Índice  

Eduardo Freire

Agenda  As esquinas da lua  Contos  Crónicas da Net  Entrevista Galeria de arte  Livro de visitas  Ecos do Ressoa

  Os poetas do canal  Página Inicial Poemar na escola  Poemas ditos  Ressoa Página pessoal

Contos

- Escrever só pra gente

- Intuitivo

- Meus verdadeiros tesouros

- O cemitério da paz celestial

- Objetos

- Revelação de um amigo

- O princípe...

- Os paradoxos

- Sutil Obsessão

Contos Micro

- A deusa

- A vida e as suas voltas

- A volta do que não foi

- Barriga errante

- O poeta picante

- Vidas simples

Contos de Natal

- Nessa noite de Natal

- Sentimentos Natalinos

- Um feliz Natal sincero

Crónicas

- A Foto

- A palavra

- Tentativa

- Preguiça

- Reescrever uma história

- Uma cidade com várias cidades dentro dela

- Devaneios...

- Pensamento qualquer

Foto de: Sete Sois

Lagoa Azul

 

 

 

 

ESCREVER SÓ PRA GENTE

 

Escrevo. Meu Deus, o computador está fazendo um barulho estranho. Toca uma música da Madona que adoro, mas não sei o título; sou assim, não guardo nome de música. Vários pensamentos passam por minha cabeça. O dia está nublado e abafado. Estava no ônibus, queria preencher um formulário, mas não conseguia por causa das freadas do ônibus. Tenho que caminhar. Vou fazer concurso público. Está chegando o final do ano, o tempo está passando rápido; lembro-me que quando criança, parecia que passava devagar. Continuo a escrever, estou esperando algo acontecer; são 18:28 p. M.. O barulho de novo no computador, tomara que não estrague outra vez. Outra vez está tocando uma música que gosto, mas não sei o título e quem canta também. Quero arriscar, tudo ou nada; não quero mais me guardar; prefiro me machucar. Vou enviar meus originais para algumas editoras, vou tentar; não agüento ficar mais na inércia; tenho que aproveitar o restinho de juventude, que ainda tenho. Em algumas ocasiões, sonho que saio da minha janela e me transformo dragão voador. Medo, quero arriscar essa palavra do meu dicionário. Amanhã tenho que tirar xerox, ir para oficina de conto introdução que fica nas Estações das Letras; levo duas horas par chegar lá. Estou com um conto que não me sai da cabeça, quero fazer uma paródia do livro O Retrato de Dorian Gray; meu conto será O Retrato de Dolores Gray, que narra a história de Dolores, uma moça que nasceu com uma bunda escultural; um fotógrafo ficou tão admirado com suas nádegas que pediu à moça que deixasse tirar uma foto; no início, ela não quis ficou com vergonha, mas a mãe incentivou: “Filha, sua bunda é linda! Não desperdice o que deus lhe deu.”; Dolores sempre escutou mãe; foi um sucesso só, Dolores ficou tão admirada com sua bunda, que desejou que ela nunca ficasse velha, cheia de celulites e caída; o tempo passou e as suas nádegas continuam lindas, mas o retrato (que o fotógrafo deu especialmente para ela) a bunda era outra, totalmente muxibenta ; Dolores escondeu o retrato... e aí pensarei num desfecho para essa paródia mais tarde, estou sem saco agora. São 19: 00 p.m., é Horário de Brasília, acho um saco. Quero continuar a escrever. Quero ler de novo Sol e Aço de Yukio Mishima. Adoro desenhos de mangá, tem um que não consigo esquecer: A Viagem de Chihiro. Como serei daqui a vinte anos. Morte, nem penso nisso; abafa o caso. Está escuro, vou ligar a luz. Voltei e desliguei o rádio. Imagino imagens em minha cabeça, gostaria de ser pintor para reproduzi-las. Às vezes, tudo está tão silencioso, que deitado na minha cama, só escuto as batidas do meu coração; não sei o razão, mas isso me deixa um pouco agoniado; o silêncio é pra poucos. Chega de escrever, se não, ninguém vai entender e nem eu mesmo; isso não é lógico, vem de pensamentos confusos e sentimentos conflitantes; muitas vezes precisamos escrever só pra gente.

 

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INTUITIVO

 

Ronaldo sempre foi intuitivo. Eu não, preciso aprender a gostar.

Ele quando via um quadro, emocionava-se naturalmente. Enquanto a mim, não conseguia; precisava construi um olhar para admirar. A minha primeira impressão é que nada significa, mas para não passar por ignorante, repito o que todos diziam: – Realmente, é muito bonito.

Sinto uma inveja dilascerante de Ronaldo, não sou como ele. Lembro que sempre me dizia: – Tem que parar de pensar, mas sentir.

Não consigo, sou pragmático.

Ronaldo escrevia fluído, não era intelectual, desenvolvia seus textos de acordo com as pulsações do seu coração; gritava em palavras. Eu queria matá-lo, odiava-o.

Lúcia era esposa de Ronaldo. Ele a conquistou com uma poesia. Eu a amei primeiro e meu amigo a roubou de mim. Era professora de literatura de uma universidade conceituada; adorava estruturar e analisar os textos de Ronaldo.

Um dia, ele me confessou, rindo, que Lúcia interpretava certas coisas, que nunca tinha pensado:

– Eu escrevo por escrever, cara. Não tento buscar significado, só quero sentir. Deixar a emoção me envolver.

Afastei-me. Ronaldo me procurou, fingia que estava ocupado.

