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Página inaugurada em 2006/07/22 Ultima actualização 2007/03/23 |
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13 Poemas Editados - De ti quero, além do que me basta
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CURIOSA_MENTE
Nasci em Elvas mas vivo em Évora desde pequena. Sou alentejana de alma e coração. Gosto de gestos, de sentimentos… de pessoas "boas". Foi através de uma dessas pessoas o RESSOA, que tomei conhecimento deste site. Sou aquariana, sensível e um pouco intuitiva, embora tenda a adoptar um comportamento rígido e objectivo no dia a dia. Sou emocionalmente vulnerável e magoo-me com facilidade, mas sei esconder esses sentimentos. Gosto de ajudar os outros e sacrifico-me pelo bem-estar dos entes queridos. Para ser feliz, quero estar em paz e em harmonia com todos os que fazem parte da minha vida. Ah... também sou um pouco teimosa e... extremamente distraída :) Lecciono no ensino secundário há tantos anos que ao olhar para trás já não me vejo… Já percorri caminhos muito difíceis mas nunca parei. Sou mãe e mulher. Vivo as paixões intensamente. As únicas paixões da minha vida que se eternizam, são os meus filhos. Penso-me muito. Agarro-me às palavras desesperadamente. Com elas e por elas "parece" que me denuncio, que me mostro, que me dou.
Tal como diz Fernando Savater: “A linguagem é o tapete mágico simbólico do permanente sobrevoar activamente a realidade para tentar chegar a ser plenamente real... sem nunca o conseguir...” (A CORAGEM DE ESCOLHER)
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Suspensa na corrente dos meus dias incolores Feitos de cansaços… de limites, Espero ansiosa, temerosa, Que a nuvem onde escondo as ilusões… Me absorva nos meus sonhos de menina. Só nela há conforto; Para o corpo entristecido, Para a alma desgastada, Para o olhar recolhido de solidão…
Que nem são meus! Única, serena, a minha nuvem; Espaço de ternura morna que é abrigo,
De quem já nada espera fora dela. Aí me vivo. Revejo meus contornos desfocados Como se o beiral onde pousam pássaros, Não fosse a minha alma, Como se nada fosse em mim o que vivi, E as folhas outonais Que noto caídas… Não são páginas da minha vida, São sim outras vidas em mim…
Que já passaram! Penduro-me hesitante Em pedaços dessa nuvem. Procuro, insistente, O lugar em mim onde há vontades E sonhos por viver… Mas eu sou, afinal, A folha outonal envelhecida, Apagada,
Caída há muito sem me ter apercebido! DORA
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DE TI
QUERO, ALÉM DO QUE ME BASTA
Penetra-me… De tal forma que eu perca a vida inteira, para poder renascer. Penetra-me… Não da forma solta que é o sexo, Mas de forma louca, inteira, intensa Que devora todas as reservas, Das minhas fantasias. Penetra-me… Com o olhar distante, arrepiante e luminoso, De uns olhos profundos, Emoldurados, Saídos de imaginações e de sonhos, Violentamente, para dentro de mim! Contorna todos os meus medos e adormece-me! Penetra-me… Além do suportável, Deixa-me impaciente, descrente… Em como me é possível suportar-te. Penetra-me… Através do muro que me existe, Através de uma poesia ardente e viril que tu sabes onde depositar. Penetra-me… Dancemos loucamente, Até que a minha prolongada noite, dê lugar à madrugada… Segue o sentido dos meus desejos escondidos… Não sou ninguém… Perco-me apavorada por me olhares por dentro. Penetra-me… Devagarinho para não doer Sempre que eu sinta que vou acordar… outra vez!
