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Amora Ribeirinha
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Página inaugurada em 07/09/2005
Última actualização
10/11/2005 |
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As esquinas da lua
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28
Poemas Editados
- Além de mim
- Asneira
- Busca
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Crepúsculo
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Decisão
- Deixa-me entrar
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Delírio
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Divindade
- Diz que morri
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Dúvida
-
Emoções
- Estranho amor
-
Eternamente
- Eu e a noite
- Lembrança do teu olhar
- Longe
- Minha verdade
-
Momento
-
Não te peço
- Nem mais uma palavra
- Nos teus braços
- O mar
- Poema para os teus olhos
- Procura-se um sonho
- Quando penso em ti
-
Quis ser
- Saudade Inacabada
- Soneto em branco
- Tardium Vitae
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Teus dias
- Triste certeza
- Um ponto de luz
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Ivana Oliveira |
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BUSCA
Vou rasgar o peito da terra,
Na esperança de te encontrar.
Invadir o sol,
Desnudar a lua.
Vou violentar todas as estrelas
Para te buscar.
Vou te procurar em todos os recantos,
Em todas as ruas,
Em todos os cantos.
Lançar-me-ei ao mar,
Numa coragem ímpar,
Para te encontrar.
Vou desmanchar o manto
Da noite,
Quem sabe ela te esconde
De mim!
Vou revirar o mundo
E todos os profundos
E todos os confins.
E, quando exausta estiver
Desta procura,
Vou reunir-me às forças
Da minha loucura,
E te buscando vou continuar...
No sol, na lua,
Quem sabe te encontro
Em algum momento?!
Mas, se porventura,
Esta busca for em vão,
Eu vou te procurar no coração
E com certeza te encontrar
No pensamento!
Ivana Oliveira
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LONGE
Não estou só, estamos
juntos
Na nossa separação.
Não estou só, estamos unidos num beijo,
Um beijo que nunca houve.
Juntos estamos na nossa recordação...
Não estou só: estamos presos num abraço,
Um forte abraço que nunca aconteceu.
Não estou só: estamos juntos num sonho,
Em momentos... nos momentos
Que vivo em pensamentos,
Em instantes – meu e teu.
Não estou só, estamos apaixonados,
Sedentos, tresloucados,
De um amor que nunca houve.
Não estou só, estamos sempre juntinhos,
Na troca de mil carinhos,
Carinhos que nunca houve.
Estamos juntos na lida,
Unidos na própria sorte,
Estamos matando a morte
Que matou as nossas vidas!
IVANA OLIVEIRA
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ALÉM DE MIM
Nasci num berço pobre, não tive fraldas de cetim;
Do frio me abrigou a mão que me adorava,
Minhas fraldas foram feitas de murim
E meus sapatos eram beijos que mamãe me dava.
Nasci poeta, sou poeta e vou morrer assim.
Amo a lua, as estrelas e toda a natureza;
Amo as noites que além de mim
São cheias de poesias, encantos e beleza.
Sou pobre como vês, pobre tão pobre
- nada tenho, nada quero, não desejo nada.
Porque mendigas meu amor, se tu és nobre?
Nasci num berço pobre, tive o corpo nu, descalços os pés;
Porém, nasci poeta, já não sou tão pobre:
- és mais pobre do que eu, que nem poeta és!
Ivana Oliveira
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ETERNAMENTE
Te amo hoje mais que
ontem,
Mais que amanhã,
Mais que em qualquer hora.
Te quero agora mais que ainda há pouco,
Com este amor tão louco,
Que me desalinha, que me apavora.
Te quero todo exclusivamente,
Mais que minha vida,
Mais que minha sorte,
Mais que além da morte;
Eu te quero todo,
Sem nenhum engodo,
Tão eternamente.
Eu te quero agora,
Amanhã e sempre,
Para todo o sempre,
Pela vida afora.
Eu te quero jovem,
Eu te quero velho,
Eu te quero tudo,
Eu te quero agora!