Ele pertencia a uma família de intelectuais. Os pais queriam que ele seguisse a carreira acadêmica. Mas, Ronaldo não quis. Só fez o ensino médio. Foi embora de casa, com uma prancha de surf, algumas roupas e livros. Dizia que quanto mais lia, mais queria viver perto da natureza. Ralou bastante, os pais não o ajudaram. Como era excelente em português, arranjou alguns bicos com professor particular. Estudava a sua maneira, conseguindo dominar a palavra.

Um dia o telefone tocou:

– Alô, quero falar com você.

– É que estou ocupado.

– Poxa, sinto saudades de você, cara.

– Desculpa. Conviver contigo, me deixa mau.

– Por quê?

– Não queria dizer, mas tenho inveja de você. É intuitivo, inteligente e eu...

– Você tem o seu valor.

– Desculpa, não quero ser mais seu amigo. Fico mau, perto de você.– bati com força o telefone.

Tento escrever sobre Ronaldo. Está sendo muito difícil. Lúcia me ligou, perguntando como estava a biografia. Disse que estava indo. Falou que os pais de Ronaldo queriam ler antes da publicação. Concordei.

Ele faz falta. Num dia, foi surfar e nunca mais voltou. A liberdade que tanto almejava, o consumiu.

Como fui idiota...

O telefone tocou novamente, era Cláudia. Combinamos em sair juntos.

Adeus, meu amigo. Mais uma vez, desculpa...

 

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MEUS VERDADEIROS TESOUROS

 

Sempre tive a curiosidade de saber, como os escritores constróem suas histórias.

Deitado na minha cama, olhava para o teto do quarto. Pensava como eles seriam feitos. Às vezes, meus pais ficavam preocupados, quando me viam quieto no quarto por muito tempo.

Um dia, quando estava quase dormindo, o esboço de uma princesa apareceu de repente. Era de madrugada. Sua aparência era formada por rabiscos indefinidos, em preto e branco.

Fiquei surpreso com a sua aparição:

– Quem é você?

–Sou um esboço de uma princesa.

– Você é tão bonita, de onde você vem?

– Venho do Reino dos Esboços e dos Rascunhos. Quer conhecê-lo?

– Desejo sim.

Ela me levou ao mundo que havia um mar formado figuras inacabadas e palavras rasuradas; as folhas das árvores eram palavras soltas e fragmentos de desenhos; o sol e a lua, um do lado do outro, eram apenas rabiscos sombreados. Apesar deste mundo ser sem cor, era tudo vibrante.

– Os desenhistas, os escritores e os pintores visitam o Reino dos Esboços– disse a princesa esboço.

– Posso visitar este lugar, a hora que eu quiser?

– Claro que sim, esse lugar é livre.

– Você já se viu pronta? Se é linda como inacabada, imagina pronta.

– Não quero ser acabada. Gosto viver aqui, onde as idéias se originam. Aqui sempre me modifico.

– Falando assim, queria ser esboço também. Bem, já está na hora de regressar. Amanhã, tenho aula cedo.

– Quando quiser voltar, é só me chamar.

Com o passar do tempo, meus pais não entendiam a minha razão de colar um monte de rabiscos e textos rasurados, nas paredes do meu quarto.

Nunca disse nada a ninguém, que os meus verdadeiros tesouros, eram os rascunhos e os esboços que faço, que são manifestações primeiras das minhas ideias.

Até adulto, deixo-me levar pela Princesa esboço.

 

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O CEMITÉRIO DA PAZ CELESTIAL

 

Este cemitério, na teoria, deveria ser um descanso aos mortos. Mas, não é assim, em vez de ser os mortos vagarem e assombrarem o cemitério, é ao contrário: são os vivos que atormentam e assombram os habitantes mortos do local. Ele serve de trilha para cortar caminho, facilitando a vida das pessoas. Fica ao lado de um conjunto de casas e também é palco de muitas coisas ilegais, imorais e amorais...

Assassinatos, tráfico de drogas, estupro, casais transando em cima dos túmulos, crianças e jovens pichando os mausoléus, ladrões arrombando túmulos para roubar os cadáveres, necrófilos abusando das mortas-virgens e reuniões de magia negra. Os defuntos estavam revoltados com tudo que estava acontecendo:

– Isso é um absurdo! Um casal de namorados, transou bem em cima da minha tumba e não pude descansar, fiquei todo nervoso.

– E esses jovens que picharam meu mausoléu, gastei uma fortuna e agora ele está todo rabiscado.

– Pessoal, eu sou nova aqui, morri a um dia atrás. Aconteceu uma coisa horrorosa comigo! Fui e sou uma senhora muito respeitável e, por isso, morri virgem, tinha orgulho disso, mas um tarado e asqueroso arrombou meu cachão e me violou! Não é um absurdo?! Perdi minha virgindade, depois de morta! – começou a chorar.

– E os que traficam drogas e usam a minha tumba de escritório!

Os desabafos duraram por muito tempo, não podiam fazer nada. Quem daria ouvido aos mortos? As autoridades nem conseguem dar assistência aos vivos, quanto mais os que não estavam mais.

Um poeta morto, ouvindo o problema dos seus vizinhos de túmulo e os seus próprios. Escreveu um poema sombrio:

O ÚLTIMO SALVADOR DOS TEMPOS

No final dos tempos,

quando todos estarão desesperados e desenganados,

nascerá de um ventre em decomposição,

o nosso último salvador.

Da morte,

Nascerá a vida, a qual

nos ajudará a ser salvos

do apocalipse final.

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  REVELAÇÃO DE UM AMIGO

Tudo ocorreu rápido.