DORA
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Onde é que eu começo? O teu cheiro será igual à minha vontade de ti? Os meus cabelos e os teus dedos perdem-se no tempo dos ventos antigos, Numa dimensão paralela. E esta sombra do que sou, Projecta-se no novo sonho de aura azul; Nesses olhos imensos que só vejo com a alma; Na tua extensão de mim Que me impões, Que me absorve, Que me estimula e assimila, Como o horizonte a puxar o sol do fim do dia – irremediavelmente... As tuas estrelas pulsam nas palavras Que não preciso dizer... Lês os meus olhos sem que os vejas. Nem precisas... Cúmplice de mim, Ansioso, Flutuas na minha madrugada, algo opaco. Desabo então para o interior dos meus excessos de existência... Contigo Num caudal de entendimentos novos, sem clausuras, Loucos... raros... únicos, como se eu merecesse por fim! Resistirei? A infiltração quotidiana do teu ser, em horas confidentes Escondidas nas madrugadas multicores, Arrancam cintilações Das palavras que me adivinhas. Já não sou só um momento, Sou o lume que veio ao meu encontro. E sobes pela minha vida Sem que eu o pressinta,
Enlouquecida de insónias!!! DORA
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Este depois, assim solto… tão vago! Depois do tempo em que cabia em outro alguém… Perdi a forma, Ganhei outros moldes. Ficam as marcas traçadas na alma, As dores caladas, As palavras adormecidas à custa de cansaços, Os lábios cerrados, exaustos… Morrem as horas de ilusão que já passaram, Ficam momentos apagados no cansado sorriso nocturno. De repente fez-se noite A devastadora solidão instala-se mansamente, revela-se, desnuda-se… Invade-me o corpo dolorosamente
Com longos silêncios na escuridão.
DORA |
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Nos meus sonhos construo muros de silêncio, como fugas de alma. Evito habilmente os espinhos espalhados no meu caminho e desapareço como as nuvens, no crepúsculo dos meus pensamentos. É a minha fuga a palavras vazias, excessivas! Quero apenas que os meus abraços sejam recebidos, Tranquilamente, em sussurros. Nada é como se sente, como se deseja, Mas o sonho serpenteia insistente, tão real… …nada mais é do que o espelho de mim mesma...
Sem ausências! DORA
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O cume da colina de cristal Aguça mais a luz. Persigo-a. Olhos cerrados… tanto tempo! Nos braços convictos e fortes – os meus filhos!! Vou escalando Olho sem ver Teimosamente ignoro as pontas aguçadas. Subo sempre Cega às espadas erguidas, reluzentes, expectantes, pacientes. Vou subindo com o tesouro que levo nos braços. Por eles, com eles… Já sobem também. - Vão indo. Vou descansar. Abro os olhos, paro um pouco. … Como dormir com estas pontas ameaçadoras? Cansada e muda, a descida é inevitável… Rápida… Vertiginosa… Fatal! Sinto todas as farpas – uma a uma – enterrarem-se nas minhas veias Nas minhas entranhas Em agulhas finas… Cada vez mais! O cristal é um vidro que me rasga. Como arde… Uma vida! Não encontro o algodão que pairava, No sonho, Em redor dos meus sentidos
Adormecidos!
Sábado, 8 de Outubro de 2005 DORA
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Afogo-me nos sonhos que me despertaste, Nos sonhos que amo por serem teus, No desejo imenso de me perder no fundo dos teus braços... E a palavra "vem" arranha-me na garganta e na alma, Louca por ser lançada... e... nunca o será. Evitas ouvir os meus gemidos; Reconheces cada um No silêncio que surge de dentro de mim. Porque me escolheste? Foi sem querer que bati à tua porta E me instalei no teu coração!
DORA
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A minha lágrima tem a minha idade, Tem a minha forma, tem a minha cor… Infinitamente ilimitada… reclusa, Discreta, prisioneira, difusa Das emoções que a forçam… apesar de mim! Uma de cada vez brota do meu ser Em alegria ou dor, Imprescindível para renascer No seu isolado fim, Na sua capacidade de se subverter… Partícula. Única sílaba de um poema.
A solidão que eu invento… é… …solidão! É dor, é alegria, é um dilema. Uma saudade, um lamento, uma emoção. Lágrima, Felicidade pequenina, indefinida Uma gotinha de mim… o rio da vida. Intima de rupturas… me abandona! Plena de emoções intensas… me questiona! Transbordo ou não de mim? Atinjo a superfície e transcendo-me? Devagar… por ela! Com desamor… Mas nunca irá com ela a minha dor. Na claridade interior do que me sinto. Tem o dom de expulsar ou de reter… O fluxo amargo/doce, um labirinto… A dor e o prazer, … nos tons da vida, Dualidade transcendente a mim. Bela aquela lágrima por fim, A certeza de que haverá mais, não está perdida Porque tem luz, porque é sentida… E que será primeira ou só a última De cada um dos momentos que me anima.
