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7 Poemas Editados

- Conhecimento

- Encontro

- Fluir

- Na tua voz

- Olho-te

- Os poemas que escrevo

 

- Só na palavra

 

Amor aos Pedaços

Lucy Berenguer

     

 

 

 
FLUIR
FLUIR
 
A água flui
e o rio evolui.
Um salgueiro
contempla-se inteiro.
Um melro assobia
e quebra a monotonia.
Alguém passa a ponte
à procura do horizonte.
O sol arde.
E na margem do rio
dois cães com cio
fazem a tarde.

António Breda Carvalho / Pingo-mel
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NA TUA VOZ
 
NA TUA VOZ
 
                   
Enquanto teus braços forem enseada
não deixarei de ser mar.
                  
Enquanto teu corpo for leito
não deixarei de ser rio.
                  
Mas será sempre na tua voz
que encontrarei a minha foz.



António Breda Carvalho / Pingo-mel
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OS POEMAS QUE ESCREVO
 
OS POEMAS QUE ESCREVO
 
Quando tinha quinze anos
eu escrevia poemas
tão facilmente
como levantava as saias às miúdas.
Era um impulso que me arrebatava
e todas as palavras serviam
para todas as miudezas.
Era a vida que jorrava das palavras
como a nascente de beijos
que eu bebia das cachopas.
Agora
não ouso levantar as saias às moças
nem delas recebo beijos
e os poemas que escrevo
são raros e doridos
porque todas as palavras juntas
não dizem uma migalha da vida

António Breda Carvalho / Pingo-mel
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CONHECIMENTO
CONHECIMENTO 

O teu rosto 
não o conheço 
mas vejo as suas linhas 
vales e montanhas 
no ecrã das tuas palavras escritas. 
A tua voz 
não a conheço 
mas escuto o rumorejar de sons 
canto e grito 
sob as tuas palavras escritas. 
O teu ser 
não o conheço 
mas vejo o navio branco 
praia e mar 
ancorado nas tuas palavras escritas. 
De mim 
dizes conhecer a cor dos meus dias 
o sol das minhas noites 
o silêncio do meu sorriso. 
De mim 
dizes conhecer a minha casa fechada 
a minha ilha deserta 
o mundo que inventei inacessível. 
Tudo de mim em ti. 
Nada de ti em mim. 
E assim 
meu esplendor 
tu vês a jarra 
e eu a flor. 

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ENCONTRO
ENCONTRO 

Corpo que se movimenta 
imagem que se reflecte, 
percepção que se alimenta 
do gesto que se repete. 
Percurso que se traça 
ser que transparece, 
olhar que amordaça 
à verdade nunca aparece. 
Rosto que se desenha 
identidade que se forma, 
ideia que se embrenha 
em cidade feita de norma. 
Encontro que acontece 
espanto que se revela, 
ideia que nova se tece 
nos fios de uma tela. 
Voz que se abre 
ave que se liberta, 
quebra-se o sabre 
contra a porta aberta. 
Alma que se oferece 
vida que se partilha, 
magia que corta cerce 
a distância duma ilha.
Atlas/Pingo-mel
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OLHO-TE...
OLHO-TE...
 
 
Olho-te.
E o que vejo
não sei se és tu
ou sombra de gente
que mal se pressente.
 
Olho-te.
E estando junto a ti
não sei se és tu
ou sombra de alguém
que se esconde em ninguém.
 
Olho-te.
E tocando em ti
não sei se és tu
ou simples permanência
da sombra da tua ausência.
 
Olho-te.
E entrando em ti
eu sei que és tu
a obsidiante imagem
de uma estranha miragem.
 
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SÓ NA PALAVRA...
SÓ NA PALAVRA...
 
 
Trazias contigo as mãos frias
E no rosto os traços da solidão
Era assim que me aparecias
Em ti não havia outra estação.
 
Eras no silêncio um deserto
Esfinge no gesto de cimento
E sempre que havia gente perto
Tu eras ave na voz do vento.
 
Mas quando com palavras te abrias
Em ti havia o sorriso de uma lira
E eu sabia que tu me dizias
Só na palavra se vive e respira.
 
 
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