Estava namorando uma garota legal e saíamos muito com os amigos. Um dos meus melhores colegas é o André, que é meio “galinha”; adora roubar a mulher dos outros. Dizem que ele até se envolveu com a namorada do próprio pai. André nunca desmentiu o boato.

A minha namorada não gostava dele, começou a falar mau do meu amigo, depois de uma festa. Perguntei o por quê? Ela disse que André a paquerou. Fiquei surpreso, falei com um outro amigo, que disse que poderia ser verdade: – Cara, ele paquerou a minha noiva, por isso, não falo mais com ele.

Muito confuso fui conversar com o André no seu apartamento, para esclarecer um possível mal entendido. Quando cheguei lá, vi minha namorada e ele juntos. Estavam conversando muito próximos e tirei minhas próprias conclusões.

Ao perceberem minha presença, ela veio em minha direção dizendo que André a agarrou para beijá-la. Disse que foi ao seu apartamento, para lhe dizer que terminasse com o assédio.

Acreditei nela, era uma moça justa e sincera, enquanto o André era desleal com os amigos. Ele tentou explicar, mas dei um murro na sua cara e fui embora com minha namorada. O tempo passou, eu e a moça legal que conheci desmanchamos. Nossa relação estava chata e desgastada. Comecei a sair e conhecer outras pessoas.

Um dia, recebo um telefonema, era a mãe de André. Disse que ele estava nas últimas no hospital e queria falar comigo urgentemente. No início não queria ir, mas era um amigo e como cristão, não poderia deixar de falar com ele.

Fui visitá-lo no hospital, fiquei com pena, estava definhando. Ele, quando me viu, mandou entrar no quarto. Inicialmente, conversamos coisas frívolas, depois André bruscamente disse que nunca quis ficar com a minha ex. Eu disse que isso era passado e que ela nem estava mais comigo. Ele insistiu. Começou a dizer que, na realidade, foi ela quem o paquerou e que naquele dia em seu apartamento, tentou seduzi-lo. Eu, para aliviar sua condição, disse que acreditava em tudo que dizia.

André apertou a minha mão. Me pediu segredo do que ira dizer, era uma confissão, que guardara por muito tempo.

Quando disse, tirei bruscamente a minha mão e fui embora rápido do quarto. Só escutei seus gritos para eu voltar, mas nunca voltei e nem fui ao seu enterro...

– Meu amigo, você sempre foi especial para mim. Te conheço desde criança e sempre senti um sentimento por você que queria esconder e esquecer, mas quando você aparecia, ele aflorava sempre. Me envolvi com várias mulheres e até com a mulher do meu pai para esquecer esse sentimento, que sinto por você. Nunca quis roubar nenhuma namorada sua, porque não queria vê-lo triste e não desejava perder sua confiança. Quero lhe dizer que eu te amo, mas não como amigo, diferente... Sempre desejei ficar perto de você. Você é o grande amor da minha vida. Por isso, que me envolvia com várias mulheres, para tentar esquecê-lo, meu amor.

duardo Oliveira Freire. Acabei recentemente a faculdade de Ciências Sociais. Sou aspirante a escritor.

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  A DEUSA

Era uma Deusa. Tentei a todo custo namorá-la. Nunca me deu bola, tratava-me como um coleguinha.

Um dia, insisti tanto, que cedeu aos meus “encantos”. Mas, na hora do beijo, minha Deusa saltou uma flatulência. O encanto por ela partiu-se.

Não podia suportar a descoberta: Ela é humana! Fui embora e nunca mais a encontrei.

Até hoje, espero minha musa perfeita.

Enfim, ela chega: – Minha Deusa!–. Encontrei o que tanto procurava, na face da morte.

– Como é Divina.

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A VIDA E SUAS VOLTAS

 

Ela esperava o noivo. Ele demorava a chegar; tinha fugido com outra.

Ouviu batidas na porta. Esperançosa foi abrir.

Era Cláudio, melhor amigo do seu noivo. Estava com um bilhete.

Ficou frustada e chorou bastante. Mas, sempre achou Cláudio bonitinho e mais de vida do que o noivo.

Hoje, é muito feliz e casada com um dos homens mais ricos do bairro, onde mora.

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A VOLTA DO QUE NÃO FOI

 

Por muitos anos um indivíduo viveu alienado ao lugar onde morava e nascera. Nunca se deu conta do que se passava em sua volta. Permanecia horas pensando que viajavas a lugares incríveis.

Um certo dia, sentado num banco da praça, olhava sem ver a cidade natal. De repente, começou a vê-la com outros olhos: – Que lugar bonito.

Quando rompeu a barreira da cegueira construída por sua fantasia, descobriu as virtudes de viver no lugar, onde sempre morou. A mãe dele ficou tão contente, que disse: – Você voltou pra casa!

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BARRIGA ERRANTE

 

Essa é a história da minha barriga.

Deseja a liberdade plena. Revolta-se, quando coloco o cinto na calça. Senti-se estrangulada e se estufa ao máximo, até ceder o cinto.

Ela quer ser dona dela mesma. Eu a reprimo.

Gosto dela, porém, não posso permitir, que ela se revolte contra mim.

Tento dominá-la. Ela resiste. É uma guerra silenciosa e cruel.

A paz dessa batalha, talvez, só irá acontecer, quando nós dois morrermos.

Ou não, nossos espíritos continuarão a lutar.

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O POETA PICANTE

 

“Meu amor, amo-te. Adoro suas carícias, sinto-me um filho incestuoso ao seu lado. Tu és minha amante e a minha mãe ao mesmo tempo. Fico entre os seus seios, como se fosse um neném faminto.”

–Você viu Marilda, como meu velho era assanhado. Foi um poeta picante.

– É mesmo dona Augusta.

