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14 Poemas Editados
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Os Dois Fotografia de José Soares |
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À luz da candeia À luz da candeia leio Bocage 'spreguiço-me lânguido e sem vontade Mato a sede da mísera saudade E minha mão ao meu pensar reage 'screvo palavras pensando em Florbela Suspiro o meu viver neste papel 'stremeço vendo um mundo tão cruel Pintado como simples Aguarela Li Camões, li Antero e li-me a mim Vi apenas vidas num frenesim Caminhando em seu Fado, sem a Sorte Tentei iluminar as coisas belas Cuidei que fossem todas Cinderelas Cessaram todas juntas: com a Morte! João Manuel de Barros Índice Cybrogi |
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Julgamento Sonho alto, pelas estribeiras de um sono profundo, O sono que se desperta quando a cotovia acorda Nas trevas abertas deste mundo negro O sono da vida que viaja para a morte, O sono do amor que nos leva ao suicídio, O amor que nos mata sem saber. Sonho alto... Sonho o que amo e dói Sonho da música de um disco riscado, O risco que marcou a vida, aquela que nos mata... Sonho um Paraíso, perdido nas brumas da memória, Tão distante que me perco, no próprio sonho... E como é doloroso este sonho... Como é possível não ser pesadelo? Se calhar porque o pesadelo sou eu... Mas como mudar, sem a ajuda de um amigo? Sonho... mas, o que será este sonho? Quero saltar do mais alto dos picos, Afundar-me no mais fundo dos mares, Fugir para nunca mais me ver, Perder-me para nunca mais me encontrar... Mas o que quero mesmo é amar... E por amar cometo um crime, Por isso, sou culpado e levado ao juiz Só gostava que o juiz fosse o diabo, Pois só ele... seria justo, Pois só ele... acabaria com esta dor. Sonho, Isto não é um sonho, O que será? A realidade, a morte ou o amor? Só tu juiz saberás... Bruno Ribeiro Cybrogi Índice Cybrogi |
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Sem Inspiração Gostava de escrever uma poesia Que expressasse o que sinto por ti, Mas não consigo encontrar As palavras adequadas, Para juntar e fazer algo de que te orgulhasses. Gostaria de escrever uma prosa, Como só Camões sabe escrever, Onde lesses o cantar Do meu humilde coração Não consigo encontrar a inspiração, Não sei o que escrever, Sem ter que repetir... Mil vezes, a palavra amar. Escrevo palavras e frases Para logo as riscar, Meias prosas e lamúrias Para de seguida queimar. Meu amor, não sou Camões, Nem nenhum compositor famoso, Dos mais belos poemas de amor. Continuo sem saber, Como te dizer o que sinto; Tento arranjar comparações e metáforas, Para dizer o que me vai na alma, Mas não consigo escrever... O que o meu coração diz baixinho. Assim, te remeto uma palavra, Para tentar exprimir um sentimento, Por isso te digo e te canto Que te amo. Bruno Ribeiro Cybrogi'99 Índice Cybrogi |
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Rostos de lama, olhares de sal, esperas infinitas, naquele porto de abrigo, palavras e sentimentos incertos, desejos de retorno e vontade de assassinar a saudade... cantares rocos, que ecoam no mar à procura de alguém, filhos desconhecidos... novos olhares, novas vidas...
E não voltam... Abrem-se olhares sobre o horizonte, cegos pelas imagens que procuram, mas o mar só mostra o espelho do Sol... A intranquilidade aumenta e os grãos de areia cada vez mais abatidos, mais pisados... As ondas não trazem notícias, só sentimentos incertos...
Os olhares procuram, os filhos... os maridos... os pais... os avós... os netos... e o horizonte nada trás...
Dão-se passos de esperança... e desilusão, Fazem-se gestos de saudade... e angústia, Dizem-se palavras para reconfortar... e desconfiar.
Mas continuam ali... à espera... os minutos, parecem dias, as horas, parecem anos... É uma espera longa e vagarosa... Uma onda maior engana as gentes, para logo as desiludir... alguém grita o que vê, quando na verdade nada vê...