Ivana Oliveira
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PROCURA-SE UM SONHO
Procura-se um sonho.
Perdeu-se nas asas do vento,
Na bruma do tempo.
Procura-se um sonho.
Perdeu-se na esquina
De uma cidade
Chamada saudade
Ou, talvez, desengano.
Procura-se um sonho.
Ele é forte... não sei bem como ele é,
Tem olhos que causam
Inveja ao mar.
Tem nos lábios palavras,
Tão doces palavras
Que dá gosto e prazer de escutar.
Tem na alma bondade,
Os gestos brejeiros,
Um sorriso ligeiro,
Tristeza no olhar.
Tem nos lábios desejos
Contidos nos beijos
Que sabe beijar.
Procura-se um sonho.
Pede-se, a quem encontrar,
Devolver bem depressa
Porque há pressa na pressa
De ainda podê-lo sonhar!
Ivana Oliveira
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DELÍRIO
Deita nos meus braços
E deixa que eu te acaricie.
Penetra nas minhas noites
E me rouba o sono.
Canta nos meus ouvidos
Canções que eu desconheço...
No meu letárgico adormeço,
Nos teus braços me abandono.
Sinto-me, na verdade,
Uma mulher verdadeira,
Não sou mais a brincadeira da realidade.
Deita no meu colo
E me deixa domina-lo.
Eu tomo conta de tudo.
No auge da ansiedade,
Esta é a minha única verdade:
- amá-lo...
Mas, vem o clarão do dia,
É outro dia do mês
E eu fico dia-após-dia
No delírio e na espera
De que anoiteça outra vez!
Ivana Oliveira
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EMOÇÕES
Por que não se extingue de
uma vez
Esta dor que me tortura a alma,
Este vazio imenso que me desacalma,
Esta inexplicável sensação?
Como um barco à deriva,
Em alto-mar me sinto
A navegar na solidão.
As minhas emoções se
desencontram
E se confundem em mim os sentimentos,
E os pensamentos
Se debandam em mil lugares.
Não quero nada, mas desejo tudo,
Apesar dos meus pesares.
Luto contra toda sorte,
À deriva em alto-mar me sinto;
Se afunda a nau, eu já pressinto
Que tenho que driblar a morte.
Por que não se extingue de
uma vez
Esta tortura,
Esse descontentamento,
Esse desalento,
Essa amargura?
Ivana Oliveira
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EU E A NOITE
Um enorme silêncio tragado,
Uma ânsia incontida,
Uma insegurança bate no peito,
Uma melancolia invade a mente,
E me sinto sozinha
... eu e a noite.
Sofrimento bem sentido,
Vem do vazio e me lava o rosto
Num pranto de pesar.
Não consigo calar este grito,
Este lamento de dor.
É como uma esforra,
Da necessidade que aflora
Pra calar este grito...
Amanhece, começa um novo dia.
Um dia devagar
Pelos caminhos da vida.
A tarde vem, logo anoitece
E me sinto sozinha
... eu e a noite!
Sempre assim... sempre igual...
O que faço afinal?
Eu sei, todos sabem...
Eu existo e te quero.
Só tu não sabes,
Ou não queres saber.
Muito falo, não me ouves,
Fico sem saber
E mais uma vez me vejo
Perdida em total solidão
... eu e a noite!
Ivana Oliveira
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ASNEIRA
Eu quis te dizer tanta coisa
Que guardei por tanto tempo pra te falar.
Noites à fio fiquei a meditar.
Dizer palavras bonitas?
Falar de um amor passado?
Te chamar de meu amor, de meu amado,
Eu não podia...
Agredir, gritar, ferir com frases estranhas,
Dizer bobagens tamanhas,
Falar-te da minha vida.
Eu quis te dizer:
- que me ensinaste a
chorar,
- que me fizeste sofrer,
- que contigo eu aprendi a
odiar.
Ah! Eu desejei te ver morto,
Acabado, fracassado...
Jogado ao chão pra eu pisar.