A neta está observando a cena. Fica surpresa, o vovô era tão pudico.

Lembrou-se do momento, que beijava um rapaz na boca. O avô a viu e a repreendeu.

Depois de escutar a conversa da avó com a amiga, pensou: “ O ato de beijar é mais pecaminoso, do que escrever essa carta?”.

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VIDAS SIMPLES

 

Existem tantas histórias sobre gêmeos;

* O gêmeo mau e invejoso, que prejudica o irmão bom.

* Ligação mística entre eles.

* Disputa amorosa destes dois, por causa de uma mulher.

* Um troca de identidade com o outro.

Mas, sei uma história simples de dois gêmeos. Eram amigos e viveram bem como todo mundo, sem complicações. Tinham uma padaria e uma loja, que vendiam produtos para animais.

Não resumi suas vidas, foram assim mesmo, em poucas linhas.

Mesmo assim, sentiram intensamente cada minuto que viveram com a família e os amigos.

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  NESSA NOITE DE NATAL

 

Antônia pediu a mãe, para passar o natal na casa da melhor amiga Luzia. A senhora consentiu. O pai de Antônia tinha morrido, por isso, ela e a filha não estavam com clima para o Natal. Queria que a filha se distraísse.

Antônia era uma moça de dezoito anos e bonita. O pai de Luzia a olhava com um certo interesse e ela o achava um homem charmoso, também.

A mesa estava posta com requinte, tinham frutas, doces e muitas bebidas. O pai de Luzia bebia muito, não parava de olhar para amiga da filha. A moça se sentiu um pouco tonta, por causa do vinho e a presença do pai de Luzia. Pediu  à amiga lhe arranjar um lugar para descansar. A outra moça a levou ao quarto de hóspedes.

Quando estava no quarto, viu a porta se abrir. Pensou que fosse Luzia lhe chamando. Porém era o pai de sua amiga, vestido de papai Noel. Antônia não teve vontade de gritar e nem sair do quarto, ficou parada ali. O homem fechou a porta com a tranca e foi em sua direção. Ela instintivamente abriu as pernas e se deitou na cama. Não tinha medo do que iria acontecer.

O pai da amiga se sentou. Disse bem baixinho algumas palavras: – Não grite. Você é linda.

Antônia não escutava nada. O homem começou alisar suas pernas e a subir. A moça gemeu, porém a música estava tão alta que abafava qualquer ruído. Ele parou de tocá-la e abaixou a calça vermelha de papai Noel. Insinuou com olhares, para Antônia tocar seu sexo. Ela o obedecia sem pestanejar.

Quando deu meia-noite, todos começaram a festejar. Nesse mesmo tempo Antônia e o pai de sua colega gozaram.

Depois do acontecido, o homem foi embora e ela saiu minutos mais tarde.

Foi para casa. Quis esquecer o que aconteceu, nessa noite de natal.

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  SENTIMENTOS NATALINOS

 

    A família reunida no natal. A mesa posta, vinhos caros e comidas requintadas.

    Um pai de família suborna um guarda de transito. Não quer ser punido por ultrapassar o sinal vermelho.

    Todos estão com cálices na mão, conversam sobre a grandiosa festa de natal.

    Um filho leva a namorada para clínica de aborto. Não quer que os pais saibam, porque não perder o presente de natal, que sempre quis: Viajar para Austrália e pegar "altas ondas".

    Todos se abraçam à meia noite. Comemoram o nascimento do menino Jesus.

    Uma mãe despede a empregada. Pensou que foi ela, que roubou uma jóia sua. Na realidade, foi o filho que roubou, para pagar o aborto da namorada.

    Agora, estão fazendo brincadeiras em volta da árvore de natal e abrindo os presentes.

    Uma filha está sozinha, todas às tardes. O lazer predileto é tomar um pote de sorvete com vodca e ir ao banheiro vomitar, para não engordar.

    Beijos, abraços e sorrisos gentis.

    Sentimentos dissimulados...

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  UM FELIZ NATAL SINCERO

 

Havia muita bebida e comida. Tudo parecia tranqüilo.

Mas um homem bêbado começou a vomitar, de repente, na mesa onde estava as frutas, as bebidas e a comida.

As crianças abandonaram a avó, que contava sobre o verdadeiro motivo da comemoração do Natal, para ver "o barraco do tio", começaram a rir com inocente crueldade. O bêbado começou a xingar a todos da festa:

– Cambada de filhos da puta!

– Querido não faça escândalo, sua filha está chorando – pediu a esposa.

– Saí daí sua vagabunda, nem sei se ela é minha filha! Você não passa de uma vaca gorda e cheia de estrias!

– Mais respeito com a minha irmã, seu fudido!– deu um murro na cara do cunhado.

Foi uma confusão completa: choradeira, risos cínicos e olhares soberbos de recriminação.

Avó ficou sentada muito triste. Retirou-se.

Quando deu meia noite, todos foram correr à árvore de natal. Queriam saber o que iriam ganhar esse ano. A avó focou sozinha no quarto. Ninguém foi vê-la, pra lhe desejar feliz natal.

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A FOTO

 

Uma foto,

um homem sentado

na poltrona e com

o braguilha entreaberta, com uma

latinha de cerveja na mão e

sem camisa.

Atrás dele uma menina

chorando muito e com

um ursinho de pelúcia no colo.

Muitos olharam essa foto e

Sentiram:

pena

ódio

medo

revolta.

Queriam entrar

na foto e tentar salvar a

menina.

Pensavam:

“como um homem pode abusar

de uma criança indefesa”.

Mas, porque pensar no pior?

