, não via o Rui em lado nenhum.

Nisto, o Diogo chega a casa, vindo da escola. Ao ver todo aquele alvoroço, a mãe com olhos de choro, a vizinha lá em casa e…oh, surpresa!...o Bobi à beira das duas!...o Diogo ficou aflito…

E agora? O que faria? Como iria explicar à mãe a presença do Bobi lá em casa? Que grande raspanete ia ouvir da mãe!

E ficou, em frente à mãe, de cabeça baixa e olhos pregados no chão, sem saber o que fazer ou dizer.

A D. Esperança, então, disse-lhe:

- Ai, meu filho, nem sabes o que aconteceu enquanto estavas na escola. Tive muita sorte. Se não fosse o cão do Rui, nem sei o que me poderia ter sucedido!

O Diogo respondeu:

- Mas…mas, o que aconteceu, mãe?

E a mãe contou-lhe toda a aventura que tinha vivido.

E, de repente, disse-lhe:

- Só não entendo como é que o cão do Rui apareceu aqui. Nem sequer vi o Rui! Que estranho! Mas é um cão muito valente! Foi ele quem me salvou.

Então, o Diogo, que já não sabia como dar a volta à situação, resolveu contar toda a verdade à mãe.

Esta ouvia a história do filho, de olhos e boca abertos. Nem acreditava no que ouvia! Como podia ela não ter dado pela presença do Bobi em sua casa? Que bem que o Diogo e o Rui a tinham enganado!

Começou por ficar furiosa com o filho e cheia de vontade de lhe dar um grande puxão de orelhas. Ou um valente castigo! Mas, conforme ia ouvindo, a fúria ia acalmando e, de repente, desatou a rir à gargalhada. É que ela tinha um grande sentido de humor e percebia agora muito bem como era bom e útil ter um cão em casa.

Abraçou o filho e, com meiguice, disse-lhe:

- Sabes, Diogo, foi o teu cão quem me salvou. E, por isso, estou-lhe muito agradecida. É um cão muito corajoso e bonito.

O Diogo ouvia com a esperança a crescer de não ter um castigo muito severo.

E a mãe continuou:

- De qualquer forma, não me agrada nada que me tenhas enganado este tempo todo. Nunca mais voltes a mentir. Para a próxima, dou-te um grande castigo. Mas, agora, deixemos isso. Estou tão aliviada que nem conseguiria castigar-te! E a verdade é que sem a ajuda do teu cãozinho, não sei o que poderia ter-me acontecido. Ainda bem que ele estava cá em casa!

O Diogo, ainda a gaguejar, disse:

- Desculpa, mãe. Prometo não voltar a mentir-te. Sei que não procedi bem, mas queria tanto ter um cão! E tu não deixavas…

E continuou, com duas lágrimas a escorrerem-lhe pela cara:

- Bem, já sei que vou ter que me despedir do Bobi. Que pena, gosto tanto dele!

Então, a mãe disse-lhe:

- Sabes, meu filho, embora considere que não procedeste bem, vejo agora como é bom ter um cão em casa. E ele é tão bonito! – acrescentou, na sua voz doce, enquanto fazia festas no pêlo luzidio do cão. Por isso, já decidi!

O Diogo estava de olhos muito abertos e com a respiração suspensa à espera de saber qual a decisão da mãe. Esta abraçou-o de novo e exclamou:

- Pronto, está decidido! Podes ficar com o Bobi. Dou-te a minha autorização e estou certa que o pai também consentirá. Acabaram-se os enganos. O Bobi já pode andar à solta pela casa.

E, baixando-se, pegou no cão ao colo e, carinhosamente, disse-lhe:

- Bem-vindo a esta casa, Bobi! Agora também pertences a esta família. E muito obrigada por me teres salvado. És mesmo um cão muito corajoso e valente!