Mas quando eu o vi o teu rosto
Marcado pela dor e o desgosto
De me teres deixado escapar
De tuas mãos,
Não pude te dizer nada
De tudo quanto pensei:
- senti raiva de mim...
- senti pena de ti...
- e chorei...
Poucas palavras trocamos
E te olhando eu recordei.
Não te disse as asneiras
Que meu íntimo desejava;
Eu só me disse baixinho:
- como eu teu amei... como eu te amei...
Ivana Oliveira
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DIZ QUE MORRI
Quando alguém perguntar por mim,
Por nosso amor
Com um gesto de tristeza
E profunda dor
Diz que morri...
Quando um dia sentires
Minha ausência
Em tua vida
E uma lágrima molhar
Tua face envelhecida,
Pensa que morri...
Já não me serve mais
O abrigo dos teus braços,
Não quero nunca mais
Seguir teus passos,
Eu já não devo mais
Chamar-te: meu amor.
Diz que morri...
Que tu já me esqueceste,
Que eu direi num gesto
De profunda dor,
Que numa manhã de sol
Também morreste!
Ivana Oliveira
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POEMA PARA OS TEUS OLHOS
Teus olhos são duas estrelas em prantos,
doces acalantos, razão de minha
derradeira ilusão.
São como sonhos, irreais, imersos,
juntos e diversos, procriando mundos,
inspirando versos.
São duas chamas acesas,
lânguidas, libertas,
num diálogo mudo de belezas.
São como a brisa imprecisa, etéreos,
calando-me puros na alma,
plenos de segredos e mistérios.
São como o acontecer do preamar,
lançando poesia no ar,
dunas, sereias, murmúrios de mar.
São teus olhinhos pétalas de flor,
aveludados, meigos, castanhos,
arcanjos, pérolas do meu amor!
Ivana Oliveira
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DIVINDADE
Vejo a divindade nas
estrelas do infinito,
No barulho afoito do mar bravio,
No silêncio, e no verde da floresta,
Nas árvores gigantes e frondosas,
Na turbulência de um imenso rio.
Sinto a divindade no
colorido das flores,
Na grandeza e beleza das montanhas,
Nas cascatas cristalinas, sobre as pedras,
No arco-íris com as mais lindas cores.
Vejo tua grandeza nas pedras
do caminho,
No velho que passa, na criança que chora,
Na moça que canta seu canto bonito,
No vôo rápido de qualquer passarinho.
Percebo-Te, Senhor, nas
manhãs ensolaradas,
Na areia branca de uma praia deserta,
Nas estradas, nos caminhos, nas pedreiras,
Na calma sutil das madrugadas.
Sinto tua grandeza na juriti,
no seu cantar,
Nas andorinhas que rasgam a amplidão afora,
No fim de uma tarde, no pôr-do-sol,
Eu vejo a divindade na luz do teu olhar!
Ivana Oliveira
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QUANDO PENSO EM TI
Quando penso em ti,
Os meus sentidos se aguçam,
Meus desejos se triplicam
E se agiganta o meu amor.
Quando penso em ti,
Volto no tempo,
E me encontro contigo
Num idílio santo,
E triunfa a minha ansiedade.
O caminho que traço para
nós,
Só rosas, só matizes, só luzeiros.
Seguimos contritos
Numa ventura sem par.
No teu olhar, me vejo vencida,
É que minha vida
Passa a ser a tua vida,
E somos um só.
Quando penso em ti,
Se apossa de mim uma total demência,
E tua presença é tão verdadeira,
Me envolvendo de tal maneira
Que nem sei explicar.
Penso em ti
E vivo o pensamento;
Queria ser feliz nesse momento
Se nunca mais parasse de pensar!
Ivana Oliveira
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SAUDADE INACABADA
Quanto mais mato saudade,
mais saudade me matando.
As velhas morrem, as novas ficam,
e o tempo vai passando...
Passam-se os dias, as
semanas,
e meses se vão, e eu ficando,
matando saudades velhas
e as novas me matando...