Talvez seja

um homem,

um pai que

brigou com

a filha e

a deixou de castigo ,

devido

a nota baixa

que ela tirou na prova da escola.

Por isso, a garota estava chorando.

Depois, cansado

decidiu relaxar dos

problemas,

bebeu uma

cerveja e assistiu a TV.

A braguilha aberta e

o fato de estar sem camisa

é devido

ao calor infernal daquele dia.

 

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TENTATIVA

No começo, eu queria escrever sobre uma jovem francesa, que era serva de um feudo, localizado na França. Era mal tratada pelo senhor do feudo e desejava vingança.

Mas, entrei num conflito existencial. Por quê escrever uma história, passada num outro país? Sou brasileiro! O Brasil é tão lindo, não deve nada aos outros países, principalmente, aos europeus. Contudo, tenho a liberdade de escrever sobre o quê quiser, certo?

Porque não contar história sobre as duas? Mas como? Escrevendo.

Uma era serva a outra, escrava. Apesar de viverem em lugares distantes e culturas diferentes, tinham alguns pontos em comum: a falta de liberdade, humilhações, miséria e sentimento de vingança.

As histórias de ambas são o seguinte: os seus senhores, destruíram suas respectivas famílias. O senhor do feudo matou o pai da moça francesa. Enquanto, o coronel do engenho, separou brutalmente a jovem escrava de sua mãe. Elas decidiram se vingar. Aprenderam a manipular ervas envenenadas, matando seus algozes. Ninguém soube que foram elas, porque( não sei se isso é possível?), os venenos que elas prepararam, não possuíam vestígios. A reação dos venenos simulavam um ataque cárdia.

Mas, com o passar do tempo, descobriram que não adiantou, matar os dois senhores. O mau estava inserido, nas estruturas das sociedades em que viviam. Continuaram as injustiças, os desmandos e a impunidade.

Vieram outros algozes para atormentar suas vidas, de seus amigos e de suas famílias. A situação era muito mais complexa do que elas podiam imaginar.

Fiz uma mistureba de vários fragmentos de histórias, filmes e novelas para fazer a minha história. Está uma droga, porém, pelo menos tentei narrar a saga dessas duas jovens mulheres, que apesar das barreiras da distância, da língua e da cultura, tiveram a mesma história de vida.

O interessante é que, ao observarmos a história da sociedade, veremos como esses sentimentos e situações são universais: a vingança, a onipotência, o egoísmo, o egocentrismo, a crueldade, a miséria, a violência e o amor. E como eles regem a ações dos seres humanos.

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  PREGUIÇA

Bem, tentarei. Será difícil, está tão calor e não consigo pensar. Quero dormir, em baixo do ventilador de teto.

Hoje não, amanhã. O calor tira o ânimo.

O verão passou.

Bem, tentarei. Será difícil, está frio e não consigo pensar. Quero ficar deitado na cama e bem agasalhado, com meus cobertores.

Hoje não, amanhã. O frio tira o ânimo.

O inverno passou.

Morreu, nunca tentou. Nunca saberemos, o que ele tentou fazer.

O tempo passa rápido, para os preguiçosos. Quando vê, tudo acaba.

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  REESCREVER UMA HISTÓRIA

O livro velho e pesado, que Pedro rabiscava quando criança e adorava fazê-lo de banquinho, com o tempo, ficou cheio de poeira. Quando cresceu o menino começou a usá-lo como peso, que não permitia mais o vento empurrar a porta do seu quarto.

Quem diria que aquele trambolho de livro velho, pesado e rabiscado seria, algum dia, útil ao Pedro. O menino, agora um rapaz, tinha algumas questões e reflexões sobre a vida, que o livro ajudou a solucionar e a formular outras, para refletir.

Pedro compreendeu que aquele livro era um tesouro, bem em baixo do seu nariz. Refletiu que o conceito de tesouro, pode ser aplicado de acordo com a classificação que cada indivíduo tem sobre este, utilizando os pensamentos subjetivos individuais e valores morais passados pela sociedade, em que cada um vive.

No caso do Pedro, ele mudou, o quê achava besteira, transformou-se em grandeza. Porém, não significava que se transformou em outra pessoa.

Escrevi algum tempo essa história. Ao reler de novo, não gostei da maneira como a contei. Isso acontece sempre comigo, parece que sempre mudo de opinião e de gosto.

Modificarei a narrativa da história. Vamos lá....

Pedro tinha um livro velho e pesado . Olhava-o sem vê-lo, para ele, não era nada.

Ao crescer, já rapaz, usava-o como peso, que não permitia mais o vento, empurrar a porta do seu quarto. Durante muito tempo, não se deu conta sobre o conteúdo do velho e puído livro.

Um dia, estava com muita raiva. Quis quebrar todas as coisas do quarto, para desabafar. “Se eu quebrar tudo, meus pais brigarão comigo e não terei dinheiro para comprar as coisas

que quebrei. Pobre é uma merda, nem pode extravasar sua ira”. Olhou para o antigo: “Isso aqui posso destruir, que ninguém vai me encher o saco!”.

Ao pegá-lo, ele escorregou da sua mão e quebrou o dedão do pé. Foi um estardalhaço por toda casa: gritos, choros e barulho de passos corridos.

Depois de chegar do hospital e ir ao seu quarto, olhou o “peso morto” jogado no chão. De repente, deu-lhe uma vontade de lê-lo.

Fascinou-se com a história do livro, a sensação que teve, foi que tinha um tesouro, bem de baixo do seu nariz e que nunca tomou conhecimento disso. A partir daí, começou a gostar de ler e também percebeu, como o cotidiano cega, muitas vezes, coisas boas e aproveitáveis.

