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"O AMOR COMO ELEMENTO
TERAPÊUTICO"
Este depoimento me
proporcionou analisar e compreender melhor o fato mais marcante de toda
minha vida...a prova real da existência e comunicação com Deus e Seu
amor...
Em 28 de agosto de 2003, meu filho de, então, 11 anos...foi internado no
pronto socorro da Unesp de Botucatu, com um quadro de enfermidade
neurológica sem diagnóstico fechado, mas que comprometia seus reflexos e
movimentos a partir das extremidades e lhe causava dores profundas.
Embora eu não quisesse saber os detalhes do assunto em
questão...passando pela fase de não aceitação do problema e até negasse
observações, o quadro tornava-se cada vez mais complicado, e do
pronto-socorro foi para a enfermaria da pediatria na qual durante mais
de um mês permaneceu em isolamento...
Comprovou-se, após colher líquor, que meu filho tinha a síndrome de
Guillain Barre e que...esta era provocada por um vírus imprevisível que
lesava onde houvesse músculo...até o dia do pico que seria em torno do
40º dia da doença...e...tudo foi acontecendo como a teoria registrava...
No momento mais crítico de necessidades de auxílio respiratório e de
colocação de intracate para procedimentos de plasmaférese, necessários
neste tratamento, fui convidada a sair da sala de atendimentos e neste
exato momento uma amiga espiritualista que me orientava, veio me visitar
e ao mesmo tempo, a neuro, outra amiga, médica, que encaminhara meu
filho no início...chega!...Meu pai, companheiro de todos os momentos de
minha vida, também estava ao meu lado...
Sabendo da seriedade do momento, sentia-me amparada...foi quando ouvi a
frase de impacto vital:
"Você pode sentir-se sensível e manifestar isto...mas chegou a hora de
pôr em prática toda a teoria que tem sobre Deus...Confiança e pé no
chão!"...disse a neuro
Daí em diante, grupos e grupos de pessoas anônimas e conhecidas foram
contatados para fazerem preces...e uma constante energia...como chuva de
bênçãos nos aquecia...fortalecia durante um árduo período de treinamento...
O pai de meu filho que o via em média duas vezes por ano...veio três
vezes em um mês e o contato com o pai estimulava-o a lutar pela
sobrevivência...
Experimentei, juntamente com meu filho, encarar a fé no próximo e em
Deus e aproveitar receber lições...muito fortes...para nossa busca de
transformação...
Inúmeras proteções especiais deixaram nítidas a presença e sintonia de
Deus, de Seu amor, severidade e misericórdia: "a neuro ser amiga, o
hemato e técinicos já antigos conhecidos, funcionários com referências
e...inúmeras vezes...ainda no escuro da madrugada...uma abnegada
amiga...discretamente, por mais de uma hora, nos aplicava o Okiyome: "a
Luz de Deus" (uma oração e energização) e...além disso...a reaproximação
da família de meu ex que ocorria há mais ou menos 10 anos.
A viabilidade do tratamento e a aceitação do mesmo no corpo físico de
meu filho que reagia divinamente...foi...a olhos vistos, o resultado do
amor e da confiança dele...em primeiro lugar em Deus e depois nos
procedimentos, orientações, tratamentos; além de atendimentos de
qualidade no aspecto físico...paralelamente ao espiritual.
O mal era reversível, graças a Deus!!!
Hoje...passados 20 meses...vendo de longe a situação e tendo acontecido
a recuperação de todas as fases: maca, cadeira de rodas,
aparelhos...para: vida normal...correr,pular muro, chutar bola, andar de
bicicleta...tenho em mente que o milagre da vida ocorre para fortalecer
o que há de melhor em nós humanos: "A fé de que o centro é Deus e de que
há a linha direta em lugares que são um pedaço do céu...e que neles há a
felicidade às vezes entrelaçada ao que parece infelicidade...como neste
caso."
Aceitamos muitas formas de carinho que recebemos: telefonemas, cartas,
cartões, livros, revistas, xerox de informações e mensagens, quadros,
alimento; visitas de amigos, padrinhos, parentes desconhecidos,
mensageiros de Deus...Eu, em particular, havia me fechado para o mundo
de relacionamento de qualquer forma, por desconfiança no outro e por
priorizar a minha liberdade e privacidade e a dos meus filhos, pois
tenho dois; nos aprisionando: da escola para casa...
Vi-me com um amor incompleto, sufocando com a solidão o meu mundo e
refletindo isto em meu filho que desenvolvera uma doença auto-imune.
Percebi...após esse período, que despertava em mim a esperança e
aceitava a importância das pessoas e que em cada uma que nós
assessorava, desde a parte de higiene, medicação, alimentação, controles
e procedimentos, orações, visitas...os gestos eram de entrega,
envolvimento e sinceridade e que o que eu lacrara em mim, por decepções
e desconfianças
Particulares, limitava meu progresso e de mus filhos: "Era o Amor..." o
mesmo amor identificado nos outros...
Este novo entendimento e visão de que enterrávamos os talentos...gerou
uma profunda preocupação com o bom uso do tempo e da palavra pensada,
escrita e ou pronunciada e tirava ressentimentos de meu passado. O vazio
já se preenchia aceitando, após o confinamento do isolamento hospitalar,
os desafios da vida...E o sentir renascia...Encontrava-me envolta em meu
verdadeiro EU...
O tempo passou a ser mais abstrato e o presente vivido com mais
intensidade e aceitado como presente de ser filha de Deus.
Agradecendo profundamente a Deus, aos orientadores espirituais de vários
seguimentos religiosos, à Equipe Unesp de Botucatu e aos especialistas
de apoio, aos conhecidos e desconhecidos...As pessoas, todas,
especiais...verdadeiros elos de ligação com as intercessões e com o
mundo espiritual.
O que compensamos foi necessário pelas ondas de processo de limpeza
provocadas pela enfermidade...mas a mudança e purificação ultrapassaram
o aspecto físico...sempre refletindo O AMOR...como elemento terapêutico.
Carmem Lúcia da Silva
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