Às vezes até prefiro
que as velhas saudades fiquem
me ferindo o coração...
porque vens, matas saudades,
deixas mais saudades ainda,
me deixas mais ilusão!
Ivana Oliveira
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UM PONTO DE LUZ
Deves ser aquele ponto de
luz no horizonte,
Aquela nuvem de um ligeiro cor-de-rosa,
Aquele bem-te-vi, que no seu vôo elegante
Rasga a amplidão cheio de prosa..
Deves ser este silêncio
absoluto
Que repousa em cada lembrança,
Aquele menino que passa, faceiro e astuto,
A peraltice daquela criança.
Deves ser aquele homem
apressado
Que vai pelas ruas sem nenhuma atenção.
Quem sabe, és aquele velho cansado.
Deves ser esta solidão, que
sem jeito,
Indiferente, envolve este lugar.
Deves ser esta saudade, que me trucida o peito!
Ivana Oliveira
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DECISÃO
Sinto diluir-se em mim
A chama do amor ardente
Que, inconscientemente,
A ti eu dediquei.
Por muito tempo, por longínquos anos,
Me pus escrava desse sentimento.
Exausta estou e aos desenganos
Me entreguei.
E nas divagações me perco
E triste não ouço mais meu coração,
Que teima, que persiste
Nesta tresloucada ilusão.
E na turbulência do meu
pensamento
Domino a chama desse amor sem preço,
Não sou escrava mais desse tormento.
Resolvo, decido,
Te lembro, te esqueço!
IVANA OLIVEIRA
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LEMBRANÇA DO TEU OLHAR
A mim bastam o luar lá fora,
O sorriso feliz de uma criança,
Uma estrela vagarosa e bela
E uma doce lembrança.
A mim deve bastar o que já
tenho,
Nada mais tenho a desejar;
Basta para mim só a lembrança,
Lembrança do teu olhar.
Bastam-me palmas de um
coqueiro,
Em silencio a balançar,
E a saudade do amor primeiro.
O que já tenho, a mim deve
bastar,
E se tudo não me for bastante,
Eu tenho a lembrança do teu olhar!
IVANA OLIVEIRA
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NOS TEUS BRAÇOS
Nos teus braços conheci toda a ventura
De um amor infinito e verdadeiro;
Nos teus braços me envolvi com tal loucura,
... na loucura de um amor primeiro.
Tive teus beijos, teus abraços, teus carinhos...
O mundo aos meus pés... tudo era meu...
E como uma pássaro feliz fiz meu ninho,
... o ninho que foi meu e teu.
Mas, de repente acordei, na agonia
De um sonho mau, de um triste pesadelo.
Te ouvi dizendo que não me querias.
Nos teus braços me atirei chorando
E tu, verdugo, me atiraste longe,
E foste embora e eu fui ficando!
Ivana Oliveira
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O MAR
Longo tempo mergulhada estou
A contemplar o mar;
Na turbulência das ondas
Sinto uma paz infinita,
Uma luz que se espalha,
Se agita,
Ante o meu olhar.
Há um silêncio em mim
Que se confunde com o silêncio
De uma nuvem no céu a passear.
E ao léu, ela brinca de dama faceira,
Parecendo que na brincadeira
Vai cair no mar.
E as ondas se esbarram,
Se apostam, se lançam,
Se jogam tão alto,
Se misturam a areia, qual crianças travessas,
Que brincam e brincam
E nunca se cansam.
As muralhas de pedras,
Tão perto do céu,
Me inebriam as pedreiras gigantes
Que, tão calmas, exibem distante
Mil desenhos perfeitos,
Tão feitos, pelas mãos de Deus!
Ivana Oliveira
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DEIXA-ME ENTRAR
Sou eu amor, quem está batendo à tua porta
Sedenta de beijos e faminta de abraços!
Sou eu que, cambaleando e quase morta
Venho buscar o refúgio dos teus braços...