Ainda não gostei de como escrevi esta história. Quem sabe, um dia, irei encontrar um caminho melhor. Agora, termino por aqui. Não estou com vontade de pensar mais.

Vou deitar, já estou delirando de sono. Amo dormir, porque assim, não penso em mais nada.

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  UM CIDADE COM VÁRIAS CIDADES DENTRO DELA

Moro no Rio de Janeiro. Acho uma cidade de múltiplas realidades e que me faz sentir, ao mesmo tempo, diferentes sentimentos.

Quando vejo a Baía de Guanabara, o Corcovado e Pão de Açúcar fico extasiado com tanta beleza natural. Mas, quando ando pelas ruas, tenho medo do que pode me acontecer. Sair de carro à noite é uma aventura perigosa, podendo até nunca mais voltar para casa. O que me espera nas esquinas e nos becos da Cidade Maravilhosa? Rezo para retornar para o meu lar e que minha família, nunca sofra nenhum tipo de violência.

É uma cidade linda, perigosa e mal tratada. As ruas são cheias de poças d’água e lama. Caminhões e carros passam, molhando as pessoas nas calçadas. O transito é caótico e o transporte coletivo, deficiente. As Kombis e as vans preenchem essa carência, mas o preço é caro; fazem um monte de barbaridade nas ruas.

O Rio de Janeiro é o lugar da bossa nova, do samba e do funk. É uma cidade com várias cidades dentro dela. É uma esfinge, que precisa ter muito cuidado. Porém, apesar de tudo que mencionei, gosto de morar aqui.

Sempre almejei falar da cidade em que moro, mesmo que não consiga me expressar fluentemente com as palavras. Foi bom tentar e como me disseram, uma vez, a gente aprende escrevendo...

Fico receoso do que estou dizendo sobre o Rio, na realidade, possa ser uma reprodução de outros pensamentos. Muitas vezes, o ato de pensar vem do consciente coletivo.

Bem, não quero saber. Termino por aqui, não consigo mais escrever.

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  DEVANEIOS DE UM ASPIRANTE A ESCRITOR

 

Madrugada, quero escrever algo original. Mas, esse início já e clichê. Quero fazer uma crônica nesse exato momento, mas a inspiração não vem.

Tenho algumas crônicas e contos prontos, porém o site que iria enviar, não aceita materiais publicados em outros lugares. Paguei o maior gorila, por não ler o contrato antes.

Preciso controlar essa ansiedade de escrever, ultimamente escrevo diariamente e mando para todos os sites que encontro, para ver a reação das pessoas. Fico até com vergonha, minha imaginação voa. Penso que todos irão adorar e que a caixa postal do meu e-mail lotará de mensagens.

Aí, preciso sempre fazer o exercício de abaixar a bola: "Menos Eduardo, muitas vezes, as pessoas passarão batido por seu texto".

Tem um site que publicou alguns contos meus e colocou o meu endereço eletrônico. Ninguém me mandou nenhuma mensagem. Curioso, li alguns contos que foram colocados juntos com os meus e não enviei nenhum elogio ou crítica para ninguém, também. Se não mostrei interesse para o trabalho dos outros, vou almejar que alguém perca tempo em me responder? Muitas vezes, sou muito engraçado...

Algumas semanas atrás tentei fazer uma crônica diferente. Enviei para um site que publicava em tempo real. Só que era um tipo de foro de discussão e não um lugar para edição de contos e crônicas. Uma pessoa me respondeu no sitio mesmo, disse mais ou menos que se aprende a escrever escrevendo e se as pessoas não se emocionaram, com o que escrevi, não fiz literatura. Fiquei contente, pelo menos alguém disse alguma coisa.

O desejo de ser publicado cresce a cada dia que passa, uma dia acessei uma página na INTERNET, que abordava sobre a cidade do Rio de Janeiro: músicas em sua homenagem, dicas turísticas e crônicas. Tive a brilhante idéia de escrever uma coisa bem rápida sobre o Rio e mandei. Detalhe, enviei umas quatro vezes, porque quando lia, sempre encontrava um erro. Cometi mais uma gafe. Meu Deus, tanta gente que escreve bem e ralando a bastante tempo... e eu acho que vou cair de pára-quedas, fazendo sucesso. Na realidade, fiz um rascunho de crônica sobre o Rio de Janeiro para este site.

E quando penso, em participar desses programas, tipo Big Brother, para ver se consigo divulgar meus contos... Ainda bem que só fico no pensamento. Talvez, o meu lado de sonhador seja tão aflorado, porque li muito contos de fada quando criança e a influência das novelas mexicanas que assistia algum tempo atrás. Não vou me estender mais neste assunto.

Enfim, termino por aqui essa coisa que escrevi. Desejo um feliz natal e próspero ano novo...

Voltei. Pensei que tinha concluído, mas ao reler novamente, percebi que o texto estava confuso. Tentei concertar, enviarei de novo. Tenho que controlar minha ansiedade... e deixar de ser pão-duro. Agora, quando terminar de digitar, vou imprimir para ler melhor. Na tela, fica complicado para mim, o meu olho começa a ressecar.

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Bem, o site que mandei essa crônica disse que não aceita textos de crônicas e contos de colaboradores, mas artigos e entrevistas. Somente os colunistas que podem fazer crônicas e contos.

Tudo bem, mas valeu a pena tentar.

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OBJETOS

 

O menino pega escondido a caneta de ouro e de estimação do pai. Ele tinha ganho do avô do menino, quando se formou na faculdade: – Filho, você é dotô, tô orgulhoso.

