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5 Poemas editados

- A Inexistência

- Devemos

- Não existes, Mestre

- Para onde vamos

- R.I.P.

 

 

 

 

 

 

 

A Inexistência
A Inexistência

Odeio-te,
Malvada, 
Odeio-te. 
Não te percebo. 
És a Mãe dos Paradoxos, 
És o Tudo e és o Nada, 
És o Branco e és o Preto. 
És a palavra sem significado. 
És o enigma dos pensadores. 
És a Pura Contradição. 
Odeio-te e Desejo-te.
Miguel Passos
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Não existes, Mestre
Não existes, Mestre

Mestre,
Venero-te, admiro-te. 
És feliz, és puro, és a Mãe. 
Mas não te sigo. 
Não consigo, não sou capaz, 
Existo e penso. 
Estão em mim como um ácido e uma base, 
Como o azeite e o vinagre. 
Juntos fabricam a minha Pessoa, 
Abrem-me os olhos. 
Admiro-te Mestre, 
Mas tu não existes.
Miguel Passos
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Para onde vamos?
Para onde vamos?
Onde vamos parar?
Depois do esperado fechar de olhos. 
Quem  mo diz? 
Quem me sacia esta fome? 
Será que nos espera luz e cor, 
Ou simplesmente a inexistência? 
Essa malvada que não tem espaço em nós, 
Pensadores. 
Não o saberemos, 
Mas é certamente melhor que cá, 
Porque o Único que regressou, 
Para lá voltou.
Miguel Passos
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Devemos
Devemos
Devemos viver a vida
Como Arthur viva Excalibur,
De punho cerrado,
Olhos penetrantes,
Ouvidos atentos.
Sem medo desferindo golpes
Nos inimigos sujos,
De olhos irados,
Espumando pelos lábios,
Faces pintadas,
Sorriso maléfico e irónico,
Como de quem não sabe o que lhe espera.
Sem medo desferindo golpes
Nos amigos condenados,
De olhos covados e cinzentos,
Com sangue límpido no canto da boca,
De feição escanifrada,
Pedindo o fim do seu sofrimento.
E, sem olhar para trás,
Continuar na estrada
Que nos leva à Cidade Luz.
Miguel Passos
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R.I.P.
R.I.P.
Vem até mim,
Persegue-me,
Não me deixes sozinho,
Pisa a minha sombra,
Transforma-me nela,
Faz-me Puro.
Não tenho medo,
Só não sei para onde vou,
Onde é o Fim?
O que é o Fim?
Desejo-te demais,
E odeio-te por isso.
Divides-me em dois,
E enfraqueces-me.
Está na Hora,
Olha-me nos olhos,
E responde-me:
Desejas-me?
Sei que sim, 
Mas não me importo,
Estás-me fadada.
Mas, Senhora,
Eu te garanto,
Não me ajoalherei a teus pés,
Não me renderei,
Nunca.
Miguel Passos
Jul 2001
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