O Diogo nem acreditava no que ouvia. Sentia o seu coração a bater com muita força, cheio de emoção. Quase lhe saía do peito! O Bobi ia ficar lá em casa? A mãe deixava? Que grande surpresa! Que grande alegria!

- Obrigado, mãe, muito obrigado! És um anjo! Prometo portar-me bem e ser digno da tua bondade.

Pegou no Bobi e deu um grande abraço à mãe, espetando-lhe dois sonoros beijos nas bochechas.

Nesse momento, o Bobi deu uma grande lambidela na cara do Diogo e outra na cara da mãe. Sim, porque era esta a sua forma de agradecer.

Mãe e filho desataram a rir à gargalhada. E o Bobi parecia rir também com a boca aberta, os olhos brilhantes e a cauda “a dar a dar”. Aquilo é que ela abanava!

Alfena, Fevereiro de 2006

 

Alunos participantes :


Daniel Conde - 7º B

Carla Coelho - 7º D

Vanessa Moreira – 7º D

Vânia Moreira – 7º D

Cláudia Queirós – 6º C

Bruno Santos – 6º C

Hugo Sousa – 5º B

Cátia Sousa – 5º B

Jesus Cristopher – 6º D

Solange Moreira – 6º D

Paulo Coelho – 5º H

 

Professora: Odília Queiroz
 

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Pedaços de alma ou…a alma em pedaços?!

Este é o testemunho impressionante do Nuno Miguel, de quem tenho o orgulho de ser professora. Ele, que depois de ter tido a alma em pedaços, nos deixa, agora, os seus pedaços de alma.

São estes exemplos de coragem que nos dão forças para continuar. São pessoas como o Nuno que nos fazem crescer por dentro!

Obrigada, Nuno, por existires e pela tua força. És uma grande lição de vida e de Ser!

Aqui está esta enorme aula que o Nuno dá a todos!

Aprendamos, pois, com ele!

Odília Queiroz
 

Pedaços de alma
 

A Minha História
 

Olá! Eu sou o Nuno Miguel, tenho 13 anos, vivo em Alfena e frequento a escola EB 2,3 de Alfena. Estou no 7º ano de escolaridade. Já podia estar no 9º ano, mas tive um problema de saúde: cancro na cabeça. Eu costumava ir à escola, jogava muito à bola e adorava nadar…quando fiquei doente, há quase 2 anos, tive que parar com todas as actividades. Passei momentos muito difíceis porque tinha muita falta de apetite e tive que ser alimentado com sonda. Fiz tratamentos de radioterapia e quimioterapia que são muito difíceis de suportar. Passei longas temporadas no hospital, depois não podia sair de casa e tinha que estar na cama. Sentia-me cansado, desanimado e sem vontade de fazer nada. Só pensava em quando é que o pesadelo acabava…para voltar a viver uma vida normal e sem sofrimento.

As pessoas da escola nunca me abandonaram e vinham dar-me aulas a casa.

Neste momento, estou a ter aulas em casa com a professora Odília. Alguns dos meus amigos vieram sempre visitar-me. Os meus pais foram incansáveis, nem consigo explicar por palavras tudo quanto lhes devo. Inclusivamente, a minha mãe teve que deixar de trabalhar para estar constantemente ao meu lado. A minha família são as pessoas que mais amo no mundo.

Agora, graças a Deus e a todos os que me ajudaram, o pesadelo está praticamente no fim. Os tratamentos resultaram, cresci, estou mais gordo, o cabelo cresceu, já não estou pálido nem me sinto cansado.

Afinal chegou o tempo de voltar a viver! De ir à escola, de estar com os meus amigos, de jogar à bola, passear, e, quem sabe, de arranjar uma namorada!:)

Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!

Quero dizer a todas as pessoas e sobretudo às crianças e jovens que, se tiverem uma doença destas, nunca desistam de lutar e de sorrir à vida. É que depois da tempestade vem a bonança e lá chegará o dia de se sentirem felizes como eu me sinto agora.

Para todos, beijos do Nuno.

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