Começam-se a dar passos de ansiedade, passos de engano e de lágrimas, os olhares vão-se virando para outras margens, para outros rumos, ainda incerto ou então, apenas se fecham... São cada vez menos os rosto de lama, Que ali esperam por quem não chega, A esperança reduzida a cinzas...
Agora só resta um olhar de sal, um rosto triste... um ser tenebroso e gentil, só restam os lábios rosados, desejosos de dizer - "Olá!!" Tendo no horizonte um futuro desconhecido, Ali vegeta, chorando ansiedade, Ainda com a esperança de matar a saudade...
Bruno Ribeiro Cybrogi' Março/00
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No meu pensamento te afirmaste, no meu coração ficaste, acreditei, contigo, em jamais sofrer, acreditei que o amor já não me trairia, que os nossos segredos nos juntassem, as nossas fantasias nos sorrisem, como me enganei...
Sonhei em acordar um dia e acordar junto da felicidade - de ti, abraçados olhar ao recolher solar, acreditei na eternidade de um amor e agora tudo em vão...
Os sonhos esses, são só teus...
Bruno Ribeiro Cybrogi/00 às 4 da matina Índice Cybrogi |
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Embrenho-me nos ventos do Norte, sou pétala, sou folha de Outono, deixo-me ir para onde o vento me levar... já não há vida no meu coração e alma transformou-se em pedra. Levantei a taça de vencido E fiz jus o vencedor... Nos meus olhos, Nascem vagas de negras lágrimas, e a sombra da Lua e do Sol espelha-se sobre mim. Sei que aqui e ali não sou feliz, por isso parto para a aventura... Entrego-me ao mundo, como o cordeiro se entrega ao lobo, levo a guitarra sem cordas nas costas, papel rasurado e uma caneta virgem, levo o meu corpo embebido em sangue, suor e lágrimas, cavo sementes de poesia e desatino a dor que me acompanha. Ergo a fronteira da vida e da morte, sou condenado no Tribunal do sofrimento, onde o diabo é o meu advogado, onde os seus discípulos riem pela pena em mim imposta, penitenciado, acusado e torturado, ficam com o que resta de belo, com actos impunes, eles vencem... uma vez mais. Continuo a viagem a que me submeti, caminho descalço pelo tapete em brasas, pelo passeio de espinhos... mas, não é esta a dor que me tortura... Peço para serem clementes e porem um ponto final...
Mas algo surge no horizonte, uma borboleta, uma flor, um anjo, que me diz, sem eu merecer, para acreditar em mim... Fico estatelado e tento perceber porque me diz, o que me diz e quem é... interrogo-me se será mais um truque do meu querido advogado, mas não... não sei... parece ser amiga... dispo a minha nudez, aperto a minha guitarra, pronta a tocar(sem cordas) levanto a caneta, estendo o papel e tento fazer algo... uma canção... assim me iludo... me perco... nas pétalas do condenado, nas amarras do inocente e sigo sem saber por onde andar... Serás tu meu anjo que me irás encaminhar?
Bruno Ribeiro Cybrogi' Março/00 Índice Cybrogi |
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Fechaste-me as portas do teu Reino
Fechaste-me as portas do teu Reino, Deixaste-me só no teu Mundo, Esquecido no teu seio, Desejoso pelo teu amor... Apagaste-me a esperança de ser feliz, Mas não a chama do meu amor... Não sei porque ainda te amo, Ou porque não te consigo esquecer... Também não sei O que será de mim sem ti. Gostaria de voltar a sentir, As pernas tremer, com a tua chegada, Os olhos cintilar, com a tua presença, O sorriso formar-se, com o teu sorriso, A minha paixão fervilhar, com o teu olhar, O meu coração vibrar e saltar... com o teu amor... Fiquei num Mundo agora desconhecido, Sem saber para onde ir... Alguém me dirá o que fazer? Para não saltar deste tormento E fugir rapidamente para o fim da linha, A linha do caminho da Vida.