O garoto corre para o quarto, pega uma folha e começa a desenhar. Depois, vai aos aposentos da mãe. Vê uma echarpe sobre a cama. Gostava de ir à janela para que o vento a esvoaçasse. Imaginava que voava nela, como o Aladin no tapete mágico. Esta echarpe foi um presente de um antigo namorado de sua mãe, quando estava em Paris. Ela nunca deixou de amá-lo, mas gostava do marido também. Aliás, seu coração havia lugar para os três homens de sua vida...

Ele começa a brincar com carrinho de madeira, que foi feito pelo seu avô paterno; quase não o via. Não sabia o motivo do avô não visitá-lo, só escutou um comentário da cozinheira: – O patrão tem vergonha do pai.

Larga o brinquedo, vai ao quarto fechado pela mãe. Pega a chave da porta, que a mãe esconde junto com as jóias. Quando entra no recinto, a primeira coisa que faz, é olhar a foto da irmã morta. Era um moça de dezoito anos. Morreu de uma hemorragia... ninguém falava no assunto, o garoto só escutava frases soltas. A foto da irmã foi tirada em Petrópolis, estava com um vestido azul que a avó materna lhe deu de presente. Sobre a cama, havia uma boneca loira de olhos que o pai comprou nos Estados Unidos, quando viajou a negócios. O garoto imaginava que ela era sua princesa. Inventava histórias cheias de aventuras e que era um guerreiro, que a salvava das situações mais perigosas.

De repente, uma xícara se quebra. O grito da mãe, o assusta e vai ver o que está acontecendo. Vê o rosto da mãe desfigurado. Ela quase bate na empregada, por quebrar a frágil relíquia. Comprou-a num antiquário em Praga. O vendedor lhe disse, que pertencera a um rei famoso de nome complicado. Mas, ainda bem que não foi o whisky de doze anos do patrão, presente do embaixador inglês. O salário da empregada seria descontado até o dia de sua aposentadoria.

O pai chegou, veio com o carro que toda vida sonhou em ter. Nunca se cansava em olhar a casa, onde vivia agora; era antiga e espaçosa. Lembrava-se que a mulher lhe dizia sempre: – Foi habitada por pessoas influentes.

A noite chega e avança, todos foram dormir. O menino dorme com um livro nos braços. Uma antiga babá o lia para ele, quando era mais novo. Quando cresceu, a mãe dispensou os seus serviços. Não queria concorrência... Ele sempre se lembrava da "bá".

 

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A PALAVRA

 

    Escrevo, porque quero aprender a lidar com a palavra. Desejo dominá-la.

 

    Mas a palavra cruel, não cede ao suplício de qualquer um. Diz firme: "Leia, escreva, pensa e sinta". Digo para ela sem esperanças: " não consigo". Ela me diz; " Vou embora, não perco meu tempo com perdedores". Não sei lidar com ela.

 

    É uma esfinge, que me devora. Absorve minha energia vital.

 

    Às vezes tenho vontade fugir. Quero voltar a ser uma besta e viver no mundo selvagem que precede a palavra. Não desejo mais pensar e buscar a palavra perfeita, que irá esclarecer o que quero dizer.  Almejo, o nada absoluto, mas não o pregado pelos budistas e sim o que vem antes dos conceitos construídos pela palavra.

 

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  PENSAMENTO QUALQUER

 

    Quando li "Tsunanis destroem "paraísos" asiáticos", um sentimento de medo me invadiu. Aquelas ondas enormes destruindo tudo pela frente, mostrou-me que existe algo mais forte, que o mundo construído pelo ser humano.

    Há um trecho no livro O Retrato de Dorian Gray interessante, que diz: " A vida real era sempre um caos, mas havia, na imaginação, algo de uma lógica terrível. Era a imaginação que colocava o remorso a atormentar os calcanhares do pecado. Era a imaginação que fazia com que cada crime parisse uma prole deformada". Nós, os humanos, temos a tendência de criar teorias sobre o que é certo e errado e achamos que o conhecimento que adquirimos são muito importantes para os outros animais e o resto do planeta. Mas, vem uma coisa que é mais antiga é poderosa, mostrando que a  verdadeira realidade é selvagem e caótica. É isso que me apavora, descobrir que tudo que pensamos e achamos que somos, não significa nada. Quantas estrelas morrem na galáxia e a gente nem se dá conta. Aflijo-me em perceber, que o mundo onde vivo, não passa de um grão de areia.

    Pelo que aprendi, isso não é viver. Como diz Descartes: " Penso, logo existo". Contudo, ao ver essas tragédias na TV, começo a me questionar se não há algo muito mais além do pensamento, que não deixa de ser meramente humano.

 

 

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O príncipe salvou a princesa do dragão feroz...

 

...o príncipe salvou a princesa do dragão feroz.  Todos foram felizes para sempre.

FIM

Será que foi o fim? Fiquei sabendo que não. A partir do final dessa história, surgiu uma outra. Só que esta, não é muito bem aceita pelas pessoas. Por isso, pouquíssimas pessoas sabem dessa outra história.

A RAINHA DEPOSTA

    Ela era uma rainha muito bela. Emocionava todos súditos do reino. A imagem imaculada projetada pela jovem, dava paz de espírito ao rei e ao seu povo, que a admiravam.

    Cansada desse exagero excessivo, foi passear escondida no bosque. Sentia-se entediada, de os súditos e o rei a tratarem como porcelana frágil qualquer.

   Sem sentir que estava sendo observada, corria entre as árvores e mergulhava no lago.  De repente, sentiu alguém se aproximar. Não era humano, mas um exótico animal do bosque. Tinha cabelos longos, corpo de um homem forte, olhos e orelhas com características felinas. Chegou bem perto dela e disse:

– Quem é você?