Sou eu que está batendo, deixa-me entrar:
Trago-te rosas, beijos e carinhos!
Sou eu que, faminta de amor, venho suplicar
Que sigamos nós dois, assim juntinhos...
Abre a porta, é grande a escuridão.
A tempestade vem vindo, ouço o barulho.
Deixa-me entrar no teu coração.
Sou eu quem está aqui, suplicando teu olhar,
Batendo à tua porta nesta escuridão.
Abre-a, por favor! Deixa-me entrar...
Ivana Oliveira
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DÚVIDA
Sem teu olhar eu não encontra vida,
Sem teu amor já não há graça em nada;
Morro um pouco, em cada despedida
E na dúvida de não ser amada.
Ah! Como é grande o amor que sinto!
Não há palavras que possa descrever.
Me perco nesse amor que é como um labirinto
Mas, sem ele já não sei viver.
Ah, meu amor! Quanto é profundo
O que se encerra neste sentimento:
-é o mais puro de todas as purezas.
E na dúvida que vai me consumindo,
À medida que este amor mais cresce,
Se me amas ou não, não quero ter certeza!
Ivana Oliveira
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MOMENTO
Os meus sonhos de amor se debandaram
E perderam-se na curva de alguma estrada,
E nunca mais foram sonhos.
Os meus sonhos de você se
perverteram
E confundiram-se com alguma coisa,
E nunca mais foram honestos.
Os meus sonhos se
marginalizaram
E perderam-se no submundo,
E nunca mais foram líricos.
Deste meu sonhar tristonho
Ainda restam os que não sonhei,
E que neste momento sonho!
Ivana Oliveira
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NÃO TE PEÇO
Não te peço para ir
Nem para ficar.
Apenas silencio
No meu pesar
E sofro as penas
De te ver partir.
Não te peço que fiques
Nem te peço para ir.
Todavia, se fores,
Que seja para longe,
Onde jamais te alcance
O meu pensamento,
Onde jamais possas ouvir
O meu gemer de dor,
E dos tormentos que vão ficar
Eu os transformarei
Em luzeiros pequeninos
No meu caminhar.
Não te peço para ir
Nem para ficar,
Apenas silencio
E tento compreender.
Não te peço que fiques,
Só te peço
Que não tentes me pedir
Pra te esquecer!
Ivana Oliveira
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SONETO EM BRANCO
Todas as frases do mundo
As que eu possa escrever
Não dizem nenhum pouquinho
O que eu sinto por ti.
É algo que meus sonetos
Não conseguem transmitir
Nem trovas, nem poemetos,
O que eu sinto por ti.
Por não saber expressar
O meu amor em palavras
Prefiro silenciar...
Só sei que este amor é santo
E sem ter como falar
Te escrevo um soneto... em branco!
Ivana Oliveira
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TRISTE CERTEZA
Eu te busquei no romper da aurora,
No acaso pálido e tristonho,
Na noite majestosa e calma,
Te busquei na alma,
Te busquei no sonho.
Em cada centímetro de mim
Te procurei.
Na minha orquestra de amor,
Antes tocada.
Uma lembrança sequer,
Alguma coisa.
Vestígio algum.
Não te encontrei em nada.
Tímida, meu ego espreito
E vazia de ti, me surpreendo.
E como te esquecer eu não sabia,
Mas de tanto te querer,
Eu acabei sabendo!
Ivana Oliveira
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NEM MAIS UMA PALAVRA
Não diga sequer uma palavra,
Pois eu não quero ouvir.
Basta de promessas e de planos,
Não vou me acomodar ao vil engano
Que me fez escrava de ti.
Nas profundezas das tuas
inverdades
Fiquei prisioneira.
Fui tua distração,
Teu passatempo,
Teu brinquedo de estimação
Para os momentos
Da tua brincadeira.
Meus sentimentos não
contavam,
E nas minhas dores,
Tua ausência tão constante,
E eu, mesmo sabendo,
Criava simplesmente
O motivo por que te ausentavas.