A mais viva e profunda… é adiada, Pérola, que mais não é do que a mais bela Quanto maior a mágoa que revela Lágrima é beijo e dor atenuada. É gota de chuva… nunca se detém. É saudade que reflecte o meu sol-posto, Um cristal que rola p’lo meu rosto. A lágrima que choro para dentro, Não expulsa toda a dor que ela contém, Não brilha… Intensamente negra, Como Invernos em gotículas amargas Dolorosa pétala derramada Gelada sobre um quente coração; Silêncios que adormecem e que invento Feridas que me doem de paixão Não dão descanso à alma um só momento, Recusam a esperança aguilhoada....
Beijo com lágrimas de cristal! Que entre sorrisos espalham vendavais, Mas as que caem deste coração Gotejam minha alma… e fazem mal… Deixando em carne viva a solidão!
Choro mais intensamente Sem pérolas ou cristais...
DORA
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Espreitas... Em sombras de segredo esta existência, De sonhos enlaçados por cumprir. Impões em mil palavras de silêncio
O mágico fascínio da
presença. Instalas... Um tudo-nada, menos que real No meigo aconchego da hipótese, Em claras nuvens mornas, transparentes,
Que corre paralelo ao meu
caudal.
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Aqui, Sentada em momentos de evasão, Rodeada de letras e de chão Unidos p’ra expulsar as emoções… Revelo-me! Hoje, Não conheço os teus olhos, teu fulgor, Mas a noção de olhar é anterior… Conheço esse olhar dentro de mim. Só tu me vês! Ateias, O lume das velas de circunstância, Incensos perfumados de inocência, E os sons partilhados da ternura. Pressinto-te! Sou em ti o melhor de mim… Somos!!!!
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Um grãozinho! No universo do eu. Um pontinho, Para guardar esta alma, Este corpo, Que a protege e que recria, As palavras, Que são voz. Que são o espelho! E são elas; Voz da alma que se entorna... Solidão... Que emerge a horas minhas. Companheira, Que consome e que renova... Uma luz, Que me move e me demove, Na viagem, Na miragem que me assalta, Que me sonha, Que me dá e que me tira... A razão; Que me arrasta e é meu guia. A coragem; De me dar... de me oferecer... De sentir... De ousar te receber, No hoje. No cantinho do meu eu; No meu colo. Neste espaço que te acolhe No meu lado
Que te arruma... que alimenta... A dor de um dia te ter!
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Porque leio e releio os teus olhos? Porque te durmo e te sonho ainda Quando a aurora já rompe a minha madrugada!?! Como te abraço… Quando a saudade me envolve intensa, Toda inteira, Em debilidades da minha memória persistente… Tão só esta lucidez de sentir, agora, A minha humanidade Nua e fria Porque na tua alma me supunha Quando em mim te fizeste e desfizeste!...
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O sopro do que sou Desceu devagarinho... Reconheço-te. Não com todos os sentidos, Tão só com aqueles que inventamos No nosso intimo espaço de inexistência... A distância dos risos e dos corpos, Tornou-se a nossa intimidade. Vejo-te; Com o teu sortido de idades misturadas, Quando te olho, Com o meu olhar passivo, Habituado já A esta forma de relativa entrega. A vida que nos existe Tornou-se assim, simples e complexa, Numa verdade por existir, Toda feita de presente que inibria,
Num lugar sem lugar... Concentro-me em ti! Sinto aromas por inventar, Num casulo Onde nada chega e tudo te dou. Através da memória tão meiga de ti, Eu existo... Existo em deliciosas vertigens De intimidade comigo mesma, E vou, num crescendo, Ao mais fundo de mim. Deslizo para o interior Do que me existe há muito, Que desconheço ainda,
Mas que sei que me
completa. Tu...deste-me Uma nova consciência do meu ser Ainda em desordem; Acaricias-me a alma nas minhas insónias! Apavora-me A inevitável intranquilidade De ficar só com o meu interior E ter que te deixar partir Para a margem da minha história. Tenho tanto para te viver. Temos histórias que não contámos; Horas que nos esquecemos de viver; Temos sonhos contagiados Que nos unem para sempre. Não me abandones Só porque tens Tangentes de outros seres. Sem o teu coração Já não consigo amar... E não posso voltar a ser sozinha
No frio da minha madrugada.
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