– Sou a rainha do reino Azul.

– Não me interessa se é rainha, você é gostosa!!

– Mais respeito, ninguém me chama assim!

– Respeito nada, vem cá gracinha.

  O exótico "animal" a agarrou, rasgando sua roupa. Ela estranhou sua reação, gostou de ser tocada daquela maneira. Sentiu ser desejada, esquecendo-se da imagem imposta de rainha angelical, por seu marido e os súditos do reino.

   Depois de tudo terminado, o ser exótico do bosque foi embora e a rainha apareceu no palácio, com o vestido todo rasgado. Muitos propuseram matar a besta, como diziam. Mas, ela disse que não:

– Gostei ser tocada daquela maneira. Foi bom!.

Todos revoltaram-se, a chamaram de vagabunda!, em vez de venerável rainha. O rei traído, expulsou-a do palácio.

 Ela se transformou numa viajante errante, em busca de aventuras. Caminhava em lugares remotos e desconhecidos. Nunca mais encontrou o amante, que a libertou. Teve outros amores e paixões.

 Seguiu sua vida como quis, até o fim de sua existência.

 

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OS PARADOXOS

 

Vovó Maria era adorada pelos netos e pelos filhos, sempre foi considerada mulher honrada e caridosa. Todo fim de semana, acostumava a fazer doces e salgadinhos para os netos, comprava também brinquedos para todos. No dia da feira, andava com seus passos lentos e carregava sempre uma enorme bolsa azul, que era sua companheira inseparável.

– Esses mendigos que ficam estragando a beleza da cidade, porque não arrumam um emprego, em vez, de ficar vadiando. Vão lavar roupa suja, lavar janela ou fazer uma faxina. Para mim, essas pestes deveriam se exterminadas para sempre. Eles não tem salvação. São um câncer para sociedade.

Todo dia de manhã cedo, vovó Maria regava as plantas, lia a bíblia e escutava o seu radio AM. Os vizinhos que passavam em frente à sua casa, pensavam: - Essa velhinha é tão simpática e bonitinha. Gostaria de ter uma avó assim, super meiga.

– Outro dia passeando de carro, com meu filho, observei um condomínio de casas muito bonitas. Mas, ao lado, existe uma favela horrível. Eu acho um absurdo construírem uma favela ao lado desse condomínio, vai desvalorizar o lugar. Essa favela tem que ser tirada daí, Todo mundo fala que não pode fazer favelas na área de risco, mas esse povinho insiste em fazer. Essa gente é burra!

Na época de natal, a casa da vovó ficava cheia de parentes, filhos, netos, genros e noras. Ela sempre comprava um vestido novo para receber os parentes e amigos. Adorava exercer o papel da grande matriarca. Na estante da sala, onde estava a televisão e o rádio, colocava a foto do seu falecido marido e ao lado uma rosa branca. Sua mesa era posta com muito requinte, vinhos, frutas, rabanadas, castanhas, nozes, bombons, arranjos de flores e etc. Sentia-se feliz em mostrar fartura nos períodos de festas, e realizar os desejos dos filhos e netos.

– Eu não tenho nada contra os negros, mas um homem branco deve casar com uma mulher branca e um homem negro deve se casar com uma mulher negra. A mistura prejudica, basta vê o Brasil, tantas raças misturadas que tornaram o país uma bagunça. Não sei como uma mulher ou um homem podem beijar na boca dessa gente que parece "macaco".

O vizinhos ficaram muito triste, com a notícia de que a vovó Maria passou mal e ficou internada no hospital. Iam visitá-la com flores e fruta, e, intimamente diziam: - Pobre senhora.– A vovó Maria era considerada, perante aos vizinhos e familiares, uma verdadeira santa.

– Deus me livre de ter um filho maluco ou retardado, dá muito trabalho e não há esperança de melhora. Teria vergonha de andar na rua com ele. Graças a Deus! Os meus filhos e netos são fortes e saudáveis.

Parentes e vizinhos estavam no cemitério, para dar o último adeus à vovó Maria. Todos se emocionaram com o discurso do padre da paróquia sobre a bondade, a honradez e o amor que a vovó Maria se dedicou a sua família.

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    SUTIL OBSESSÃO

 

Ninguém percebia suas verdadeiras intenções. A sua discrição não permitia. Não tinha amigos, mas colegas. Mantinha-se superficial nos relacionamentos. Só com a namorada, que se entregava totalmente.

Um dia numa festa, comecei analisar suas atitudes. Ele não desgrudava da moça, que estava com ele. Mesmo, quando ela estava com as amigas, conversando.

Aturava, por educação, os indivíduos que puxavam papo com ele e ao mesmo tempo, não tirava de suas vistas, a namorada.

O tempo corria, os seus carinhos eram uma forma de envolver e dominar sua amada. Teve uma hora, que a alça do seu vestido escorregou um pouco a baixo do ombro. Ele, com muita habilidade, subiu a alça do vestido.

Quando os olhares de outros homens pairavam sobre ela, abraçava-a e a beijava. A moça gostava, mas não sabia a razão de tanto carinho e zelo.

Um conhecido dela se aproximou e começaram a conversar. Ele tinha ido buscar refrigerantes. Ao encontrá-los conversando, entregou rapidamente o refrigerante à namorada e lhe dando um longo beijo na boca. Só depois, que foi com o outro.

Ela nem desconfiava. Mas à medida que o tempo passava, era cada vez mais evolvida por essa sutil obsessão, que o namorado tinha por ela.

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