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Avalon |
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9 Poemas Editados
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Sol Postiço Fotografia de José Soares |
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À Luz da Candeia À luz da candeia leio Bocage 'spreguiço-me lânguido e sem vontade Mato a sede da mísera saudade E minha mão ao meu pensar reage 'screvo palavras pensando em Florbela Suspiro o meu viver neste papel 'stremeço vendo um mundo tão cruel Pintado como simples Aguarela Li Camões, li Antero e li-me a mim Vi apenas vidas num frenesim Caminhando em seu Fado, sem a Sorte Tentei iluminar as coisas belas Cuidei que fossem todas Cinderelas Cessaram todas juntas: com a Morte! João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Anel de sofrimento O vento canta o som de uma agonia Correndo sobre os vales do pensamento Sua sombra sufoca em correria Nossas almas em descontentamento Sangram as emoções sentimentais Rompem todos os laços de ternura Rasgam a magia de quem quer mais Abrem fontes de simples amargura Arrancam as almofadas de calma Pisam os confiantes ideais Angustiam os seres que têm alma Dão a benção ao sofrimento de alguém Impelem a saudade por demais Colocando o Anel a quem não tem João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Conflito Emocional Sei quem sou, mas não sei... Apenas sei que sei que eu sou o que não sei; Um ser dividido entre regras e valores Onde os saberes são como os doutores, Vencedores numa sociedade onde errei. A mistura de sentimentos é isso mesmo: Um confronto perene, constante, Entre o que talvez seja e o que não é. É um esforço em vão no desconhecido, Que traz um desconforto desconcertante, Àquele que tem e pode, mas não quer! Um pensamento vago traz imagens contraditórias: Pensamos no que devemos ser, Lembramos o que talvez somos, Esquecemos o que sentimos, Queremos o que não podemos. Por isso, é talvez bom lembrar, Que o que faz de nós são os outros, O que nós somos, não somos nós, Somos apenas o que querem que sejamos. Mas, a vontade de ser o que é, é maior, Gerando um conflito de emoções, Às quais não podemos fugir, mas talvez evitar, Fazendo de nós o que somos, quando verdadeiramente Nós somos aquilo que não somos, sendo... João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Dizer Vem todo o meu inculto sobre ti Passar essas vaidades que há no mundo Não sei se sei que sei ou me confundo Não sei se a vida é lá ou é aqui A vida a que chamei a simples vida Virou-se da virtude virtuosa Chamou-me pela fama mais famosa Fez-se Ter-me ela a mim em mim contida Chamei-me opressor de sentimentos Cuidei-me em ter o salmo dos lamentos Pensei que tinha algo só em mente Chamaram-me romântico um dia Não sou romântico. Só dizia: Sou um ser, um alguém que apenas sente... João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Escrevo o quê? Volto a falar do que sinto. Naquilo que sinto ou penso que sinto. Um sentimento não é nada mais, Do que algo imperfeito, que mostra a sua perfeição Através do coração. É aquilo que afecta todos os tolos E infelizes, como eu! É quando se solta um grito profundo, mudo e ténue, Cuja força, apesar do seu disfarce, Rebenta com ondas de murmúrios, Que dão vós às minhas palavras, Às minhas escritas! Em suma: Aos meus míseros trabalhos sentimentais. Já pensei em escrever algo racional, (não é que já não tenha escrito) Mas, apenas me fluem ideias Quando me encontro numa crise triunfante, Em que o "comboio de corda" vence a razão. Não sou como Pessoa, o grande mestre, Que escreve com o lápis racional, afiado e aguçado, Que também já se quebrou! Sou, talvez, um escrito novo, Do qual ninguém deve ou pode gostar. Pois, sou eu quem escreve, Sou eu quem falo, Sou eu quem dito as regras; Fazendo do glorioso e penoso sentimento, Algo sublime, profundo, Onde só alguns entendem o que digo. Pobres aqueles que não entendem! Até podia enunciar alguns, Mas não vale a pena . Contudo, segundo o escritor da razão: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena" Então, neste caso, eu teria que revelar os tais. Mas não o faço, pois quem escreve agora sou eu. Agora eu penso, escrevo, imagino, invento, endoideço. Digo o que me vem à mente. Se continuar com estas analogias, Então, como diz o Sr. Fernando Pessoa: " O poeta é um fingidor, que finge tão completamente...". Assim, isso quer dizer que eu poderia estar a fingir . Mas não estou! Logo, então não sou poeta. Sou apenas alguém que diz que escreve, Escrevendo palavras, (quem sabe à toa) Que traduzem o reflexo Do que penso, mas principalmente DO QUE SINTO!!! João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Ida Ao Fado que sonhei na prepotência Tomando as rédeas, tendo-o como meu Perguntei-lhe: "Porquê minha vivência? Se chuva do ar se embarca no céu?" Ouvi silêncio rompendo o som Vi apenas ninguém, sentindo passos Tentei relembrar tudo o que era bom Senti a Vida desfazer os laços A voz do Sonhado fez-se sentir Forte e rompante sendo Deus em si Trazendo o Manto para me cobrir Cobriu-me e me disse sussurrando: "Tentaste ser só tu, tendo-te a ti... Agora dorme! E acaba tentando..." João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Lucidez Percorrendo os caminhos, descobrindo... Vagueando pelas brumas da lua, Encontrei um velhote, que sorrindo, Se voltou p'ra mim, apontando a rua. Estranhando, perguntei o que queria. Voltando a sorrir, apontou de novo... Tem um rosto gasto e alma vazia Sulcos de Tempo e marcas de um Povo... Afastando o riso, afirmou, dizendo: "O Caminho é um, os passos são vários... A Morte é certa com a Vida correndo... Tenta ser quem és, fazendo o que fazes. Grita, se quiseres, p'los ventos áridos... Afirma a Vida! Faz com ela pazes!" João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Rei do Gelo A pedra que roça na minha alma Traz dor, faísca e relutância à vida! Caminha, sem mágoa, roubando a calma Levando mais dor à gente sofrida. A mágoa sentida faz-me pensar Naquilo que devo fazer ou não. Pensei que podia mais não amar Pensei mal. Algo desfez o perdão. Agora que o sinto outra vez pior Nada na vida tenho de maior Senão, a mim e a mim mesmo Aqui! Tento ser o Rei do Gelo mais frio P'ra que o meu coração não tenha brio P'ra que eu não sinta mais senão a Mim! João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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Visão Camões nasceu p'ra poeta Garrett para escritor Vasco da Gama p'ró mar Coutinho para aviador Nasce a Sorte, assim o quer A Entidade Suprema Quem não nasce não tem Fado Quem nasce Fadado tem pena O Destino, o Mar errante Com três ondas bem prendadas Joga as cartas, o Farsante, Corta as linhas perfuradas O sofredor pequenino Poucas coisas tem ele certo Das poucas coisas que ele tem: A Morte passa mais perto Neste mundo tão mal pago Desde Sorte a pão e sal Tudo é efémero na vida Só a Morte é Imortal João Manuel de Barros Página Inicial Índice Avalon |
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