Bruno Ribeiro Cybrogi' 99
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Planando na vida, na minha vida... voei até ti e tu desististes... de mim e também eu desisti... de viver ou de morrer, de falar ou me calar... desisti da desistência de sorrir e de chorar, de me achar e me perder... Já não vale mais apena... Procurar ser feliz ou infeliz, de amar ou odiar... Já não me interessa... se sou amado ou odiado, se fico ou se vou. Ir para ali ou não ir, que importância tem... anjo ou morcego, açúcar ou sal, mel ou pimenta, um Paraíso ou o Inferno, quero lá saber... já nada me interessa, porque te perdi.
Bruno Ribeiro Cybrogi'00
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Luta com bravura e audácia, segue o teu alvo e não olhes para o lado, solta-te dessas amarras infiéis e segue o teu rumo...
Torpedo içado no mar sombrio, atinge o que temes E alcança o calor final, maior do que o de uma paixão.
Aquele calor que nunca sentiste por mim...
Bruno Ribeiro Cybrogi'00 Índice Cybrogi |
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Nesta noite... uma candeia acende-se nos céus, um sorriso abre-se nos teus lábios, a saudade é esquecida e eu perdido ofereço o meu amor.
Nesta noite... nasce uma vagade sal no teu rosto, de eterno amor, de eterna felicidade. Repousa o maestro dos sete mares, deixando sorrir a humilde Lua.
Nesta noite... o teu leito, será o meu repouso, o teu colo, o meu cantinho, o teu conforto, o meu repouso, o teu amor, a minha paz...
Nesta noite... deixo a imaginação saborear os teus lábios, perseguir o invisível, no teu corpo, afastar o frio do nosso amor e deixar-ne perder na nossa loucura.
E esta noite, jamais será esquecida pelo fruto que plantámos, dando origem a um novo mundo... a uma nova vida...
Bruno Ribeiro Cybrogi'00
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Preciso de saber quem sou, Preciso de saber o que sinto, Para voar onde o destina me encaminha, Preciso de saber o que vejo, Para não me cegar nesta escuridão, Do Mundo onde habito, E todos vós nasceis, Quero saber conjugar o verbo amar, Para pensar que poderei amar, Talvez amar-te a ti, Ou aquela donzela ali, Sei que nada sei, E vejo o que nada vejo, Digo palavras mudas, Acaricio o ar sem saber, Canto para encantar um espelho, Um ser, uma mulher, um amor Sigo um destino parado, Que me leva a uma estrada que desconheço, Procuro ouvir um bater à porta, Imaginando ser a felicidade, Abro a janela do quarto, Para um dia tu poderes entrar, Mas, preciso de saber quem sou, Para saber o que procuro, Aprendendo a descodificar o que sinto, Para abrir a porta à felicidade, Não receando o desconhecido, Não temendo o que possa sentir, Sem querer fugir para a solidão.
Bruno Ribeiro Cybrogi'99
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Gostava de escrever uma poesia Que expressasse o que sinto por ti, Mas não consigo encontrar As palavras adequadas, Para juntar e fazer algo de que te orgulhasses. Gostaria de escrever uma prosa, Como só Camões sabe escrever, Onde lesses o cantar Do meu humilde coração Não consigo encontrar a inspiração, Não sei o que escrever, Sem ter que repetir... Mil vezes, a palavra amar.
Escrevo palavras e frases Para logo as riscar, Meias prosas e lamúrias Para de seguida queimar. Meu amor, não sou Camões, Nem nenhum compositor famoso, Dos mais belos poemas de amor. Continuo sem saber, Como te dizer o que sinto; Tento arranjar comparações e metáforas, Para dizer o que me vai na alma, Mas não consigo escrever... O que o meu coração diz baixinho. Assim, te remeto uma palavra, Para tentar exprimir um sentimento, Por isso te digo e te canto Que te amo.
Bruno Ribeiro Cybrogi'99
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Olhar tenebroso perdido no além, há procura de alguém, de um rosto silencioso, de uma miragem inexistente, de uma esperança persistente.