Não digas sequer palavra
alguma,
Pois eu não quero ouvir.
Metade de mim morreu aos poucos,
E o pouco que restou
Já se esqueceu de ti!
Ivana Oliveira
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QUIS SER
Eu quis ser pranto
Para correr dos teus olhos,
Quis ser a dor
Para afagar teu corpo,
Quis ser o deus que acreditas,
Quis ser a moça bonita
Que olhas em cada esquina.
Quis ser a menina da escola,
Quis ser do jogo a bola,
A tua primeira cartilha.
O teu perfume predileto.
Do teu quarto, o teto,
Onde perdes teu olhar.
Da cama, teu travesseiro,
Quis ser teu amor primeiro,
O único, o verdadeiro,
O castanho dos teus olhos...
Mas nada fui.
Nem o pranto,
Nem a dor, nem a donzela,
Nem a moça da janela,
Nem a cartilha primeira.
Fui a maior brincadeira,
O brinquedo predileto
Que passou na tua vida!
Ivana Oliveira
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TARDIUM VITAE
Não, mãe, hoje eu
Não quero ver ninguém.
Estou só e sem ter com quem
As minhas ideias trocar,
Quando eu tenho tanto
Para dar e ninguém
Para receber.
As minhas mãos estão
Ávidas por carinhos
E o meu corpo quente
À espera de alguém...
Nesta cama vazia,
Tão cheia de nada,
Os meus lábios teimam
Em bailar por sobre
Minha face rubra
De dor e desespero.
Não sei porquê este alguém
Não se dá como eu me dou...
Mas agora não importa.
Nada importa...
Não mãe, por favor, não chores.
Descerre as cortinas do quarto,
Faça tocar o Noturno de Chopin
E diga que não estou pra ninguém!
Ivana Oliveira
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CREPÚSCULO
O teu olhar é a tarde
Onde me encontro em devaneio.
Teu sorriso é a noite onde
Me escondo feliz a contemplar.
As tuas mãos, a conclusão dos meus anseios:
- eu amo o teu olhar!
E perde-se meu corpo na volúpia ardente
Desse amor sem medida e sem regulamento.
É pena que seja tão rápido, tão de repente;
É pena que seja apenas por um momento.
És as tarde onde me encontro,
És a noite onde me oculto,
Na loucura em que me embriago,
Amando assim, teu adorado vulto!
Ivana
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ESTRANHO AMOR
Não sei o que se passa em mim;
Horas me apanho
A pensar em ti.
- Estranho amor!
E no doce anseio desta distração,
Sinto no meu coração
Que estás aqui.
Em algum lugar em mim
Eu te percebo,
E neste estranho amor,
Não querendo mais te pressentir,
Me desespero, me revolto
E tento fugir.
E nesta fuga
De emoções, demente,
Me surpreendo com indignação.
Amando mais
Do que antigamente
Este estranho amor!
Ivana
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MINHA VERDADE
Cantaste no meu silêncio
Sorriste no meu pranto
Riscaste dos meus sonetos
De uma frase, o encanto.
Pisaste na minha mágoa
Zombaste do meu sofrer
Lembraste toda a tristeza
Que eu tanto queria esquecer...
Partiste quando eu chegava
Chegaste quando eu partia
Cantaste quando eu chorava
E do soneto que fiz
Riscaste a minha verdade
Só pra não me veres feliz!
Ivana
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TEUS DIAS
Teus dias são diferentes
Dos meus dias permanentes
De espera e ansiedade.
Não conheces solidão,
Não sabe o teu coração
O que é sentir saudade.
Teus dias são festejados
De momentos alentados
Com cerveja, risos e iguarias.
Não sabes e nem pressentes,
Como são tão diferentes
Os teus dias dos meus dias.
Meus dias são de espera,
Ansiedade, quimeras,
De medo, de correria.
Não sentiria saudade
Se ao menos na verdade
Fossem iguais nossos dias!
Ivana
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