Dói-te a imagem que não vês, magoam-te as horas que não esperam, ecoam as palavras que a chamam e as mensagens que não lês na areia beijada pelo doce mar, suprimidas pelas lágrimas do teu olhar.
Nascem os queixumes da derrota, pelo amor que assim perdeste, pelo sonho que inutilmente fantasiaste que te queima e te mata, numa ferida outrora já sentida, que faz renascer uma dor perdida.
E são nos rostos floridos de lágrimas secas, que nasce o dissabor das bocas, dos beijos por mim pedidos, da resposta que me ofereceu e da paixão que por mim perdeu.
Só me apetece por um fim, nas minhas lágrimas negras, nas minhas palavras gastas, no amor que nasceu em mim. Dando um passo em frente neste penhasco, Assim fecho este olhar e me mato.
Bruno Ribeiro Cybrogi' Março/00, às 3 da matina.
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Virgin Na virgindade insofrida de uma inocente, Coloquei meu coração Desconhecendo que a violara. Uma violação com toque ausente, Fui fraco, caindo na tentação Humano, severo selvagem, numa noite clara. Libertei-me indefeso na grande paixão, Sem me importar com o que libertaria, Sem temer a desconhecida virgem. Nesta insaciável luta do coração, Interpolada com beijos que arrepia, Destroçando o mundo que me rodeia na viagem... Com destino incerto e sem paragem, Onde eu pintei com o meu suor, No mar de lágrimas por onde naveguei, Ao sabor do vento com a imagem, De uma sereia, que me tornaria melhor, Tentando cravar um amor que encontrei. Nas termas perdidas do infinito, Respirei uma obscuridade sem par, Inalei sementes de sedução imaculada, De um odor virginal de mito. Naufragando-me no prazer de voar Na esfera armilar do corpo da minha amada. Da imortalidade de um ser, Onde quero brotar o meu calor, Perdendo-me nas ondas suaves e esbeltas De um corpo sedoso de morrer, Ao tentar mostrar todo o meu amor, Numa imensidão de pétalas sobrepostas.Estou desesperado... Quero beijar, onde meu coração se alojou... Uns lábios molhados Quero amar e ser desejado, Sentir as pétalas onde meu corpo se colou, Sem me separar dos seus olhos maravilhados. Rastejei numa peregrinação Onde não existia santuário, Não tendo fim aparente, Só uma menina que tem na mão, Um coração fragmentado e vazio Pensando um dia, vir a ser amante... Submergindo das profundezas do seu sangue inacessível, Rasgando sua pura carne singela, Saboreando a sua lábil saliva adocicada; Nasci num ardor juvenil incurável, Onde só quero ver a Lua amarela, Num desatinado amor com a minha amada.Sou um galanteador amadis, Enlouquecido por uma desmedida loucura, Fervido por um coração que estremece ao sonhar, Com uma deia que me diz Numa voz suave, meiga e com grande ternura, Que um dia me quer amar.Que feitiço violento me caiu, Com pós de prilim-pimpim para encantar, Com pingos de saliva brilhante. Por amor, meu coração partiu Mas, não sei se ela o vai deixar entrar, Juntando-se no seu corpo cintilante. Percorrerei desertos para atingir Montanhas, para chegar e atravessar Mares sem fim, turbulentos e percorrer O fogo ardente e fugir Nu, pelo gelo cortante passar, Até à minha menina correr. E naquela noite clara... Onde a vi toda nua com um véu sensual, De uma deslumbrante seda inexistente, Perdi-me porque chegara... À sua linda túnica vaginal, Paralisado fiquei, presenciando seu corpo ardente. Sem me mexer pequei; Com uma palavra lhe falei; Com um olhar me deslumbrei; Com um toque a desflorei; Com os lábios a beijei: Não sei como me apaixonei. Por ela quero saltar; Sem ela me quero matar; Com ela quero dançar; Para ela vou cantar. Uma doce musa, beijar E uma menina, amar. Bruno Ribeiro Cybrogi' 99 Índice Cybrogi |
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